sábado, 28 de fevereiro de 2026

Uma conversa interrompida


 Numa certa tarde, na lanchonete na rodoviária, Branquinha e Valdenes conversavam, quando de repente, apareceu a mendiga chique Warlla, que chegou perto deles e disse:

- O casal aí pode desenrolar 2 reais? 

Branquinha disse:

- Eu não sou namorada dele, não somos um casal. 

Warlla riu e disse:

- Mas bem que poderiam ser. Tu uma maluca de chinelos e ele descalço, dois pobretões. 

Valdenes disse:

- Warlla...

- Dona Warlla, pra você! - disse Warlla. 

- Está bem, dona Warlla, a Branquinha é publicitária, sobrinha do deputado Moab, e ela mora em uma mansão, e eu não sou tão rico como ela, mas moro lá no Conjunto Residencial Bella Ciao, já a senhora mora onde mesmo?

- Tu é muito insolente, hein, maloqueiro? Tu também era de rua, teu irmão vive nas ruas até hoje atrás daquela doida da Andreza e só porque tu saiu da rua, já tá se achando muita coisa. 

- Dona Warlla, por favor, a senhora está fumando perto da gente, eu sou alérgico a cigarros - disse Valdenes. - isso faz um mal para a saúde! 

- Mas isso é um despautério. - disse Warlla. 

Branquinha disse:

- Por favor, eu não fumo, e Valdenes também não fuma, eu gostaria que a senhora saísse, está importunando a nossa conversa. 

- Tá bom, vou deixar os dois pombinhos conversando. 

Warlla saiu de perto, e Branquinha disse:

- Credo, ela tá fedendo demais, oxe. Não sei o que era pior, a catinga do cigarro ou o fedor dela. 

- Nem fala, ela é muito inconveniente. Já foi rica, perdeu tudo, mora na rua, mas continua de nariz empinado. 


Waldo humilhado por Margarete

Num certo sábado, Waldo estava em um escritório em Berlim, quando abriu uma mensagem na sua rede social e ficou chocado com o conteúdo dela. 

Waldo, desde mais ou menos 2023, é apaixonado perdidamente por Margarete, sendo que a moça o rejeita de forma contundente, já tendo o evitado diversas vezes. Mesmo ele praticamente namorando com Karola e Margarete namorando com Jordan, ele ainda tinha algum amor por ela. 

Acontece que ao saber que Margarete havia brigado com Jordan, ele enviou algumas mensagens. Mas a surpresa veio: Margarete enviou uma mensagem muito agressiva para Waldo, que dizia:

"Pra você que não entende ou não quer entender: Gostaria de dizer que minha adorada pessoa tem AVERSÃO a você, meu caro. Não me interessa se tu me ama ou não, tu sabe muito bem que eu tenho namorado - briguei com ele, sim, mas fizemos as pazes -, me exclua completamente de sua vida, e se tu não parar com essa palhaçada vou ter que tomar medidas bem desagradáveis! 

Atenciosamente, Margarete". 

Waldo ficou chocado, pois embora sabia da rejeição, não imaginava que Margarete fosse capaz de mandar uma mensagem tão grosseira. Ele, chocado, caminhou pelas ruas de Berlim, sem destino, até que foi para o apartamento onde mora, e contou o fato acontecido para seu amigo Égon - Fritz e Félix não estavam ali. 

Égon disse:

- Meu amigo, ela passou dos limites. Tudo bem ela não te querer, mas ela foi agressiva demais. 

- Nem sei o que fazer, tô tão perdido que tô querendo sumir por uns tempos, sei lá, ir para Áustria ou Itália...

- Mas, amigo, se tu ficar pensando nela, não vai adiantar nada. Olha, esqueça ela de uma vez, isso é o que tem que fazer. Não vê a Karola, como ela gosta de tu? 

- Eu sei, mas Karola, ultimamente, anda me evitando, não sei porque. 

- Sério? 

- Sim, por isso, quando eu soube que Margarete havia brigado com Jordan, mandei mensagem pra ela, me declarando, por isso ela me deu essa resposta agressiva. 

- Meu caro, só tenho uma coisa a dizer: ela disse que ia tomar medidas desagradáveis. Pule fora, amigo, esqueça ela. Invista em Karola, e se ela não quiser, veja outra, mas Margarete, esqueça!!!!!!

Enquanto isso, Maragarete, em casa estava sorrindo. Agnes, sua mãe, perguntou:

- O que tu tem, filha? Porque está assim tão feliz?

- Dois motivos: reatei com o Jordan e coloquei aquele chato do Waldo no lugar dele. 

- Como assim colocou ele no lugar dele?

- Mãe, eu mandei uma mensagem pra ele que depois dessa eu duvido que ele ainda tenha coragem de me procurar. 

 

Karine se recusa a voltar para a família


 Num certo dia de sábado, uma lanchonete no centro de Lagoa da Italianinha ficou agitada com um encontro muito tenso. Uma família veio de Caruaru para Lagoa da Italianinha: Sérgio, sua esposa Rosa e seus filhos Ayrton e Lílian. Sérgio queria ver sua outra filha Karine, que mora nas ruas por opção e foi deserdada por ele por isso. 

O encontro não foi dos melhores. Sérgio e Karine trocaram muitas acusações. Sérgio disse:

- Tu aí dormindo em calçadas feito vagabunda, suja e fedida, descalça, tá parecendo que tu não tem família. 

- Foi minha decisão o o senhor tem que respeitar. 

- Respeitar uma ova. Você foi deserdada, saiba disso. 

- Oxe, grande coisa. Por mim, eu não tô nem aí. 

Sérgio pegou no braço de Karine, dizendo:

- Volte pra casa agora!

- Eu não volto. Vou ficar aqui, ao relento e pronto!

- Ela tá louca, pai! - disse Ayrton. 

Rosa disse:

- Filha, entenda. Não é normal tu querer trocar o luxo por uma vida nas ruas, onde tu não tem nada. 

- Foi a vida que eu quis, mãe. Eu sendo rica, sempre me senti sufocada, não tinha liberdade pra nada. 

- Chega, eu vim aqui pensando que ia ter acordo, mas pelo visto, não terá nada disso. 

Lílian, que evitava falar alguma coisa, se aproveitou da distração do seu pai e disse:

- Karine, essa tua decisão é esquisita, mas eu respeito. Não vou fazer nada contra você, vou falar com nosso pai. 

- Deixe pra lá, irmãzinha... não se importe. 

Depois de uma discussão tensa, Sérgio não se despediu de Karine, pegou sua esposa e filhos e entrando no carro, voltaram para Caruaru. Sérgio estava tão nervoso que pediu pra Ayrton dirigir. 

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Greta se adapta em Lagoa da Italianinha


Desde que chegou em Lagoa da Italianinha, a sueca Greta tem procurado se adequar ao local. Ela, acostumada a morar em lugar frio até com vista da Aurora Boreal, estava residindo agora em pleno Nordeste brasileiro. 

Seu pai Adam se tornara sócio do Shopping Maniçoba. Sua mãe Dagmar e seu irmão Gustav também já tinham se adequado á cidade. Greta gostou tanto de Lagoa da Italianinha que resolveu copiar alguns habitantes da cidade, passando a andar descalça e tomar banho com roupa, algo que é estranho até no próprio Nordeste brasileiro. 

Greta ainda passou a usar vestido dos anos 60, sendo uma vintage, e se tornou amiga da vintage maluca Fabíola. Mas não é só isso. Bela, solteira e simpática, Greta tá começando a se aproximar de Esdras, o jardineiro a quem ela ajuda. Esdras, que é viúvo, cuida de sua filha pequena Hadassa, que já tem um grande carinho por Greta. Algo diz que um romance vem por aí. 

Lúcia procura Cássia na chuva


Quando a chuva começou a cair em Lagoa da Italianinha, Lúcia saiu desesperada à procura de Cássia, pois ela não estava em casa. Ela sabia que Cássia tem mania de se molhar na chuva. 

A chuva já tinha parado quando ela chegou na rodoviária e encontrou Cássia molhada. Marlene, a dona da lanchonete, observava a cena. Lúcia disse:

- Tu não tem jeito, Cássia, não podes ver chuva que já sai assim correndo....

- Eu me sinto bem assim, irmãzinha. Eu me sinto feliz. 

- Vamos pra casa para trocar a roupa. 

- Eu quero ficar assim mesmo molhada. 

- Não seja doida. Tu pode pegar resfriado. Não faça isso. 

Cássia, meio contrariada, acompanhou sua irmã. Marlene ria e dizia:

- Essa Cássia é doidinha, eita...

Rafaela reencontra sua família

 

Num determinado dia, a jovem Rafaela, que mora no meio da mata na reserva florestal do Vale dos Gatos, em Lagoa da Italianinha, recebeu um convite para ir visitar seus pais em Limoeiro. Rafaela aceitou, e foi levada por um motorista para a casa de seus pais Teodoro e Terezinha, onde também além deles, mora sua irmã caçula Duda. 

Mesmo suja, com vestido sujo e descalça, Rafaela foi bem recebida pelos pais. Teodoro disse:

- Por que você não volta pra morar com a gente, filha? Aqui no conforto.

Rafaela disse:

- Perdão, mas meu conforto é na natureza. Não consigo mais me imaginar morando em uma cidade, no meio urbano. Desde 2008 que eu vivo assim e não me arrependo. 

- Não tem medo dos animais selvagens, filha? - disse Terezinha. 

- Não. Porque no fim das contas, o ser humano tem sido muito mais selvagem...

Duda disse:

- A gente te ama, Rafaela. 

- Sim, eu também amo vocês. Mas é a vida que eu escolhi, sabe? 

Terezinha disse:

- Aceita almoçar com a gente?

- Sim, mas eu sou vegetariana, tá? Nada de carne, por favor. 

- Está bem. 

Rafaela almoçou com seus pais sem comer nenhum tipo de carne. Ela foi explicando como era sua vida na floresta e como tem lutado para que pessoas também saia do meio urbano pra viver na mata. Teodoro disse:

- Que você queira viver na mata, tá certo, mas não acha que está exagerando em querer que outros façam o mesmo?

- Não. É o certo, o mundo foi criado com Adão e Eva numa floresta, não existiam cidades, que só surgiram depois do pecado. 

- Eu acho radicalismo seu...

Quando Rafaela foi embora, Terezinha disse:

- Se cuida, filha. Mas se um dia tu quiser voltar pra casa, as portas estão abertas. 

- Obrigada, mãe. Mas minha casa é a natureza. Mas obrigada assim mesmo. 

Rafaela pegou o carro com o motorista, que a deixou nas proximidades da reserva florestal do Vale dos Gatos. 

Sílvia caminha na chuva forte


 A forte chuva que cai sobre Lagoa da Italianinha não intimida a Sílvia, a maluca sobrinha da deputada federal Sandra Valéria. Ela caminha calmamente pela chuva, independente da força da chuva ou não. 

Começou a chover forte, enquanto alguns corriam, Sílvia permaneceu andando sem se apressar. Em poucos minutos, já estava bastante encharcada, e alguns riam da loucura dela. 

Sílvia olhava pra eles e dizia:

- O que foi? Nunca viram ninguém molhado, não? Aproveitem a chuva pra lavar suas roupas, bando de desocupados. 

Eles davam risadas dela. Mas outros se preocupavam, afinal, ela poderia ser acometida por um forte resfriado. 

Wiviane enfrenta Warlla e defende Rita de Cássia


Numa certa manhã, Wiviane, que estava com seu inseparável violão, passou pela praça principal de Lagoa da Italianinha, viu Warlla, a "mendiga chique", maltratando a mendiga Rita de Cássia, zombando e querendo tomar das mãos dela a boneca Dalila. 

Wiviane interferiu na briga das duas mendigas, e disse:

- Pare, Warlla, devolve a boneca dela. 

- Deixa de frescura, Wiviane, ela nem é criança mais, ela é da nossa idade!

- Não interessa, devolva! Se não quer que eu quebre esse violão na sua cabeça! 

- Oxe, que é isso, prima? Vai quebrar seu violão?

- Eu tenho dinheiro pra comprar outro. Vamos, devolva. 

Warlla deu a boneca para Rita, e Wiviane disse:

- Agora, suma, desapareça! 

- Você é uma igual a esses pobretões, Wiviane. 

- Olha quem fala. Quem mora nas ruas, eu ou você? 

Warlla saiu dali, irritada. Rita se abraçava à sua boneca, e Wiviane disse:

- Tenho até vergonha de dizer que essa Warlla é minha prima. Mas não vale nada. 

- Obrigada, dona Wivane. 

- Não me chame de dona, tenho essas frescuras, não. Olha, topa lanchar comigo? Tô indo na lanchonete da dona Quitéria. 

- Sim, sim!!!!

Wiviane e Rita de Cássia foram lanchar. 

Deza perturbada na rodoviária

Numa certa manhã, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, uma cena chamou a atenção dos que por ali passavam: a mendiga Deza estava caminhando pelo terminal, dando várias voltas. 

Na lanchonete de Marlene, Deinha notou isso, e disse:

- Dona Marlene, o que tem aquela mulher? Ela passou por ali, aí ela sai, e depois volta de novo, parece que ela tá dando volta em torno de rodoviária. 

Marlene disse:

- Essa Deza é perturbada do juízo, eu já morei nas ruas, saí, estou aqui, e ela vive nas ruas muito antes de eu mesmo virar mendiga, já são 39 anos vivendo nas ruas. 

- Nossa. Eu me lembro dela quando eu era criança. 

Deza ainda falava sozinha, como se estivesse com raiva e brigando com alguém. Ela dizia:

- Cabra safado, merece uma pisa, mas ele vai ver, isso não vai ficar assim. 

Deza falava em voz alta, audível para várias pessoas. Deinha disse:

- Pensa em fazer alguma coisa, dona Marlene? A senhora é a diretora na rodoviária.

- Por enquanto, não. Deza é só uma perturbada do juízo, mas ela não costuma fazer mal pra ninguém. 


 

A Família de Warlla


Em Caruaru, uma família rica vive em uma mansão na cidade. O professor Ricardo, neto da alemã Inalda, nasceu em Lagoa da Italianinha, e vive em Caruaru desde que se casou com Lourdes. Tiveram cinco filhos: Vanderson, Marilu, Washington, Wellington e Warlla. Acontece que Warlla, a mais nova, é exatamente a "mendiga chique" que vive nas ruas de Lagoa da Italianinha. 

Certo dia, Vanderson, o mais velho, disse aos pais e aos irmãos:

- Eu descobri que Warlla está vivendo nas ruas lá em Lagoa da Italianinha, usando a mesma roupa desde 2022, já bem suja, e arruma briga com todo mundo, nem os mendigos gostam dela. Ela fuma muito cigarro, bebe muito e vez por outra, paga mico mijando na roupa e se sujando na lama. Mas ela ainda se veste como madame, tem ar de superioridade e é conhecida lá como "mendiga chique". 

- Quer dizer, ela não soube cuidar do que ainda deixamos pra ela quando viemos pra cá. - disse Ricardo. 

- É, pai, mas a gente sabia que seria assim. Ela sempre foi irresponsável, bebe e fuma demais, ela não tem responsabilidade, a gente sabia que cedo ou tarde, ela ia perder tudo. 

Ricardo disse:

- Warlla está colhendo o que plantou. Ela fez muito mal à nossa família. Sempre foi uma filha péssima e desobediente. Sem contar que ela vivia semeando confusão e discórdia entre nós, ela adorava ver a gente brigando. 

- Não pretende fazer nada para tirar ela das ruas? - disse Marilu. 

- Não. Ela mesma foi atrás dessa vida. Não foi falta de conselhos. 

Washington disse:

- De fato, Warlla sempre nos causou problemas, semeou muitas brigas entre nós. Pode ver que depois que ela sumiu de nossas vidas, a gente tem tido paz e sossego. 

- Deixe ela nas ruas para aprender - disse Wellington. 

Lourdes disse:

- Eu, como mãe, fico triste em ter uma filha numa situação dessas, morando na rua, dormindo em calçadas, mas eu só posso rezar por ela. Infelizmente, ela nos fez muito mal, e eu mesma tenho problemas de saúde provocado por tanta dor de cabeça que ela me deu. Os outros filhos não me deram uma dor de cabeça, mas Warlla não cansava de me aborrecer. 

Ricardo disse:

- Pois muito bem. E quando eu for dar herança, darei a vocês. Warlla não verá a cor do meu dinheiro. E se ela pisar aqui exigindo herança, podem botar ela pra fora, de volta para a rua, ela que se vire. E tenho dito! Vamos jantar. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Kátia chuta o balde, enfrenta a prefeita, pede exoneração e é exonerada

 

Em Lagoa da Italianinha, Kátia, a secretária de Ação Social, foi entrevista na Rádio Auriverde, e o que era pra ser uma entrevista com uma simples prestação de contas, virou um desabafo. O locutor ficou tão assustado que perguntou se Kátia assumiria a responsabilidade pelo que estava dizendo. 

- Toda! - disse ela, sem pensar. 

Kátia criticou a própria gestão da qual faz parte, e alega que se sentiu "usada". Não faltaram críticas à prefeita Myllena. 

- Eu fui eleita vereadora em 2020, fiz aliança com a prefeita Myllena, ao fim de quatro anos, Myllena, que tinha me prometido que ia ser vice dela, me escanteia e coloca Giovanna, a filha dela, como vice, e aí eu fui ser vice com outra candidata, e perdemos, fiquei sem mandato de vereadora, aí a prefeita Myllena novamente vem me chamar para ser secretária de Ação Social, eu aceitei. Mas não tenho liberdade para agir e sei que tem muito abutre da gestão dela querendo me tirar de lá, especialmente as irmãs dela, Karoline e Ilene. Me avisaram que o fato da prefeita ter me chamado foi para me apagar politicamente, pois as pessoas não iam entender minha aliança com ela, depois de um ano de brigas. E agora, mais essa: ela se uniu com a deputada federal em quem vivia descendo a lenha. 

- Olha, tais ligada que podes ser exonerada depois dessas declarações, né? - questionou o radialista. 

- Estou ligada, sim, mas eu mesma me adianto e estou pedindo exoneração aqui ao vivo. 

A prefeita Myllena ficou bastante irritada com Kátia, de modo que aceitou imediatamente a sua exoneração. Kátia deixou a Secretaria e foi voltar à sua loja de roupas. Nesse período, começou a ser procurada pela oposição. 

Cássia perdida nas ruas


Numa certa noite, em Lagoa da Italianinha, Cássia estava caminhando sozinha pelas ruas com olhar atordoado, como que estivesse perdida. 

Os irmãos dela estavam preocupados, pois Cássia havia saído de casa sem avisar e sem tomar remédios. Ela andava olhando as pessoas com um olhar atordoado, e dizia ás pessoas:

- Oi, onde estou?

Cássia estava suja, não se sabe de onde ela tinha vindo. Mais perto das 10 da noite, Lúcia, sua irmã, a achou e disse:

- Cássia, onde tu estava? 

- Eu nem sei onde estou...

- Cássia, vamos pra casa agora, tu tem que tomar o remédio. E tu tá com um cheiro esquisito, mulher, porque sua calça tá assim? 

- Nem eu sei...

Lúcia levou Cássia para casa. 

Myllena resume a política para Matheus


Numa certa noite, Myllena, a prefeita de Lagoa da Italianinha, conversou com seu filho Matheus sobre a política. Myllena sabia que seu filho sonha em ser um dia político, explicando o fato porque ele usa terno e gravata direto. Myllena perguntou:

- Filhote, tu tá querendo mesmo entrar nessa?

- Estou, sim, mãe. Quero ser prefeito um dia como a senhora. 

Myllena disse:

- Olha, filho, se eu pudesse, eu tirava sua irmã Giovanna desse meio. Eu estou muito estressada com isso. 

- Por que, mãe? 

Myllena disse:

- Filho, a política no Brasil infelizmente é a arte da canalhice. Claro que há pessoas boas na política, senão eu não estaria lá. Mas imagina. O pessoal aí briga por direita e esquerda, mas a maioria dos nossos políticos tem uma ideologia: o dinheiro. 

- Bom, como assim, mãe?

- Tem gente aí que zombava de mim, me odiava, mas se eu ofereço um dinheiro a mais, ela muda de ideia na hora, veste minha camisa, defende minha bandeira, e é capaz até de andar descalça feito eu para me imitar. Tem gente aí que só não vende a mãe porque ninguém quer comprar. Eu estou muito preocupada com o que vai acontecer com Giovanna quando ela assumir a Prefeitura, é um bocado de abutre lá dentro. 

- Mãe, a senhora parece que não gosta de alguns que estão na Prefeitura, é só a senhora tirar. 

- Não é tão simples, filho. São pessoas que eu precisei do apoio, caso contrário eu nunca teria sido eleita prefeita. Pessoas que eu sempre tive raiva delas e elas de mim, mas que quiseram se unir a mim só porque não gostavam de outra candidata. 

- A senhora vai mesmo ser candidata a deputada estadual?

- Não sei. Estou ainda pensando nisso. E agora estou aliada com a deputada federal Sandra Valéria, de quem fui inimiga por 13 anos. Mas eu fiz essa aliança pela minha filha, a sua irmã, a vice-prefeita Giovanna. Tenho medo dela ser engolida por esses abutres. Pelo meu gosto, nem você e nem ela estariam nesse meio. Mas ela quis, e os partidos ainda endoidaram por ela...

Matheus disse:

- Mãe, a senhora tem mandato, é prefeita, serás deputada. Poderá mudar isso. 

- Tem certeza, filho? Então tu não sabe o problema principal. 

- Qual? 

Myllena disse:

- Vai ler a Bíblia e tu vai entender. Quando Pilatos deu ao povo o poder de escolha entre Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, e Barrabás, um bandido criminoso, quem o povo escolheu? 

- E o que isso tem a ver com o nosso assunto? 

- Pois é, vejo que estás inocente ainda, Matheus. Veja quem são escolhidos pelo povo para os diversos cargos. O mesmo povo que fura fila em casas lotéricas, estaciona em vagas de deficientes, joga lixo no chão, saqueia cargas de caminhões tombados em estradas, vende seu voto... Percebe? 

- Puxa, mãe.

- Matheus, preciso dormir. Mas vou te dar um conselho. Não quero obrigar você a nada. Mas se puder não entrar na política, eu agradeceria. Já tenho dor de cabeça demais comigo mesma e com sua irmã. Eu espero em breve estarmos nós duas também fora desse balaio de gato. Boa noite. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Suely na academia


Depois de ter passado mal e ter recebido diagnóstico de estafa, a juíza Suely resolveu se exercitar mais, pois se sentia muito sedentária. Ela passou a frequentar uma academia nas horas livres, quando não estava no seu escritório ou no fórum. 

Uma das alunas da academia questionou Suely:

- Sei que a senhora ama andar descalça, mas ao menos aqui poderia botar um tênis...

Suely riu e disse:

- Eu sei, mas eu não costumo usar calçados, mesmo. 

A juíza careca chamava atenção ali, e se exercitava muito. Chegou também a fazer curso de Defesa Pessoal, que também era oferecido na mesma academia. 

Suely ainda mantinha consigo um medidor de pressão para conferir como estava sua pressão. Apesar do susto que ela passou alguns dias atrás, a pressão está normal. 

Warlla rejeitada entre os mendigos

 

Mesmo vivendo nas ruas, Warlla, a mendiga chique, segue sofrendo rejeição de outros mendigos. Ela não perde a pose, e mesmo sendo mendiga, se considera "superior" aos outros. 

Em um beco, estavam Rita de Cássia, Andreza, Guilherme, Renata e Gílson, que não gostaram da presença de Warlla. Rita de Cássia, que tem mente de criança, usa uma chupeta, e carrega uma boneca, disse:

- O que tu quer aqui, bruxa? 

Warlla disse:

- Isso é jeito de falar comigo?

- É sim! 

Andreza disse:

- Warlla, tu não é bem vinda, se manque daqui. 

- Oxe, a fedorenta falando de mim, mas só me faltava essa. 

Guilherme disse:

- Não fale mal de Andreza. 

- Oxe, o protetor agora, é? Ah, esqueci, Guilherme, tu é doido por ela, mas ela não te quer. Mas como é que tu quer uma velha feia dessas, hein? 

Andreza ia se levantar para bater em Warlla, mas Renata a segurou, dizendo:

- Não vale a pena se sujar por ela. 

Warlla disse:

- Aqui todo mundo protege todo mundo, que coisa. 

- Vá embora! - disse Gílson. 

Warlla disse:

- Caramba, vocês estão fedendo, e pior ainda são Renata e Gílson, que nem tomam banho. 

- Oxe, olha quem fala. Tu tá tão cheirosa... - disse Renata. 

- Mas eu tomo banho. 

Os mendigos se levantaram para tentar tirá-la, mas Warlla se deitou na calçada. Gílson disse:

- É melhor deixarmos ela aí, essa imbecil. Tá começando a chover leve. 

Eles acabaram passando a noite ali juntos, mesmo com a presença de Warlla incomodando. 

Peruquinha volta a zombar de Helga

 

Numa certa noite, Estefânia, a Peruquinha, e Helga estavam na Ópera em Viena, onde Helga estava treinando para cantar. Enquanto a apresentação não começava, Helga ficou ensaiando, sob os olhares invejosos de Peruquinha, que disse:

- Tais se amostrando tanto porque, gorducha? 

- Porque brevemente irei cantar no Brasil. 

Peruquinha riu e disse:

- Endoidou?

- Não. Giovanna Victórya, que morou na minha casa, está em breve para assumir a Prefeitura da cidade dela, Lagoa da Italianinha. 

Peruquinha disse:

- Helga, até onde eu sei, brasileiro gosta de samba, carnaval e futebol. Não acredito que ópera seja o forte deles. 

- Não é por isso que não posso apresentar meu trabalho. Lá no Brasil, tem pessoas que saíram um pouco do estilo musical mais tocado lá, tem a famosa cantora lírica Bidu Sayão, tem o Carlos Gomes, compositor que compôs "O Guarani"...

- Tais muito por dentro, hein? 

- Sim, eu estudei sobre aquele país. Quando eu me apresentar lá, quero estar por dentro de como é o povo lá. 

Helga começou a cantar, e Peruquinha a olhava com inveja. 

Irritada na rodoviária


Numa certa tarde, a maléfica Dani Cruel apareceu na rodoviária de Lagoa da Italianinha, com um semblante bastante irritado. Ela estava muito nervosa, e não falava com ninguém. 

Depois de uma hora e meia, Galego, um de seus capangas, chegou, e Dani Cruel, irritada, disse:

- Isso é hora de chegar, vacilão?

- Desculpe, mas tu sabe que vir de Vila Dourada pra cá é difícil...

- Pare de desculpas, que isso não se repita, mentecapto. Como é que tu marca encontro aqui na rodoviária, eu me expondo, tu não sabe que estou ameaçada? 

- Eu sei, Dani, me desculpe...

- Que isso não se repita. E se repetir, eu te mando pra cidade dos pés juntos, tá avisado. 

Galego entregou-lhe uma bolsa, e ela colocou em sua bolsa. Dani disse:

- Vamos logo pro carro, pra ir pro Alto do Cruzeiro, que eu já estou chamando atenção aqui. 

Foram para o carro, e Pitoco era o motorista e os esperava. Saíram dali, em alta velocidade. Na lanchonete de Marlene, Deinha disse:

- Patroa, o que será que essa Dani Cruel tava fazendo aqui com esses caras? 

- Boa coisa não é - disse Marlene. 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Sozinha na oposição


Depois que soube da notícia que a prefeita Myllena oficializou sua aliança com a deputada federal Sandra Valéria, a vereadora Vanessa foi "abandonada" na oposição. Única entre os 17 vereadores que continuará combatendo a gestão de Myllena. Myllena receberá no seu grupo também o deputado estadual Moab, inclusive, com algumas nomeações para a Prefeitura. A deputada estadual Janayna já estava na base governista. 

Os quatro vereadores de oposição eram Marco Aurélio, sobrinho de Moab, a cadeirante Cíntia, filha do deputado, Taciana, a sobrinha de Sandra Valéria, e Vanessa. Valendo ressaltar que a própria Vanessa foi da base de Myllena, mas rompeu com ela, algo que evitou com que Myllena hoje tivesse 100% da Câmara ao seu lado. 

Marco Aurélio, Cíntia e Taciana acenaram para Myllena e também para a vice-prefeita Giovanna Victórya, que deverá assumir a Prefeitura quando sua mãe prefeita renunciar para tentar ser deputada estadual. 

Vanessa, por sua vez, gravou um vídeo na praça principal em Lagoa da Italianinha, e reafirmou que segue na oposição.

- Não tenho medo de ser a única hoje da oposição. Não tem problema se os outros quiseram ir pra lá, mas eu não quero. Ainda mais depois de ver que minha colega descalça prefeita é mais uma entre eles, pois se dobrou aos políticos que tanto falava mal só porque quer ver sua filha bem na fita quando ela assumir os destinos da cidade. 

A juíza Suely e a ex-candidata a prefeita Mimi prestaram solidariedade à Vanessa, e disseram que "ela não está sozinha". 

Myllena firma aliança política com Sandra Valéria


Lagoa da Italianinha teve uma grande surpresa política, pois a prefeita Myllena anunciou publicamente a adesão da deputada federal Sandra Valéria ao seu grupo político, pondo fim a uma inimizade de 13 anos. Janayna, na ocasião, também anunciou publicamente a sua desistência de disputar uma vaga de deputada federal, abrindo caminho para que Myllena pudesse fechar a parceria com Sandra Valéria. 

Janayna e Moab, que são deputados estaduais, estiveram no gabinete da Prefeitura, sendo que Moab ainda foi a maior surpresa, pois Myllena nunca foi aliada dele, sendo que de Sandra Valéria, Myllena foi aliada por anos, chegando a ser eleita vice-prefeita na chapa dela em 2012, derrotando exatamente Moab. Entretanto, logo no início do ano de 2013, Myllena rompeu com Sandra Valéria porque ela se aliou com Moab. Janayna, na época, seguiu o mesmo rumo, mas voltou com o tempo. 

Myllena, ao decidir se aliar com sua inimiga, pensa em algo maior, que é sua filha Giovanna Victórya. Como Myllena vai deixar a Prefeitura para ser candidata a deputada estadual, Giovanna é quem vai lhe suceder, pois ela é a atual vice-prefeita. Myllena quer garantir para Giovanna uma grande base aliada que lhe permita fazer uma boa gestão. 

No seu discurso, Myllena deixou claro que houve divergência entre as duas que pareciam insuperáveis, mas que agora era o momento de fortalecer a cidade, e fez elogios à deputada Sandra Valéria, que também elogiou a prefeita descalça. Moab e Janayna também discursaram a favor da aliança. Giovanna falou muito pouco ainda, mas se declarou feliz por ver as lideranças políticas principais da cidade darem as mãos a favor dela. 

16 dos 17 vereadores da Câmara estiveram presentes no evento, sendo apenas a vereadora Vanessa ausente, e que já confirmou que será a única da oposição. 

Mimi e sua bisavó portuguesa

 

Numa certa manhã, na feira livre de Lagoa da Italianinha, onde tem uma barraca de lanches, Mimi mostrava com orgulho para um grupo de turistas que visitavam a cidade uma foto de sua bisavó Mary Dee. Ela se animou a conversar com esses turistas quando notou que eles eram portugueses. 

Mimi disse:

- Eu fico feliz em vocês virem de Portugal e fazer uma visita aqui no interior de Pernambuco. Eu sou bisneta de uma portuguesa. 

- Sério??? - disse o turista, que estava ao lado de sua esposa. 

- Sim. Ela se chamava Mary Dee, era cantora. 

- Ora, a gente ouviu falar em Mary Dee - disse a turista esposa do outro. 

Mimi disse:

- Ela nasceu em 1899, e veio para cá aos 36 anos, fugindo do regime fascista de lá, do Salazar. 

- O Salazarismo foi uma triste página da história do nosso país. 

- Pois é, imagina que ela ficou aqui 11 anos longe do marido que estava preso. Ele mesmo lá pediu pra ela fugir pra cá, e ela veio com um filho pequeno. Ele, depois da guerra, foi solto e veio pra cá, também, e aqui ficaram até morrerem. Eu amei a história da minha bisavó, mas fico triste porque não tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, quando eu nasci, ela já tinha morrido alguns anos antes. 

- Mary Dee era magnífica, você tem que ter orgulho de sua bisavó - disse o turista. 

Mimi disse:

- Realmente, eu queria até abrir aqui um museu pra ela, mas não é fácil. Aqui tem um Museu de Imigração Italiana, pois essa cidade foi fundada por italianos, e tem um que vai abrir sobre coisas da Alemanha, pois aqui também viveu uma alemã. 

Mimi notou que os turistas a olhavam de uma forma estranha, e a mulher perguntou:

- Moça, porque és careca?

- Desculpe, é estilo meu, esse meu estilo parece estranho, sabe, mas eu amo ser assim. 

- Está bem, compreendemos. - disse o homem. 

Mimi convidou os dois turistas para irem à sua barraca, e eles se deliciaram do lanche de Mimi. 

Anna Beatriz e a história de Jacilene


 Numa certa manhã, Fada Allana levou Anna Beatriz para uma praça principal no centro de Vila Dourada, no agreste de Pernambuco, e ao observarem uma estátua, Anna Beatriz perguntou:

- Quem é essa mulher representada na estátua? Ela parece tão bonita.

- É a fundadora de nossa cidade, a francesa Jacilene, que viveu há mais de 200 anos, entre a metade do século XVIII e começo do século XIX. 

- Nossa, faz tempo. A cidade aqui é bem antiga, então. 

- Sim, já tem 214 anos de história, esse ano completará 215 anos. As cidades aqui vizinhas, Lagoa da Italianinha, Serra Grande do Agreste e Nova Humaitá pertenceram a Vila Dourada. Primeiro, em 1890, Serra Grande se emancipou, aí em 1928, Nova Humaitá se emancipou de Serra Grande, e em 1963, Lagoa da Italianinha se emancipou de Vila Dourada. 

- E essa Jacilene? Fale mais sobre ela. 

- Ela nasceu na França em 1752, viveu lá em Paris até 1782, quando veio para o Brasil, mas ela foi morar lá em Vila Rica, onde hoje é Ouro Preto. Lá, ela conheceu um  homem daqui de Pernambuco, com quem se casou e veio morar aqui. Aí, fundaram esse povoado que virou cidade. Ela foi quem deu o nome de Vila Dourada, como se fosse uma homenagem a Vila Rica. Ela era iluminista, era a favor da Revolução Francesa e lutava pela independência do Brasil. Ela chegou a doar jóias para a Revolução Pernambucana de 1817, e ela ainda viveu o suficiente para ver D. Pedro I dando o grito do Ipiranga. 

- Interessante, essa cidade tem muita história. 

- Muita, mesmo. Aqui estamos no Nordeste, mas com toques franceses, por causa da fundadora, e ainda temos uma colônia japonesa aqui que vieram para cá no período de Getúlio Vargas. 

- Eu tô encantada. Muito encantada. Jacilene, uma grande heroína, que veio de tão longe e fez florescer esta cidade perto de Serra Negra e fazer esse lugar ser desenvolvido. 

- Verdade, agora, vamos pra casa, tu tem trabalho. 

- Sim. 

Anna Beatriz foi se afastando, mas não parava de olhar para a estátua. 

A juíza e a mendiga


 Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a juíza Suely estava conversando com a mendiga Andreza, que viera lhe pedir uma esmola. Suely disse:

- Estás com fome mesmo?

- Muita. 

- Senta aí, eu vou te pagar um lanche. 

Andreza, feliz, se sentou e começou a conversar. O lanche foi servido, e Andreza disse:

- E a senhora não vai comer nada, doutora?

- Não, eu já comi. Pode me chamar de Suely mesmo. 

- Obrigada, dona Suely. 

Mesmo Andreza com cheiro forte de cigarro, urina, mau hálito, chulé e forte odor nas axilas, Suely ficou ao seu lado. Andreza disse:

- O povo diz que eu fedo muito, não se importa uma madame tão fina e tão elegante ficar perto de mim?

- Não, eu não me importo. Não me considero melhor do que você por isso, não. 

Andreza disse:

- Que mal lhe pergunte, dona... porque a senhora é careca?

- Foi decisão minha. Eu sempre quis ser, mas era preocupada com as opiniões alheias. Mas eu raspei a cabeça e já tem 9 anos que eu sou assim. 

- Gozado é que eu tô de sapatos, e quem tá descalça é a senhora, que é rica. - disse Andreza. 

- Sim, pra que as pessoas vejam que esse negócio de andar de pés no chão não tem nada a ver com pobreza ou riqueza. Eu também abandonei os calçados, e foi decisão minha. 

- Já eu não consigo, dona. Não tiro os sapatos nem pra dormir e nem pra tomar banho. Por isso essa catinga forte de chulé que a senhora deve estar sentindo. - disse Andreza. 

- Sim, mas eu tenho alguns sapatos em casa, como eu não uso sapatos mais, eu posso lhe dar alguns. Se quiser, claro. 

- Claro que sim. 

- Mais tarde, eu procuro lá e amanhã eu trago aqui na lanchonete e deixo com Marlene. 

- Obrigada. 

Suely se levantou e apertou a mão de Andreza, dizendo:

- Levante-se, pra mim te abraçar. 

- Me abraçar???? A senhora vai ficar fedendo. 

- Deixe de coisa, faça o que estou pedindo. 

Andreza se levantou e Suely a abraçou. Suely disse:

- Se preocupe, não, tô indo agora pra casa. Mas mesmo você sendo de rua, saiba que você é importante pra Deus. 

- A senhora é crente?

- Sou, mas isso não vem ao caso. Antes de ser crente, sou cristã. 

Suely cumprimentou Andreza e foi para sua casa, enquanto Andreza ainda terminou o lanche. 

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Ruth protege Tia Sandra nas noites de Verona


No ano de 1936, numa noite fria de Verona, a mendiga Ruth parecia proteger a famosa Tia Sandra, deitada com uma boneca do lado. Tia Sandra havia fugido de casa, chegando a passar dois anos morando nas ruas antes de ir para um hospício em Milão. 

Ruth protegia Tia Sandra, que tinha mente de criança, como se fosse uma filha sua. Nessa ocasião, Ruth tinha 57 anos, enquanto Tia Sandra tinha 45 anos, mas com mente de criança. 

Tia Sandra logo pegou no sono, e Ruth dizia:

- Dorme, querida, dorme... parece um anjo...

Nessa ocasião, a família de Tia Sandra pouco se interessava por ela. A única que realmente se preocupava com ela era a sobrinha dela, Lanie, mas ela tinha se mudado para o Brasil em 1935 devido à perseguição da ditadura fascista. 

E assim, as duas mendigas conviveram juntas por cerca de dois anos, entre 1935 e 1937. Tia Sandra saiu das ruas e ainda viria a ser internada em um manicômio antes de ir para o Brasil em 1946. Ela nunca mais veria Ruth, mas se lembrava dela com carinho. 

Já Ruth só saiu das ruas em 1958, indo para um abrigo, já com 89 anos de idade. Ruth tinha 92 anos, em 1961, quando chegou a notícia que Tia Sandra havia sido elevada para o céu no interior de Pernambuco. Ruth respondeu:

- Não duvido que isso seja verdade. Ela era tão pura...

Mimi é atacada por homem preconceituoso


 Na rodoviária de Lagoa da Italianinha, aconteceu uma discussão entre um homem de fora e Mimi e Valdenes. Em dado momento, ao ver Mimi, ele ficou olhando-a com zombaria, por causa do estilo dela. Mimi disse:

- Tá rindo do que?

- Na boa, tu parece uma ET. Olha isso, careca, um pé calçado e outro descalço...Você é a mulher mais feia e doida que eu já conheci. 

- Não diga, sou feia, né? Devo parecer com sua vovozinha. 

- Epa, me respeita, ET. 

- Você quem começou, imbecil!

Valdenes passava por perto, e acabou tomando as dores de Mimi, mesmo sem ser muito próximo dela. O homem riu: 

- Esse idiota dos pés descalços é teu namorado, é? Dá um par certo, dois doidos. 

- Não sou namorado dela, mas admiro essa mulher - disse Valdenes. 

- Tu é muito imbecil, cara, tu descalço, não tem sapatos, não?

- Tenho, mas só uso quando tomo banho, com roupa e tudo. 

Ele riu e disse:

- Não sei quem é mais doido. Uma careca de um pé calçado e outro descalço e outro doido que é descalço mas toma banho de roupa e sapatos. Essa daí deve ser mendiga, nossa. 

Valdenes disse:

- Engano seu, ela foi candidata a prefeita e teve 23 mil votos. 

- O que??? Ainda teve 23 mil malucos votando na ET?

- Pare de me chamar de ET, seu imbecil, que eu chamo a polícia. 

- Você é uma ET, sim. Por que tu usa uma sandália só em um pé e o outro é descalço?

- Isso não te interessa. É meu jeito de ser e eu gosto de ser assim. 

De repente, chegaram na hora os policiais Júnior e Ana Clécia, que perguntaram:

- Algum problema?

- Esse idiota está tratando mal Mimi, e chamou-a de ET. 

Ana Clécia disse:

- Oxe, mais um crime nas costas desse homem. 

- Como assim, mais um crime? - perguntou Mimi.

Júnior colocou as algemas nele e disse:

- Você está preso por preconceito, racismo, assassinato cometido em Serra Grande, extorsão em Nova Humaitá, atropelamento em Vila Dourada e chantagem em Lagoa da Italianinha. 

- Caramba, esse cara é o cavalo do cão! - disse Valdenes. 

O homem preso disse:

- Essa ET e esse amiguinho dela me pagam, se não tivessem me distraído eu não estaria preso. 

- Vai-te embora, carniça! - disse Mimi. 

O homem foi colocado no camburão e levado preso. Mimi disse ao Valdenes:

- Obrigada por me defender. Como recompensa, passa lá na minha barraca amanhã de manhã e meio-dia, tome café e almoce lá por minha conta. 

- Muito obrigado, amiga. - disse Valdenes. 

Josenilda e Marlene se divertem na piscina

 

Num certo domingo, Josenilda convidou Marlene para visitar a piscina da casa de uma amiga dela. Marlene disse:

- Tu vai pra piscina? Dessa vez tu vai com traje de banho, hein? 

- Jamais. Eu vou entrar até de tênis, e eu falei pra ela que tu também toma banho assim. 

- Puxa, ótimo. Eu já gostei. 

Josenilda e Marlene foram na casa da amiga, que entraram vestidas na piscina, e os banhistas ao lado ficaram surpresos. Um deles disse:

- Duas matutas doidas, têm vergonha dos seus corpos, é? Devem estar feios pra caramba, têm que entrar assim na água, nem os tênis tiram. 

Josenilda disse:

- Doida é a sua vovozinha, eu entro como eu quiser, a roupa é minha e tu não tem nada com isso. Fica na tua!

Marlene retrucou:

- É isso mesmo, fica na tua, mané.

- Brabinhas as duas, olha pra isso. Não sei como a dona da casa deixa essa cena ridícula acontecer. 

A dona da casa também estava nadando, com trajes de banho, e vendo o que estava acontecendo, disse ao rapaz:

- Deixe elas em paz, elas gostam de tomar banho assim, vestidas. 

- São duas doidas. 

- Pare de desrespeitá-las, senão tu pode pegar tuas trouxas e vazar daqui. 

O homem ficou calado, enquanto Josenilda e Marlene se divertiam. 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Amor à primeira vista em Lisboa


O ano era 1920. Em um bar no centro de Lisboa, o jovem José Maria sentou-se para beber um pouco, e de repente, virou seus olhos para uma cena que o deixou encantado: uma bela jovem de 21 anos, Mary Dee, cantando para o público presente. 

José Maria mandou chamar o garçom e disse:

- Garçom, quem é esta moça? 

- Ela chegou em Lisboa faz pouco tempo. O nome artístico dela é Mary Dee. 

- Ela é muito linda. 

José Maria se levantou e ficou observando-a. Mary Dee também parecia gostar do novo fã. Um homem que tocava uma guitarra portuguesa ficou observando os dois. Quando ela terminou sua apresentação, José Maria disse:

- Desculpe, não quero atrapalhar. Aquele homem está olhando para cá. Deve ser seu marido, com ciúmes. 

- Eu???? Eu sou solteira. Aquele é meu primo. 

- Sério????

- Sim, eu até namorava, mas acabei faz uns dois meses. 

José Maria convidou Mary Dee para jantar com ele. Dali se iniciou um romance. José Maria não conseguiu a aprovação de sua família, católica ultraconservadora, pois Mary Dee era liberal para seu tempo. Mesmo assim, eles se casaram, brigados com suas famílias, e em 1929, nasceu Manuel, o único filho do casal. 

Durante a ditadura de Salazar, José Maria foi preso, e ele mandou que Mary Dee e Manuel fugissem para o Brasil, o que foi feito, se estabelecendo na atual Lagoa da Italianinha, em Pernambuco. José Maria foi solto depois da guerra e foi para o Brasil ao encontro de sua amada esposa, depois de 11 anos sem se verem. Passaram o resto de seus dias casados e morando em Lagoa da Italianinha, no Brasil. 

Hoje, alguns de seus descendentes vivem em Porto: Manuel, o filho deles, ainda vivo, com a filha dele, Fátima, e alguns netos. Já em Lagoa da Italianinha, vivem os bisnetos deles, as irmãs Paula, Luciana, Débora e Mimi, e um primo chamado Caio, entre outros. 

Deza e Warlla trocam ofensas na rua


Numa rua deserta de Lagoa da Italianinha à noite, as mendigas Deza e Warlla estavam discutindo uma com a outra, de forma calorosa. Warlla, conhecida como "mendiga chique", tem relação difícil com outros mendigos, pois mesmo ela morando nas ruas, ainda se acha superior a eles. 

Warlla, em dado momento, disse à Deza:

- Sabia que eu te odeio?

- Não diga. É recíproco. 

- Tu aí suja, não toma banho faz quase 40 anos, caramba, como tu vive assim, hein?

Deza disse:

- Eu percebo que tu não deixa de ser besta mesmo depois que tu perdeu tudo. Eu moro nas ruas há 39 anos, conheço todos dessa cidade, e você, quando era rica, me humilhou várias vezes. 

- Nunca te humilhei, só coloquei tu no seu lugar. 

Deza disse:

- E qual seu lugar agora? Dormindo em calçada feito eu, suja, feito eu e fedida feito eu, a única diferença é que tu toma banho e eu não tomo banho, só isso. 

- Tu deve ser uma velha muito derrubada, eu era criança e já te via na rua. 

Deza pegou o cabelo de Warlla e ia puxando, dizendo:

- Me respeita, que eu tenho idade pra ser tua mãe. 

- Me solta. Eu não tenho uma mãe fedorenta e porca. 

Deza disse:

- Tem razão. A sua mãe é uma pessoa de ótima índole, por sinal, ela vive lá em Caruaru e não quer saber de tu, porque tu aborrecesse muito ela. Pensa que eu não sei da história da péssima filha que você foi?

- Isso é problema meu. 

- Tem razão. Só estou te dizendo umas verdades. 

Deza ia saindo, e pegando um cigarro, ia fumar, e Warlla disse:

- Me dá um cigarro, pelo menos. 

Deza jogou o cigarro para Warlla, dizendo:

- Toma, e desapareça daqui! 

Warlla saiu dali, e Deza se deitou em uma calçada ali perto. 

Natinha na lanchonete


Numa certa noite, perambulando pelas ruas de Lagoa da Italianinha, a mendiga Natinha foi na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona, e disse:

- Eu estou só com alguns trocados, eu vim de Gravatá andando a pé para cá, e eu estou sem comer. 

- Tu mora onde? Qual seu nome?

- Me chamo Renata, mas sou chamada de Natinha. Eu não tenho casa, moro nas ruas. 

- Bom, vou te servir um lanche, não se preocupe com pagamento. 

Natinha ficou sentada do lado de fora, enquanto Quitéria mandou Flaviana servir o lanche. Enquanto Natinha comia, Quitéria disse pra Flaviana:

- Tu a conhece?

- Sim, eu já morei nas ruas, sei quem ela é. 

- Ela aceitaria ir para algum abrigo?

Flaviana disse:

- Não. Eu a conheço, ela se acostumou a viver assim pelas ruas. 

- Eu não entendo como uma pessoa vive na rua e ainda se acostuma... - disse Quitéria. 

Natinha, depois de terminar o lanche, agradeceu e foi para a praça, onde ficou. 

Moab e Janayna preocupados com quadro político


O deputado estadual Moab mandou chamar para uma conversa a deputada estadual Janayna em sua casa, em Lagoa da Italianinha. Ambos são da cidade, já foram prefeitos e foram eleitos deputados estaduais por grupos diferentes. Mas um fator político anda preocupando ambos. Moab disse:

- Janayna, eu achei interessante falar com você, é que é bom tu ficar antenada, eu estou achando que a deputada federal Sandra Valéria tá priorizando muito a prefeita Myllena e nos deixando meio em escanteio. 

- Por que tu acha isso, colega?

- Bom, ela já teve uns vários encontros com a prefeita, que quer ser também deputada estadual. E sem contar que Sandra já disse que quer apoiar a gestão da Giovanna, a filha de Myllena, que vai virar prefeita quando a mãe sair. Mas comigo já não tem tido mais encontros, eu não sei com você. 

- Comigo, também não. Eu era pré-candidata a federal e estava pra fazer uma dobradinha com Myllena, mas eu estou estudando se vou entrar na corrida pela Câmara Federal. 

- Entendi. 

- Moab, me diz uma coisa: o senhor teria dificuldade em apoiar Myllena se Sandra Valéria te pedisse?

Moab disse:

- Olha, eu gosto muito de Sandra Valéria, e independente de continuarmos aliados ou não, quero continuar amigo dela. Mas eu teria dificuldade em apoiar Myllena. Ela quando era vereadora e eu prefeito, ela vivia me atacando, chegou até me acusar de mandar matá-la, tu mesma lembra disso, tu também era vereadora. 

- Sim, eu me lembro. Mas sei que aquele atentado que ela sofreu não foi o senhor, foi sua filha Danúzia. 

- É verdade. E não se esqueça que foi porque Sandra Valéria resolveu se aliar comigo que Myllena rompeu com ela e passou a atacá-la. Tu mesma na época seguiu o mesmo rumo, se lembra? 

- Lembro, sim. Myllena é ética, competente e honesta, mas às vezes toma decisões no impulso e no estresse, eu mesma alertei sobre isso. 

- Janayna, vamos aguardar essa movimentação, pra ver no que vai dar. Qualquer coisa, a gente conversa de novo. 

Sandra Valéria recebe Giovanna e Myllena no seu escritório


Numa certa tarde, a deputada federal Sandra Valéria recebeu em seu escritório em Recife a vice-prefeita Giovanna Victórya e a mãe dela, a prefeita Myllena, de Lagoa da Italianinha. A deputada estava vendo pessoalmente Giovanna pela primeira vez desde sua volta ao Brasil, visto que Giovanna passou oito anos na Europa, quatro na Alemanha e quatro na Áustria. 

Sandra Valéria disse:

- É um prazer conhecer a futura prefeita de Lagoa da Italianinha pela primeira vez. 

- Obrigada, deputada. 

- Olha, a sua mãe e eu estamos deixando de lado nossas diferenças e queremos lhe dar todo apoio. Vinha acompanhando sua performance e gostei muito da sua postura. Você tem tudo para ser uma prefeita ainda melhor do que eu e sua mãe fomos. 

- Puxa, suas palavras me deixam muito grata. 

- Confesso, Giovanna, que eu cheguei a cogitar em 2024 ter você como candidata no nosso grupo no lugar de Mimi, mas infelizmente, não conseguimos.

- Sério????

- Sim, a deputada viu esse potencial em você. - disse Myllena - ela me disse. 

- Eu ia disputar contra minha própria mãe? - disse Giovanna, rindo. 

- E com chances de vitória, eu tinha pesquisas que davam vocês duas quase empatadas. E quanto a isso, que é que tem, a minha filha Alba Valéria, presidente da Câmara, já faz tempo que deixou de ser do meu grupo político e está com vocês, né?

- Verdade. 

Sandra Valéria disse:

- Mas agora os tempos são outros, Giovanna. Você está prestes a assumir a Prefeitura, sua mãe será deputada estadual e já estamos firmando um acordo, eu serei federal e ela estadual, estou disposta a dar toda estrutura pra conseguir que ela seja eleita e você faça uma ótima gestão na cidade. 

Giovanna disse:

- Deputada, será que o povo em Lagoa da Italianinha vai entender essa aliança de vocês?

- Ué, o atual presidente e o atual vice-presidente do Brasil também não eram inimigos? 

Myllena disse:

- A ajuda da deputada será muito importante, Giovanna. Eu tenho certeza que essa parceria renderá muitos frutos. Eu fui aliada dela por muitos anos, e digamos que estou voltando para o grupo que eu fazia parte. 

- Entendi, mãe. 

As três almoçaram juntas no escritório. 

Discussão na lanchonete da rodoviária

 

No Terminal Rodoviário de Lagoa da Italianinha, Wêdja, que novamente havia bebido além da conta, começou a maltratar a mendiga Solange. Nessa hora, Valdenes estava por ali tomando café, e separou as duas, dizendo:

- Wêdja, porque tu bate nela????

- Porque é uma pobre sem teto! Só está aqui pra encher o saco!

Valdenes disse:

- Eu já morei nas ruas, e eu conheço Solange, não admito que faça nada contra ela. 

- Oxe, leva ela pra morar na tua casa com você. 

- Solange não quer sair das ruas, é um direito dela. 

De repente, Marlene, que estava na cozinha da lanchonete da rodoviária, escutou, e chegando lá, disse:

- Mas o que está acontecendo aqui?

Solange disse:

- Wêdja queria bater em mim do nada! 

- De novo, tu vem causar confusão aqui, Wêdja? Olha, tu já bebeu quatro garrafas, ponha-se daqui pra fora. 

Valdenes disse:

- E o pagamento dela?

- Ela já pagou adiantado. Vá embora, Wêdja! 

- Nada disso, eu paguei oito garrafas!

- Pronto, depois tu vem consumir as outras quatro. Mas suma! 

Wêdja olhou Valdenes e Marlene e disse:

- Tá bom, vocês preferem a companhia dessa mendiga fedorenta do que a minha. Com licença. 

Wêdja saiu dali cambaleando, e Solange disse:

- Me desculpe, não queria...

- Deixa pra lá, não foi culpa tua. - disse Marlene. 

Valdenes disse:

- Bom, vou indo trabalhar. 

Valdenes foi trabalhar, Marlene entrou na lanchonete e Solange foi pedir esmolas ali perto. 

A amizade colorida de Esdras e Greta


Numa certa tarde, o jardineiro Esdras, que mantém um roseiral em Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, passou uma tarde inteira com a sueca Greta, que se tornara sua ajudante. Acontece que ela havia passado do horário de ficar ali e acabou fazendo companhia à ele. 

Esdras é viúvo, e tem uma filha pequena chamada Hadassa. Sua esposa Emma morreu em um acidente de carro entre Lagoa da Italianinha e Vila Dourada, há oito anos, quando Hadassa ainda era bebê, em circunstâncias misteriosas, depois de uma discussão de Emma com seu pai Ademar. 

Após a tragédia, Esdras se dedica a cuidar de sua filha com muito amor e carinho. Greta chegou recentemente da Suécia com sua família, seus pais Adam e Dagmar, e seu irmão Gustav. Greta se identificou tanto com a cidade que passou a andar descalça e tomar banho vestida, como fazem algumas pessoas que vivem na cidade, além de adotar um visual vintage, como da década de 60. 

Mas, na cidade, comenta-se que Esdras e Greta estariam a caminho de um romance. Hadassa, a pequena filha de Esdras, gosta tanto de Greta, que já a vê como uma "segunda mãe", pois Greta lhe oferece muito carinho e amor. Mas apesar de gostar de Esdras, Greta se sente um pouco incomodada com a ideia de "substituir Emma". 

Em Lagoa da Italianinha, Adam, o pai de Greta, é um dos sócios do recém-inaugurado Shopping Maniçoba, que se tornou o primeiro centro de compras na cidade, atraindo muitos compradores da cidade e de localidades vizinhas. 


A rebeldia de Renata


Uma das mendigas que vive nas ruas de Lagoa da Italianinha, Renata é conhecida por ser sapeca e por ser de gênio muito forte. Ironicamente, é muito raro ela pedir esmolas, o que geralmente só acontece quando ela está com muita fome. 

Renata rejeita olhares de piedade das pessoas. Ela costuma dizer:

- Não quero que olhem pra mim com pena. Eu moro na rua porque quero, mesmo. O destino fez isso comigo e eu aceitei, pronto. Não me imagino debaixo de um teto. Eu teria que pagar contas, eu teria que seguir regras, eu teria que tomar banho, essas coisas. Não gosto de tomar banho, só quando a chuva cai sobre mim, eu aceito. 

Renata rejeitou duas chances de sair das ruas, tanto para ir para um conjunto residencial como para um albergue. E ela quer reunir os mendigos para formar um grupo que protesta contra o desejo de alguns de retirá-los das ruas. Renata é tida como inconsequente e radical por sua posição. Conta-se que em 2022, quando alguns mendigos saíram das ruas, Renata não só rejeitou como convenceu alguns amigos mais próximos a continuarem nas ruas. 

Devido a isso, Renata causa incômodo a muita gente. A mendiga loira, como é chamada, rejeita sair das ruas, morar debaixo de um teto e ter uma vida digna. Além do mais, é tida como adepta da falta de higiene, exalando um mau cheiro forte e sendo uma das poucas amigas mais próximas da mendiga Esvalda, a mais suja e mal-cheirosa dos mendigos, que odeia banho. 

Flávia, a atual vereadora e ex-mendiga, que era secretária de Ação Social na época da remoção de alguns mendigos nas ruas, critica a postura de Renata com frequência, dizendo até mesmo que o número de mendigos atualmente em Lagoa da Italianinha seria muito menor não fosse a atitude de Renata na época. Uma das mendigas da época, Alana, chegou a confessar que pensou em ir para uma das casas, mas mudou de ideia após ser convencida por Renata. Mesmo assim, alguns anos depois, Alana foi para um albergue. 

Renata se defende, dizendo que não quer que os mendigos sejam vistos como pobre coitados, e quer ter a liberdade de viver a vida que escolheu, sem teto. Mas a postura de Renata já a colocou em conflitos até mesmo com a prefeita Myllena e a deputada estadual Janayna. Na cidade, ela é tida como "mau exemplo" por muitos. 

Apesar disso, Renata tem uma grande qualidade: é honesta e correta. Nunca cometeu um furto e até procura devolver carteira de dinheiro perdida para o dono. 

Fabiana rejeita voltar para a Venezuela


A venezuelana Fabiana, que vive nas ruas de Lagoa da Italianinha com seus filhos Eduardo Felipe, Emerson Isaías e Everton Samuel, foi informada que o ditador Maduro foi tirado do poder em seu país. Mas mesmo com essa novidade, Fabiana não quer voltar para o seu país, ao menos por enquanto. 

Fabiana é tida como estranha, pois rejeitou várias vezes ir para abrigos, ao contrário de duas outras famílias venezuelanas que têm na cidade, sendo que uma mora no Conjunto Residencial Bella Ciao e outra no sítio Mandacaru. Fabiana alega "guardar péssimas lembranças de quando esteve em um abrigo de Boa Vista", mas ela não deixa claro que más lembranças seriam essas. 

Alguns a chamam de "preguiçosa", pois Fabiana rejeitou os abrigos e pede esmolas, mas seu filho mais velho Eduardo Felipe é mais ativo nisso. 

Há quem diga na cidade que Fabiana não quer voltar para o seu país porque ela não teria boas relações com sua família. E uma curiosidade é que mesmo morando nas ruas, Fabiana tem um celular e carrega uma bolsa vez por outra.

Fabiana, em Lagoa da Italianinha, ainda é conhecida por ser brava, e já se envolveu em brigas algumas vezes. Também costuma dar broncas em seus filhos, até mesmo quando alguns deles está usando chinelos - ela os quer descalços feito ela. Devido ao seu gênio difícil, se indispôs com Marlene, a dona da lanchonete da rodoviária e foi barrada lá. 

Ivana, a rival de Suely

 

Juíza em Vila Dourada, Ivana é uma rival de Suely, a juíza de Lagoa da Italianinha, a cidade vizinha. Ivana é conhecida por sua elegância e sua educação, e curiosamente, assim como Suely, também só anda descalça. 

Ivana anda tentando também colocar amigos seus no lugar de Suely, que anda sendo alvo de pedidos de afastamento devido principalmente ao seu visual e ao seu envolvimento com política. 

Um dos juízes perguntou à Ivana:

- Não sei porque queres afastar Suely, ela é descalça feito tu. 

- Sim, é verdade, mas eu tenho cabelos, né? E jamais vou abrir mão deles. 

- Entendi. 

Ivana visita Lagoa da Italianinha com uma certa frequência, principalmente depois que Suely pediu um juiz auxiliar, devido a estresse por excesso de trabalho, que a fez passar mal recentemente. Mas ao contrário de Suely em Lagoa da Italianinha, Ivana não é muito querida em Vila Dourada, existindo até um boato de que ela é uma "vampira". 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Dani Cruel e seu plano ambicioso

 

Numa certa noite, Dani Cruel e um dos fiéis escudeiros foram à fazenda do deputado estadual Moab, uma outra que ele possuía fora de Lagoa da Italianinha. Ela insistiu em marcar uma audiência com o deputado, que a recebeu, meio contrariado. 

Moab disse:

- Seja bem vinda, Dani Cruel, minha filha Danúzia me falou muito de você. 

- De fato, sou muito famosa nesta cidade. 

Moab disse:

- Até pra cá, tu vem descalça, é?

- Eu não uso calçados desde 1991, são 35 anos de pés no chão, meu amigo. Não tenho calçados e nem sinto falta. 

Moab viu um homem olhando com raiva, e perguntou:

- Quem é esse?

- Esse é Remela, um dos meus secretários. 

- Remela... ok. Diga o que você deseja. 

Dani Cruel disse:

- Eu vou te apoiar para deputado estadual, e tenho votos lá no Alto do Cruzeiro. 

- Interessante, e o que você quer em troca?

- Hum, bem que dizem que o senhor é raposa velha. Já sabe que nada é de graça. 

- Sim. 

- Eu quero seu apoio para minha candidatura a vereadora em 2028!

Moab assustou-se e disse:

- Tu vai se candidatar a vereadora?

- Ué, porque não? Ah, só porque já fui presa, sou líder uma organização, mas espere, quantos aí que tu conhece que tem a ficha mais suja que meus pés? 

- Bom, Dani, é um negócio arriscado. 

- É nada. Estou no Brasil, deputado. Aqui pessoas como eu têm melhor chance de se elegerem do que uns bocos da mola tipo aquele tal de Valdenes, que é um zero à esquerda ou aquela idiota da Malu, que é a veterinária. Vai me queimar, deputado? 

- Você tem apoios no Alto do Cruzeiro?

- Claro, e quem não votar em mim, eu mando passar fogo. 

- Posso pensar um pouco? 

Dani Cruel riu e disse:

- Não gosto de pegar ninguém de surpresa, pode pensar, deputado. Mas seja rápido. Se me disser que sim, eu me engajarei na sua campanha, o senhor tem muitos votos garantidos no Alto do Cruzeiro! 

Dani Cruel e Remela deixaram a fazenda, e Moab ficou assustado. Ele não gostava muito da ideia de se unir a uma criminosa perigosa de Lagoa da Italianinha. 

O Encontro das Vilãs


 Numa certa tarde, após voltar do Carnaval, Danúzia foi no escritório de sua prima Monalisa, a detetive careca, e viu lá a cantora Lidyanny, irmã de Eraldo. Danúzia disse:

- Então você é a famosa Lidyanny que canta? 

- Sim, sou eu. Eu por sinal sou uma cantora muito boa. 

Monalisa disse:

- Lidyanny disse que admira muito você, Danúzia, como madame elegante e fina que você é. Ela se inspira em você. 

- Muito obrigada. Mas, porque essa estrela na testa, Lidyanny?

- Minha marca. Apenas isso. 

Danúzia disse:

- Muito bem, me contaram que tu é de família de classe média, por isso, te recebi, se tu fosse pobre, eu não queria nem que passasse por perto aqui. 

- Oxe, nem se preocupe. Eu sei que tu não gosta de pobre. Realmente, eles são insuportáveis. Quando termino meus shows, eu corro logo pra nenhum fã vir me encher a paciência. 

- Muito bem, Lidyanny, parece que tu é das nossas, mesmo. 

Monalisa disse:

- Seu irmão Eraldo não gosta de Danúzia, ele sabe que tu tá aqui:?

- Eu não devo satisfação nenhuma pra ele. 

- Senti firmeza! - disse Danúzia. 

Dois novos casais em Lagoa da Italianinha


Numa certa tarde, no centro de Lagoa da Italianinha, dois amigos conversavam alegremente. Ambos eram solteiros e haviam conhecido mulheres interessantes. Caio e Egídio são amigos de infãncia, sendo que Caio é da família descendente da portuguesa Mary Dee, enquanto Egídio é da família descendente da alemã Danielly. 

Certo dia, eles se encontraram, e Caio disse:   

- Egídio, tu acredita que eu conheci uma mulher linda e interessante? 

- Sério???? Eu também, eu ia te contar essa novidade. 

- Sim, uma mulher muito inteligente, muito educada. Ela não é daqui de Pernambuco, ela é da Itália. 

- Bom, a que eu conheci também é italiana. 

- Normal, essa cidade foi fundada por italianos, é o que mais tem aqui. 

- O que ela faz da vida? - quis saber Egídio. 

- Ela é modelo. 

- Ué, a que eu conheci também. 

- Sério???? Mas ela é modelo diferente, ela não é como as outras - disse Caio. 

- Em que sentido?

-  Ela gosta de fazer vídeos e fotos tomando banho de roupa e tudo, e ela própria diz que só toma banho de roupa, não sei como ela consegue. 

Egídio já ficou irritado e disse:

- Espere, a que eu conheci também é modelo e toma banho de roupa. 

- Isso só pode ser brincadeira, Egídio. Tu tá de sacanagem! Não pode ser a mesma mulher. Aliás, pode. Esse negócio de tomar banho de roupa, venhamos e convenhamos, é coisa de gente maluca. Mas eu gostei dela, assim mesmo. 

- Mas pelo visto, nós vamos brigar, pois a mulher que conhecemos é italiana, toma banho de roupa e é modelo wetlook, portanto, não podem ser duas mulheres, amigo. Ou ex-amigo, né?

De repente, apareceram as italianas Cláudia e Érica, e Caio correu logo para abraçar Cláudia, dizendo:

- Ela é minha, nem encoste nela!

Egídio riu e disse:

- Cara, eu vi agora. Fica tranquilo, a que eu me interessei é essa outra, a descalça. A Érica. 

- Foi mesmo????

Egídio abraçou Érica, e disse:

- Quase que a gente brigava pensando que era a mesma mulher. 

 Cláudia disse:

- Questa donna é mia amica Erica, anche fare bagno vestiti!

- Ecco! - disse Érica. 

Caio e Cláudia foram conversar, e Egídio e Érica foram juntos para outro lado. 

Taline e Teane visitam casa antiga com Antônio Neto

 

Certo dia, na antiga casa que a alemã Inalda morou, em Lagoa da Italianinha, as suas bisnetas, as gêmeas Taline e Teane foram ao local acompanhadas com Antônio Neto, que tem 101 anos e é um dos sobreviventes que conheceu Inalda pessoalmente. 

Taline e Teane estavam projetando tranformar a casa em um museu com quadros de Inalda, que atuou como artista plástica, além de falar mais da cultura alemã, que também influenciou a cidade em seu nascedouro. 

Taline e Teane observavam atentas as palavras de Antônio Neto, que segurava um quadro com a foto de Inalda, dizendo:

- Conheci Inalda, uma mulher magnífica, bonita por fora e bonita por dentro. Mesmo sendo rica, ela sempre foi simples e tinha um grande carinho por todas as pessoas do sítio onde ela foi acolhida. Ela era inclusive muito nova quando chegou aqui, e conheceu minha avó Alvanir, que veio do Ceará, e que já era idosa, e Inalda chegou a pintar um quadro para ela. Vocês têm que se orgulhar da bisavó que vocês têm. 

Taline disse:

- Pois é, ela veio pra cá, e isso foi bom pra ela, pois ela escapou dos sofrimentos lá da Alemanha nos anos 30, diferente da prima dela, Danielly, e das outras amigas dela, Stella, Alessandra e Lucélia. 

- Verdade, dessas só a Stella morreu, mas a Danielly veio pra cá, como vocês sabem. Alessandra foi pra Maceió e Lucélia foi para Jerusalém. 

Teane disse:

- Eu fico impressionada porque a maioria dos alemães gostam de ir pro sul do Brasil, mas ela veio aqui para Pernambuco, em pleno Nordeste. 

- Verdade, mas ela me disse, eu era criança, e ela me contou que achou Pernambuco muito acolhedor, e ela foi muito bem recebida, embora alguns aqui não gostassem dela, como minha mãe Mônica e uma beata da época chamada Lady Andréia. 

Taline disse:

- É importante seu conhecimento sobre nossa bisavó Inalda, pois nós não a conhecemos, e quem a viu pessoalmente tinha mais informações pra nos passar, com certeza. 

Depois da visita à casa antiga, Antônio Neto levou Taline e Teane para almoçar em sua casa, e depois, elas voltaram para a casa delas. 

Deza na rodoviária

 

Primeira mendiga de Lagoa da Italianinha, Deza foi à rodoviária da cidade, para ir pedir esmolas e tentar fumar e tomar café por lá. Deza passou por algumas pessoas, exalando um mau cheiro forte - ela odeia tomar banho - e algumas pessoas lhe negaram esmolas, e outras lhe deram. 

O cheiro de Deza era tão forte que poderia ser sentido a alguns metros de distância. Ela é muito conhecida na cidade por ser a pessoa que vive há mais tempo nas ruas da cidade, desde 1987. Alguns dos atuais pais de família, empresários e políticos da cidade já nasceram quando Deza já vivia nas ruas. 

Deza, que também tem problemas de loucura, tentava conversar com as pessoas, falando coisa com coisa. Ela se aproximou de um homem idoso e disse:

- Calor tá muito grande, nossa, e estou toda suada, caramba. 

O homem, não aguentando o mau cheiro dela, saiu de perto. Deza disse:

- Que pena, perdeu muito em não conversar comigo. 

Algumas pessoas tentavam ficar mais longe dela. Marlene, a dona da lanchonete da rodoviária e diretora do terminal, disse para Deza:

- Mulher, é o seguinte: tem como tu ir embora?

- Por que????

- Porque... seu cheiro... é, seu cheiro está incomodando a gente. 

Deza disse:

- Tá proibido aqui entrar pessoas fedorentas? Esvalda é mais fedorenta que eu e vive por aqui.

- Engano seu, a Esvalda já foi expulsa daqui, também. 

- Sinto muito, Marlene, aqui é público. Me admira tu, que já viveu nas ruas, tu tratar a gente assim. 

- Dona Deza, não me faça tomar medidas drásticas. 

- Eu vou, mas eu não gostei, e vou denunciar você por discriminação contra mendigos. 

- Não tem nada a ver com tu ser mendiga, mas com tu estar fedendo. 

Deza saiu dali, nervosa e inconformada. 

A loucura e bondade de Fábia

Uma das mendigas mais queridas e carismáticas em Lagoa da Italianinha, Fábia, conhecida por sua aparência muito jovial apesar de sua vida so...