Cafeteria tranquila. Mesa pequena, café na xícara, livro em cima da mesa. Luz amarela.
De um lado Myllena.
Ex-prefeita da cidade, hoje candidata a deputada estadual. Blazer preto, blusa amarela, cabelo solto. Sorriso calmo, mas olhar de quem já carregou prefeitura nas costas.
Do outro Mateus.
14 anos, terno azul-marinho, gravata, livro debaixo do braço. Postura séria demais pra idade. Filho caçula.
E os dois... descalços. Porque em casa e nos lugares que importam, Myllena ensinou: "a gente conversa melhor com o pé no chão."
Na cidade todo mundo comenta: "A prefeita atual é a Giovanna Victorya, filha dela. Por que Myllena fala tanto do Mateus?"
A resposta veio nessa tarde de café.
"Filha, a Giovanna tá fazendo um ótimo trabalho", Myllena disse, mexendo o café. "Ela tem cabeça, tem pulso. Eu tenho orgulho."
Mateus ficou quieto.
"Mas mãe, por que você me chama pra essas reuniões então?"
Myllena olhou pra ele.
"Porque eu te vejo, filho. Eu vejo em você a vontade de perguntar o 'porquê' de tudo. A Giovanna executa. Você questiona. E política precisa dos dois."
"Mas eu sou só adolescente, mãe."
"E eu fui prefeita com 28. Idade não é crachá, Mateus. É responsabilidade."
O povo de Lagoa da Italianinha torce, critica, opina.
Mas dentro daquela mesa, era só mãe e filho planejando. Sem câmera, sem discurso.
Myllena quer ser deputada pra levar a voz da cidade pro estado.
E no fundo, ela já sonha alto: "Se um dia Mateus quiser, que ele entre na política não por sobrenome. Mas porque ele escolheu."
Mateus fechou o livro e sorriu. "Tá bom. Mas primeiro eu termino a escola, combinado?"
"Combinado", ela respondeu, e bateu o pé descalço no dele por baixo da mesa.
Porque legado não é empurrar. É preparar.







