terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Kátia pensa em abandonar a política


Há alguns dias, Kátia, que atualmente é secretária de Ação Social em Lagoa da Italianinha, anda pensando em deixar a vida pública. Certo dia, ela se encontrou com sua amiga Ana Karina, a historiadora, e falou de sua intenção. Ana Karina disse:

- Mas por que????

- Porque estou cansada. Olha, as notícias aí dão conta que a prefeita Myllena tá se unindo com a deputada federal Sandra Valéria, depois de uma falar tão mal da outra por treze anos. Eu odeio isso, francamente. Você imagina, que eu perdi o mandato de vereadora, uma reeleição certa, porque Myllena faltou com a palavra, eu ia ser a vice dela, ela me deu essa palavra, aí colocou a filha pra ser vice, e eu saí candidata a vice em outra chapa, com Mimi, e nós fomos derrotadas. E eu estava tão endividada que eu acabei aceitando o convite da prefeita pra ser secretária. 

- Nossa, eu entendo. Era um mandato certo pra você. 

- Pois é, eu sinceramente me arrependo. Em 2016, eu fiquei na suplência, mas Adriana renunciou e eu entrei em 2018, e em 2020, eu fui eleita diretamente vereadora, eu poderia estar crescendo na política. 

- Pois é...

- E o que me deixa chateada é que Mimi tá sem falar comigo, ela não aceitou que fosse secretária da prefeita. Mimi me deu a mão e acreditou em mim para ser a vice dela, mas infelizmente, nós fomos derrotadas. É muita nojeira. 

- Mas o que tu tá pretendendo fazer?

- Pedir exoneração. Eu não gostei dela ter também tirado meu primo Valdenes do Turismo, Eraldo da Cultura e você da Educação, achei muita sacanagem. 

- Mas não se importe com isso, Kátia. 

- Me importo, sim. Olha, eu já tenho informações de lá de dentro que o que a prefeita queria era arruinar minha carreira política, ela nunca me perdoou por eu ter enfrentado ela em 2024. Esse lance de me chamar pra secretaria foi uma forma de me queimar perante a opinião pública, pois o povo diz: "falou mal da prefeita e agora trabalha com ela". 

Ana Karina disse:

- Kátia, não tome nenhuma medida precipitada agora. Deixe rolar pra ver o que vai acontecer. 

- Sei não... Ana Karina, tu imagina que daqui a uns dias Giovanna, a filha da prefeita, assume a Prefeitura, porque Myllena quer ser candidata a deputada estadual. Tem gente pressionando Giovanna pela minha cabeça. Eu tenho essas informações de fontes seguras. 

- É bronca, mesmo, política é um mundo cão. Eu fui candidata a prefeita e sei como é isso. Mas se acalme, não tome decisão precipitadamente. Espere, aguarde, tenha paciência...

O dia que Mônica recebeu uma italiana


Uma das maiores surpresas no sítio Maniçoba em 1944, foi a Mônica ter chamado para ajudá-la uma italiana recém-chegada, a Giuliana, que saíra de Nápoles em 1939 e esteve no Recife até 1944. Foi uma surpresa ali porque Mônica nunca gostou muito de estrangeiros e tinha forte antipatia pelas famílias italianas que ali viviam, pela família alemã e pela cantora portuguesa Mary Dee. 

Mas na sua casa naquele sítio do interior de Pernambuco, a realidade era outra: ela estava sozinha e precisava de uma ajuda. Seu filho Antônio Neto havia sido convocado para servir na Força Expedicionária Brasileira no norte da Itália. 

Mônica olhava para Giuliana, para o seu jeito simples, e em dado momento, ela perguntou:

- Tu anda assim descalça também?

- Sempre. 

- Lembrou meu filho, ele também só vive assim descalço...

- E onde ele está?

- Foi para a guerra, está lá no teu país. 

- Nossa...tomara que ele volte vivo e em paz. 

Mônica pediu para Giuliana fazer-lhe um almoço. Mônica gostou tanto que contratou Giuliana, que se mudou para lá com mala e cuia. Giuliana ficou lá até a volta de Antônio Neto, alguns meses depois, já em meados de 1945. Depois, Giuliana ficou por lá, indo trabalhar com os seus conterrâneos que ali viviam. 

Rita de Cássia e Warlla se estranham na rodoviária


Numa certa tarde, as mendigas Rita de Cássia e Warlla estavam na lanchonete de Marlene, na rodoviária de Lagoa da Italianinha. Rita, com sua inseparável boneca Dalila e sua mente de criança, estava frente a frente com Warlla, a "mendiga chique", que se vestia como se fosse madame mesmo morando nas ruas. 

Ao ver as duas num mesmo ambiente, Marlene ficou preocupada, pois sabia que as duas mendigas não se davam bem. Warlla, em tom provocativo, disse:

- Tu ainda com essa chupeta na boca e essa boneca encardida? 

- Isso não é da sua conta - disse Rita.

- Tu é uma doida, mesmo. Minha chupeta é essa - disse mostrando o cigarro que estava fumando. 

Rita disse:

- Sim, a chupeta do diabo, como dizem por aí. 

Warlla disse:

- Eu às vezes acho que tu se faz de doida, tu é muito insolente. 

- Olha quem fala. Uma dondoca que ninguém gosta! - disse Rita. 

- Claro, vocês, mendigos, me odeiam, porque eu sou mais linda e mais chique. 

- Oxe, como assim "vocês mendigos"? tu não é mendiga, não? Tu dorme nas ruas também, piniqueira! - disse Rita. 

Marlene disse:

- Querem parar vocês duas? Vocês estão em um lugar público. 

- Não se preocupe, eu não quero briga com essa dondoca - disse Rita. 

- Claro, sabe que eu ganho. Eu sou mais tudo que vocês de rua. 

- Deve ser a até a mais suja, tu tá mais suja e mais fedida que a Rita, Warlla - disse Marlene. 

- Não tem problema, eu posso ser a mais suja, a mais fedida, com prazer, desde que eu seja mais que todos os outros, não importa o que seja. - disse Warlla. 

Rita de Cássia disse:

- Tu é uma metida, isso sim. Tu é moradora de rua, feito eu, dorme em calçadas feito eu, come comida do lixo, pede esmolas, leva chuva sol, sereno, e tu se banha em chafariz ou no posto de gasolina feito eu. Tu se acha melhor que eu só porque tu já fosse rica algum dia enquanto que eu sempre fui pobre? Grande bosta! 

- Pare de me desafiar, senão eu tomo essa sua boneca encardida. 

- Venha! Venha que tu entra bem!

Marlene disse:

- Chega, saiam daqui, vocês duas! 

- Eu vou sair, dona Marlene, não quero me contaminar com a prepotência dessa dondoca suja. - disse Rita.

Enquanto Rita ia se afastando, Warlla disse:

- Vai embora, invejosa, que tu não é chique feito eu!

- Chega, vá embora! - disse Marlene. 

Warlla saiu dali, por outro lado. 

Bronca de irmão


 Numa certa manhã, o clima era de tensão na lanchonete da rodoviária. Isso porque Valdenes estava tendo uma conversa tensa com sua irmã Vitória. Ele perguntou:

- Me responda uma coisa, mas eu não quero mentiras. Eu fiquei sabendo que tu está saindo com um vereador de Vila Dourada, isso procede?

- Mas quem disse isso? 

- Não importa. Eu quero saber se é verdade. 

Vitória disse:

- Valdenes, eu e você moramos nas ruas muito tempo, agora eu estou numa casinha, com você e acho que tenho todo direito de crescer na vida, não acha? 

- Oxe, e é logo com esse vereador que é casado?????? 

- Ele não gosta da mulher dele, ela é uma songa monga, feia parece um camarão com asma, veja, eu sou muito mais bonita que ela! 

- Não importa. Eu não quero ver irmã minha virando amante de homem casado. Já não basta tu ser uma preguiçosa que não quer trabalhar e agora me inventa mais essa. 

- A vida é minha, irmão. 

- Oxe, a vida é sua, mas tu está na minha casa, tu mora comigo, e eu exijo que você tenha um comportamento digno de uma mulher. 

- Já acabou seu sermão, irmãozinho? Agora, com licença!

Valdenes disse:

- Vou só te avisar uma coisa. Se tu não terminar esse romance, eu te mando de volta pra rua! Vai voltar a dormir nas ruas. 

- Você seria capaz de fazer isso com sua própria irmã? 

- Oxe, eu já tenho um irmão que mora na rua, mesmo, ele não quis sair da rua. Um a mais, um a menos, que diferença faz, né? 

- Você não seria capaz de fazer isso comigo. 

- Se tu destruir uma família, servir de arma do demônio pra destruir uma família, eu faço isso, sim. Eu exijo que você pare de sair com esse vereador de Vila Dourada. 

- E se não quiser? 

- Vai voltar à mesma vida que tinha antes de 2022. 

- Ah, mas ele vai me dar muita grana. 

- Vai nessa. Esse vereador tem histórico já de ter muitas amantes e depois, deixou elas na sarjeta. 

Vitória saiu dali, nervosa. Valdenes, irritado, pagou o café e voltou para o escritório de Suely. 

Cássia brinca no rio diante de espectadores


 Numa certa manhã, Cássia saiu de casa sem avisar aos irmãos e foi até uma ponte longe do centro da cidade, onde pulou em um rio. Ela nadava no rio, e brincava bastante, sendo que de cima da ponte, algumas pessoas a observavam. Uma delas dizia:

- Veja que doida varrida, nadando no rio, assim. 

- Essa não tem juízo, todo mundo conhece ela em Lagoa da Italianinha. 

Uma outra gritava:

- Sai do rio!!!!!!

Cássia nem ligava. Ela mergulhava e nadava. Mais de duas horas depois, quando ela saiu do rio, ela viu essas pessoas e perguntou:

- Que foi? Nunca viram ninguém tomando banho de rio?

Eles riam dela, e Cássia saiu dali, sem se importar com a ironia deles. 

Andreza e o banho na rodoviária


Numa certa manhã, uma cena chamou atenção no pátio da rodoviária em Lagoa da Italianinha. A mendiga Andreza estava tomando banho, com a ajuda de Cida, uma mulher que mora dentro de um tonel. 

Andreza pediu ajuda para Cida:

- Me ajuda aí, nem sei onde Guilherme está, e quero tomar um banho, tô toda cagada, mijada, pelo menos, diminuir esse fedor que eu tenho. 

- Certo, tira aí a roupa, os sapatos...

- Oxe, e eu vou ficar nua em público, é? Nada disso, é com roupa e tudo, mesmo. 

- Então, tire os sapatos. 

- Nem isso eu tiro, Cida. 

- Oxe, que coisa... 

- Vai, arrume um balde com água e sabão, vamos. Jogue água em mim, sem medo, do jeito que estou mesmo, com roupa e sapatos. E arrume sabão também! 

Cida arrumou o balde e molhava Andreza, que se "lavava". Alguns olhavam de longe a cena e ficavam rindo principalmente de Andreza. 

Foram muitas as vezes que Cida precisou trazer baldes de água para molhar Andreza. Por fim, depois do último, Andreza disse:

- Agora, vou andar por aí, muito obrigada. 

- E vai rolar um trocado não? 

Andreza disse:

- Eu até ia te dar um trocado, mas me lembrei de uma coisa.

- Do que?

- Eu tenho 2 reais, mas está no bolso da minha calça... e eu estou toda molhada. 

- Que doida, porque tu não tirou antes?

- Me esqueci, só isso. 

- Me dê molhado, mesmo. 

Andreza pegou a nota e deu, molhada, para Cida, e foi embora. Cida pendurou a nota no seu tonel, e dizia:

- Essa daí não gira bem do juízo, oxe... eu sou doida, mas acho que ela ganha de mim. 

Uma elegância diferente


A juíza Suely, conhecida por seu visual excêntrico, sempre chama atenção das pessoas. Ela, que vai ao fórum ou ao seu escritório a pé, pois sua casa fica próxima dos dois locais, não consegue andar pela ruas sem chamar atenção, não só por sua simplicidade e sua recusa em usar carro para ir para um lugar tão perto, mas por seu visual, sem cabelos e de pés no chão. 

Suely decidiu ser careca desde 2017, e desde então, ela raspa a cabeça de dois em dois dias. E diz que não sente falta de cabelos. Já anda descalça há anos, assim como sua irmã, a prefeita Myllena, e também diz que se sente bem sem sapatos. 

Suely já foi alvo de processos administrativos, onde alguns juízes achavam que ela tem um comportamento "incompatível" com a magistratura. Mas Suely foi absolvida diversas vezes, pois o desembargador não viu nela nenhum tipo de comportamento que fosse digno de repúdio. Na verdade, esses juízes que a julgavam eram movidos pela inveja. 

Na igreja evangélica onde congrega, também é alvo de muitas desconfianças. Não só ela, como suas filhas Sara e Diná, também são carecas por opção, e ali Suely, que costuma louvar, também é vista com desconfiança. Suely é membro da Sociedade dos Pés Livres, que reúne os descalços da cidade e também deseja formar um grupo de mulheres carecas. 

Mas mesmo quem acha estranho o visual dela concorda que ela é elegante, e ela chama atenção por isso. Uma das pessoas que mais a admira já disse em público: 

- A doutora Suely não precisa de cabelos nem de sapatos para ser elegante. Ela já é por natureza. 

Kátia pensa em abandonar a política

Há alguns dias, Kátia, que atualmente é secretária de Ação Social em Lagoa da Italianinha, anda pensando em deixar a vida pública. Certo dia...