Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, Valdenes foi tomar café e se deparou com uma mendiga dormindo perto do balcão da lanchonete. Era a mendiga Priscila. Ele disse à Marlene:
- Priscila tá dormindo aí, Marlene, tu viu?
- Sim, depois eu vou enxotar ela daí.
- Eu quando morei nas ruas, conheci muito ela, mas ela parece que não sai da vida errada.
- Imagina, os pais dela são pobres, mas pessoas honradas, né? Devem ter vergonha de ter uma filha assim vivendo desse jeito, dormindo nas ruas e fazendo coisas erradas.
Priscila tinha o sono pesado, e não acordou nem mesmo com barulhos grandes por ali, pois estava muito movimentado.
Mas muito tempo depois, quando Valdenes já tinha ido embora, Marlene foi acordar Priscila, e disse:
- Priscila, aqui não é lugar de dormir, vai procurar outro lugar.
- Oxe, logo no meu melhor sono, tu me acorda. Francamente, não poderia esperar mais um pouco?
- Tu é mais folgada que calça de palhaço, oxe. Chispa daqui, vaza!
Priscila saiu dali, olhando Marlene com raiva, e depois, se deitou perto de um muro do lado de fora da rodoviária. Marlene dizia:
- Preguiçosa, não, se amostra...

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