Um certo dia, Rúbia foi tomar um café na lanchonete de Marlene, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, e conversou com a funcionária Deinha, que é amiga de infância. Rúbia, apesar de parecer uma mendiga, não mora nas ruas, e sim, em uma casinha, mas costuma pedir esmolas nas ruas.
Em dado momento, Rúbia disse:
- Estou aqui cheia de grana no bolso, estou super fedida e suja, mas estou com grana.
Deinha disse:
- Rúbia, porque tu não trabalha? Tu é tão jovem, querida. Arruma um trabalho.
- Nada disso. Eu, pedindo esmolas para os bestas, ganho mais do que quem trabalha no comércio, querida. E depois, quem ia me aceitar pra trabalhar? Eu odeio tomar banho, e iam exigir isso de mim.
- Puxa, isso é trambicagem.
- É nada, é esperteza. E você não pode dizer que não faço sacrifícios, eu faço, sim.
- Qual?
- Eu, por exemplo, odeio andar descalça, mas eu ando descalça para os otários sentirem mais pena de mim e me ajudarem.
- Francamente, Rúbia, seus pais se envergonhariam dessa sua atitude.
- Deinha, obrigada pelo café, toma o trocado, e vou agora pra casa lotérica, agora tá cheio de gente lá, vou pedir esmolas por lá.
Rúbia saiu dali, e Deinha disse:
- Ainda bem que ela foi embora, eu não tava aguentando a catinga dela...

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