O ano era 1920. Em um bar no centro de Lisboa, o jovem José Maria sentou-se para beber um pouco, e de repente, virou seus olhos para uma cena que o deixou encantado: uma bela jovem de 21 anos, Mary Dee, cantando para o público presente.
José Maria mandou chamar o garçom e disse:
- Garçom, quem é esta gaja?
- Ela chegou em Lisboa faz pouco tempo. O nome artístico dela é Mary Dee.
- Ela é muito linda.
José Maria se levantou e ficou observando-a. Mary Dee também parecia gostar do novo fã. Um homem que tocava uma guitarra portuguesa ficou observando os dois. Quando ela terminou sua apresentação, José Maria disse:
- Desculpe, não quero atrapalhar. Aquele homem está olhando para cá. Deve ser seu marido, com ciúmes.
- Eu???? Eu sou solteira. Aquele é meu primo.
- Sério????
- Sim, eu até namorava, mas acabei faz uns dois meses.
José Maria convidou Mary Dee para jantar com ele. Dali se iniciou um romance. José Maria não conseguiu a aprovação de sua família, católica ultraconservadora, pois Mary Dee era liberal para seu tempo. Mesmo assim, eles se casaram, brigados com suas famílias, e em 1929, nasceu Manuel, o único filho do casal.
Durante a ditadura de Salazar, José Maria foi preso, e ele mandou que Mary Dee e Manuel fugissem para o Brasil, o que foi feito, se estabelecendo na atual Lagoa da Italianinha, em Pernambuco. José Maria foi solto depois da guerra e foi para o Brasil ao encontro de sua amada esposa, depois de 11 anos sem se verem. Passaram o resto de seus dias casados e morando em Lagoa da Italianinha, no Brasil.
Hoje, alguns de seus descendentes vivem em Porto: Manuel, o filho deles, ainda vivo, com a filha dele, Fátima, e alguns netos. Já em Lagoa da Italianinha, vivem os bisnetos deles, as irmãs Paula, Luciana, Débora e Mimi, e um primo chamado Caio, entre outros.






