sábado, 11 de abril de 2026

Danúzia vira blogueira e grava vídeo no rio


Certo dia, Danúzia pediu ajuda a Rodolfo para gravar um vídeo onde ela se diverte no rio da cidade de Lagoa da Italianinha. Danúzia disse:

- Rodolfo, tu vai ficar gravando eu nadando, mergulhando, e ainda vou subir na pedra e dar três pulos no rio. 

- Que mal lhe pergunte, dona Danúzia, não seria melhor na cachoeira?

- Não, a cachoeira tá cheia de pobre. Essa parte do rio é bem limpa e dá pra nadar aqui. 

- Está bem, eu espero a senhora colocar seus trajes de banho. 

Danúzia disse:

- Mas quem falou em traje de banho, paspalho? Eu vou entrar com essa roupa que eu estou, até de sapatos. 

- Oxe, que maluquice é essa? 

- Maluquice, nada, eu sou chique até na água, viu? Meu traje de banho é a roupa que eu uso normalmente. 

- Eu, hein?

- Vai gravar, ou não? Se não quiser gravar, eu chamo outro!

- Não, vou gravar, sim. 

Rodolfo ligou o vídeo no celular, e Danúzia disse:

- Olá, meus amores, agora, vou dar uma divertida aqui no rio, olha que natureza linda, confiram essas belezas, junto comigo!

Danúzia foi logo entrando, e quase tropeçava, pois estava de sapatos salto alto, mas ela não perdeu a pose, e se divertia, chegou a pular no rio três vezes, enquanto Rodolfo gravava. Quando ela terminou a gravação, saiu do rio, e Rodolfo encerrou a gravação de oito minutos. Rodolfo disse:

- A senhora postar isso, vão te chamar de doida...

- Oxe, tô nem aí, podem falar mal, desde que falem de mim. Me dê o celular, pra mim  te passar o pix. 

- O pix? Pensei que a senhora ia dar dinheiro vivo. 

- Ô, paspalho, como é que eu ia carregar dinheiro no bolso se eu entrei com roupa e tudo no rio? O celular ficou aí na sua mão. 

- Ah, sim, tudo bem, desculpe. 

Danúzia passou um pix para Rodolfo e depois os dois voltaram pro centro da cidade. Danuzia postou o vídeo em sua rede social, recebendo elogios e críticas. 

Saudades de uma amiga


Numa certa noite, numa praça em Lagoa da Italianinha, os mendigos Rita de Cássia, Gílson, Renata, Andreza e Guilherme estavam conversando sobre uma certa pessoa, que eles conheciam. Rita estava triste, e Gílson disse:

- O que é que tu tem, Rita?

- Aquela nossa amiga que morava nas ruas aqui com a gente, não sabemos onde ela está. 

Renata disse:

- Ah, eu lembro, uma pessoa maravilhosa, descalça feito eu, e de muita personalidade. Pena que ela gosta de tomar banho, esse é o defeito dela. 

- Eu lembro muito dela, muito aventureira, corajosa, valente, briguenta, e bem doida, também. - disse Andreza. 

Guilherme disse:

- E ela gosta de dançar, né? Eu lembro várias noites eu a vi dançando no meio da rua, sem ser vista pelas pessoas, porque era bem tarde. 

- Será que ela volta? - disse Rita. 

- Creio que sim, eu fiquei sabendo de tanta coisa, uns disseram que ela tava lá pro lado de Limoeiro, outros disseram que ela tava pelas bandas de Caruaru... - disse Gílson. 

- Quando ela voltar, a gente vai abraçá-la, vai ser a maior festa - disse Renata. 

Andreza disse:

- Desde o ano passado que a gente não a viu mais. E o problema é que nem tem rede social dela, pois ela é das ruas como a gente, nem temos como saber onde ela está. 

- Quem sabe, ela volta logo? - disse Guilherme. 

- Assim espero... - disse Rita, abraçada à sua boneca Dalila. 

Quando terminaram de conversar sobre a mendiga misteriosa, Rita de Cássia foi para o chafariz com sua boneca, Gílson e Renata foram à barraca de Josinete, e Andreza e Guilherme foram para uma rua deserta. 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Giovanna recebe Rafaela na Prefeitura

A prefeita Giovanna Victórya, em Lagoa da Italianinha, fez questão de convidar para uma conversa com ela a jovem Rafaela, que vive no meio da mata no Vale dos Gatos e lidera um grupo de pessoas que vivem ali. Rafaela foi em um carro acompanhada do motorista da prefeita, e ao chegar na sede da Prefeitura, a prefeita a recebeu de forma muito gentil. 

- Pode entrar, moça, não se preocupe. Fique à vontade. 

- Obrigada! - disse Rafaela. 

- Nunca tive a oportunidade de te conhecer, eu cresci longe daqui passando anos morando na Alemanha e na Áustria. É verdade que você foi mais rica do que eu, tu era de Limoeiro e decidisse largar tudo pra viver na floresta, debaixo de árvores? 

- Sim, é verdade. 

- Mas como tu consegue? 

- Quem ama a natureza feito eu, dona Giovanna...

- Pode me chamar de Giovanna, tenho frescura, não. 

- Bom... quem ama a natureza, Giovanna, se sente bem nela. 

Giovanna disse:

- Eu escutei dizer que tu tem uma lábia boa, até a ex-vereadora Adriana foi na tua conversa e foi morar lá. Ela largou a carreira política, largou a psicologia, largou tudo, mesmo. 

- Bom, ela foi porque se sentiu bem, eu só fiz reforçar...

- Mas e como ela está? Minha mãe fala muito dela. 

- Adriana não vive mais conosco, ela, por questões de saúde, teve que ir para um chalé, mas ela mora bem perto da gente. 

- Sei... entendi. E onde vocês dormem?

- Na mata, mesmo, entre as árvores. 

- Caramba, eu não me imagino morando nem mesmo nas ruas, que dirá numa mata. 

Rafaela disse:

- Eu só espero, prefeita, que a senhora possa nos respeitar em nosso estilo de vida. Não tenho a menor intenção de voltar à civilização. 

- Mas tu anda tentando convencer as pessoas a irem pra mata. 

- Sim, é verdade. Mas sei que nem todos irão, a minoria irá. 

- Bom, Rafaela, tudo bem, eu não estou aqui pra te criticar, nem nada, mas quero saber se lá tem algo que a Prefeitura possa intervir, pois eu quero informações. 

- Bom, Giovanna... é que lá a gente só enfrenta aquela dona Fafá, que ainda não desistiu de fazer uma fábrica de perfume lá, destruindo a mata. Não só a gente como os índios da aldeia próxima estão apreensivos. 

- Não se preocupe, que com Fafá eu me entendo. Eu conheço a peça. Vou indo agora para um  restaurante, almoçar, quer ir comigo?

- Eu? Uma simples selvagem de pé descalço do lado de uma dama feito a senhora?

- Oxe, que é que tem? Minha mãe só vive descalça, também. E você é gente feito eu. Vamos embora. 

- Tudo bem, mas eu só não como carne, tá? - disse Rafaela. 

- Certo. 

Giovanna e Rafaela foram almoçar, e depois, a própria Giovanna levou Rafaela até o Vale dos Gatos, onde ouviu alguma reivindicações. 

 

Diversão no rio


Um certo dia, Valdenes e Aline Débora passeavam conversando perto do rio que corta Lagoa da Italianinha, e Aline disse:

- Vamos entrar no rio... 

- Entrar? 

- Sim, vamos nadar, mergulhar...

- Pena que eu nem trouxe sapatos, estou descalço feito você. 

- Como assim?

- Eu uso sapatos na água, é somente quando estou de sapatos. Mas ando sempre descalço pela rua. 

- Doidinho, vamos entrar. 

Aline Débora pulou no rio, e Valdenes pulou também. Aline Débora disse:

- Ainda bem que tu toma banho de roupa feito eu. Se tu tirasse a roupa pra tomar banho feito os "normais", eu nem queria papo com você. 

- Relaxa, sou assim desde criança. 

Eles chegaram a se abraçar, e quase se beijaram, mas alguém gritou, e eles interromperam e eles tiveram que sair do rio. Eles não chegaram a ser vistos pelo homem que gritou, que era um caçador. Valdenes e Aline Débora, encharcados, tiveram que voltar pro centro da cidade. 

Alessandra passeia pelos escombros da guerra


O ano era 1918, e a alemã Alessandra, com 21 anos de idade, via seu país sendo bombardeado por inimigos na Primeira Guerra Mundial. Alessandra passeava sozinha em cima dos escombros, imaginando que seu país passaria a partir dali por momentos mais críticos. 

A guerra havia tirado do seu convívio a pintora alemã judia Inalda, que havia ido morar no Brasil. Suas outras amigas, Danielly (a prima de Inalda), Lucélia e Stella, também estavam arrasadas com a guerra. Alessandra soube do Tratado de Versalhes, que punia severamente a Alemanha, e ela dizia, passando por cima dos escombros:

- Esse tratado vai trazer mais escombros para cá...

Alessandra virou militante comunista, e começou a participar de revoluções. Anos mais tarde, na ditadura, acabou confinada durante a Segunda Guerra Mundial em um campo de concentração, e ao sobreviver, foi morar em Maceió, onde passou o resto de sua longeva vida, tendo conseguido até mesmo ver em vida a Reunificação Alemã. 

Mendiga Limpa x Mendiga Chique


 As duas mendigas mais inusitadas de Lagoa da Italianinha se encontraram numa noite, por acaso, em um beco no centro da cidade. Sayonara, conhecida como "mendiga limpa", por não exalar sujeira como os demais moradores de rua, e Warlla, conhecida como "mendiga chique", que se veste como se ainda fosse uma madame da época que foi rica um dia. 

Warlla tentava provocar Sayonara, e dizia:

- Tu pode tomar quantos banhos quiser, mas tu não tem a mesma elegância que eu, eu posso ter perdido tudo, mas não perdi a pose. 

- Grande porcaria, tu. Warlla, tu se acha a última bolacha do pacote, cuidado que essa bolacha é quem vem mais quebrada, tá?

- Invejosa. Você é só, não tem família feito eu tenho. 

- Ah, tu tá falando daquela família de Caruaru que te odeia? Te enxerga, Warlla. Eu cresci nas ruas, e quando tu era rica, vivia me maltratando e me humilhando. Agora, a conta chegou e você também é mendiga feito eu! 

Warlla riu e disse, com ironia:

- Tu é muito abusada, Sayonara. Olha, vou perder meu tempo de estragar minha beleza falando contigo, não. Olha aí tua roupa rasgada, coisa de pobre. A minha tá inteira. 

- Minha roupa tá rasgada, mas não tá suja de lama, e nem está fedendo a... tu sabe a que. 

- Ixe, vou-me embora, que pode ser contagioso! - disse Warlla. 

Sayonara gritou:

- Vai-te embora, carniça! 

Warlla saiu dali, e foi para outro beco, onde se deitou. Sayonara foi para um banco de praça, dormir lá, com seus inseparáveis lençois. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Vivendo no meio da natureza

Na reserva florestal do Vale dos Gatos, município de Lagoa da Italianinha, quase na divisa com Vila Dourada, cinco dentre os moradores da floresta estavam reunidos perto de uma fogueira, enquanto a noite avançava. Eles não dormiam em nenhum abrigo, mas apenas no meio da mata. Rafaela, Danielle, Eduardo, Diana e Lulu estavam orando e meditando. Longe de tecnologias, da vida urbana e da civilização. 

Rafaela dizia aos que ali estavam:

- Se bem soubessem o quanto é bom estar aqui, e não na agitação urbana... 

- Verdade - disse Danielle. - eu vim pra cá e nunca me arrependi. 

Diana, a mais velha, que já tinha uns 50 anos, disse:

- Rafaela, bendito dia que tu me chamou pra cá, eu me sentia sozinha e minha família nunca ligou pra mim. 

- Verdade, dona Diana - disse Eduardo. 

Lulu, por sua vez, não falava. Rafaela disse:

- Eu ainda quero povoar esse paraíso com mais pessoas. Temos que libertar as pessoas da agitação urbana e conectar com a natureza. 

- Só sinto falta de Adriana conosco - disse Danielle. 

- Adriana está num chalé aqui perto, ela teve que ir por questões de saúde, e eu entendo - disse Rafaela.

A vida deles tinha regras. Nada de celular, nada de comer carnes, apenas comer verduras, frutas ou comidas que não contivessem carne - eram vegetarianos -. Visitar a cidade, só três vezes na semana, quando seria permitido o contato com familiares, pessoalmente ou pelo celular de alguém. Notícias, nem pensar, principalmente política. A partir do dia que Adriana passou a morar no chalé, foi permitido que eles pudessem passar a noite nesse chalé em caso de chuva muito forte. Como não tem cama para todos, eles dormem no chão, que é exatamente outra regra deles, sempre dormir no chão. 

Rafaela, que exerce uma certa liderança, criou essas regras, que são seguidas à risca pelos outros. A quebra de uma delas não resulta em expulsão, mas apenas em advertência. A exclusão da comunidade selvagem acontece apenas em caso de traição ou algum crime. Danielle é uma espécie de "número 2", ou vice-líder no grupo, pronta para liderar se Rafaela estiver ausente. 

A Revolta de Ilene


Numa certa noite, revoltada por ter sido deixada de fora na composição do secretariado da gestão da prefeita Giovanna Victórya, Ilene estava mergulhando e nadando na piscina, quando chegou sua irmã Karoline, que disse:

- Ilene, tá frio, tu na piscina essa hora? 

- Estou aborrecida demais com nossa sobrinha Giovanna, como ela teve a coragem de me excluir da gestão dela? 

- Ilene, a nossa irmã Myllena já queria te tirar. E agora, Giovanna assumiu e decidiu isso.

- Além disso, ainda recusou a Danúzia como secretária de Ação Social, que eu queria indicar. Um ultraje!

Karoline foi para cima de um piso, para ficar mais perto de Ilene, e disse:

- Ilene, a Giovanna é mais rigorosa do que Myllena. Esses anos que ela passou na Alemanha e na Áustria acho que foram decisivos pra moldar o caráter dela. 

- Não me conformo. Eu não aceito. Vou conversar com ela, eu sou tia dela!

- Ela não quer você, Ilene. E venhamos e convenhamos, tu estava desviando verbas para tua agência de modelos wetlookers, e Giovanna não tolerou isso. 

Ilene saiu da piscina, e disse:

- Isso não vai ficar assim. Vou tomar providências!

- Para, Ilene. Não faça nada que vá se prejudicar depois. Acho bom tu me escutar. Agora, entra, e troque de roupa, bota uma roupa seca e vá dormir. 

Ilene estava aborrecida com sua sobrinha e prometia retaliações. 

A Mendiga Limpa


 Numa certa noite, Valdenes e Branquinha andavam pelo centro de Lagoa da Italianinha, quando se depararam com a mendiga Sayonara, que reconheceu Valdenes e disse:

- Valdenes, saísse das ruas?????

- Sim, desde 2022. E tu, por onde andava, Sayonara?

- Fui me aventurar na capital. Mas voltei... e você, Valdenes, continua descalço mesmo tendo saído das ruas?

- Sim, é claro, sapatos, só uso em banhos...

Sayonara riu e disse:

- É mais doido que eu, toma banho de roupa e sapatos mas anda descalço pelas ruas...

- E tu, vai sair das ruas quando?

- Nem tenho interesse de sair... quero ficar livre. Me apresenta aí sua namorada. 

Branquinha disse:

- Eu não sou namorada dele, somos só amigos.

- Ah, tá, desculpe. Tenho que ir, tá? 

- Se cuida, Sayonara. 

Sayonara saiu dali, e Branquinha disse:

- Essa moça parece boazinha, mas meio doidinha...

- É, mas tem uma coisa interessante. Sayonara, notasse como ela é limpa e asseada? 

- É mesmo. Não senti nenhum mau cheiro vindo dela, e não vi sujeira, como vejo em outros mendigos. 

- Ela é muito asseada, mesmo, Sayonara costuma forrar um lençol na calçada onde dorme para dormir em cima dele. E no dia seguinte, se há alguma sujeira, ela pede licença para a dona da casa ou da loja em cuja calçada ela dormiu para varrer a calçada. 

- Caramba, a gente só sabe que ela é mendiga porque a roupa dela é rasgada. Mas não vi uma mancha de sujeira. 

- Verdade, ela é maluca, mas tem um coração de ouro, viu? Ela é sozinha assim, vive pelas ruas e se sente livre, mas ela é uma pessoa do bem e muito prestativa. 

Valdenes e Branquinha foram para suas casas, enquanto Sayonara chegou na calçada de um hotel na praça, e pegando dois lençois que havia deixado em uma caixa, forrou um no chão e outro se cobriu com ele, adormecendo na calçada. 

Alvanir e Aurineide se divertem no mar

 

Corria o ano de 1872, e as irmãs Alvanir e Aurineide foram passear pelo mar em Fortaleza. E as duas não se fizeram de rogadas e entraram de roupa e tudo no mar. 

Alvanir dizia:

- Quando chegar em casa, nosso pai vai nos dar uma bronca, por estarmos molhadas, visse?

- Eu nem ligo, é tão libertador!

As duas nadaram juntas, e se divertiam, jogando até mesmo água uma na outra. Pouco tempo depois, elas saíram do mar, e foram para praia, para esperar seus vestidos secarem. 

Alvanir e Aurineide gostavam de se divertir vestidas no mar, mas a irmã mais velha Aline e o irmão mais novo Daniel achavam loucura delas. Os pais delas, o barão Almir e a baronesa Delma, davam muita bronca nas duas por isso. 

Isso explica também porque nos dias atuais, em Lagoa da Italianinha, tataranetos de Alvanir (entre eles, Jad, Valdenes, Vitória e Josy), e tataranetos de Aurineide ( entre eles, Josiane, Danúzia, Josineide e Branquinha), gostam de tomar banho com roupa e tudo...

Giovanna empossa seu secretariado

 

Em Lagoa da Italianinha, a prefeita Giovanna Victórya anunciou a composição do seu secretariado. Giovanna manteve a maior parte que esteve na gestão de sua mãe Myllena, mas fez algumas mudanças que repercutiram muito. 

Na Secretaria de Saúde, permanece sendo Claudiane, na Secretaria de Educação, permanece sendo Aurystella, na Secretaria de Indústria e Comércio continua sendo Sandrinha, na Secretaria das Finanças continua sendo sua tia Karoline, na Secretaria de Infraestrutura segue sendo Flávia Andreia, e na Secretaria da Mulher continua a ex-vereadora Maria Isabel.

Mas na Secretaria de Turismo, ela chamou a empresária Karla Patrícia, uma famosa descalça da cidade e dona de uma loja de produtos naturais. Giovanna chamou Rosimar, irmã do vereador Josimar, para a secretaria de Cultura, enquanto Lady Milene, que antes estava nessa secretaria, foi para a chefia do gabinete da prefeita. 

Na Secretaria de Meio Ambiente, Giovanna nomeou a espanhola Jenerina, que atua na causa ambiental, e na Secretaria de Agricultura, nomeou o ex-vereador Zé Bento. Já para Imprensa, nomeou Geórgia. Na Secretaria de Governo, na qual Giovanna foi titular, ela nomeou o ex-prefeito Aenson, e na Ação Social, ela nomeou Branco, o jovem descalço da comunidade do Alto do Cruzeiro, e na Secretaria de Assuntos Jurídicos, Giovanna nomeou outro ex-prefeito, Jurandyr. 

Chamou atenção que ela exonerou o ex-vereador Diego da Secretaria de Assuntos Jurídicos, e sua própria tia Ilene da secretaria de Turismo. Já a Danúzia, que seria Secretária de Ação Social, foi vetada por Giovanna. 

Giovanna acusou ambos de terem "conduta inapropriada para o cargo". Giovanna passou uma mensagem clara de que terá reunião de metas mensais e exige o pleno cumprimento delas, e não admite nenhuma prática ilícita. Giovanna disse ao microfone:

- Todos aqui devem cumprir suas obrigações, e não aceito nenhum tipo de coisas erradas, existem metas a serem cumpridas e vamos cumprir, e ai de quem não cumprir, ou de praticar coisas ilícitas, pode pegar o beco e desaparecer da minha vista. 

Alguns ali ficaram um tanto tensos, pois sabiam que Giovanna é ainda mais rigorosa e exigente do que Myllena, que alguns já consideram "exigente". 


Clíntia escreve um email listando as pessoas mais excêntricas de Lagoa da Italianinha

 

Numa certa tarde, enquanto não estava em seu trabalho, a jovem Clíntia escreveu um email para uma prima que vive no Paraná, e ela falou de sua impressão sobre as pessoas mais "estranhas" da cidade, chegando a citar algumas delas. 

"Querida irmã, tudo bem com você?

Estou aqui morando em Lagoa da Italianinha, é um lugar muito bom, muito bacana. Aqui tem mistura de culturas nordestina, italiana, alemã e portuguesa, pois aqui fica no agreste de Pernambuco, entre Limoeiro e Caruaru, foi fundada por italianos, que chegaram aqui com uma portuguesa, e já tinha uma alemã vivendo aqui. 

Mas o que mais me chama atenção é a excentricidade de algumas pessoas daqui da cidade, eles têm hábitos que não é comum nem mesmo entre os nordestinos. Aqui mesmo tem pessoas que andam sempre descalças, e não é só gente pobre, não. Tem uma mulher que vive sempre descalça, chamada Myllena, que até uns dias atrás, era PREFEITA aqui. Renunciou porque será candidata a deputada estadual. Outros descalços aqui são a vereadora Vanessa, a empresária Karla Patrícia, uma cantora chamada Marília do Acordeon...

Aqui ainda tem uma galera que toma banho de roupa, tipo por exemplo, madames ricas, as irmãs Josiane e Danúzia, e Ilene, que tomam banho até de sapatos, e também as irmãs Josenilda e Branquinha, e tem umas mulheres que ousaram até mesmo ser carecas, tipo a juíza Suely, Mimi e Anna Paula. Loucura total. Tem duas aqui que são muito estranhas, até dormem em caixão, a Gilvânia e a Geisy, eu tenho até medo de me aproximar delas. 

Para não me alongar, vou falar só de algumas pessoas daqui que me chamaram mais atenção. Suely, por exemplo, é uma juíza, mas ela vive descalça e é careca, pois decidiu ser assim. Não sei como ela conseguiu entrar no Fórum. E ainda tem outra careca mais estranha, uma tal de Mimi. Imagina que ela ainda só usa sandália no pé direito e o pé esquerdo só vive descalço. Não entendi até hoje porque ela faz isso.  E ela não é qualquer coisa, ela já foi até candidata a prefeita aqui e teve 23 mil votos, não é pouca coisa. 

Conheço aqui também um tal de Valdenes, que também tem esses mesmos hábitos de viver descalço e tomar banho de roupa, mas ele tem um porém: ele só usa sapatos quando toma banho, imagina. Ele morou nas ruas muito tempo, e quando saiu das ruas, decidiu que continuaria fazendo essas maluquices. Ele vai descalço até pro trabalho, mas se tu ver ele de sapatos, ele tá indo para um lago, um rio, uma cachoeira, uma praia, uma piscina ou quiçá seu próprio chuveiro...

Por falar em moradores de rua, tem uma mendiga que se veste como se fosse madame, o nome dela é Warlla. Ela é uma pessoa muito esquisita, mesmo, pois ela já foi rica, perdeu tudo, menos a pose. Vive com a mesma roupa chique desde 2022, morando nas ruas da cidade. A roupa está suja e fedorenta, ela vive até na lama, mas ela continua com seu nariz empinado, nem os outros mendigos gostam dela. Ela inclusive, tem família rica, mas todos a odeiam, e ela também os odeia. 

Tem também uma outra chamada Fabíola, que vive como se estivesse na década de 50, ela se veste e se comporta como se estivesse em 1956. Diz que o Rio ainda é capital do Brasil, Brasília não existe, temos ainda a União Soviética e duas Alemanhas. Ela só usa máquina de escrever e rejeita a tecnologia, que ela diz que é coisa de doido. Paradoxalmente, ela gosta de outro que é futurista ao extremo e viciado em celular, um tal de Tiago, que alega estar no futuro. Fico imaginando como vivem esses dois juntos, hein? 

Fabíola tem uma grande inimiga, e ela se chama Wiviane, que é de família rica, irmã de vereadora, mas vive feito maloqueira, com roupas meio sujas e rasgadas e de chinelos, e gosta de tocar violão na praça principal da cidade. E outra rica, chamada Sílvia, que vive pelas ruas aprontando maluquices e não quer trabalhar? 

Tem aqui ainda pessoas que moram em lugares "alternativos": Ninho, que mora dentro de uma caixa de papelão, Cida, que mora dentro de um tonel, e uma tal de Faby Pés Sujos (nem precisa dizer porque ela tem esse apelido, né), que mora em uma casinha em cima de uma árvore. E ela foi rica, mas quis largar tudo pra viver assim. Tem gente até no esgoto, como Tatiane, Mary Anna e Cybhia. 

Ainda tem Rita de Cássia, uma mendiga que vive de boneca na mão, e chupeta na boca, já quarentona, mas tem mente de uma criancinha, tem duas irmãs gêmeas, Malu e Wéllia, que se detestam, sendo que Wéllia adora falar mal dos pobres, mas tem muito costume nojento, que não vou nem falar aqui, tem uma turma que odeia banho, a exemplo de Thallyta, Rúbia e Renatinha, além de alguns mendigos, feito Gílson, Renata e Esvalda, a mais suja entre todos eles. Tem uma cantora chamada Thayze, que adora tomar banho no chafariz da praça de vez em quando, olha a loucura. E por fim, tem Cássia, um anjo de pessoa, mas não gosta de viver enxuta, quando não tá na água, tá na lama, e adora sair na chuva...

Tem mais gente estranha, mas esses me chamaram mais atenção. Eu acho que você não conseguiria se adaptar aqui. Eu gostei daqui, porque algumas dessas pessoas, a exemplo de Suely e Valdenes, embora esquisitos, são bem legais. Mas como você é mais "normal", você não conseguiria...

Mande meus abraços para todos aí em Curitiba, espero visitá-los em breve. Um abraço, 

Clíntia." 


terça-feira, 7 de abril de 2026

Maria Clara e Inalda

 

Quando Lagoa da Italianinha ainda era o sítio Maniçoba, então pertencente a Vila Dourada, na década de 30, duas mulheres de culturas e origens muito diferentes uma da outra tinham uma verdadeira relação de mãe e filha, tamanha era a aproximação entre as duas. Uma era do agreste de Pernambuco e a outra era da Alemanha. 

Maria Clara, nascida em uma aldeia indígena no ano de 1918, cresceu na mata na mesma aldeia que fica atualmente na região do Vale dos Gatos. Quando se tornou adulta, decidiu sair da aldeia, mas manteve sua simplicidade e traços de cultura indígena. Usa sempre um  vestido simples de cor marrom e andou descalça a vida inteira. Na cabana onde ela passou a morar, só dormia no chão. 

Três anos antes de Maria Clara nascer, Inalda havia chegado ao Brasil, vinda da Alemanha. Inalda tinha apenas 20 anos e era uma artista plástica nata, além de ser judia. Ela nasceu em 1895 em Wittemberg, a famosa cidade onde começara a Reforma Protestante. 

O destino das duas se cruzou por volta de 1936, quando Inalda passou a lecionar aulas de pintura gratuitamente. Maria Clara começou a fazer pinturas, e Inalda ficava encantada com a aplicação da aluna. Apesar de Maria Clara ser muito desastrada, Inalda se divertia muito com ela. 

Maria Clara começou a tratar Inalda como uma segunda mãe, e Inalda enxergava Maria Clara como uma filha que ainda não tinha - só viria a ser mãe depois de muitos anos, depois dos 50 anos. Uma certa ocasião, em 1937, Inalda deu um vestido para Maria Clara e experimentou nela, e disse:

- Tu ficasse linda, Maria Clara, vou te dar sapatos novos...

- Não, sapatos eu não quero. Por favor. 

- Porque?

- Só consigo viver descalça, sentindo a terra, eu não me imagino usando nem sandália, eu não quero. 

- Eu também ando descalça às vezes, mas tu exagera, Maria Clara. 

- Eu sou índia, dona Inalda...

- Está bem, mas aceite esse vestido, pelo menos, pra tu usar em ocasiões especiais, eu sei que tu ama usar aquele vestido marrom bem velhinho. 

- Muito, eu amo a simplicidade. Mas vou usar esse vestido sim quando for em festas. Pode ser?

- Pode, sim. 

Anos mais tarde, em 1989, quando Lagoa da Italianinha já era uma cidade, as duas foram homenageadas, quando o Loteamento Maria Clara foi inaugurado, e sua rua principal tinha o nome de Inalda Oliver. 

Marco Aurélio questiona Valdenes e Branquinha


Numa certa tarde, o vereador Marco Aurélio mandou chamar Valdenes em sua casa, e este apareceu, acompanhado de Branquinha, a irmã do vereador. Marco disse:

- Não se apoquente, não, tu está descalço, pode ficar à vontade, que minhas duas irmãs Gilvânia e Michele também só vivem descalças. 

- Obrigado, vereador. 

- Mas o assunto não é esse. Quero que tu me responda uma pergunta, seu Valdenes. 

- Pode perguntar. 

- Qual seu interesse em Branquinha, a minha irmã? 

Valdenes riu e disse:

- Mas que pergunta é essa? 

- É que estou escutando um zum-zum-zum pela cidade, e tem gente dizendo que tu está com interesse... amoroso nela. 

Valdenes riu e disse:

- Não tenho nenhum interesse amoroso, senhor. Ela é uma mulher espetacular, muito bonita, com todo o respeito, e muito inteligente. Tenho certeza que o homem que casar com ela será um felizardo. 

Branquinha disse:

- Marco, isso não tem cabimento. Tu e toda cidade sabe que eu não quero namorar nem casar com ninguém. E se Valdenes tivesse interesse em mim, eu não ia querer. 

- Acho muito bom, seu Valdenes, porque me lembro muito bem da sua história com minha outra prima Josiane, viu? Acho bom tu se ligar, seu cabra. 

- Mas que coisa. Aquilo foi outra história. Minha relação com sua irmã é só de amizade. Passei anos e anos morando nas ruas e tenho procurado ter amizade com pessoas melhores que eu. 

- Sei...

- Vai me proibir de andar com ela agora, doutor?

- Não. Mas eu quero te alertar que você não é bem vindo nessa família, Valdenes, principalmente depois de tudo que meu tio Moab teve que fazer quando mandou Josiane pra Maceió por tua causa. 

- Bom, assim como Branquinha, eu também não penso em relacionamento, tenho outras prioridades. 

- Está bem. Eu não vou proibir vocês dois de serem amigos, mas se partir para algo maior, não terá o meu apoio. Isso é tudo. 

- Então, com licença - disse Valdenes. 

- Espere. Vou mandar a empregada preparar um almoço pra você e pra Branquinha. Não quero que ninguém saia com fome daqui. 

Durante o almoço, Valdenes e Branquinha almoçavam e conversavam. Marco já tinha saído para um compromisso, e Branquinha disse:

- Não ligue pra meu irmão, eu quero continuar sendo sua amiga. 

- Claro que vai continuar. Não se preocupe. 

Os dois apertaram as mãos, e depois, Branquinha deu uma carona para Valdenes até o centro da cidade. 

Priscila desabafa com Malu

Numa certa tarde, em Lagoa da Italianinha, nas proximidades do Alto do Cruzeiro, a mendiga Priscila estava atordoada, com olhar triste. A hippie veterinária Malu passou por ali pois tinha ido levar um animal para a casa de uma família humilde. Priscila abordou Malu e disse:

- Ei, quero falar com você. 

Malu ficou um pouco assustada, pois sabia da fama de Priscila em cometer roubos. Priscila disse:

- Precisa se assustar, não, só quero falar contigo. Eu vim em paz.

- Fala, Priscila. 

- Tu pode fazer um favor pra mim?

- Depende. 

Priscila pegou uma foto e deu à Malu, dizendo:

- Guarde essa foto. 

Malu pegou a foto e disse, surpresa:

- Ué, mas são seus pais... e esse bebê?

- Esse bebê era eu. 

- Mas porque tu quer que eu guarde essa foto pra mim, Priscila?

Priscila respondeu:

- Porque meus pais jogaram no mato. Eu soube, eu procurei, por isso, eu estou aqui nesse setor que eu evito aparecer. 

Malu disse:

- Priscila, pensa comigo... eles devem estar tristes em te ver nas ruas, na vida errada... tu acha que...?

- Malu, tu só sabe da versão deles, mas eu fui expulsa de casa, escorraçada a pontapés. Eu estou nas ruas porque assim eles quiseram! 

- Porque tu não tenta volta pra casa?

- Não quero, já me acostumei com as ruas, mesmo. Pelo menos, sou livre pra fazer o que eu quiser! 

- Priscila, tu é nova e bonita, tu podia sair dessa vida errada, tu ia conseguir tanta coisa. 

- Pra que? Não tenho o menor interesse. Olha, eu estou te dando essa foto porque não gosto de rasgar fotos, e nem meus pais querem e nem eu quero. 

- Tudo bem, vou guardar. Mas pensa no que eu disse. 

- Não. Minha vida é essa e acabou. E obrigada por cumprir meu favor. Olha, vou falar com uns parceiros aí pra não mexerem com você, te preocupa, não. 

- Priscila, tu quer lanchar? 

- Quero...

- Vai lá na lanchonete de Quitéria...

- Quitéria me expulsou da lanchonete dela. 

- Priscila, ela é minha amiga, pode ir lá. Vai lá lanchar, eu pago. Eu vou falar aqui agora com ela pra que ela saiba e vou passar o pix pra ela. Pode ir. Agora, se comporte lá, viu?

- Tá certo...

Priscila saiu dali e foi à lanchonete de Quitéria. Malu pagou o lanche pelo pix. 
 

Warlla volta e importuna Quitéria


 Depois de alguns dias sumida, Warlla, a "mendiga chique", apareceu novamente, e chegou na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona, centro de Lagoa da Italianinha, em uma noite muito chuvosa. Quitéria disse:

- Nunca mais tu fosse vista na cidade, por onde tu andava?

- Passei o feriado na lama, não saí de lá.

- Oxe, tu tá brincando. 

- Claro que não. Eu gosto de lama, muito...

- Warlla, o que tu quer aqui?

- Calma, é só uma bebida... eu pago amanhã. 

- Nada disso, aqui não se vende fiado. 

- Oxe, tu não sabe quem sou eu, de que família eu sou, descendente de alemães e muito chique?

- Sua família não fala mais com você e hoje você mora nas ruas, Warlla. 

Warlla disse, jogando o cigarro no chão:

- Tá bom, já vi que não vou conseguir nada por aqui. Vou aí pedir esmola pra algum otário, pra ver se ele me dá alguma coisa...

- Se tu conseguir, tu pode vir, agora não perturbe aqui, certo? 

- Mas que droga! 

Warlla ia saindo, e Quitéria disse:

- Vai sair na chuva forte? 

- Vou, sim, eu não sou de açúcar!

- Mas duvido tu encontrar quem te dê esmola numa chuva dessa. 

- Ah, não amola. 

Warlla saiu dali, e Quitéria disse:

- Essa daí precisa de um bom tratamento psiquiátrico. 

Geisy encontra Wéllia na rodoviária


 Numa certa noite, Geisy perambulava pela rodoviária de Lagoa da Italianinha e encontrou Wéllia, que fumava por ali, estava bastante suja, descalça e exalando um mau cheiro. Geisy disse:

- Wéllia, o que aconteceu com você? Eu estou lá no seu escritório cuidando de tudo, e...

- Continue lá, não tenho condições de ir agora.

- Wéllia, tu está mesmo dormindo nas ruas? Eu te vi essa noite, passando em frente da minha casa de 3 e meia da manhã. 

- Não quero ver minha mãe, que aprova esse relacionamento de Malu com meu Vinícius. Prefiro ficar na rua. 

- Tu pode ir lá pra casa...

- Geisy, tua casa é toda escura, parece casa de vampiro, querida. 

- Isso é verdade. Eu não vou nem conversar com sua mãe, nem com Malu, nem com sua filha Alice porque nenhuma delas gostam de mim. 

- Minha mãe te odeia, Geisy. 

- Wéllia, tome um banho, volta pra vida normal. 

- Não tenho vontade. Me deixa, eu te peço. 

- Tá bom, Wéllia. Hoje tá chovendo muito e eu quero ver como tu vai dormir na chuva, no meio da rua. 

- E porque tu não está de guarda-chuva?

- Eu não preciso disso, eu me molho na chuva, mesmo. - disse Geisy. 

- Esquisita, tu... bem que falam, mesmo. 

- Bom, vou indo. Qualquer coisa, já sabe. 

Geisy se retirou e Wéllia continuou por ali. 

Danúzia e Ilene conhecem o novo invento de Eugênio


Numa certa noite, Danúzia e Ilene foram juntas ao laboratório de Eugênio, que havia feito um invento a pedido de Ilene. Danúzia não sabia do que se tratava, mas Ilene fez questão de levá-la para que ela conhecesse. 

Ilene disse:

- Fez o que eu pedi, Eugênio?

- Sim, aqui está, um invento que será muito bom para pessoas como vocês duas, por exemplo, que costumam tomar banho de roupa e tudo. 

Danúzia disse:

- Sério??? Que invento? 

- Esse grande secador de roupas. 

Danúzia disse:

- Tu tá com piada pro meu lado, maluco. Um secador????? Isso já existe, e inclusive eu tenho lá em casa!

- Mas não é um secador qualquer, Danúzia. 

- Como assim?

- Aqui as roupas são colocadas e elas estão secas em apenas 10 minutos!

Danúzia riu e disse:

- Tu tá brincando. 

- Não, vou fazer uma demonstração. Olha, nesse secador, tanto a pessoa pode entrar toda vestida, e aguardar os dez minutos ou a pode colocar as roupas e os sapatos, que o efeito é o mesmo. Ah, os sapatos, como são material mais pesado, leva cerca de 20 minutos. 

Ilene disse:

- Vou me voluntariar. 

- Oxe, tu tá doida, Ilene? - disse Danúzia. 

- Eu sei o que estou fazendo!

Eugênio disse:

- Pois bem, dona Ilene, a senhora terá que se molhar. 

- Me mostra onde é o banheiro, vou pra o chuveiro agora. 

- Tem que ser toda vestida, certo? Não tire nem os sapatos. 

- Oxe, nem precisa pedir isso pra mim. 

Ilene foi tomar banho, e poucos minutos depois, voltou toda molhada. Eugênio disse:

- Agora, entre no secador. 

Danúzia disse:

- Adeus, Ilene, foi bom te conhecer...

- Para com isso, Danúzia. 

Ilene entrou, e Danúzia dizia para Eugênio:

- Atrapalhado do jeito que tu é, duvido que esse troço vai dar certo. 

- Calma, tu nem viu ainda. Eu mesmo já fiz o teste. 

20 minutos se passaram, e Ilene saiu da máquina. Toda seca, como se não tivesse tomado banho pouco antes. Danúzia disse:

- Mas é sério isso???? Tu já tá seca, Ilene? 

- Claro. 

- Não, não acredito. Eugênio, posso fazer a demonstração? - disse Danúzia. 

- Tá certo, Danúzia, vai lá pra ducha, volte e faremos o mesmo processo. 

Danúzia repetiu o mesmo processo, e depois passou 20 minutos na máquina, e saiu toda enxuta, dizendo:

- Puxa, esse evento é maravilhoso. 

- E olha que hoje foi dia chuvoso. 

Ilene disse:

- Ficaremos ricas. 

- Duvido, Ilene. Poucas pessoas tomam banho de roupa, feito a gente. Aqui na cidade, só minha irmã Josiane, aquele louco do Valdenes, a irmã dele Josy...

Eugênio disse:

- Mas será muito útil por exemplo, em dia chuvoso, de inverno, quando as roupas não poderão secar logo no varal. 

- Bem pensado - disse Ilene. - Eugênio, fica com ele aí, nós depois, vamos conversar. Mas não mostre a ninguém agora, certo?

- Tá bom...

Ilene e Danúzia saíram dali, encantadas com o invento. 

Prefeita Giovanna no meio da chuva em Lagoa da Italianinha


 Numa noite de uma chuva forte em Lagoa da Italianinha, a prefeita Giovanna Victórya estava ao lado da gari Jessy, observando e tentando ajudar naquela situação caótica de uma enchente que estava alagando as ruas da cidade. 

Giovanna não teve medo de enfrentar a chuva, e Jessy te perguntou:

- Cuidado, prefeita, a senhora pode ficar gripada. 

- Eu morei oito anos em dois países de clima frio, querida, Alemanha e Áustria. Eu já levei neve na cara, que dirá chuva. Vamos, eu te ajudo. 

Elas pegaram algumas bolsas e jogaram em um caminhão de lixo que passava por ali, e algumas pessoas estavam ali. Giovanna disse, com voz alta:

- Muitas vezes se joga a culpa na Prefeitura pelas ruas sujas. Olha aí, a enchente. Será que somos só nós? Eu já sei que tem pessoas que só coloca lixo depois que passam os caminhões. Uma chuva dessas entope a galeria, e olha aí o resultado. Quando vão aprender a ter educação? 

- Tá bom, prefeita, vamos embora. - disse Jessy. 

Giovanna ainda visitou outros pontos de alagamento na cidade. Uma assessora sua trouxe um guarda-chuva para proteger a prefeita. 

Josinete visita Josiane

Numa certa tarde, Josinete foi fazer uma visita para Josiane, a filha do deputado estadual Moab. Josinete, que é dona de uma barraca no centro de Lagoa da Italianinha, já trabalhou na mansão como governanta e tem Josiane como se fosse uma filha. 

Ao chegar lá, as duas conversavam alegremente. Josiane se encontrava deitada, e se trata de ansiedade e depressão crônica. Josinete disse, sem rodeios:

- Me diz uma coisa, tu ainda gosta daquele rapaz, o Valdenes?

- Sim, amo muito ele, mãe. 

- Mas faz 30 anos que vocês dois se conhecem, e não conseguiram se casar. 

- Por culpa do meu pai, que não deixa. 

Josinete disse:

- Eu lembro, quando vocês dois se conheceram, ele ainda morava nas ruas, e tu chegasse a fugir com ele, ficou alguns dias morando nas ruas, até teu pai te encontrar, foi na época que ele ganhou a primeira vez para prefeito, ele acabou te mandando pra Maceió, passasse muito tempo lá. 

- Foi, dona Josinete...

- O que tu visse nele, Josiane? 

- Eu gosto dele, dona Josinete. Aquele jeito simples dele, ele saiu das ruas, mas continua andando descalço, mesmo usando roupas elegantes. Ele é bem diferente. 

- É, eu sempre vejo ele descalço, ele mora perto de mim. Acho que ele nunca usa sapatos...

- Usa, sim, quando toma banho. 

- Oxe, ele anda descalço e toma banho de sapatos?

- Na verdade, ele toma banho com roupa e tudo, igual a mim, ele só coloca os sapatos nessas horas, sabe?

- Realmente, ele é bem esquisito...

- Mas eu gosto de pessoas que saem do normal... 

- E ele tem uma namorada hoje?

- Não, ele só tá aí conversando com uma tal de Aline Débora, mas pessoas lá do sítio Mandacaru, onde ela mora, já me disseram que ela não vale o peido de um gato. 

- Josiane, você é nova, bonita, poderia arrumar um outro homem...

- Não. Eu só quero casar se for com ele. 

- E seu pai?

- Um dia, ele vai ter que me entender. 

- E Valdenes te ama?

- Claro que sim. Eu sinto isso nele quando nos encontramos. Ele quer ficar comigo, mas ele fica chateado com meu medo... e ele tem razão. 

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Andando na Chuva


 Em Lagoa da Italianinha, o desenhista Valdenes é conhecido por alguns de seus hábitos estranhos para a maioria, mas uma outra coisa curiosa é que ele não tem guarda-chuva. Em dias chuvosos, ele anda pela chuva, calmamente, como se não estivesse chovendo. 

Num domingo chuvoso na cidade, ele estava indo para a rodoviária, e não correu em nenhum momento da chuva. Chegou na lanchonete de Marlene já ensopado, pedindo café. Marlene disse:

- Tu sabia que ia chover nem trouxesse guarda-chuva. 

- Não tenho, eu não gosto, não. 

- Oxe. 

- Sim, eu me sinto bem com a chuva caindo sobre mim. 

- Eita, tu anda descalço por aí, gosta de chuva, toma banho de roupa, tu é bem diferente, mesmo... pelo menos esse último eu faço também, é muito bom. 

- Marlene, quando eu saí das ruas, minha única preocupação que veio na mente foi essa... se eu mudaria meu jeito de ser porque agora eu estaria na sociedade. Mas eu vi a então prefeita Myllena descalça, eu disse, vou continuar descalço, também. Eu sou exatamente como eu era quando eu vivia nas ruas, sempre gostei de andar descalço, quase nunca aceitei calçados, eu gostava de levar chuva, de um banho na fonte, com roupa e tudo, e sou a mesma pessoa hoje, a diferença só é que durmo debaixo de um teto. Eu confesso que às vezes, tenho vontade de entrar no chafariz e me banhar na fonte, mas sei que é proibido... 

- Eu entendo. 

Valdenes terminou de tomar café, pagou e disse:

- Vou indo. 

- Oxe, criatura, tá chovendo ainda, espere passar. 

- Nada, esse é que é momento bom de andar na rua. 

- Tá bom, cuidado nos perigos aí que tu sabe, né? 

- Sei. 

Valdenes saiu e foi caminhar pelas ruas debaixo de chuva. 

Geisy assume temporariamente escritório de Wéllia


Numa certa manhã de segunda-feira, Geisy assumiu o controle do escritório de publicidade de Wéllia, e chamou Vitória, a secretária, para uma conversa. Geisy disse:

- Como você deve ter visto, Wéllia está num estado de loucura total, ela tá dormindo nas ruas e não está com condições de tocar aqui. 

- Puxa, será que isso é pra sempre?

- Não, isso acontece quando ela tem crises de estresse elevado, pode desaparecer em um dia mas pode durar meses. Ela ficou assim por conta da Malu estar com Vinícius, e ela é doida por ele. Não conseguiu ver os dois juntos e explodiu o estresse dela. Agora quando ela vai voltar ao normal, não sabemos. Mas a mãe dela me disse que ela tem essas crises vez por outra, teve um dia que ela tava tão acabada que até a mendiga Esvalda, a mais suja que tem, estava limpa perto dela. 

- Caramba, eu vi Wéllia ontem na praça, tava um horror, ela não lembra a mulher fina e elegante que ela é, tava toda suja, cagada, mijada, toda... credo. 

Geisy disse:

- Bom, esse lance de sujar as calças, não tem nada a ver com esses ataques dela. 

- Como assim?

- Ela não tem nenhum problema de saúde, nem nada, ela faz isso porque gosta, mesmo. Ela sempre gostou de fazer xixi e cocô nas calças. Mas nas crises ela faz isso abertamente, pra todo mundo ver. E agora cidade toda sabe, que o ex-marido dela Horácio contou pra todo mundo. 

- Credo, nunca pensei que ela tivesse um hábito tão nojento, logo ela que chama a gente que anda descalço, de nojento... 

- Pois é, e agora ela está descalça, veja que coisa. 

- O que faremos agora?

- Por enquanto, eu vou tomar conta aqui. Não se preocupe, não vai mudar nada aqui. Eu vou fazer as vendas, e aqui será mantido porque eu mesma sou ótima vendedora. 

- Está bem, dona Geisy. E se Wéllia aparecer, o que eu faço? 

- Bom, ela não costuma aparecer quando está em crise. Mas como ela está em crise, ela deve estar muito suja e fedida, se ela aparecer, me chama que eu vejo o que eu faço. 

Giovanna Victórya e seus planos

 

Numa certa manhã, a prefeita Giovanna Victórya chegou cedo na Prefeitura e chamou sua tia, a secretária de Finanças Karoline, para uma reunião. Giovanna disse para ela:

- Tia Karoline, eu quero que a senhora saiba que já tem uma secretária na berlinda, e vai sair em breve. 

- Quem?

- A Tia Ilene, eu tenho sérios indícios contra ela, e não vou querer ela na gestão. Mas vou esperar a defesa dela. E depois, quero também nomear uma secretária de Ação Social, a pasta está vazia desde a saída de Kátia, e Ilene tentou indicar a Danúzia, vê se tem cabimento. Danúzia odeia mendigos, odeia pobres. Não tem lógica. Tentaram até falar com minha mãe Myllena para ela ser nomeada, mas minha mãe deixou essa decisão pra mim. 

- Vai rejeitar a Danúzia?

- Mas é lógico. 

- Isso pode nos causar problemas com o deputado estadual Moab, Giovanna...

- O próprio Moab já nos alertou sobre o caráter de Danúzia, tenho certeza que se ele for um homem correto, não vai se importar. E quero nomear logo alguém, tenho pressa para isso, temos que tomar medidas sobre esses moradores de rua que ainda estão aí. Temos quase 40 pessoas vivendo nas ruas do centro, e isso não é legal. Temos que levar elas para o albergue ou senão para uma casinha, mas algo tem que ser feito. 

Karoline disse:

- Giovanna, nossa cidade já teve mais de 100 mendigos, a ex-prefeita Janayna começou a construir os conjuntos residenciais Luar do Sertão e Bella Ciao, e alguns foram para lá, e a Myllena mandou fazer o Albergue Dona Valdinha, para onde foram outros. Os que ficaram nas ruas se recusaram a sair das ruas. 

- Mas isso não tem lógica. Como alguém pode querer ficar nas ruas? 

- Talvez por liberdade, sabe? Existem alguns motivos. Se você chegar com esse projeto, tem uma tal de Renata, uma galega, que é mendiga, vive nas ruas desde pequena e vai querer te enfrentar, e ela tem um poder de convencimento. 

- Bom, algo tem que ser feito. Essa semana ainda farei uma reforma no secretariado. Vai ter mudanças. 

Karoline disse:

- Espero que eu não seja tirada...

- Não. Mas a tia Ilene vai ser tirada. A senhora vai ficar, mas ela vai embora. 

- Bom, você é a prefeita, tem a decisão em suas mãos. 

- Obrigada! 

Renata planeja uma rebelião de mendigos


Numa certa manhã, os mendigos Renata, Gílson, Guilherme e Andreza estavam numa das praças principais em Lagoa da Italianinha. Renata conseguia exercer uma certa liderança no grupo, sendo considerada uma mendiga sapeca e rebelde. 

Renata havia escutado um boato de que a prefeita Giovanna Victórya pretendia retirá-los das ruas, e ficou incomodada com isso. Renata já se recusou a sair das ruas em duas outras ocasiões, e não somente isso, como também convence outros mendigos a não saírem das ruas. 

Renata disse aos outros três:

- Se essa prefeita vier querer tirar a gente das ruas, vou bater o pé e digo, não saio. 

Andreza disse:

- Oxe, eu também não. Eu quero ficar nas ruas pra sempre. 

Gílson disse:

- Com certeza, não podemos permitir mais essa interferência. 

- Já não basta meu irmão Valdenes enchendo o saco pra eu ir morar com ele na casa dele, agora a prefeita nova aí. - disse Guilherme. 

Renata disse:

- Eu moro nas ruas desde pequena, gente, e eu nunca quis que tivessem pena de mim, dó de mim, só quero ter o direito de levar minha vida como eu quero, sem teto, sem casa, mesmo. E digo mais, se essa prefeita vier com isso, a gente faz uma rebelião. 

- Oxe, e conte com a gente! - disse Gílson. - vamos protestar! 

Renata disse:

- Não faço questão de ter casa, não. Só quero é ser respeitada e pronto. Eu já me acostumei a viver nas ruas, e vai ser assim até o fim, eu só quero que me deixem em paz. 

Os quatro ali se uniram pela causa e pretendiam convencer outros mendigos. 

Cássia e sua diversão no chafariz


 Nem bem amanheceu o dia em Lagoa da Italianinha e Cássia já estava se divertindo no chafariz numa das praça principais da cidade. 

Na cidade, comenta-se que Cássia não consegue "viver enxuta", pois só gosta de estar molhada ou suja de lama. 

Alguns riam de Cássia no chafariz, mas outros, que a conhecem, achavam ela bem sorridente e feliz. Lúcia, a irmã dela, foi no chafariz, e pediu para Cássia sair dali, mas Cássia disse:

- Deixe eu ficar aqui...

- Não, não pode, venha. 

Cássia, sem ter outra escolha, teve que sair do chafariz, e parecia triste por isso. 

Ilene e seus planos ambiciosos


Depois que foi encurralada pela sua sobrinha, a prefeita Giovanna Victórya, em Lagoa da Italianinha, Ilene, a atual secretária de Turismo, vai colocar as manguinhas de fora. Certo domingo, relaxando em sua banheira, no estilo que ela mais gosta, Ilene parecia nem se preocupar com a possibilidade de perder seu cargo na prefeitura, já que ela não goza da confiança da sobrinha e nem da sua irmã, que foi prefeita até alguns dias atrás. 

Ilene tem cartas na manga para caso perca seu lugar na gestão, e tem feito seus contatos. Perigosa e ambiciosa, ela não mede limites para conseguir seus objetivos. 

Um outro detalhe curioso é que Ilene não se dá bem com suas irmãs, apenas com Karoline, com quem tem contato mais próximo e que na época, conseguiu com a então prefeita Myllena para que Ilene conseguisse se tornar secretária. 

Ilene tem uma agência de modelos, onde as modelos se banham vestidas, posando para fotos e vídeos, costume esse que Ilene adota em seu dia a dia. Mas ela quer mais. E está disposta até a enfrentar Giovanna se for o caso. 

domingo, 5 de abril de 2026

A loucura de Deza

 

Depois de passar a noite dormindo numa rua próxima à rodoviária, a mendiga Deza foi perambular no Terminal Rodoviário em Lagoa da Italianinha. Seu aspecto triste, bastante suja e exalando um mau cheiro incomodava os que ali estavam. 

Alguns a olhavam com pena, outros com ironia e com ar de graça. Ela falava sozinha, e dizia:

- Lá na minha casa, não vejo essas caras...

Mas a casa de Deza são as ruas, pois ela não tem casa, e vive nas ruas desde 1987. Foi a primeira moradora de rua na cidade. 

Deza perambulava caminhando pela rodoviária, e dizia:

- Eu sou Andrezza Moura, neta da portuguesa Mary Dee, tia de Luciana, Mimi, Débora, Caio e Paula, um bocado de ingratos. Não quero nem notícias dessa gente. Cambada de gente ruim! 

Paula, que tem um restaurante na cidade, já havia falado sobre sua suposta tia, e disse que Deza não quer ajuda. A relação de Deza com sua suposta família é péssima. Mimi ficou triste quando foi chamada de "ingrata" por Deza, já que ela costuma oferecer para ela comida na sua barraca de feira gratuitamente. 

Assim como alguns outros mendigos, Deza também se recusa a sair das ruas. Alguns acreditam que ela tem sérios transtornos de loucura. 

Priscila tomada pela revolta


 Enquanto está perambulando pelas ruas de Lagoa da Italianinha de noite, a mendiga Priscila, sapeca incorrigível, tem em mente seus planos malignos principalmente nessa hora. Além de cometer alguns furtos pelas ruas da cidade, ela também planeja vingança contra pessoas a quem ela considera responsáveis "por jogá-la nas ruas". 

Na cidade,conta-se que ela é de uma família pobre no Alto do Cruzeiro, mas ela já foi expulsa de casa, e não fala com seus familiares. Rebelde e inconsequente, Priscila é tida como motivo de vergonha pra sua família.

Priscila era solitária, mas recentemente, aliou-se com Warlla, a "mendiga chique", que também trama vingança contra seus algozes. 

Deitada e solitária em uma calçada durante uma madrugada, Priscila maquina em sua mente revoltada algumas ações contra as pessoas que odeia. 

Fabiana resiste em voltar pra Venezuela


Mesmo com a mudança política recente na Venezuela, a mendiga Fabiana, que vive nas ruas em Lagoa da Italianinha, não cogita voltar para lá. Nem mesmo seus três filhos Eduardo Felipe, Emerson Isaías e Everton Samuel, que vivem com ela mas ruas, querem voltar. Os quatro recusaram abrigos na cidade e perambulam pelas ruas da cidade, pedindo esmolas. 

Fabiana tem até consigo um celular, onde acompanha algumas notícias de sua família. Fabiana não diz que está vivendo nas ruas, ninguém em sua família sabe que ela virou mendiga. 

Outros mendigos na cidade acham Fabiana esquisita. Até mesmo a mendiga Renata, conhecida por querer ficar nas ruas e defender os direitos dos moradores de rua preferirem morar nas ruas, não acha legal a atitude de Fabiana, visto que ela tem três filhos. Fabiana já foi aconselhada a enviar os dois filhos mais novos para uma escola ou abrigo, mas ela não quer, e eles também não querem sair de perto da mãe. 

Conta-se em Lagoa da Italianinha que Fabiana não quer voltar para seu país por ter uma péssima relação com seus familiares, e alguns dizem que ela é meio "louca". A venezuelana anda chamando muita atenção na cidade...

A teimosia de Rita de Cássia de não querer sair das ruas

 

Dentre todos os mendigos em Lagoa da Italianinha que se recusam a sair das ruas, Rita de Cássia é a mais teimosa nesse sentido. Já se aproximando dos 44 anos de idade, Rita tem uma mente de menina de cinco anos e carrega uma boneca, a quem deu nome de Dalila, e ocasionalmente, usa uma chupeta. 

Embora já tenha recebido algumas propostas para sair das ruas, ela tem se recusado. Rita diz:

- Não quero viver debaixo de nenhum teto, estou há anos nas ruas e não pretendo sair das ruas. 

Como Rita vive nas ruas desde que realmente era uma criança, há muitas especulações sobre de qual família ela seria, mas ela mesma se recusa a falar. Há quem diga que ela é do Alto do Cruzeiro, comunidade pobre da cidade, mas que ela teria sido abandonada pelos pais. Já há quem diga que ela seria até mesmo de uma família rica, mas que ela teria fugido ou sido abandonada. Os mistérios permanecem. 

A recusa de Rita de Cássia em sair das ruas provoca reações diferentes: há quem a chame de "ingrata", já que ela se recusa a ser ajudada, há quem entenda a posição dela e a respeite, a exemplo da hippie Malu e da cantora Wiviane, que costumam lhe levar comida. 

Alguns na cidade até acham bom Rita querer ficar nas ruas, pois como ela tem mente de criança, alguns imaginariam como ela viveria sozinha em uma casa? Rita diz não ter família, somente a boneca Dalila, a quem chama de "filha". 

Rita de Cássia perambula pelas ruas centrais da cidade com sua boneca, costuma tomar banho no chafariz ou no posto de gasolina, de roupa e tudo, mas gosta também de se divertir no rio e até na lama. Ela quase nunca usa banheiro, pois faz xixi e cocô nas calças, provocando muitas situações embaraçosas com esses seus atos. É uma das mendigas que não aceita um calçado, gosta de viver descalça sempre. Sua maior inimiga é a mendiga chique Warlla, com quem tem vários atritos, além da malvada publicitária Wéllia, a irmã gêmea de Malu. 

Mas Rita ainda é conhecida por sua força descomunal, pois na cidade, se conta que ela já teria pego em peso sem reclamar e até batido em alguns marmanjos que tentaram roubar sua boneca. Na cidade, a mendiga é tida como folclórica. 

sábado, 4 de abril de 2026

Manuel deseja visitar Lagoa da Italianinha


Filho de José Maria e da cantora portuguesa Mary Dee, seu Manuel, agora com 96 anos, ainda pensa em visitar a cidade brasileira onde sua mãe viveu até o fim de sua vida. Manuel nasceu em Portugal em 1929, mas ainda pequeno, com seu pai preso, foi com sua mãe para o interior de Pernambuco, onde hoje está a cidade de Lagoa da Italianinha. Lá, se casou e nasceu Fátima, sua filha. Depois que a mãe morreu, Manuel voltou para Porto, onde vive até hoje com sua filha Fátima, que já é viúva, assim como ele. 

Manuel, passeando por Porto com sua filha, disse:

- Quero ir visitar Lagoa da Italianinha, ver lá como estão meus sobrinhos que são descendentes da minha mãe Mary Dee...

- Mas, pai, tais muito cansado...

- Não, filha. Minha saúde tá muito boa. Eu quero ir pra lá, eu soube que tem uma sobrinha minha morando nas ruas, uma tal de Deza, e ainda tem outras sobrinhas bem de vida, uma bem maluquinha chamada Débora, uma Luciana que tem hospedaria, uma Paula que tem um restaurante, uma Mimi que é careca e que foi candidata a prefeita e um Caio, que fiquei sabendo que tá namorando uma italiana.

- Nossa, pai. 

- E também quero ver os túmulos dos meus pais, dos seus avós, pois eles foram sepultados lá. 

- Tá bem, pai, verei uma forma da gente ir ao Brasil fazer uma visita a Lagoa da Italianinha. 

Suely perde uma amizade por conta de seu visual


 Num certo sábado, a juíza Suely foi a uma festa em Nova Humaitá, na casa de uma amiga advogada dos tempos de colégio. Mas ela ficou surpresa ao ver o visual de Suely: careca e descalça. 

A mulher disse:

- Suely, quando me contaram, não acreditei? Por que raios tu raspasse a cabeça, sua doida?

- Eu sempre quis ser careca, sempre amei esse estilo. 

- E tu tá descalça, mulher, tem medo de micróbio, não? Poderia ter vindo de sapatos. 

- Não uso calçado há muito tempo por que eu me sinto bem de pés no chão. 

- Suely, vai por mim, tu fica mais bonita com cabelos e sapatos, querida. Ainda mais a senhora que é juíza, fica muito feio. 

- Sinto muito, seu contexto de beleza é diferente do meu. A beleza consiste na pessoa ser autêntica. 

- Suely, sinto muito, as pessoas na festa estão te olhando. 

- Eu entendi, você quer que eu vá embora. Vou voltar agora pra Lagoa da Italianinha, e não se preocupe, não entrarei mais em contato com você. Eu quero ser amiga das pessoas que me aceitam como eu sou, ok? Boa noite. 

Suely pegou seu carro e voltou para Lagoa da Italianinha. Ela ficou triste com o fim da amizade, mas não queria mudar seu estilo. 

Malu encontra Wéllia em estado deplorável

 

Numa certa noite, a hippie Malu recebeu uma ligação de sua mãe Selma, que preocupada, disse que Wéllia não estava mais dormindo em casa. Selma até pensou que Wéllia estivesse dormindo em seu próprio escritório, mas nem lá ela estava. 

Malu saiu procurando por sua irmã gêmea e encontrou-a deitada em uma calçada, toda suja, cheirando mal e falando palavras misturadas. Malu disse:

- O que aconteceu com você, Wéllia?????? 

- Maria Luísa, o que tu quer aqui? Não basta tomar meu namorado?

- Para com isso, todo mundo sabe em Lagoa da Italianinha que Vinícius me ama. 

- Nada disso, ele me ama, ele só está com você porque tu se parece comigo. 

- Olha, Wéllia, volte pra casa, nossa mãe tá preocupada...

- Me deixa. 

Malu disse:

- Wéllia, tu fala mal dos mendigos, disse que odeia pobre e fala mal de quem anda descalço, e tu está descalça, o que está acontecendo? Tu tá toda suja, cagasse nas calças de novo e...

- Já disse pra dar o fora, me deixa em paz! Ou não respondo por mim! 

Malu se assustou, pois Wéllia estava agressiva. Malu foi na casa de sua mãe e avisou à ela:

- Mãe, Wéllia tá dormindo na rua. 

- De novo????

Alice, a filha de Wéllia, escutou e disse:

- Mãe dormindo na rua?????

Selma disse:

- Wéllia tá com um estresse elevado, e ela quando tem esses ataques, dorme na rua, fica suja, fedida e até descalça. 

- Puxa, isso na cidade vai ficar mal-falado, ela é publicitária famosa... - disse Malu. 

- Pois é. Deixe Wéllia lá. É preferível que ela fique na rua, nesse estado... vai que ela tivesse aqui. Poderia atacar a gente. 

Malu ficou assustada. Quando ia voltando para sua casa, passou pelo mesmo local e viu Wéllia dormindo na calçada. 

Branquinha e Valdenes encontram Guilherme e Andreza

 

Numa certa noite de sábado, Branquinha e Valdenes andavam pelas ruas, e Valdenes disse:

- Bora ver meu irmão Guilherme, aquele que eu te disse que mora nas ruas? Nunca mais o vi. 

- Certo, vamos, amigo. 

- Ele deve estar com Andreza, aquela que eu disse que foi modelo lá em Caruaru. 

- Tu já tentou falar com ele pra ele sair das ruas????

- Muito, muito, mas ele só quer ficar nas ruas, e do lado de Andreza, que também não quer sair das ruas. Ele é afim dela, mas ela não quer ele pra casamento, só gosta dele como irmão. 

Os dois viram que os mendigos Guilherme e Andreza estavam juntos em uma praça. Valdenes disse:

- Guilherme, como tu está?

- Estou bem. 

- Eu soube que tu esteve fora. 

- Sim, mas voltei. 

Valdenes disse para Branquinha:

- Essa é Andreza, a mulher que eu te disse:

- Andreza???? É a que foi modelo em Caruaru? - disse Branquinha. 

- Sim. 

Andreza disse:

- Não gosto nem de lembrar que fui modelo. 

Valdenes disse ao Guilherme:

- Guilherme, eu tenho sapatos lá em casa, vou te trazer amanhã, como tu sabe, eu não gosto de usar calçados, né? 

- Verdade, irmão. Pode me trazer. 

- Bom, a gente vai indo. Boa noite, e se cuidem. 

Branquinha e Valdenes se retiraram, e Guilherme e Andreza se deitaram na praça. Branquinha disse:

- Credo, Valdenes, aquela mulher fede demais, eu tava sentindo uma catinga...

- Ela perdeu o amor próprio depois de tudo que aconteceu com ela. Ela foi roubada e perdeu tudo. 

- Mas eu não acredito que ela tenha sido modelo. Ela é muito feia. Eu quase ia dizendo isso, mas vai que ela se ofendesse...

- Ofende, nada, ela adora ser chamada de feia. 

- Sério??? Não é possível. 

- Pois é, ela conseguiu se auto-destruir. 

- Quantos anos ela tem, Valdenes? Sabe dizer?

- 48 anos. 

- Mas ela parece ter mais de 60 anos, ela tá realmente só o pó. 

Enquanto isso, Andreza perguntou ao Guilherme:

- Aquela lá é namorada do seu irmão?

- Não, ela não namora com ele, ela é feito você, não quer casar. 

- Eita, muito bacana. Uma mulher inteligente. 

Guilherme disse:

- Vocês mulheres pensam que todos os homens são iguais, mas não é assim, não. Nem eu nem meu irmão somos iguais ao safado que te roubou. 

- Se tu fosse igual a ele, eu não queria nem estar perto de tu, criatura. 

- Tá bom. 

Andreza disse:

- Guilherme, sabe o que acho engraçado de tu e teu irmão?

- O que?

- Ele saiu das ruas e tem casa, mas ele vive descalço, enquanto tu que mora nas ruas, usa sapatos, imagina...

- É, meu irmão tem isso, mesmo, ele só quer viver descalço, eu não aguento. 

- Nem eu. Eu vivo nas ruas, mas só vivo de sapatos, não tiro nem pra banho nem pra dormir. - disse Andreza.


Claudinha ora agradecendo no dia do seu aniversário


Mesmo morando nas ruas, Claudinha é conhecida por ser uma jovem resignada, e ela costuma agradecer muito em suas orações, mais do que pedir. 

Claudinha, certa noite, estava agradecendo por mais um ano: era seu aniversário. Mesmo estando só ela nunca se achava sozinha. 

Claudinha agradeceu por não lhe faltar nada, mesmo estando sem teto e vivendo nas ruas. E por alguns amigos que sempre a ajudavam. 

Depois da oração, Claudinha chegou a receber uma marmita de Quitéria, a dona da lanchonete do Pátio Verona. 


Giovanna enfrenta sua tia Ilene


Em Lagoa da Italianinha, a prefeita Giovanna Victórya mandou chamar sua tia Ilene, que é secretária de Turismo, para uma "conversa séria". 

Ilene disse:

- Meus parabéns, minha sobrinha, por assumir a Prefeitura...

- Obrigada, tia, mas agora, passou e temos que trabalhar. Eu estive vendo umas contas da Secretaria de Turismo e elas não estão batendo. E recebi uma denúncia anônima de que a senhora estaria desviando verbas da secretaria para sua empresa, sua agência de modelos. 

Ilene disse:

- Mas isso é um absurdo, como minha própria sobrinha pode me acusar disso?

- Eu não estou acusando, estou lhe questionando. 

- Giovanna, sua mãe Myllena não vai gostar do que você tá fazendo. 

- Minha mãe está em busca de ser deputada estadual, e ela confia em mim e me deu carta branca. Portanto, tia Ilene, é verdade essa denúncia?

- Mas é claro que não! 

Giovanna disse, com ar áspero: 

- Acho bom. Pois eu não admito conchavos políticos e muito menos corrupção. Eu vivi na Alemanha e na Áustria, dois países que são exemplos na política, e eu não pretendo seguir o modelo daqui que só tem atrasado nosso país. 

- Giovanna, minha sobrinha querida, você não está na Alemanha, nem na Áustria, você está no Brasil. 

- Eu sei, obrigada pelo conselho. Mas vou investigar essa história. Se eu descobrir que a senhora tá fazendo isso, vou te exonerar, não me interessa se tu é minha tia ou não. 

Ilene saiu dali, irritada, e Giovanna ficou no gabinete assinando papéis. Ilene chegou a ir pedir socorro para sua irmã, a ex-prefeita Myllena, mãe de Giovanna, que disse:

- Eu confio na Giovanna, ela é a prefeita. Você se vire com ela.

Mas nos bastidores, Myllena, antes de sair, tinha dito à Giovanna, que era a vice-prefeita ainda, que quando ela tomasse posse, executasse medidas para frear a ambição de Ilene.  

Rúbia e sua vida errada

 

Um certo dia, Rúbia foi tomar um café na lanchonete de Marlene, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, e conversou com a funcionária Deinha, que é amiga de infância. Rúbia, apesar de parecer uma mendiga, não mora nas ruas, e sim, em uma casinha, mas costuma pedir esmolas nas ruas. 

Em dado momento, Rúbia disse:

- Estou aqui cheia de grana no bolso, estou super fedida e suja, mas estou com grana. 

Deinha disse:

- Rúbia, porque tu não trabalha? Tu é tão jovem, querida. Arruma um trabalho. 

- Nada disso. Eu, pedindo esmolas para os bestas, ganho mais do que quem trabalha no comércio, querida. E depois, quem ia me aceitar pra trabalhar? Eu odeio tomar banho, e iam exigir isso de mim.

- Puxa, isso é trambicagem. 

- É nada, é esperteza. E você não pode dizer que não faço sacrifícios, eu faço, sim.

- Qual?

- Eu, por exemplo, odeio andar descalça, mas eu ando descalça para os otários sentirem mais pena de mim e me ajudarem. 

- Francamente, Rúbia, seus pais se envergonhariam dessa sua atitude. 

- Deinha, obrigada pelo café, toma o trocado, e vou agora pra casa lotérica, agora tá cheio de gente lá, vou pedir esmolas por lá. 

Rúbia saiu dali, e Deinha disse:

- Ainda bem que ela foi embora, eu não tava aguentando a catinga dela...

Myllena diz que vai continuar descalça se for eleita deputada estadual


Em Lagoa da Italianinha, a ex-prefeita Myllena já está conversando com comunidades para buscar apoios para sua campanha para deputada estadual. Ela esteve no Loteamento Maria Clara, onde conversou com alguns populares. Ela revelou todos seus programas de governo, mas quando ela liberou para perguntas, uma idosa levantou a mão, e Myllena disse:

- Tens alguma pergunta?

- Sim, filha... posso fazer uma pergunta... indiscreta?

- Bom, faça. 

A idosa disse:

- Se tu for eleita deputada estadual, tu vai continuar assim descalça?

Myllena riu e disse:

- Claro! Nem que eu fosse Presidente do Brasil eu deixaria de andar descalça, não tem quem me faça usar sapatos. 

- Mas e se lá na Assembleia for proibido?

- Mas vou lutar para acabar com a proibição, como consegui quando fui vereadora aqui na Câmara. Se eu não conseguir, não é possível que cassem meu mandato por isso, oxe. Mas vou participar de alguma forma. Mas não abro mão de andar descalça. 

As pessoas que estavam ali riram, e um deles disse:

- Vou votar na senhora, mesmo, mas tô pagando pra ver essa resenha. 

Danúzia vira blogueira e grava vídeo no rio

Certo dia, Danúzia pediu ajuda a Rodolfo para gravar um vídeo onde ela se diverte no rio da cidade de Lagoa da Italianinha. Danúzia disse: -...