terça-feira, 30 de junho de 2026

Sozinha na estrada

Rita de Cássia, a mendiga quarentona que tem mente de criança, andou sofrendo muito nesse período junino por conta dos fogos, tanto do São João de Lagoa da Italianinha, como da Copa do Mundo. 

Rita pegou sua boneca Dalila e foi para fora da cidade, passando a dormir na rodovia que liga Lagoa da Italianinha a Vila Dourada. 

Alguns de seus amigos, como Malu e Valdenes, ficaram preocupados com a mendiga. Mas conseguiram encontrá-la e a levaram de volta para a zona urbana. 

 

Wellia provoca Valdenes


Alice e sua mãe Wellia caminhavam pelas ruas de Lagoa da Italianinha,  quando Wellia viu sua irmã gêmea Malu acompanhada de Valdenes. Wellia começou a provocar sua irmã:

- Esse é o tipo de companhia com quem tu anda? Esse maloqueiro de rua?

- Ele é meu amigo, Wellia - disse Malu. - e ele não vive nas ruas mais, ele tem casa. 

- Mas pra mim será sempre um maloqueiro de rua - disse Wellia. - isso é louco por mim, nunca me esqueceu. 

- Oxe, faz tempo que eu só tenho é pena de tu, Wellia. - disse Valdenes. 

- Claro.  Mas tu dá um par certo com Malu, vocês dois parecem maloqueiros, e ainda por cima tomam banho de roupa e são nojentos, só vivem descalços. 

Alice disse:

- Mãe,  a senhora não pode falar que eles são nojentos,  a senhora faz xixi e cocô nas calças todo mundo na cidade sabe disso!

- Me respeita, Alice. Sou sua mãe!

Malu e Valdenes riram. Wellia disse:

- Vamos embora, Alice. Pobreza pode ser contagioso!

Wellia levou Alice embora, enquanto Malu e Valdenes riram da resposta de Alice.


Giovanna Victorya começa a incomodar poderosos


Quase três meses após assumir a Predeitura de Lagoa da Italianinha, Giovanna Victorya começa a incomodar alguns poderosos da cidade. Alguns acharam que ela seria melhor que sua mãe, a ex-prefeita Myllena, que renunciou para tentar ser deputada estadual, mas Giovanna Victorya não admite ser manipulada e tem dado dores de cabeça. 

Giovanna Victorya promove reuniões mensais para exigir cumprimento de metas e saber se outras já foram cumpridas. Na véspera do pagamento aos funcionários, ela exige que o dinheiro já esteja na conta para todos. Ela já chegou a demitir pessoalmente funcionários que não estavam cumprindo seus deveres. 

Giovanna já disse publicamente que não vai tolerar corruptos em seu governo. Negociatas ela não aceita. 

Em uma entrevista, Giovanna declarou:

- Minha mãe é super honesta e ética,  mas falo apenas pra dar um exemplo. Se ela mesma se envolvesse com maracutaia, ela estaria fora da minha gestão. Morei oito anos em dois países com excelente qualidade de vida, Alemanha e Áustria, e vi como é a cultura lá, um povo honesto. Eu amei isso e não quero que seja diferente aqui. 

Giovanna Victorya ter agido assim, tem ganhado muita popularidade e tem sido elogiada até pelos opositores. Mas sua mãe Myllena, que é pré candidata a deputada estadual, tem sido pressionada por alguns aliados para controlar Giovanna. Myllena sempre responde que confia na sua filha. 

Mimi aparece na festa junina


Bela, exuberante carismática e com seu visual diferente e característico, Mimi apareceu em uma festa junina em Lagoa da Italianinha, e chamou muita atenção. O fato dela ser careca e usar um sapato só no pé direito, enquanto o pé esquerdo estava descalço, chamou muita atenção, mas isso não diminuiu em nada a beleza que ela transmitia. 

Alguns a chamaram de "prefeita ", mas Mimi respondia que não pretende mais disputar eleições majoritárias. Caso volte a disputar uma eleição,  será somente pra vereadora, pois ja recusou o convite pra tentar ser deputada. 

Paralelo a isso, Mimi cuida do sítio onde mora e de sua barraca na feira. Ela procura levar uma vida mais simples, apesar das seduções da política. 


Samuel e Alice na cachoeira


Samuel levou Alice para se divertir na Cachoeira Sol Nascente. Os dois amiguinhos estavam radiantes. Alice ia entrar com trajes de banho, mas Samuel disse:

- Oxe, entra com tudo. Vai secar mesmo.

- Minha mãe briga se eu fizer isso.

Samuel disse:

- Desculpa a sinceridade mas sua mãe dona Wellia é esquisita. Acha ruim que tu entre com roupa na água mas não diria nada se tu fizesse xixi e cocô nas calças feito ela faz.

- É mesmo... quer saber? Vou entrar de roupa e tudo igual minha tia Malu. 

Os dois se divertiam na cachoeira e jogavam água um no outro. 

Mais tarde, quando Alice voltou pra casa, ela logo se trocou antes que sua mãe lhe desse uma bronca.


              

Malu no chafariz


Malu, a hippie veterinária que ama animais, é conhecida por seu jeito humilde e despojado,  mas ela também, vez por outra, gosta de se divertir no chafariz da praça. 

Malu soube que a prefeita de Lagoa da Italianinha, Giovanna Victorya, pretendia proibir banhos na fonte. Malu tem tentado convencer a prefeita a desistir da ideia. 

Pois é, Giovanna prometeu pensar melhor sobre o caso, e suspendeu as ameaças de multas. Para comemorar, Malu foi exatamente se banhar no chafariz da praça.  Alguns a olhavam, mas ela nem ligava.

Josiane e Aline Débora se enfrentam no restaurante


Um certo dia, no restaurante de Paula, Josiane viu Valdenes e Aline Débora chegando juntos. Enquanto Valdenes foi ao banheiro lavar as mãos, Josiane aproveitou-se da distração de Aline Débora e se escondeu embaixo da mesa. Valdenes voltou,  em dado momento os dois começaram a conversar. Aline Débora disse:

- Valdenes, eu só espero que você não tenha mais ido ver a princesinha de Maceió, aquela fresca!

Josiane já estava com raiva, mas se segurava. Valdenes disse:

- Não fale assim dela, ela é sofrida tem uma família que a controla. 

- Quero ver ate quando. Ela ja tem 45 anos e ainda é solteira, ela já está mais ultrapassada que os títulos do Náutico!

- Caramba, não consigo entender essa raiva que tu tem dela. 

- Uma piranha feiosa é isso que ela é!

Josiane não aguentou e mordeu a perna de Aline Débora, que tomou um susto:

- Mas tu tava aí, sua desclassificada?

- Josiane? - disse Valdenes.

Josiane disse:

- Fala na minha cara o que tu estava falando agora, cobra venenosa! 

- Mas isso não vai ficar assim.

Josiane e Aline Débora começaram a brigar, e Valdenes tentou separá-las sem sucesso. Foi preciso Paula interferir para acabar com a briga. 



A humildade de Inalda


Uma das diversões favoritas da alemã Inalda era nadar em uma lagoa no sítio Manicoba, onde ela estava morando desde 1915. A pintora judia era conhecida na localidade pela sua humildade, mesmo ostentando um ótimo padrão ds vida. 

Inalda, no pequeno sítio no agreste de Pernambuco, mesmo sendo judia, chegou a ajudar algumas vezes nas quermesses da paróquia local, que eram realizadas costumeiramente. 

Inalda, ao longo dos anos 20 e 30, permaneceu solteira, só se casando ja na década de 40, e foi mãe de alguns filhos. 

Ela também dava aulas de pintura, gratuitamente, e entre seus alunos, estiveram Maria Clara e Augusto, que anos mais tarde, seria prefeito de Lagoa da Italianinha, o antigo sítio Manicoba. 


O dia que Suely radicalizou no visual


Em 2017, quando Suely decidiu radicalizar no seu visual e raspar a cabeça, ela foi alvo de muitas críticas. Em Lagoa da Italianinha, chamaram a juíza de "louca". Houve até quem ameaçou denunciá-la ao desembargador. 

Suas irmãs Myllena, Ilene, Karoline e até mesmo a excêntrica Faby Pes Sujos foram contra seu novo visual. Seus pais ameaçaram deserda-la. Foi expulsa da igreja onde congregava na época. 

Mas Suely, desde menina, queria ser careca. Mas ela tinha medo das opiniões adversas. 

Suas filhas Sara e Dina também foram contra, mas depois decidiram adotar o visual da mãe. 

Acharam que isso seria temporário. Mas Suely mantém esse visual até hoje e raspa a cabeça de dois em dois dias. E outras mulheres da cidade, a exemplo de Mimi, Maria Isabel e Monalisa, acabaram se inspirando em Suely e também resolveram ficar carecas. 

Apesar de tudo que sofreu na época, Suely diz que não se arrependeu. Estava buscando a felicidade na sua autenticidade e não se preocupou com reprovações.

                

A vida é uma gangorra


Um dia, podemos estar por cima, outro dia por baixo. Muitas vezes as pessoas maltratam outras e não sabem o dia de amanhã. 

Aqui na imagem em Lagoa da Italianinha, Marcella, uma simples e pobrezinha vendedora de comida oferece comida para Warlla, a conhecida "mendiga chique" - vive nas ruas, mas se veste como madame.

Acontece que Warlla já foi patroa de Marcella, quando ela trabalhou na casa dela. Warlla humilhava muito Marcella, e ela se sentiu tão mal que pediu demissão e ainda teve que lutar na justiça por seus direitos.

Warlla, algum tempo depois, perdeu tudo e foi viver nas ruas. 

Marcella, ao invés de se vingar, tem um coração bondoso, e costuma distribuir algumas comidas para mendigos, inclusive sua ex-patroa.

Warlla, orgulhosa, muitas vezes recusa e ainda tenta diminuir Marcella. Mas Marcella responde com amor. 


Wellia passa dos limites


Wellia, certo dia, resolveu se disfarçar como se fosse sua irmã gêmea Malu, para tentar seduzir Vinícius em plena praça pública em Lagoa da Italianinha. 

Mas Vinícius desconfiou de alguns detalhes. Ele perguntou:

- Malu, porque estás de chinelos? Você nunca usa calçado so vive descalça. 

- Er... fiquei gripada.

- Sei... 

Vinicius foi abraçar Wellia, mas sentiu um leve odor de urina e fezes. E quando ia beijar a boca dela, sentiu cheiro de cigarro. Ele disse:

- Mas espere. Malu, tu não fuma. Tu ta com catinga de cigarro na boca!

Malu logo apareceu e ao ver sua irmã gêmea trajada como ela, disse:

- Mas o que significa isso?

Wellia deu um sorriso maroto e ainda provocou Malu, que deu um tapa na casa dela e ela caiu por terra. Mas Wellia continuou rindo. 

Vinícius ainda queria se explicar, mas Malu disse:

- Não se preocupe, a única baixa nessa história é a Wellia.

- Eu desconfiei quando a vi de chinelos, sendo que você só anda descalça, e ainda senti uns maus cheiros nela, que você não tem.

-Estou desconcertada!

Vinícius tentou acalmar Malu, e Wellia chegou em seu escritório dando muita risada maldosa. 

Um cravo e uma rosa


 Num certo dia, Valdenes caminhava pelas ruas com seu primo Chico Tripa, que vive no sítio Cafundo do Judas, quando eles viram a italiana Gioconda e Cássia, que mesmo sendo brasileira de nascimento, é prima legítima da italiana, pois ambas são bisnetas da italiana Lanie.

Chico Tripa e Gioconda vivem se enfrentando  ao outro, e Valdenes e Cássia observavam, assustados, os dois trocando palavras ofensivas. 

Mas por trás desse aparente ódio entre eles, havia um amor escondido. Um não conseguia viver sem o outro. 

O Tio Patinhas do Agreste


 Um dos empresários mais ricos de Lagoa da Italianinha, Dr. Carneiro é conhecido como o "Tio Patinhas do Agreste", pois ele é extremamente pão duro e não quer saber se gastar.

Ele é pai do vereador Marco Aurélio, de Michele, de Gilvania,  de Monalisa,  de Josenilda,  de Branquinha e de Levi.  Mas é com Branquinha com quem tem seus maiores conflitos.

Branquinha abriu uma agência de publicidade sem a ajuda do pai, e tenta se virar sozinha. 

Já os demais irmãos dela são pessoas de caráter duvidoso, sendo inclusive Marco Aurélio denunciado em vários esquemas de corrupção. 

Dr. Carneiro, mesmo sendo muito rico, ainda é adepto de hábitos incomuns, como tomar água só na torneira, dividir até mesmo pequenos alimentos e aproveitar a mesma água em uma banheira diversas vezes, além de ter muitos problemas com os funcionários em seu escritório, pois ele é obrigado a lhe pagar salários.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Quando a água acaba na hora errada


Depois de chegar da rua cansado e exausto, Valdenes calçou os sapatos e foi direto pra ducha, mas teve uma surpresa desagradável: na hora do banho, acabou a água. Sua irmã Vitória estava na cozinha e o irmão saiu do banheiro, irritado:

- Logo agora acaba a água! 

- Hora era o último dia de água aqui no Conjunto Residencial,  irmão. 

- A Compesa e suas manobras! Bah! 

Valdenes se trocou de roupa e depois foi jantar pra dormir. 


Malu reencontra Vinícius


Caminhando pelas ruas de Lagoa da Italianinha,  a veterinária Malu viu o médico Vinícius,  que é apaixonado por ela, entretanto, já foi noivo de Wellia, a irmã gêmea de Malu. Antes, ambos tinham um namoro,  mas Wellia conseguiu separar os dois com uma armação. Vinícius foi morar no Rio de Janeiro depois de romper com Wellia e voltou recentemente. 

Vinícius dizia:

- Você continua linda,  Malu...

Malu disse:

- Não sei porque me prefere. Wellia é elegante, eu sou uma despojada descalça. 

- Mas é isso que gosto em você. Sua simplicidade. 

Ambos ficaram meia hora conversando por ali. 

Uma conversa de amigos


Numa certa tarde,  na praça em Lagoa da Italianinha,  Luana estava lendo um livro quando viu Valdenes pensativo. Luana disse:

- O que tu tem?

Valdenes disse:

- Tipo assim, eu morei nas ruas e até algum tempo atrás,  e sabe? E olho aquele chafariz, sou doido pra mergulhar de novo na fonte. 

- Ué? Mas você tem outra vida hoje.

- Sim. Quando eu morava nas ruas, eu andava descalço ninguém se importação mas hoje ando descalço a turma fica me olhando atravessado. Não entendem que ando descalço porque gosto mesmo! Parece que eu teria que ser pobre de rua pra isso. 

- Bom, se te faz bem, não deve se preocupar. 

- Ainda bem que minha patroa Suely também anda descalça,  assim eu posso trabalhar descalço no escritório dela. 

-Tu fica descalço o tempo todo, Valdenes?

- Só quando tomo banho que uso sapatos.

- Oxe, que loucura. Como assim?

- Eu tomo banho de roupa,  na verdade.  Se lembra que entrei vestido na piscina do seu irmão Eraldo?

- Sim, mas é loucura isso...

Valdenes disse:

- Eu ja ouvi um ditado que diz o seguinte: de gênio e de louco todo mundo tem um pouco...

- Bem, sinceramente,  eu estranho isso... mas você gosta né?

- Bom, verdade. Vou indo estou na hora do almoço.  Daqui a pouco tenho que voltar pro escritório da doutora Suely. 

- Está bem, amigo. Vou continuar lendo aqui. 

Valdenes se retirou e Luana dava risadas. 



Flávia e seu reencontro com o passado


Certo dia, a vereadora e advogada Flávia passava pela rodoviária de Lagoa da Italianinha e observando os mendigos Gilson, Renata e Jéssica dormindo no chão do terminal. Flávia pensava:

- E pensar que eu mesma vivi assim por dez anos...

De repente, o zelador passou por ela e disse:

- Por que a senhora não faz nada pra mudar a vida deles hein? Porque tanta insensibilidade?

Flávia disse:

- Eu não sou insensível, eu mesma já vivi nas ruas por dez anos. Mas eu quando era secretária de Ação Social chamei eles pra ir para os conjuntos residenciais Bella Ciao e Luar do Sertão, mas foram eles quem não quiseram ir.

- Sério dona? Então desculpa... julguei mal. 

Flávia foi a lanchonete de Marlene e alem de lanchar,  deixou três lanches pagos, um lanche para cada um deles. Quando eles acordaram e foram lanchar, tiveram a surpresa. 


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Rafaela e sua conexão com a natureza


Sempre quando perguntada se existe arrependimento de ter abandonado a vida de luxo em Limoeiro para viver no meio da mata, Rafaela diz que nunca se arrependeu.

Rafaela, na Era digital, costuma dizer que sua única conexão é com a natureza...

E mais: ela fez dessa vida uma missão, pois ela também se dedica a convencer mais pessoas possíveis a abandonar a vida "civilizada" pra viver na mata, especialmente no Vale dos Gatos, em Lagoa da Italianinha,  onde ela vive.

Mãe e filha se divertem na lagoa


Num certo dia, em Lagoa da Italianinha, passando perto de uma lagoa, Maria Rita quis mergulhar um pouco. Ela pediu a mãe:

- Eu quero nadar um pouco... 

- Eu deixo se tu deixar que eu nade também

- Então,  vamos!

Maria Rita pulou no rio primeiro,  e depois Jad se jogou também. 

Alguns passaram ali perto e as estranhava. Jad perguntou:

- O que estão olhando?

Um dos que passava disse:

- Perdoe, é que vocês poderiam pelo menos ter colocado trajes de banho...

Jad disse:

- Meu traje de banho é minha roupa, eu, minha filha e meus irmãos só tomamos banho com roupa!

Maria Rita disse:

- Sim, e não é proibido por lei ok?

-.Tá bom, não ta mais aqui quem falou! - disse o homem, indo embora. 

Jad disse para Maria Rita:

- Espero que você continue assim e não mude seu jeito por críticas. 

- Jamais, mãe!

Jad e Maria Rita passaram mais uma hora na lagoa e depois foram pra casa. 

Uma leitora nata


Irmã mais nova de Eraldo, a jovem Luana costuma ler bastante e sonha em ser escritora. Na cidade de Lagoa da Italianinha,  ela tem muitos pretendentes, o que não faltaria, por ela ser bela, educada e inteligente.  Mas ela não quer namorar nem tão cedo.

Luana também tem amizade com Valdenes, Branquinha e Ana Karina. 

Conta-se que quando era bebê, Luana já gostava de brincar em cima dos livros.  Mas existe na vida dela uma fase terrível que viveu, que ela pouco fala. Ela conseguiu vencer ao se converter ao Cristianismo. 

Ela conhece inclusive de perto a perigosa Dani Cruel e a prima desta,  a mendiga Esvalda,  que é conhecida por ser suja ao extremo e viciada. Luana tenta aconselhar Esvalda a sair dessa vida, mas Esvalda se recusa a aceitar. 


domingo, 31 de maio de 2026

Valdenes tenta convencer Guilherme a sair das ruas


Valdenes foi levar comida pro seu irmão Guilherme,  que vive nas ruas de Lagoa da Italianinha. Valdenes disse:

- Meu irmão,  tu ainda quer continuar vivendo assim na rua?

- Claro, não devo abandonar Andreza. 

- Oxe, mas Andreza nem te ama, meu caro.

- Não importa, mesmo sem ela me amar, ela gosta da minha companhia. 

Valdenes disse:

- Sei não,  tu se sacrificar assim por outra pessoa...

- Mas eu também gosto de liberdade nunca me imaginei debaixo de um teto. 

- Tá,  você é quem sabe.  Mas se precisar de alguma coisa,  me procure. 

- Está bem, Valdenes. 

Valdenes deu a marmita e disse:

- Pode comer a vontade, foi nossa irmã Jad quem fez e tem muita comida tu pode dividir com Andreza. Deixe a marmita la com a Marlene quando terminar que eu pego depois. 

- Obrigado, meu irmão. 

Os dois se abraçaram e Valdenes se retirou. Guilherme dividiu o almoço com Andreza.

                 

O encontro das perigosas


 Certo dia, Danuzia mandou chamar Dani Cruel no seu escritório. Dani chegou la e disse:

- Eu não queria ter vindo aqui, tu é que devia ter ido la no Alto do Cruzeiro, onde moro. 

- Não tenho o menor interesse naquele esgoto que tu mora.

- Mais respeito com minha comunidade, Danuzia. Não é porque tu é ricaça que pode humilhar a gente assim não. 

- Tá bom, vamos falar de negócios. Apesar de tu ser pobre, nossa sociedade nos rende muita grana, percebeu?

- Claro, né? Tenho muito dinheiro, poderia comprar uma mansão mas gosto da minha comunidade. 

- Porque tu não compra calçados pra você?

Dani Cruel disse:

- Tais brincando? Isso nunca, ando descalça desde 1991, ha 35 anos, e pretendo continuar assim até morrer!

- Tá bom, maluca. Vamos fechar negócio que essa discussão não vai a lugar algum. 

- Eu sou maluca? Tu toma banho de roupa e tudo e eu sou a maluca, Danuzia?

- É coisa muito boa tu não sabe o que tá perdendo.

- E nem me interessa saber. Eu so tomo banho sem roupa, como qualquer pessoa normal faz.

- Chega de lenga-lenga vamos ao assunto?

- Vamos, sim!

Danuzia e Dani Cruel acertaram ganhos referentes aos negócios que movimentavam o crime em Lagoa da Italianinha...

Sandra é expulsa da lanchonete de Marlene


 Numa certa tarde de domingo, a mendiga Sandra, conhecida por ser muito perigosa e ae envolver em encrencas, estava perturbando na rodoviária, pedindo dinheiro para as pessoas. Marlene, a dona da lanchonete,  se aproximou dela e disse:

- Por favor, vaza daqui. 

- Oxe, aqui não é público não?

- Aqui é uma lanchonete e tu está importunando meus clientes.  E tu ainda por cima, Sandra,  tais com uma catinga de raposa molhada!

Sandra disse:

- É isso aí, morava nas ruas que nem eu, aí agora se mete a ser cantora e dona de lanchonete ja ta se achando muita merda. 

- Fora daqui, antes que eu chame a polícia!

- Tá bom,  tô saindo!

Sandra foi para o outro lado da rodoviária. 

Passeio em Olinda


Num dia desses numa praia em Olinda, Cyntia Fernanda,  que viera de Vila Dourada,  se deparou com Valdenes,  que viera de Lagoa da Italianinha. Cyntia, que só tinha uma perna, entrou no mar e conseguia se divertir. Quando Valdenes entrou - com camisa, calça e sapatos- ela o olhava. Ela disse:

- Moço,  tu entra assim de roupa e tudo?

- Sim. 

- Até de sapatos...

- Sim, eu na verdade ando sempre descalço, só uso sapatos essas horas. 

- Mas oxente!!!! Por que?

- Ora no chão eu vejo onde piso,  na água,  não,  né?

Cyntia riu e disse:

- Que resenha.... tu toma banho de roupa em casa também?

- Claro. 

Cyntia dava risadas. Ela perguntou:

- Viesse com quem?

- Sozinho. E você?

- Vim com uns amigos. 

Valdenes depois notou que Cyntia Fernanda tinha uma perna,  e ele a ajudou a nadar. Quando saíram da praia, Valdenes pegou uma bolsa que carregava,  e Cyntia disse:

- Tu mora onde?

- Lagoa da Italianinha.  E você?

- Em Vila Dourada.  É perto tu pode ir com a gente. 

Valdenes ja estava com a roupa seca e Cyntia Fernanda falou com os amigos para deixá-lo na cidade dele. Tomaram o caminho por Limoeiro e Passira o deixaram em Lagoa da Italianinha,  e Cyntia Fernanda foi pra casa. Um dos amigos dela disse:

- Esse cara é esquisito. Ele toma banho de roupas? A gente viu quando ele entrou na água. 

- É o jeito dele...

                

Um ódio insano


As mendigas Marly e Sayonara conversando em uma praça de Lagoa da Italianinha. Marly disse: 

- Aquela minha irmã gêmea Marlene é uma falsa, tu nem imagina.

Sayonara disse:

- Tu odeia tanto ela assim?

- Odeio, sim. 

Sayonara disse:

- Olha, sou meio doida do juízo, mas eu sei que ter ódio no coração é pior do que esses cigarros que você tem na mão para sua saúde. 

- Apois tô lascada mesmo - disse Marly.

- Mas tu está na rua e ela no bem bom como explica isso?

- Ela ja morou nas ruas comigo mas me roubou. 

- Eita. 

- Se tu souber quem é Marlene, tu nem chega mais perto da lanchonete dela!

- Nossa. A gente olha assim tu é a cara dela.

- Oxe, Odeio parecer com ela tô até querendo raspar minha cabeça ficar careca feito dona Suely só pra não me parecer com Marlene.

- Nossa, tu é mais doida que eu!!!! - disse Sayonara. 


Suely é criticada por seu visual


Num certo dia, caminhando pelas ruas de Lagoa da Italianinha,  uma mulher parou a juíza Suely e lhe perguntou:

- Por que a senhora,  desculpe me intrometer,  tem esse visual tão diferente?

- Ué,  alguma coisa contra?

- Bom... é que uma mulher fina feito a senhora... não ter cabelos nem calçados...

- Quer saber? Me sinto muito bem assim. Sou careca desde 2017 e raspo a cabeça de dois em dois dias, nem deixo meus cabelos crescerem. 

- E por que a senhora não usa sapatos?

- Porque não ha nenhuma lei que me obriga a usar calçados.  Eu sou juíza e formada em Direito e sei disso. Eu sempre quis andar de pés no chão e tu não sabe o quanto me faz bem. 

- Sinceramente... se a senhora fosse minha advogada, eu nunca lhe confiaria uma causa... pois és muito esquisita. 

- Pense como quiser! Tenha um bom dia. 

Suely se afastou, e depois uma outra mulher se aproximou dela e disse:

- Desculpe a intromissão mas aquela mulher é uma invejosa e mal amada. Ela ja me causou problemas. 

- É,  ela falou mal de mim por eu ser careca e andar descalça.

- Liga, não.  Seja você.

- Pode ficar sossegada,  jamais mudarei meu jeito.

     

Andreza e Guilherme, dois parceiros de rua


A mendiga Andreza tem um grande parceiro que é o mendigo Guilherme, que mesmo vendo sua família saindo das ruas, preferiu ficar no relento, para não deixá-la sozinha. 

Andreza disse:

- Tais ligada que não sou afim de você, né? Mas gosto de sua companhia. 

- Sei perfeitamente, mas não me importo. 

- Se é assim, tudo bem, parceiro!

Numa tarde de domingo,  estavam no centro de Lagoa da Italianinha. Bastante sujos e com cheiro forte de urina- ambos urinam nas calças- eles se mantinham isolados das pessoas que passaram por ali. 

Débora do contra


Débora é vista de noite tocando violão na praça em Lagoa da Italianinha. Ela é conhecida como "Débora do contra ", já que ela adora fazer coisas inversas do que a maioria faz.

Enquanto ela costuma ir despojada e de chinelos pra rua,  ela veste roupas de madame e sapatos em casa.  Quando chove, sai na chuva - diz que ama se molhar na chuva-, mas no sol sai com sombrinha. Além do mais, ama dormir de dia e trabalhar de noite. 

Sempre que perguntada porque age diferente dos outros, a resposta é "porque todo mundo faz, eu prefiro fazer o contrário!".

Ela se mostra muito autêntica,  mas vez por outra se envolve em confusão por isso...


Irmã Alcineia enfrenta Rubia


Na rodoviária de Lagoa da Italianinha,  a Irmã Alcineia tentou colocar Rubia no eixo, sem sucesso. Rubia foi pedir esmola a freira alegando querer lanchar. A freira propôs pagar lanche pra ela, mas Rubia desconversou.  Foi aí que a freira notou que era golpe e disse:

- Rubia,  eu sei quem é você. Como você tão jovem e bonita, se presta a isso? Todo mundo pensa que tu mora nas ruas, mas sabemos que não,  a Janielle, a Janicleide e o Valdenes te conhecem, são seus vizinhos. 

- Quer se meter na minha vida agora,  é?

- Não. Você faz sa sua vida o que quiser. Mas se lembra que tu fosse expulsa la da Vila Vicentina e passasse um tempo vivendo nas ruas? 

- Desculpa,  dona freira, mas isso não lhe diz respeito. Eu ganho esmola dos otarios e ganho mais do que quem trabalha em comércio. Eu me sacrifico andando descalça,  pois detesto andar descalça,  mas tenho que me parecer mendiga. Mas também por outro lado, odeio tomar banho, mesmo...

- Credo, tu ta com um mau cheiro,  Rubia...

- Ótimo saber disso. Agora com licença vou pra frente da Casa Lotérica tô perdendo muito tempo com a senhora e seu moralismo. 

Rubia saiu dali e Irmã Alcineia fez o sinal da cruz...

                

Discussão na praça


Num domingo, em Lagoa da Italianinha,  Wellia tentou humilhar a mendiga Rita de Cássia e se deu mal, pois apareceram Malu,  a irmã gêmea de Wellia, e Valdenes. 

Wellia ficou rindo e dizia:

- Maria Luísa e Valdenes são da pior laia, só se colocam do lado dessa mendiga de chupeta!

Rita ia bater sua boneca em Wellia, mas Malu a segurou e não deixou. Wellia ria e disse:

- Os três aí,  descalços,  nojentos, mas deu certinho,  é uma visão do inferno!

Valdenes disse,  com ironia...

- Tu nos chamou de nojentos, mas quem faz cocô e xixi nas calças é você...

Malu riu, e Wellia disse:

- Não se meta, isso não é da sua conta!

Malu ria, e Wellia disse:

- Vai me defender não? Tu é minha irmã. 

- Oxe, e Valdenes mentiu por acaso?

- Essa mendiga também suja as calças!

Malu disse:

- Mas Rita mora nas ruas e você é uma madame!

Rita disse, provocando Wellia:

- Ora, uma coleguinha cagona!

Wellia disse:

- Vou embora que pode ser contagioso!

Wellia se retirou e Malu, Rita e Valdenes riam juntos.



sábado, 11 de abril de 2026

Danúzia vira blogueira e grava vídeo no rio


Certo dia, Danúzia pediu ajuda a Rodolfo para gravar um vídeo onde ela se diverte no rio da cidade de Lagoa da Italianinha. Danúzia disse:

- Rodolfo, tu vai ficar gravando eu nadando, mergulhando, e ainda vou subir na pedra e dar três pulos no rio. 

- Que mal lhe pergunte, dona Danúzia, não seria melhor na cachoeira?

- Não, a cachoeira tá cheia de pobre. Essa parte do rio é bem limpa e dá pra nadar aqui. 

- Está bem, eu espero a senhora colocar seus trajes de banho. 

Danúzia disse:

- Mas quem falou em traje de banho, paspalho? Eu vou entrar com essa roupa que eu estou, até de sapatos. 

- Oxe, que maluquice é essa? 

- Maluquice, nada, eu sou chique até na água, viu? Meu traje de banho é a roupa que eu uso normalmente. 

- Eu, hein?

- Vai gravar, ou não? Se não quiser gravar, eu chamo outro!

- Não, vou gravar, sim. 

Rodolfo ligou o vídeo no celular, e Danúzia disse:

- Olá, meus amores, agora, vou dar uma divertida aqui no rio, olha que natureza linda, confiram essas belezas, junto comigo!

Danúzia foi logo entrando, e quase tropeçava, pois estava de sapatos salto alto, mas ela não perdeu a pose, e se divertia, chegou a pular no rio três vezes, enquanto Rodolfo gravava. Quando ela terminou a gravação, saiu do rio, e Rodolfo encerrou a gravação de oito minutos. Rodolfo disse:

- A senhora postar isso, vão te chamar de doida...

- Oxe, tô nem aí, podem falar mal, desde que falem de mim. Me dê o celular, pra mim  te passar o pix. 

- O pix? Pensei que a senhora ia dar dinheiro vivo. 

- Ô, paspalho, como é que eu ia carregar dinheiro no bolso se eu entrei com roupa e tudo no rio? O celular ficou aí na sua mão. 

- Ah, sim, tudo bem, desculpe. 

Danúzia passou um pix para Rodolfo e depois os dois voltaram pro centro da cidade. Danuzia postou o vídeo em sua rede social, recebendo elogios e críticas. 

Saudades de uma amiga


Numa certa noite, numa praça em Lagoa da Italianinha, os mendigos Rita de Cássia, Gílson, Renata, Andreza e Guilherme estavam conversando sobre uma certa pessoa, que eles conheciam. Rita estava triste, e Gílson disse:

- O que é que tu tem, Rita?

- Aquela nossa amiga que morava nas ruas aqui com a gente, não sabemos onde ela está. 

Renata disse:

- Ah, eu lembro, uma pessoa maravilhosa, descalça feito eu, e de muita personalidade. Pena que ela gosta de tomar banho, esse é o defeito dela. 

- Eu lembro muito dela, muito aventureira, corajosa, valente, briguenta, e bem doida, também. - disse Andreza. 

Guilherme disse:

- E ela gosta de dançar, né? Eu lembro várias noites eu a vi dançando no meio da rua, sem ser vista pelas pessoas, porque era bem tarde. 

- Será que ela volta? - disse Rita. 

- Creio que sim, eu fiquei sabendo de tanta coisa, uns disseram que ela tava lá pro lado de Limoeiro, outros disseram que ela tava pelas bandas de Caruaru... - disse Gílson. 

- Quando ela voltar, a gente vai abraçá-la, vai ser a maior festa - disse Renata. 

Andreza disse:

- Desde o ano passado que a gente não a viu mais. E o problema é que nem tem rede social dela, pois ela é das ruas como a gente, nem temos como saber onde ela está. 

- Quem sabe, ela volta logo? - disse Guilherme. 

- Assim espero... - disse Rita, abraçada à sua boneca Dalila. 

Quando terminaram de conversar sobre a mendiga misteriosa, Rita de Cássia foi para o chafariz com sua boneca, Gílson e Renata foram à barraca de Josinete, e Andreza e Guilherme foram para uma rua deserta. 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Giovanna recebe Rafaela na Prefeitura

A prefeita Giovanna Victórya, em Lagoa da Italianinha, fez questão de convidar para uma conversa com ela a jovem Rafaela, que vive no meio da mata no Vale dos Gatos e lidera um grupo de pessoas que vivem ali. Rafaela foi em um carro acompanhada do motorista da prefeita, e ao chegar na sede da Prefeitura, a prefeita a recebeu de forma muito gentil. 

- Pode entrar, moça, não se preocupe. Fique à vontade. 

- Obrigada! - disse Rafaela. 

- Nunca tive a oportunidade de te conhecer, eu cresci longe daqui passando anos morando na Alemanha e na Áustria. É verdade que você foi mais rica do que eu, tu era de Limoeiro e decidisse largar tudo pra viver na floresta, debaixo de árvores? 

- Sim, é verdade. 

- Mas como tu consegue? 

- Quem ama a natureza feito eu, dona Giovanna...

- Pode me chamar de Giovanna, tenho frescura, não. 

- Bom... quem ama a natureza, Giovanna, se sente bem nela. 

Giovanna disse:

- Eu escutei dizer que tu tem uma lábia boa, até a ex-vereadora Adriana foi na tua conversa e foi morar lá. Ela largou a carreira política, largou a psicologia, largou tudo, mesmo. 

- Bom, ela foi porque se sentiu bem, eu só fiz reforçar...

- Mas e como ela está? Minha mãe fala muito dela. 

- Adriana não vive mais conosco, ela, por questões de saúde, teve que ir para um chalé, mas ela mora bem perto da gente. 

- Sei... entendi. E onde vocês dormem?

- Na mata, mesmo, entre as árvores. 

- Caramba, eu não me imagino morando nem mesmo nas ruas, que dirá numa mata. 

Rafaela disse:

- Eu só espero, prefeita, que a senhora possa nos respeitar em nosso estilo de vida. Não tenho a menor intenção de voltar à civilização. 

- Mas tu anda tentando convencer as pessoas a irem pra mata. 

- Sim, é verdade. Mas sei que nem todos irão, a minoria irá. 

- Bom, Rafaela, tudo bem, eu não estou aqui pra te criticar, nem nada, mas quero saber se lá tem algo que a Prefeitura possa intervir, pois eu quero informações. 

- Bom, Giovanna... é que lá a gente só enfrenta aquela dona Fafá, que ainda não desistiu de fazer uma fábrica de perfume lá, destruindo a mata. Não só a gente como os índios da aldeia próxima estão apreensivos. 

- Não se preocupe, que com Fafá eu me entendo. Eu conheço a peça. Vou indo agora para um  restaurante, almoçar, quer ir comigo?

- Eu? Uma simples selvagem de pé descalço do lado de uma dama feito a senhora?

- Oxe, que é que tem? Minha mãe só vive descalça, também. E você é gente feito eu. Vamos embora. 

- Tudo bem, mas eu só não como carne, tá? - disse Rafaela. 

- Certo. 

Giovanna e Rafaela foram almoçar, e depois, a própria Giovanna levou Rafaela até o Vale dos Gatos, onde ouviu alguma reivindicações. 

 

Diversão no rio


Um certo dia, Valdenes e Aline Débora passeavam conversando perto do rio que corta Lagoa da Italianinha, e Aline disse:

- Vamos entrar no rio... 

- Entrar? 

- Sim, vamos nadar, mergulhar...

- Pena que eu nem trouxe sapatos, estou descalço feito você. 

- Como assim?

- Eu uso sapatos na água, é somente quando estou de sapatos. Mas ando sempre descalço pela rua. 

- Doidinho, vamos entrar. 

Aline Débora pulou no rio, e Valdenes pulou também. Aline Débora disse:

- Ainda bem que tu toma banho de roupa feito eu. Se tu tirasse a roupa pra tomar banho feito os "normais", eu nem queria papo com você. 

- Relaxa, sou assim desde criança. 

Eles chegaram a se abraçar, e quase se beijaram, mas alguém gritou, e eles interromperam e eles tiveram que sair do rio. Eles não chegaram a ser vistos pelo homem que gritou, que era um caçador. Valdenes e Aline Débora, encharcados, tiveram que voltar pro centro da cidade. 

Alessandra passeia pelos escombros da guerra


O ano era 1918, e a alemã Alessandra, com 21 anos de idade, via seu país sendo bombardeado por inimigos na Primeira Guerra Mundial. Alessandra passeava sozinha em cima dos escombros, imaginando que seu país passaria a partir dali por momentos mais críticos. 

A guerra havia tirado do seu convívio a pintora alemã judia Inalda, que havia ido morar no Brasil. Suas outras amigas, Danielly (a prima de Inalda), Lucélia e Stella, também estavam arrasadas com a guerra. Alessandra soube do Tratado de Versalhes, que punia severamente a Alemanha, e ela dizia, passando por cima dos escombros:

- Esse tratado vai trazer mais escombros para cá...

Alessandra virou militante comunista, e começou a participar de revoluções. Anos mais tarde, na ditadura, acabou confinada durante a Segunda Guerra Mundial em um campo de concentração, e ao sobreviver, foi morar em Maceió, onde passou o resto de sua longeva vida, tendo conseguido até mesmo ver em vida a Reunificação Alemã. 

Mendiga Limpa x Mendiga Chique


 As duas mendigas mais inusitadas de Lagoa da Italianinha se encontraram numa noite, por acaso, em um beco no centro da cidade. Sayonara, conhecida como "mendiga limpa", por não exalar sujeira como os demais moradores de rua, e Warlla, conhecida como "mendiga chique", que se veste como se ainda fosse uma madame da época que foi rica um dia. 

Warlla tentava provocar Sayonara, e dizia:

- Tu pode tomar quantos banhos quiser, mas tu não tem a mesma elegância que eu, eu posso ter perdido tudo, mas não perdi a pose. 

- Grande porcaria, tu. Warlla, tu se acha a última bolacha do pacote, cuidado que essa bolacha é quem vem mais quebrada, tá?

- Invejosa. Você é só, não tem família feito eu tenho. 

- Ah, tu tá falando daquela família de Caruaru que te odeia? Te enxerga, Warlla. Eu cresci nas ruas, e quando tu era rica, vivia me maltratando e me humilhando. Agora, a conta chegou e você também é mendiga feito eu! 

Warlla riu e disse, com ironia:

- Tu é muito abusada, Sayonara. Olha, vou perder meu tempo de estragar minha beleza falando contigo, não. Olha aí tua roupa rasgada, coisa de pobre. A minha tá inteira. 

- Minha roupa tá rasgada, mas não tá suja de lama, e nem está fedendo a... tu sabe a que. 

- Ixe, vou-me embora, que pode ser contagioso! - disse Warlla. 

Sayonara gritou:

- Vai-te embora, carniça! 

Warlla saiu dali, e foi para outro beco, onde se deitou. Sayonara foi para um banco de praça, dormir lá, com seus inseparáveis lençois. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Vivendo no meio da natureza

Na reserva florestal do Vale dos Gatos, município de Lagoa da Italianinha, quase na divisa com Vila Dourada, cinco dentre os moradores da floresta estavam reunidos perto de uma fogueira, enquanto a noite avançava. Eles não dormiam em nenhum abrigo, mas apenas no meio da mata. Rafaela, Danielle, Eduardo, Diana e Lulu estavam orando e meditando. Longe de tecnologias, da vida urbana e da civilização. 

Rafaela dizia aos que ali estavam:

- Se bem soubessem o quanto é bom estar aqui, e não na agitação urbana... 

- Verdade - disse Danielle. - eu vim pra cá e nunca me arrependi. 

Diana, a mais velha, que já tinha uns 50 anos, disse:

- Rafaela, bendito dia que tu me chamou pra cá, eu me sentia sozinha e minha família nunca ligou pra mim. 

- Verdade, dona Diana - disse Eduardo. 

Lulu, por sua vez, não falava. Rafaela disse:

- Eu ainda quero povoar esse paraíso com mais pessoas. Temos que libertar as pessoas da agitação urbana e conectar com a natureza. 

- Só sinto falta de Adriana conosco - disse Danielle. 

- Adriana está num chalé aqui perto, ela teve que ir por questões de saúde, e eu entendo - disse Rafaela.

A vida deles tinha regras. Nada de celular, nada de comer carnes, apenas comer verduras, frutas ou comidas que não contivessem carne - eram vegetarianos -. Visitar a cidade, só três vezes na semana, quando seria permitido o contato com familiares, pessoalmente ou pelo celular de alguém. Notícias, nem pensar, principalmente política. A partir do dia que Adriana passou a morar no chalé, foi permitido que eles pudessem passar a noite nesse chalé em caso de chuva muito forte. Como não tem cama para todos, eles dormem no chão, que é exatamente outra regra deles, sempre dormir no chão. 

Rafaela, que exerce uma certa liderança, criou essas regras, que são seguidas à risca pelos outros. A quebra de uma delas não resulta em expulsão, mas apenas em advertência. A exclusão da comunidade selvagem acontece apenas em caso de traição ou algum crime. Danielle é uma espécie de "número 2", ou vice-líder no grupo, pronta para liderar se Rafaela estiver ausente. 

A Revolta de Ilene


Numa certa noite, revoltada por ter sido deixada de fora na composição do secretariado da gestão da prefeita Giovanna Victórya, Ilene estava mergulhando e nadando na piscina, quando chegou sua irmã Karoline, que disse:

- Ilene, tá frio, tu na piscina essa hora? 

- Estou aborrecida demais com nossa sobrinha Giovanna, como ela teve a coragem de me excluir da gestão dela? 

- Ilene, a nossa irmã Myllena já queria te tirar. E agora, Giovanna assumiu e decidiu isso.

- Além disso, ainda recusou a Danúzia como secretária de Ação Social, que eu queria indicar. Um ultraje!

Karoline foi para cima de um piso, para ficar mais perto de Ilene, e disse:

- Ilene, a Giovanna é mais rigorosa do que Myllena. Esses anos que ela passou na Alemanha e na Áustria acho que foram decisivos pra moldar o caráter dela. 

- Não me conformo. Eu não aceito. Vou conversar com ela, eu sou tia dela!

- Ela não quer você, Ilene. E venhamos e convenhamos, tu estava desviando verbas para tua agência de modelos wetlookers, e Giovanna não tolerou isso. 

Ilene saiu da piscina, e disse:

- Isso não vai ficar assim. Vou tomar providências!

- Para, Ilene. Não faça nada que vá se prejudicar depois. Acho bom tu me escutar. Agora, entra, e troque de roupa, bota uma roupa seca e vá dormir. 

Ilene estava aborrecida com sua sobrinha e prometia retaliações. 

A Mendiga Limpa


 Numa certa noite, Valdenes e Branquinha andavam pelo centro de Lagoa da Italianinha, quando se depararam com a mendiga Sayonara, que reconheceu Valdenes e disse:

- Valdenes, saísse das ruas?????

- Sim, desde 2022. E tu, por onde andava, Sayonara?

- Fui me aventurar na capital. Mas voltei... e você, Valdenes, continua descalço mesmo tendo saído das ruas?

- Sim, é claro, sapatos, só uso em banhos...

Sayonara riu e disse:

- É mais doido que eu, toma banho de roupa e sapatos mas anda descalço pelas ruas...

- E tu, vai sair das ruas quando?

- Nem tenho interesse de sair... quero ficar livre. Me apresenta aí sua namorada. 

Branquinha disse:

- Eu não sou namorada dele, somos só amigos.

- Ah, tá, desculpe. Tenho que ir, tá? 

- Se cuida, Sayonara. 

Sayonara saiu dali, e Branquinha disse:

- Essa moça parece boazinha, mas meio doidinha...

- É, mas tem uma coisa interessante. Sayonara, notasse como ela é limpa e asseada? 

- É mesmo. Não senti nenhum mau cheiro vindo dela, e não vi sujeira, como vejo em outros mendigos. 

- Ela é muito asseada, mesmo, Sayonara costuma forrar um lençol na calçada onde dorme para dormir em cima dele. E no dia seguinte, se há alguma sujeira, ela pede licença para a dona da casa ou da loja em cuja calçada ela dormiu para varrer a calçada. 

- Caramba, a gente só sabe que ela é mendiga porque a roupa dela é rasgada. Mas não vi uma mancha de sujeira. 

- Verdade, ela é maluca, mas tem um coração de ouro, viu? Ela é sozinha assim, vive pelas ruas e se sente livre, mas ela é uma pessoa do bem e muito prestativa. 

Valdenes e Branquinha foram para suas casas, enquanto Sayonara chegou na calçada de um hotel na praça, e pegando dois lençois que havia deixado em uma caixa, forrou um no chão e outro se cobriu com ele, adormecendo na calçada. 

Alvanir e Aurineide se divertem no mar

 

Corria o ano de 1872, e as irmãs Alvanir e Aurineide foram passear pelo mar em Fortaleza. E as duas não se fizeram de rogadas e entraram de roupa e tudo no mar. 

Alvanir dizia:

- Quando chegar em casa, nosso pai vai nos dar uma bronca, por estarmos molhadas, visse?

- Eu nem ligo, é tão libertador!

As duas nadaram juntas, e se divertiam, jogando até mesmo água uma na outra. Pouco tempo depois, elas saíram do mar, e foram para praia, para esperar seus vestidos secarem. 

Alvanir e Aurineide gostavam de se divertir vestidas no mar, mas a irmã mais velha Aline e o irmão mais novo Daniel achavam loucura delas. Os pais delas, o barão Almir e a baronesa Delma, davam muita bronca nas duas por isso. 

Isso explica também porque nos dias atuais, em Lagoa da Italianinha, tataranetos de Alvanir (entre eles, Jad, Valdenes, Vitória e Josy), e tataranetos de Aurineide ( entre eles, Josiane, Danúzia, Josineide e Branquinha), gostam de tomar banho com roupa e tudo...

Giovanna empossa seu secretariado

 

Em Lagoa da Italianinha, a prefeita Giovanna Victórya anunciou a composição do seu secretariado. Giovanna manteve a maior parte que esteve na gestão de sua mãe Myllena, mas fez algumas mudanças que repercutiram muito. 

Na Secretaria de Saúde, permanece sendo Claudiane, na Secretaria de Educação, permanece sendo Aurystella, na Secretaria de Indústria e Comércio continua sendo Sandrinha, na Secretaria das Finanças continua sendo sua tia Karoline, na Secretaria de Infraestrutura segue sendo Flávia Andreia, e na Secretaria da Mulher continua a ex-vereadora Maria Isabel.

Mas na Secretaria de Turismo, ela chamou a empresária Karla Patrícia, uma famosa descalça da cidade e dona de uma loja de produtos naturais. Giovanna chamou Rosimar, irmã do vereador Josimar, para a secretaria de Cultura, enquanto Lady Milene, que antes estava nessa secretaria, foi para a chefia do gabinete da prefeita. 

Na Secretaria de Meio Ambiente, Giovanna nomeou a espanhola Jenerina, que atua na causa ambiental, e na Secretaria de Agricultura, nomeou o ex-vereador Zé Bento. Já para Imprensa, nomeou Geórgia. Na Secretaria de Governo, na qual Giovanna foi titular, ela nomeou o ex-prefeito Aenson, e na Ação Social, ela nomeou Branco, o jovem descalço da comunidade do Alto do Cruzeiro, e na Secretaria de Assuntos Jurídicos, Giovanna nomeou outro ex-prefeito, Jurandyr. 

Chamou atenção que ela exonerou o ex-vereador Diego da Secretaria de Assuntos Jurídicos, e sua própria tia Ilene da secretaria de Turismo. Já a Danúzia, que seria Secretária de Ação Social, foi vetada por Giovanna. 

Giovanna acusou ambos de terem "conduta inapropriada para o cargo". Giovanna passou uma mensagem clara de que terá reunião de metas mensais e exige o pleno cumprimento delas, e não admite nenhuma prática ilícita. Giovanna disse ao microfone:

- Todos aqui devem cumprir suas obrigações, e não aceito nenhum tipo de coisas erradas, existem metas a serem cumpridas e vamos cumprir, e ai de quem não cumprir, ou de praticar coisas ilícitas, pode pegar o beco e desaparecer da minha vista. 

Alguns ali ficaram um tanto tensos, pois sabiam que Giovanna é ainda mais rigorosa e exigente do que Myllena, que alguns já consideram "exigente". 


Clíntia escreve um email listando as pessoas mais excêntricas de Lagoa da Italianinha

 

Numa certa tarde, enquanto não estava em seu trabalho, a jovem Clíntia escreveu um email para uma prima que vive no Paraná, e ela falou de sua impressão sobre as pessoas mais "estranhas" da cidade, chegando a citar algumas delas. 

"Querida irmã, tudo bem com você?

Estou aqui morando em Lagoa da Italianinha, é um lugar muito bom, muito bacana. Aqui tem mistura de culturas nordestina, italiana, alemã e portuguesa, pois aqui fica no agreste de Pernambuco, entre Limoeiro e Caruaru, foi fundada por italianos, que chegaram aqui com uma portuguesa, e já tinha uma alemã vivendo aqui. 

Mas o que mais me chama atenção é a excentricidade de algumas pessoas daqui da cidade, eles têm hábitos que não é comum nem mesmo entre os nordestinos. Aqui mesmo tem pessoas que andam sempre descalças, e não é só gente pobre, não. Tem uma mulher que vive sempre descalça, chamada Myllena, que até uns dias atrás, era PREFEITA aqui. Renunciou porque será candidata a deputada estadual. Outros descalços aqui são a vereadora Vanessa, a empresária Karla Patrícia, uma cantora chamada Marília do Acordeon...

Aqui ainda tem uma galera que toma banho de roupa, tipo por exemplo, madames ricas, as irmãs Josiane e Danúzia, e Ilene, que tomam banho até de sapatos, e também as irmãs Josenilda e Branquinha, e tem umas mulheres que ousaram até mesmo ser carecas, tipo a juíza Suely, Mimi e Anna Paula. Loucura total. Tem duas aqui que são muito estranhas, até dormem em caixão, a Gilvânia e a Geisy, eu tenho até medo de me aproximar delas. 

Para não me alongar, vou falar só de algumas pessoas daqui que me chamaram mais atenção. Suely, por exemplo, é uma juíza, mas ela vive descalça e é careca, pois decidiu ser assim. Não sei como ela conseguiu entrar no Fórum. E ainda tem outra careca mais estranha, uma tal de Mimi. Imagina que ela ainda só usa sandália no pé direito e o pé esquerdo só vive descalço. Não entendi até hoje porque ela faz isso.  E ela não é qualquer coisa, ela já foi até candidata a prefeita aqui e teve 23 mil votos, não é pouca coisa. 

Conheço aqui também um tal de Valdenes, que também tem esses mesmos hábitos de viver descalço e tomar banho de roupa, mas ele tem um porém: ele só usa sapatos quando toma banho, imagina. Ele morou nas ruas muito tempo, e quando saiu das ruas, decidiu que continuaria fazendo essas maluquices. Ele vai descalço até pro trabalho, mas se tu ver ele de sapatos, ele tá indo para um lago, um rio, uma cachoeira, uma praia, uma piscina ou quiçá seu próprio chuveiro...

Por falar em moradores de rua, tem uma mendiga que se veste como se fosse madame, o nome dela é Warlla. Ela é uma pessoa muito esquisita, mesmo, pois ela já foi rica, perdeu tudo, menos a pose. Vive com a mesma roupa chique desde 2022, morando nas ruas da cidade. A roupa está suja e fedorenta, ela vive até na lama, mas ela continua com seu nariz empinado, nem os outros mendigos gostam dela. Ela inclusive, tem família rica, mas todos a odeiam, e ela também os odeia. 

Tem também uma outra chamada Fabíola, que vive como se estivesse na década de 50, ela se veste e se comporta como se estivesse em 1956. Diz que o Rio ainda é capital do Brasil, Brasília não existe, temos ainda a União Soviética e duas Alemanhas. Ela só usa máquina de escrever e rejeita a tecnologia, que ela diz que é coisa de doido. Paradoxalmente, ela gosta de outro que é futurista ao extremo e viciado em celular, um tal de Tiago, que alega estar no futuro. Fico imaginando como vivem esses dois juntos, hein? 

Fabíola tem uma grande inimiga, e ela se chama Wiviane, que é de família rica, irmã de vereadora, mas vive feito maloqueira, com roupas meio sujas e rasgadas e de chinelos, e gosta de tocar violão na praça principal da cidade. E outra rica, chamada Sílvia, que vive pelas ruas aprontando maluquices e não quer trabalhar? 

Tem aqui ainda pessoas que moram em lugares "alternativos": Ninho, que mora dentro de uma caixa de papelão, Cida, que mora dentro de um tonel, e uma tal de Faby Pés Sujos (nem precisa dizer porque ela tem esse apelido, né), que mora em uma casinha em cima de uma árvore. E ela foi rica, mas quis largar tudo pra viver assim. Tem gente até no esgoto, como Tatiane, Mary Anna e Cybhia. 

Ainda tem Rita de Cássia, uma mendiga que vive de boneca na mão, e chupeta na boca, já quarentona, mas tem mente de uma criancinha, tem duas irmãs gêmeas, Malu e Wéllia, que se detestam, sendo que Wéllia adora falar mal dos pobres, mas tem muito costume nojento, que não vou nem falar aqui, tem uma turma que odeia banho, a exemplo de Thallyta, Rúbia e Renatinha, além de alguns mendigos, feito Gílson, Renata e Esvalda, a mais suja entre todos eles. Tem uma cantora chamada Thayze, que adora tomar banho no chafariz da praça de vez em quando, olha a loucura. E por fim, tem Cássia, um anjo de pessoa, mas não gosta de viver enxuta, quando não tá na água, tá na lama, e adora sair na chuva...

Tem mais gente estranha, mas esses me chamaram mais atenção. Eu acho que você não conseguiria se adaptar aqui. Eu gostei daqui, porque algumas dessas pessoas, a exemplo de Suely e Valdenes, embora esquisitos, são bem legais. Mas como você é mais "normal", você não conseguiria...

Mande meus abraços para todos aí em Curitiba, espero visitá-los em breve. Um abraço, 

Clíntia." 


terça-feira, 7 de abril de 2026

Maria Clara e Inalda

 

Quando Lagoa da Italianinha ainda era o sítio Maniçoba, então pertencente a Vila Dourada, na década de 30, duas mulheres de culturas e origens muito diferentes uma da outra tinham uma verdadeira relação de mãe e filha, tamanha era a aproximação entre as duas. Uma era do agreste de Pernambuco e a outra era da Alemanha. 

Maria Clara, nascida em uma aldeia indígena no ano de 1918, cresceu na mata na mesma aldeia que fica atualmente na região do Vale dos Gatos. Quando se tornou adulta, decidiu sair da aldeia, mas manteve sua simplicidade e traços de cultura indígena. Usa sempre um  vestido simples de cor marrom e andou descalça a vida inteira. Na cabana onde ela passou a morar, só dormia no chão. 

Três anos antes de Maria Clara nascer, Inalda havia chegado ao Brasil, vinda da Alemanha. Inalda tinha apenas 20 anos e era uma artista plástica nata, além de ser judia. Ela nasceu em 1895 em Wittemberg, a famosa cidade onde começara a Reforma Protestante. 

O destino das duas se cruzou por volta de 1936, quando Inalda passou a lecionar aulas de pintura gratuitamente. Maria Clara começou a fazer pinturas, e Inalda ficava encantada com a aplicação da aluna. Apesar de Maria Clara ser muito desastrada, Inalda se divertia muito com ela. 

Maria Clara começou a tratar Inalda como uma segunda mãe, e Inalda enxergava Maria Clara como uma filha que ainda não tinha - só viria a ser mãe depois de muitos anos, depois dos 50 anos. Uma certa ocasião, em 1937, Inalda deu um vestido para Maria Clara e experimentou nela, e disse:

- Tu ficasse linda, Maria Clara, vou te dar sapatos novos...

- Não, sapatos eu não quero. Por favor. 

- Porque?

- Só consigo viver descalça, sentindo a terra, eu não me imagino usando nem sandália, eu não quero. 

- Eu também ando descalça às vezes, mas tu exagera, Maria Clara. 

- Eu sou índia, dona Inalda...

- Está bem, mas aceite esse vestido, pelo menos, pra tu usar em ocasiões especiais, eu sei que tu ama usar aquele vestido marrom bem velhinho. 

- Muito, eu amo a simplicidade. Mas vou usar esse vestido sim quando for em festas. Pode ser?

- Pode, sim. 

Anos mais tarde, em 1989, quando Lagoa da Italianinha já era uma cidade, as duas foram homenageadas, quando o Loteamento Maria Clara foi inaugurado, e sua rua principal tinha o nome de Inalda Oliver. 

Marco Aurélio questiona Valdenes e Branquinha


Numa certa tarde, o vereador Marco Aurélio mandou chamar Valdenes em sua casa, e este apareceu, acompanhado de Branquinha, a irmã do vereador. Marco disse:

- Não se apoquente, não, tu está descalço, pode ficar à vontade, que minhas duas irmãs Gilvânia e Michele também só vivem descalças. 

- Obrigado, vereador. 

- Mas o assunto não é esse. Quero que tu me responda uma pergunta, seu Valdenes. 

- Pode perguntar. 

- Qual seu interesse em Branquinha, a minha irmã? 

Valdenes riu e disse:

- Mas que pergunta é essa? 

- É que estou escutando um zum-zum-zum pela cidade, e tem gente dizendo que tu está com interesse... amoroso nela. 

Valdenes riu e disse:

- Não tenho nenhum interesse amoroso, senhor. Ela é uma mulher espetacular, muito bonita, com todo o respeito, e muito inteligente. Tenho certeza que o homem que casar com ela será um felizardo. 

Branquinha disse:

- Marco, isso não tem cabimento. Tu e toda cidade sabe que eu não quero namorar nem casar com ninguém. E se Valdenes tivesse interesse em mim, eu não ia querer. 

- Acho muito bom, seu Valdenes, porque me lembro muito bem da sua história com minha outra prima Josiane, viu? Acho bom tu se ligar, seu cabra. 

- Mas que coisa. Aquilo foi outra história. Minha relação com sua irmã é só de amizade. Passei anos e anos morando nas ruas e tenho procurado ter amizade com pessoas melhores que eu. 

- Sei...

- Vai me proibir de andar com ela agora, doutor?

- Não. Mas eu quero te alertar que você não é bem vindo nessa família, Valdenes, principalmente depois de tudo que meu tio Moab teve que fazer quando mandou Josiane pra Maceió por tua causa. 

- Bom, assim como Branquinha, eu também não penso em relacionamento, tenho outras prioridades. 

- Está bem. Eu não vou proibir vocês dois de serem amigos, mas se partir para algo maior, não terá o meu apoio. Isso é tudo. 

- Então, com licença - disse Valdenes. 

- Espere. Vou mandar a empregada preparar um almoço pra você e pra Branquinha. Não quero que ninguém saia com fome daqui. 

Durante o almoço, Valdenes e Branquinha almoçavam e conversavam. Marco já tinha saído para um compromisso, e Branquinha disse:

- Não ligue pra meu irmão, eu quero continuar sendo sua amiga. 

- Claro que vai continuar. Não se preocupe. 

Os dois apertaram as mãos, e depois, Branquinha deu uma carona para Valdenes até o centro da cidade. 

Priscila desabafa com Malu

Numa certa tarde, em Lagoa da Italianinha, nas proximidades do Alto do Cruzeiro, a mendiga Priscila estava atordoada, com olhar triste. A hippie veterinária Malu passou por ali pois tinha ido levar um animal para a casa de uma família humilde. Priscila abordou Malu e disse:

- Ei, quero falar com você. 

Malu ficou um pouco assustada, pois sabia da fama de Priscila em cometer roubos. Priscila disse:

- Precisa se assustar, não, só quero falar contigo. Eu vim em paz.

- Fala, Priscila. 

- Tu pode fazer um favor pra mim?

- Depende. 

Priscila pegou uma foto e deu à Malu, dizendo:

- Guarde essa foto. 

Malu pegou a foto e disse, surpresa:

- Ué, mas são seus pais... e esse bebê?

- Esse bebê era eu. 

- Mas porque tu quer que eu guarde essa foto pra mim, Priscila?

Priscila respondeu:

- Porque meus pais jogaram no mato. Eu soube, eu procurei, por isso, eu estou aqui nesse setor que eu evito aparecer. 

Malu disse:

- Priscila, pensa comigo... eles devem estar tristes em te ver nas ruas, na vida errada... tu acha que...?

- Malu, tu só sabe da versão deles, mas eu fui expulsa de casa, escorraçada a pontapés. Eu estou nas ruas porque assim eles quiseram! 

- Porque tu não tenta volta pra casa?

- Não quero, já me acostumei com as ruas, mesmo. Pelo menos, sou livre pra fazer o que eu quiser! 

- Priscila, tu é nova e bonita, tu podia sair dessa vida errada, tu ia conseguir tanta coisa. 

- Pra que? Não tenho o menor interesse. Olha, eu estou te dando essa foto porque não gosto de rasgar fotos, e nem meus pais querem e nem eu quero. 

- Tudo bem, vou guardar. Mas pensa no que eu disse. 

- Não. Minha vida é essa e acabou. E obrigada por cumprir meu favor. Olha, vou falar com uns parceiros aí pra não mexerem com você, te preocupa, não. 

- Priscila, tu quer lanchar? 

- Quero...

- Vai lá na lanchonete de Quitéria...

- Quitéria me expulsou da lanchonete dela. 

- Priscila, ela é minha amiga, pode ir lá. Vai lá lanchar, eu pago. Eu vou falar aqui agora com ela pra que ela saiba e vou passar o pix pra ela. Pode ir. Agora, se comporte lá, viu?

- Tá certo...

Priscila saiu dali e foi à lanchonete de Quitéria. Malu pagou o lanche pelo pix. 
 

Warlla volta e importuna Quitéria


 Depois de alguns dias sumida, Warlla, a "mendiga chique", apareceu novamente, e chegou na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona, centro de Lagoa da Italianinha, em uma noite muito chuvosa. Quitéria disse:

- Nunca mais tu fosse vista na cidade, por onde tu andava?

- Passei o feriado na lama, não saí de lá.

- Oxe, tu tá brincando. 

- Claro que não. Eu gosto de lama, muito...

- Warlla, o que tu quer aqui?

- Calma, é só uma bebida... eu pago amanhã. 

- Nada disso, aqui não se vende fiado. 

- Oxe, tu não sabe quem sou eu, de que família eu sou, descendente de alemães e muito chique?

- Sua família não fala mais com você e hoje você mora nas ruas, Warlla. 

Warlla disse, jogando o cigarro no chão:

- Tá bom, já vi que não vou conseguir nada por aqui. Vou aí pedir esmola pra algum otário, pra ver se ele me dá alguma coisa...

- Se tu conseguir, tu pode vir, agora não perturbe aqui, certo? 

- Mas que droga! 

Warlla ia saindo, e Quitéria disse:

- Vai sair na chuva forte? 

- Vou, sim, eu não sou de açúcar!

- Mas duvido tu encontrar quem te dê esmola numa chuva dessa. 

- Ah, não amola. 

Warlla saiu dali, e Quitéria disse:

- Essa daí precisa de um bom tratamento psiquiátrico. 

Geisy encontra Wéllia na rodoviária


 Numa certa noite, Geisy perambulava pela rodoviária de Lagoa da Italianinha e encontrou Wéllia, que fumava por ali, estava bastante suja, descalça e exalando um mau cheiro. Geisy disse:

- Wéllia, o que aconteceu com você? Eu estou lá no seu escritório cuidando de tudo, e...

- Continue lá, não tenho condições de ir agora.

- Wéllia, tu está mesmo dormindo nas ruas? Eu te vi essa noite, passando em frente da minha casa de 3 e meia da manhã. 

- Não quero ver minha mãe, que aprova esse relacionamento de Malu com meu Vinícius. Prefiro ficar na rua. 

- Tu pode ir lá pra casa...

- Geisy, tua casa é toda escura, parece casa de vampiro, querida. 

- Isso é verdade. Eu não vou nem conversar com sua mãe, nem com Malu, nem com sua filha Alice porque nenhuma delas gostam de mim. 

- Minha mãe te odeia, Geisy. 

- Wéllia, tome um banho, volta pra vida normal. 

- Não tenho vontade. Me deixa, eu te peço. 

- Tá bom, Wéllia. Hoje tá chovendo muito e eu quero ver como tu vai dormir na chuva, no meio da rua. 

- E porque tu não está de guarda-chuva?

- Eu não preciso disso, eu me molho na chuva, mesmo. - disse Geisy. 

- Esquisita, tu... bem que falam, mesmo. 

- Bom, vou indo. Qualquer coisa, já sabe. 

Geisy se retirou e Wéllia continuou por ali. 

Sozinha na estrada

Rita de Cássia, a mendiga quarentona que tem mente de criança, andou sofrendo muito nesse período junino por conta dos fogos, tanto do São J...