segunda-feira, 23 de março de 2026

Danúzia zomba de Warlla


 Numa certa noite, Danúzia foi a um beco no centro de Lagoa da Italianinha e encontrou a mendiga chique Warlla, deitada em uma calçada. Warlla, vendo-a, disse:

- O que tu quer aqui?

- Nada, vim só cumprimentar a madame Warlla, cuja casa e mansão de luxo é o mundo, a rua...

- Toda cheia de gracinhas... mas cuidado, que eu sei do teu passado, e se eu denunciar, tu vai passar anos  na chave. 

- Oxe, eu sou rica, jamais irei presa, estamos no Brasil. Agora, tu? Tu mora nas ruas, tu é igual esses mendigos nojentos. E olha, se tu denunciar, tu também vai sair das ruas. Mas pra cadeia. Mas tu fica, porque tu é pobre, e eu não. 

- Fora daqui! Tu ainda me paga, Danúzia!

- Warlla, eu não tinha medo de tu quando tu era rica, vou ter medo hoje, que tu é uma simples mendiga fedendo a merda, é? 

- Vai zombando, vai zombando, que teu sal tá se pisando. 

- Vou embora, pobreza pode ser contagioso... durma bem aí do lado dos insetos, das baratas, dos ratos, da sujeira... 

- Vá embora!

Danúzia, dando risadas maldosas, saiu dali, entrou em um carro e foi embora. Warlla estava com ódio, e dizia:

- Essa bruxa me paga! 

Uma briga interrompida

 

Numa certa noite, numa praça principal em Lagoa da Italianinha, a vintage Fabíola, o artista Valdenes e a cantora Wiviane estavam conversando. Acontece que Valdenes novamente as pegou brigando, e separou as duas. Valdenes disse:

- Não sei porque, duas moças tão bonitas e tão maluquinhas, brigando assim...

- Olha quem fala, Valdenes, em maluquice, tu aí descalço... - disse Fabíola. 

- Mas não falei por mal, gosto de pessoas malucas. Por favor, porque vocês não tentam se dar bem?

Wiviane disse:

- Eu me dar bem com essa doida que veste roupa do tempo da minha avó? Jamais. 

- E tu, que parece maloqueira, só anda de chinelos e roupa suja? Até o Valdenes, descalço, consegue ser mais elegante que tu - disse Fabíola. 

- Vamos parar com isso, eu quero que vocês se dêem as mãos. 

Fabíola disse:

- Nunca, eu posso me contaminar com a pobreza dela. 

- Mas ela nem é pobre, ela é irmã da vereadora Jane. 

- Mas parece uma pobre. Eu sou uma madame fina e elegante. 

Wiviane riu e disse:

- Pronto, agora lascou mesmo. 

- Vamos parar com isso - disse Valdenes.

Fabíola disse:

- Quer saber, vou embora, preciso descansar minha beleza. Até amanhã, sua doida. 

- Até amanhã, sua megera. 

Fabíola se retirou, e Valdenes disse pra Wiviane:

- Não sei qual de vocês duas é mais doida...

Wiviane não disse nada e se retirou. Valdenes voltou pra casa. 

Marlene reencontra Claudinha


Certo dia, Marlene chegou em sua lanchonete, e encontrou a mendiga Claudinha tomando café. Marlene disse:

- Claudinha, você tomando café aqui?

- Sim, mas eu paguei, não se preocupe. 

- Eu sei disso. Você adormeceu aqui a noite toda, do lado de fora da rodoviária...

- Sim. 

- Claudinha, nem imagino como tu aguenta, eu já vivi nas ruas, e digo que é sofrimento. 

- Eu sei. Mas eu sou só. E sabe? Eu estou do lado dos meus amigos de rua. Sempre para ajudá-los. 

Claudinha terminou seu lanche e disse:

- Vou indo, dona Marlene. Obrigada por me ouvir. 

Marlene ficou surpresa com o tratamento dela. Na verdade, Marlene e Claudinha tiveram muitos atritos quando Marlene ainda morava nas ruas. 

Benjamim recebe visita de Branquinha


Numa certa tarde, em Nova Humaitá, no agreste de Pernambuco, o jovem Benjamim recebeu sua amiga, Branquinha, que viera de Lagoa da Italianinha a trabalho. Ela disse:

- Está gostando daqui?

- Tô, sim, mas te confesso que desisti da política aqui...

- Mas porque? 

Benjamim disse:

- Aqui tem uma polarização, direita contra esquerda, isso há anos, uma terceira via aqui não consegue ter vez. 

- Ué, mas você tem que entrar, ser uma nova opção pra essa gente. 

- Mas tem um problema, Branquinha. Alguns anos atrás, um coronel mandou chamar um filho e um sobrinho, e mandou o filho pra um partido de direita e um sobrinho para um partido de esquerda, aí nasceu essa rivalidade falsa, pois eles fingiram que brigavam. E o povo daqui segue até hoje o partido de um ou o partido do outro. 

- Ué, o povo sabendo disso, ainda mantém isso?

- Mas existem vantagens nisso tudo, querida. E essa polarização fez muito mal à essa cidade, somos a menor das quatro aqui das redondezas. Vila Dourada, Serra Grande e principalmente, a tua cidade, Lagoa da Italianinha, onde lá só o bairro Mary Dee é maior do que toda a cidade aqui. 

- É ruim... isso tá acontecendo até a nível de Brasil. 

- É verdade, isso tudo me entristece. Ver o povo dessa cidade comendo corda de uma farsa montada por um astuto coronel que conseguiu dividir o povo e garantir seu poder, pois independente do lado eleito, ele sempre estava ganhando com isso. Ele morreu há anos, mas a família dele ainda goza dessa benesse, mandando uns para direita, outros para esquerda, e eles, só luxando e com casas longe daqui, tem até comércio grande lá em Lagoa da Italianinha. 

- Nada disso é eterno, um dia isso pode ser quebrado. 

Vitória leva um susto ao encontrar Priscila


 Numa certa noite, Vitória estava indo para casa, quando se deparou com a mendiga Priscila, que a olhava com tom ameaçador. Vitória, assustada, disse:

- O que tu quer, Priscila?

- Calma, não vou te morder, querida. Mas tu não se lembra dos bons tempos que batíamos carteira juntas nas ruas, né? 

- Não me lembro. 

Vitória ia saindo, e Priscila pegou no braço dela e disse:

- Tu se acha muita coisa depois que tu saiu da rua, né, querida? Mas tu não ficasse rica, não, tu só não tá dormindo nas ruas feito eu. 

- Me deixe em paz!

- Tá bom, Vitória, posso te deixar em paz... mas me dá um trocado aí. 

- Tô sem nada. 

- Para com isso, tu trabalha no escritório daquela cagona da Wéllia, e eu sei que ela te pagou, e tu ainda recebe mesada daquele teu irmão paspalho Valdenes. 

Vitória pegou 10 reais e deu, e Priscila disse:

- Só isso????

- Tu acha pouco? Era o dinheiro que eu ia pegar moto-táxi.

Priscila amassou o dinheiro e jogou em Vitória, dizendo:

- Pode ficar com isso. Isso é esmola. Eu posso pegar muito mais do que isso. 

Vitória pegou os 10 reais e foi embora. Priscila dizia:

- Abusada... depois que saiu das ruas, se acha melhor que os outros. Mas vou dar um  jeito nela...

Vanessa é barrada em um restaurante


 A vereadora Vanessa decidiu visitar um novo restaurante que abriu em Lagoa da Italianinha, mas teve uma surpresa: o segurança encostou nela e disse:

- Aqui, não, dona. 

- Mas por que?

- Porque a senhora está descalça. Põe qualquer calçado, depois volte. 

- Mas eu não uso calçado.

- Então, pode ir embora daqui. 

- O senhor sabe quem eu sou? Eu vou vereadora e posso processar esse restaurante. 

- Sinto muito, a regra é clara. Descalços não entram. 

- É impressionante esse preconceito com os descalços. Mas tá bom, eu vou registrar isso, e aqui na cidade, muita gente anda descalça e não vai querer mais vir para cá. 

O gerente apareceu e disse:

- Posso saber o que está acontecendo?

- Essa maluca quer entrar aqui descalça, senhor - disse o segurança. 

- Epa, maluca, não. 

O gerente disse:

- Essa aí é a vereadora Vanessa, e já me falaram que aqui na cidade tem uma turma que anda de pés no chão. É melhor deixar ela entrar...

- Mas, se o dono souber...

- Deixe que eu me entendo com ele. Não quero ter problemas com ela, ela é briguenta! 

Vanessa pôde entrar, almoçou, pagou e foi embora. 

Vitório flagrado por Maria


Numa certa tarde, em Vitalba, depois que chegou do colégio, Vitório foi tomar um banho, mas ele tinha se esquecido de uma coisa: uma roupa seca para pôr depois da ducha. Vitório pensava que sua mãe adotiva Maria estava dormindo, e ele ia saindo do banheiro para o quarto, quando Maria o viu, e Vitório tomou um susto. Maria disse:

- Que é isso, menino? Tu toma banho com roupa?

Vitório disse:

- Não, mãe... é que... acho que estava chovendo. 

- Mas como chovendo, filho? Aqui na Toscana hoje tá ensolarado. 

- Ah, é mesmo... 

- Filho, o que está acontecendo?

Vitório disse:

- É que eu... ia ligando o chuveiro, aí soltou água, sem querer, acabou me molhando todo, sabe? Por isso eu tô indo buscar uma roupa seca. 

- Ah, entendi.. vai lá, antes que tu pegue um resfriado, e lave essa roupa. 

- Sim, mãe. 

- Por um momento, pensei que tu tava tomando banho de roupa, já não basta tua loucura de andar descalço por aí, agora mais essa. 

- Não, não...

Vitório, depois do susto, foi pro seu quarto, se trocou, lavou sua roupa e pôs no varal. Ele disse:

- Que alívio, se ela souber que gosto de tomar banho de roupa, ela me interna. 

Danúzia zomba de Warlla

 Numa certa noite, Danúzia foi a um beco no centro de Lagoa da Italianinha e encontrou a mendiga chique Warlla, deitada em uma calçada. Warl...