sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Amor à primeira vista em Lisboa


O ano era 1920. Em um bar no centro de Lisboa, o jovem José Maria sentou-se para beber um pouco, e de repente, virou seus olhos para uma cena que o deixou encantado: uma bela jovem de 21 anos, Mary Dee, cantando para o público presente. 

José Maria mandou chamar o garçom e disse:

- Garçom, quem é esta gaja? 

- Ela chegou em Lisboa faz pouco tempo. O nome artístico dela é Mary Dee. 

- Ela é muito linda. 

José Maria se levantou e ficou observando-a. Mary Dee também parecia gostar do novo fã. Um homem que tocava uma guitarra portuguesa ficou observando os dois. Quando ela terminou sua apresentação, José Maria disse:

- Desculpe, não quero atrapalhar. Aquele homem está olhando para cá. Deve ser seu marido, com ciúmes. 

- Eu???? Eu sou solteira. Aquele é meu primo. 

- Sério????

- Sim, eu até namorava, mas acabei faz uns dois meses. 

José Maria convidou Mary Dee para jantar com ele. Dali se iniciou um romance. José Maria não conseguiu a aprovação de sua família, católica ultraconservadora, pois Mary Dee era liberal para seu tempo. Mesmo assim, eles se casaram, brigados com suas famílias, e em 1929, nasceu Manuel, o único filho do casal. 

Durante a ditadura de Salazar, José Maria foi preso, e ele mandou que Mary Dee e Manuel fugissem para o Brasil, o que foi feito, se estabelecendo na atual Lagoa da Italianinha, em Pernambuco. José Maria foi solto depois da guerra e foi para o Brasil ao encontro de sua amada esposa, depois de 11 anos sem se verem. Passaram o resto de seus dias casados e morando em Lagoa da Italianinha, no Brasil. 

Hoje, alguns de seus descendentes vivem em Porto: Manuel, o filho deles, ainda vivo, com a filha dele, Fátima, e alguns netos. Já em Lagoa da Italianinha, vivem os bisnetos deles, as irmãs Paula, Luciana, Débora e Mimi, e um primo chamado Caio, entre outros. 

Deza e Warlla trocam ofensas na rua


Numa rua deserta de Lagoa da Italianinha à noite, as mendigas Deza e Warlla estavam discutindo uma com a outra, de forma calorosa. Warlla, conhecida como "mendiga chique", tem relação difícil com outros mendigos, pois mesmo ela morando nas ruas, ainda se acha superior a eles. 

Warlla, em dado momento, disse à Deza:

- Sabia que eu te odeio?

- Não diga. É recíproco. 

- Tu aí suja, não toma banho faz quase 40 anos, caramba, como tu vive assim, hein?

Deza disse:

- Eu percebo que tu não deixa de ser besta mesmo depois que tu perdeu tudo. Eu moro nas ruas há 39 anos, conheço todos dessa cidade, e você, quando era rica, me humilhou várias vezes. 

- Nunca te humilhei, só coloquei tu no seu lugar. 

Deza disse:

- E qual seu lugar agora? Dormindo em calçada feito eu, suja, feito eu e fedida feito eu, a única diferença é que tu toma banho e eu não tomo banho, só isso. 

- Tu deve ser uma velha muito derrubada, eu era criança e já te via na rua. 

Deza pegou o cabelo de Warlla e ia puxando, dizendo:

- Me respeita, que eu tenho idade pra ser tua mãe. 

- Me solta. Eu não tenho uma mãe fedorenta e porca. 

Deza disse:

- Tem razão. A sua mãe é uma pessoa de ótima índole, por sinal, ela vive lá em Caruaru e não quer saber de tu, porque tu aborrecesse muito ela. Pensa que eu não sei da história da péssima filha que você foi?

- Isso é problema meu. 

- Tem razão. Só estou te dizendo umas verdades. 

Deza ia saindo, e pegando um cigarro, ia fumar, e Warlla disse:

- Me dá um cigarro, pelo menos. 

Deza jogou o cigarro para Warlla, dizendo:

- Toma, e desapareça daqui! 

Warlla saiu dali, e Deza se deitou em uma calçada ali perto. 

Natinha na lanchonete


Numa certa noite, perambulando pelas ruas de Lagoa da Italianinha, a mendiga Natinha foi na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona, e disse:

- Eu estou só com alguns trocados, eu vim de Gravatá andando a pé para cá, e eu estou sem comer. 

- Tu mora onde? Qual seu nome?

- Me chamo Renata, mas sou chamada de Natinha. Eu não tenho casa, moro nas ruas. 

- Bom, vou te servir um lanche, não se preocupe com pagamento. 

Natinha ficou sentada do lado de fora, enquanto Quitéria mandou Flaviana servir o lanche. Enquanto Natinha comia, Quitéria disse pra Flaviana:

- Tu a conhece?

- Sim, eu já morei nas ruas, sei quem ela é. 

- Ela aceitaria ir para algum abrigo?

Flaviana disse:

- Não. Eu a conheço, ela se acostumou a viver assim pelas ruas. 

- Eu não entendo como uma pessoa vive na rua e ainda se acostuma... - disse Quitéria. 

Natinha, depois de terminar o lanche, agradeceu e foi para a praça, onde ficou. 

Moab e Janayna preocupados com quadro político


O deputado estadual Moab mandou chamar para uma conversa a deputada estadual Janayna em sua casa, em Lagoa da Italianinha. Ambos são da cidade, já foram prefeitos e foram eleitos deputados estaduais por grupos diferentes. Mas um fator político anda preocupando ambos. Moab disse:

- Janayna, eu achei interessante falar com você, é que é bom tu ficar antenada, eu estou achando que a deputada federal Sandra Valéria tá priorizando muito a prefeita Myllena e nos deixando meio em escanteio. 

- Por que tu acha isso, colega?

- Bom, ela já teve uns vários encontros com a prefeita, que quer ser também deputada estadual. E sem contar que Sandra já disse que quer apoiar a gestão da Giovanna, a filha de Myllena, que vai virar prefeita quando a mãe sair. Mas comigo já não tem tido mais encontros, eu não sei com você. 

- Comigo, também não. Eu era pré-candidata a federal e estava pra fazer uma dobradinha com Myllena, mas eu estou estudando se vou entrar na corrida pela Câmara Federal. 

- Entendi. 

- Moab, me diz uma coisa: o senhor teria dificuldade em apoiar Myllena se Sandra Valéria te pedisse?

Moab disse:

- Olha, eu gosto muito de Sandra Valéria, e independente de continuarmos aliados ou não, quero continuar amigo dela. Mas eu teria dificuldade em apoiar Myllena. Ela quando era vereadora e eu prefeito, ela vivia me atacando, chegou até me acusar de mandar matá-la, tu mesma lembra disso, tu também era vereadora. 

- Sim, eu me lembro. Mas sei que aquele atentado que ela sofreu não foi o senhor, foi sua filha Danúzia. 

- É verdade. E não se esqueça que foi porque Sandra Valéria resolveu se aliar comigo que Myllena rompeu com ela e passou a atacá-la. Tu mesma na época seguiu o mesmo rumo, se lembra? 

- Lembro, sim. Myllena é ética, competente e honesta, mas às vezes toma decisões no impulso e no estresse, eu mesma alertei sobre isso. 

- Janayna, vamos aguardar essa movimentação, pra ver no que vai dar. Qualquer coisa, a gente conversa de novo. 

Sandra Valéria recebe Giovanna e Myllena no seu escritório


Numa certa tarde, a deputada federal Sandra Valéria recebeu em seu escritório em Recife a vice-prefeita Giovanna Victórya e a mãe dela, a prefeita Myllena, de Lagoa da Italianinha. A deputada estava vendo pessoalmente Giovanna pela primeira vez desde sua volta ao Brasil, visto que Giovanna passou oito anos na Europa, quatro na Alemanha e quatro na Áustria. 

Sandra Valéria disse:

- É um prazer conhecer a futura prefeita de Lagoa da Italianinha pela primeira vez. 

- Obrigada, deputada. 

- Olha, a sua mãe e eu estamos deixando de lado nossas diferenças e queremos lhe dar todo apoio. Vinha acompanhando sua performance e gostei muito da sua postura. Você tem tudo para ser uma prefeita ainda melhor do que eu e sua mãe fomos. 

- Puxa, suas palavras me deixam muito grata. 

- Confesso, Giovanna, que eu cheguei a cogitar em 2024 ter você como candidata no nosso grupo no lugar de Mimi, mas infelizmente, não conseguimos.

- Sério????

- Sim, a deputada viu esse potencial em você. - disse Myllena - ela me disse. 

- Eu ia disputar contra minha própria mãe? - disse Giovanna, rindo. 

- E com chances de vitória, eu tinha pesquisas que davam vocês duas quase empatadas. E quanto a isso, que é que tem, a minha filha Alba Valéria, presidente da Câmara, já faz tempo que deixou de ser do meu grupo político e está com vocês, né?

- Verdade. 

Sandra Valéria disse:

- Mas agora os tempos são outros, Giovanna. Você está prestes a assumir a Prefeitura, sua mãe será deputada estadual e já estamos firmando um acordo, eu serei federal e ela estadual, estou disposta a dar toda estrutura pra conseguir que ela seja eleita e você faça uma ótima gestão na cidade. 

Giovanna disse:

- Deputada, será que o povo em Lagoa da Italianinha vai entender essa aliança de vocês?

- Ué, o atual presidente e o atual vice-presidente do Brasil também não eram inimigos? 

Myllena disse:

- A ajuda da deputada será muito importante, Giovanna. Eu tenho certeza que essa parceria renderá muitos frutos. Eu fui aliada dela por muitos anos, e digamos que estou voltando para o grupo que eu fazia parte. 

- Entendi, mãe. 

As três almoçaram juntas no escritório. 

Discussão na lanchonete da rodoviária

 

No Terminal Rodoviário de Lagoa da Italianinha, Wêdja, que novamente havia bebido além da conta, começou a maltratar a mendiga Solange. Nessa hora, Valdenes estava por ali tomando café, e separou as duas, dizendo:

- Wêdja, porque tu bate nela????

- Porque é uma pobre sem teto! Só está aqui pra encher o saco!

Valdenes disse:

- Eu já morei nas ruas, e eu conheço Solange, não admito que faça nada contra ela. 

- Oxe, leva ela pra morar na tua casa com você. 

- Solange não quer sair das ruas, é um direito dela. 

De repente, Marlene, que estava na cozinha da lanchonete da rodoviária, escutou, e chegando lá, disse:

- Mas o que está acontecendo aqui?

Solange disse:

- Wêdja queria bater em mim do nada! 

- De novo, tu vem causar confusão aqui, Wêdja? Olha, tu já bebeu quatro garrafas, ponha-se daqui pra fora. 

Valdenes disse:

- E o pagamento dela?

- Ela já pagou adiantado. Vá embora, Wêdja! 

- Nada disso, eu paguei oito garrafas!

- Pronto, depois tu vem consumir as outras quatro. Mas suma! 

Wêdja olhou Valdenes e Marlene e disse:

- Tá bom, vocês preferem a companhia dessa mendiga fedorenta do que a minha. Com licença. 

Wêdja saiu dali cambaleando, e Solange disse:

- Me desculpe, não queria...

- Deixa pra lá, não foi culpa tua. - disse Marlene. 

Valdenes disse:

- Bom, vou indo trabalhar. 

Valdenes foi trabalhar, Marlene entrou na lanchonete e Solange foi pedir esmolas ali perto. 

A amizade colorida de Esdras e Greta


Numa certa tarde, o jardineiro Esdras, que mantém um roseiral em Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, passou uma tarde inteira com a sueca Greta, que se tornara sua ajudante. Acontece que ela havia passado do horário de ficar ali e acabou fazendo companhia à ele. 

Esdras é viúvo, e tem uma filha pequena chamada Hadassa. Sua esposa Emma morreu em um acidente de carro entre Lagoa da Italianinha e Vila Dourada, há oito anos, quando Hadassa ainda era bebê, em circunstâncias misteriosas, depois de uma discussão de Emma com seu pai Ademar. 

Após a tragédia, Esdras se dedica a cuidar de sua filha com muito amor e carinho. Greta chegou recentemente da Suécia com sua família, seus pais Adam e Dagmar, e seu irmão Gustav. Greta se identificou tanto com a cidade que passou a andar descalça e tomar banho vestida, como fazem algumas pessoas que vivem na cidade, além de adotar um visual vintage, como da década de 60. 

Mas, na cidade, comenta-se que Esdras e Greta estariam a caminho de um romance. Hadassa, a pequena filha de Esdras, gosta tanto de Greta, que já a vê como uma "segunda mãe", pois Greta lhe oferece muito carinho e amor. Mas apesar de gostar de Esdras, Greta se sente um pouco incomodada com a ideia de "substituir Emma". 

Em Lagoa da Italianinha, Adam, o pai de Greta, é um dos sócios do recém-inaugurado Shopping Maniçoba, que se tornou o primeiro centro de compras na cidade, atraindo muitos compradores da cidade e de localidades vizinhas. 


Amor à primeira vista em Lisboa

O ano era 1920. Em um bar no centro de Lisboa, o jovem José Maria sentou-se para beber um pouco, e de repente, virou seus olhos para uma cen...