domingo, 1 de fevereiro de 2026

Um dia terrível para Maria Clara

 

O ano era 1973, e o Brasil vivia o período do Regime Militar. Lagoa da Italianinha, cidade do agreste de Pernambuco que tinha dez anos de emancipada, entrou no alvo de investigações. O comunista Estêvão Villegagnon, chegou a ser preso com sua esposa japonesa Naksu. 

Nessa época, o prefeito de Lagoa da Italianinha era o coronel Pontes Florêncio, pai do atual deputado estadual Moab. Ele mandou perseguir a oposição na cidade. 

Maria Clara, simples camponesa casada com o italiano Fausto e mãe de Leda, entrou na mira das investigações sob suspeitas de supostamente esconder comunistas em sua cabana simples. 

Nessa época, Maria Clara, que já tinha 55 anos, foi levada a uma delegacia em Lagoa da Italianinha, para depor. Fausto, seu esposo, estava em Vila Dourada e voltou correndo quando soube da prisão de sua esposa. 

Maria Clara negou envolvimento com política de qualquer natureza. A família, porém, havia entrado na mira de investigação por causa de Leda, a filha, que era do movimento hippie e andava com Lídia, a feminista que também estava na mira. 

Maria Clara chegou a ficar detida, e presenciou sessões de tortura. No fim das contas, não foi comprovada nenhuma ligação dela com comunistas. Muito abalada após ser solta e voltar pra sua cabana, ela nunca mais teve boa saúde depois de viver essa terrível experiência. 


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