terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Jacilene rejeita um pretendente


 Numa certa noite do final do ano de 1782, numa festa da alta sociedade de Vila Rica, a francesa Jacilene, que havia chegado lá durante aquele ano, teve sua primeira aparição em uma festa, onde foi levada por Regina, sua amiga. 

Em um determinado momento da festa, um homem aproximou-se da francesa e lhe disse:

- Perdoe-me, você veio da França?

- Sim. 

- E veio habitar entre nós?

- Pois é. 

- Qual seu nome?

- Jacilene. 

Ele beijou a mão dela, e disse:

- Encantado. 

Regina observava a conversa entre os dois. De início, parecia que Jacilene estava gostando da conversa. Mas quando o homem disse:

- Olha, eu posso colocar mil escravos pra te servir, sabe como é. Você é uma dama, veio de um país da Europa, tem que ser tratada como uma rainha. 

- Não quero escravos me servindo. 

- Mas por que? 

- Porque eles são gente como eu e você. 

Ele riu e disse:

- Eles são mercadoria, moça. Coloca isso na sua cabeça. 

- Então, nossa conversa se encerra por aqui. Com licença. 

Jacilene se retirou, e o homem disse:

- Mas o que deu nela? Eu querendo oferecer tudo a ela, e ela me trata assim. 

Regina disse:

- Ela é iluminista, ela é contra a escravidão. 

- Ah, por isso ela reagiu assim. Uma pena, uma mulher tão bonita abraçando essas ideias malditas. 

Regina se retirou e foi á procura de Jacilene. Ela disse:

- Jacilene, eu conheço ele, a gente estudou junto e eu sabia que vocês não dariam certo, conhecendo suas ideias como eu conheço. Ele é senhor de escravos e é mais violento até mesmo do que a Sinhá Adriana, com quem tu mora. 

- Credo. 

- Pois é, tu ia sofrer nas mãos dele. 

- Ainda bem que eu percebi logo. 

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