sábado, 4 de abril de 2026

Rúbia e sua vida errada

 

Um certo dia, Rúbia foi tomar um café na lanchonete de Marlene, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, e conversou com a funcionária Deinha, que é amiga de infância. Rúbia, apesar de parecer uma mendiga, não mora nas ruas, e sim, em uma casinha, mas costuma pedir esmolas nas ruas. 

Em dado momento, Rúbia disse:

- Estou aqui cheia de grana no bolso, estou super fedida e suja, mas estou com grana. 

Deinha disse:

- Rúbia, porque tu não trabalha? Tu é tão jovem, querida. Arruma um trabalho. 

- Nada disso. Eu, pedindo esmolas para os bestas, ganho mais do que quem trabalha no comércio, querida. E depois, quem ia me aceitar pra trabalhar? Eu odeio tomar banho, e iam exigir isso de mim.

- Puxa, isso é trambicagem. 

- É nada, é esperteza. E você não pode dizer que não faço sacrifícios, eu faço, sim.

- Qual?

- Eu, por exemplo, odeio andar descalça, mas eu ando descalça para os otários sentirem mais pena de mim e me ajudarem. 

- Francamente, Rúbia, seus pais se envergonhariam dessa sua atitude. 

- Deinha, obrigada pelo café, toma o trocado, e vou agora pra casa lotérica, agora tá cheio de gente lá, vou pedir esmolas por lá. 

Rúbia saiu dali, e Deinha disse:

- Ainda bem que ela foi embora, eu não tava aguentando a catinga dela...

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