Vivendo nas ruas há bastante tempo, a mendiga Priscila passou na barraca de Josinete por volta das 2 da manhã, no centro de Lagoa da Italianinha, onde pediu um café. Priscila deu um trocado, e Josinete disse:
- Moça, tu tem família? Tu está uma hora dessa na rua...
- Eu moro nas ruas, eu não gosto da minha família.
- Credo, mas como tu fala assim?
Priscila disse:
- Eu detesto todos eles, eu apanhava que só, eu não quis nunca mais morar debaixo de um teto.
Josinete disse:
- Acho que tu poderia mudar de vida, tu é tão jovem...
- Não tenho o menor interesse em mudar. Eu vejo as pessoas erradas tudo se dando bem, eu vou ser errada também, eu bato carteira com força, eu pego o que é dos outros, sim. E eu só poupo a senhora porque a senhora nos trata bem.
- Qual é seu nome, hein?
- Pra que a senhora quer saber meu nome?
- Por favor, estou perguntando na boa.
- Priscila. Por que?
- Priscila, essa vida que tu leva é perigosa, não pode continuar assim.
- Desculpe, mas eu não tenho nada a perder.
Priscila terminou de tomar café, e saiu dali, sem destino.

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