Numa certa tarde, o vereador Marco Aurélio mandou chamar Valdenes em sua casa, e este apareceu, acompanhado de Branquinha, a irmã do vereador. Marco disse:
- Não se apoquente, não, tu está descalço, pode ficar à vontade, que minhas duas irmãs Gilvânia e Michele também só vivem descalças.
- Obrigado, vereador.
- Mas o assunto não é esse. Quero que tu me responda uma pergunta, seu Valdenes.
- Pode perguntar.
- Qual seu interesse em Branquinha, a minha irmã?
Valdenes riu e disse:
- Mas que pergunta é essa?
- É que estou escutando um zum-zum-zum pela cidade, e tem gente dizendo que tu está com interesse... amoroso nela.
Valdenes riu e disse:
- Não tenho nenhum interesse amoroso, senhor. Ela é uma mulher espetacular, muito bonita, com todo o respeito, e muito inteligente. Tenho certeza que o homem que casar com ela será um felizardo.
Branquinha disse:
- Marco, isso não tem cabimento. Tu e toda cidade sabe que eu não quero namorar nem casar com ninguém. E se Valdenes tivesse interesse em mim, eu não ia querer.
- Acho muito bom, seu Valdenes, porque me lembro muito bem da sua história com minha outra prima Josiane, viu? Acho bom tu se ligar, seu cabra.
- Mas que coisa. Aquilo foi outra história. Minha relação com sua irmã é só de amizade. Passei anos e anos morando nas ruas e tenho procurado ter amizade com pessoas melhores que eu.
- Sei...
- Vai me proibir de andar com ela agora, doutor?
- Não. Mas eu quero te alertar que você não é bem vindo nessa família, Valdenes, principalmente depois de tudo que meu tio Moab teve que fazer quando mandou Josiane pra Maceió por tua causa.
- Bom, assim como Branquinha, eu também não penso em relacionamento, tenho outras prioridades.
- Está bem. Eu não vou proibir vocês dois de serem amigos, mas se partir para algo maior, não terá o meu apoio. Isso é tudo.
- Então, com licença - disse Valdenes.
- Espere. Vou mandar a empregada preparar um almoço pra você e pra Branquinha. Não quero que ninguém saia com fome daqui.
Durante o almoço, Valdenes e Branquinha almoçavam e conversavam. Marco já tinha saído para um compromisso, e Branquinha disse:
- Não ligue pra meu irmão, eu quero continuar sendo sua amiga.
- Claro que vai continuar. Não se preocupe.
Os dois apertaram as mãos, e depois, Branquinha deu uma carona para Valdenes até o centro da cidade.

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