domingo, 1 de fevereiro de 2026

Mimi reencontra um amigo de infância


Num certo dia, em Lagoa da Italianinha, um homem que trabalhava com vendas apareceu ali e viu Mimi e seu filho Tontom na lanchonete de Marlene, na rodoviária. Ele idsse:

- Michelly Fernanda? É você?

- Sim, sou eu. 

- Mas como você está diferente. 

- Sei, meu visual te surpreendeu...

- Você está lembrada de mim?

- Sim, nós estudamos juntos. 

Ele se sentou à mesa, com a permissão dela, e pediu um lanche. Ele disse:

- Tô morando em Gravatá, aqui pertinho, e trabalhando com vendas. E você?

- Eu sou feirante, e estou com uma barraca na feira, já fui líder sem terra e candidata a cargo eletivo, até a prefeita, e tive mais de 23 mil votos na eleição passada. 

- Mas que mal lhe pergunte, Michelly... porque tu está careca? 

- Eu que quis. Raspei a cabeça já faz tempo. E me sinto bem feliz. 

- Mas... me lembro quando estudávamos juntos. Você era a menina mais bonita da classe, tinha os cabelos bonitos...

- Bom, esse teu padrão de beleza consumista não é o meu forte. Meu padrão de beleza é esse, ser quem eu sempre quis ser. 

- Me perdoe perguntar, e porque tu só anda com um pé calçado e outro descalço? 

- Porque é o símbolo da minha rebeldia, amo ser diferente. 

- Mas na época que estudávamos, você usava calçados nos dois pés, como qualquer pessoa normal. 

- Mas eu odiava. Tão logo fiz 18 anos, abandonei os calçados do pé esquerdo. 

- E teu filho também só usa sapato em um pé. 

- Claro, ele puxou a mim, tem que ser. 

- Bem, é bem... excêntrico. 

Mimi disse:

- Eu não tenho vocação pra ser madame patricinha chique, odeio vestidos caros, gosto de ser assim, simples e bem diferente dos demais. Eu nasci no meio rico, mas nunca tive essas frescuras, não. 

- Mas dizem por aí que tu é doida, né?

- Oxe, ser doida pra mim é elogio. Se ser "normal" é fazer parte da sociedade hipócrita, sou louca, doida, maluca, com muito orgulho. 

- Bom... tu pretende deixar o cabelo crescer de novo?

- Sinceramente? Nem estou com vontade. 

- Está bem, desculpe as perguntas enxeridas. 

- Não se preocupe, amigo. Bom, preciso ir. 

Mimi e seu filho Tontom pagaram seus lanches e saíram. Marlene e sua funcionária Deinha observavam a conversa. Em dado momento, ele disse:

- Confesso que já fui apaixonado por ela na minha infância... mas hoje eu acharia tão esquisito. Se ela fosse minha esposa, jamais eu deixaria ela raspar a cabeça nem andar com um pé calçado e outro descalço, aliás, nem descalça ela andaria. 

- Mas é o jeito dela, com certeza, ela ia querer se separar de tu - disse Marlene.

- Será?

Deinha disse:

- Conhecendo Mimi como conheço, ela tem gênio forte. Ela não ia ceder aos teus caprichos, não. 

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