domingo, 8 de fevereiro de 2026

Uma amizade forte


Em Lagoa da Italianinha, alguns comentam sobre a grande amizade existente entre Valdenes e Branquinha, a jovem publicitária. Os dois costumam se encontrar com frequência, além de fazerem parte do Café com Cultura, juntamente com Ana Karina, Cássia e os irmãos Eraldo e Luana. 

Certo dia, Cássia insinuou para eles que os dois "dariam um bom par". Mas Valdenes disse:

- Impossível, Branquinha é só minha amiga, ela é prima da Josiane, minha amada das antigas. 

- É verdade. - disse Branquinha. 

Mas conta-se que também Josiane anda um tanto incomodada com a aproximação entre sua prima e Valdenes. 

Certo dia, Valdenes viu Branquinha e contou sobre o que o povo falava. Branquinha disse:

- Oxe, eu nem ligo para as fofocas desse povo, deixe eles falarem. 

- Espero que nossa amizade não seja atingida por isso - disse Valdenes. 

- Jamais, longe de mim tal coisa. Esses vagabundos não pagam minhas contas, não é mesmo? 

- Verdade... 

Branquinha, por sinal, não deseja namorar com ninguém. Solteira e sozinha, quer investir apenas na sua carreira de publicitária. 

A portuguesa descalça

Numa tarde no ano de 1936, a cantora portuguesa Mary Dee estava no interior de Pernambuco, onde se estabelecera recentemente, chegando com italianos. Certo dia, ela foi para Vila Dourada com a professora Issa e a cantora Adelma, com quem ela fez uma amizade mais forte. Mas tanto a professora como a cantora ficaram surpresas porque Mary Dee foi descalça. A portuguesa disse:

- Espero que não se importem porque estou descalça...

Issa disse:

- Não, meus antepassados que foram escravizados inclusive andavam assim descalços. Mas porque você anda assim?

Mary Dee disse:

- Nunca gostei de usar sapatos.. Eu quando era criança, os meus pais proibiam-me de andar descalça, mas eu saía para as ruas do Porto descalça sem eles saberem, escondida deles. 

- Eita, que coisa - disse Adelma. 

Mary Dee retrucou:

- E hoje é a minha marca artística. Se calçar sapatos, não sou eu. E só faço espetáculo e canto descalça, mesmo. Eu até tenho sapatos, sabes, mas só os uso numa ocasião demasiado especial... a última vez que usei sapatos foi no ano passado, quando cheguei aqui com os italianos. 

- Bem diferente, mesmo... mas não se preocupe, Mary Dee, apenas, seja você. - disse Adelma. 

Issa disse:

- Lá no sítio Maniçoba mora uma jovem que só anda assim descalça, o nome dela é Maria Clara, eu nunca a vi nem de sandália. E ela diz que se sente bem assim. Acho que tu vai se dar bem com ela. 

- Acredito que sim. 

- E o seu marido que ficou lá em Portugal e seu filho pequeno Manuel que veio com você, eles andam descalços feito você?

- Não, não...até queria que meu pequeno andasse assim de pés no chão feito eu... mas eles respeitam meu jeito...

Atualmente, em Lagoa da Italianinha, antigo sítio Maniçoba que se emancipou de Vila Dourada, os descalços da cidade também relembram de Mary Dee, sendo que alguns deles, como as irmãs Myllena e Suely e o Valdenes sequer haviam nascido quando ela morreu. Mary Dee também nomeia um bairro na cidade, além dela ter doado um terreno para construir um hospital, que também leva o nome dela e fica no bairro do mesmo nome. 


 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

De noite no chafariz


Numa certa noite, no centro de Lagoa da Italianinha, a mendiga Rita de Cássia estava no chafariz de noite, se divertindo na água. A mendiga Renata passava por ali, e disse:

- Rita, tu no chafariz essa hora?

- Sim, é hora boa que não passa polícia...

Renata disse:

- Mas tá um frio, hoje, choveu, e tu no chafariz essa hora?

- O que é que tem? Tô me divertindo. 

Renata disse:

- Eu não gosto de tomar banho nem com clima quente, imagina com frio. 

- Não sabe o que está perdendo, Renata... entra no chafariz agora, querida. 

- Oxe, nem pensar. Não quero entrar na água, não. 

Rita se levantou da água, e tentou puxar Renata, dizendo:

- Venha, venha...

- Nada disso, quero não, nem coloque suas mãos molhadas em mim. 

- Poxa, Renata...

Renata disse:

- Desculpa, amiga. Mas eu acho loucura tu ficar aí essa hora, mas divirta-se. Eu vou andar por aí. 

- Tá bom...

Rita ficou mais tempo no chafariz, enquanto Renata foi perambular pelas ruas. 

Dani Cruel tenta encurralar Leila

 

Numa certa noite, no Alto do Cruzeiro, em Lagoa da Italianinha, a perversa Dani Cruel foi na casa da Leila, sua inimiga declarada, que vende picolés pelas ruas da cidade. Dani Cruel disse:

- Escuta aqui, barbie, eu tô sabendo que tu anda desafiando minhas ordens do toque de recolher. Tu te liga, viu?

- Oxe, eu sou sertaneja, tenho medo de tu, não, Dani Cruel. 

- Pois devia ter. Não estou pra brincadeira. 

Leila disse:

- Tu se incomoda demais, Dani, porque alguém aqui não baixa a cabeça pra tu, né? Mas eu não baixo, não. Tu não é autoridade aqui, tu é uma moradora simples feito eu. E não adianta me ameaçar, não tenho medo de tu. 

- Tá certo. Mas tá avisada. Eu estou com a paciência me esgotando por conta de tu. Não me desafie, por favor. 

- Pois eu não tenho medo de você, volto a dizer. 

- Tá avisada. 

Dani Cruel saiu dali, nervosa, e foi para casa. Leila apenas ria. 

A Luta de Lucélia


Nascida nos arredores de Berlim em 1890, a jovem Lucélia foi criada no judaísmo por seus pais judeus. Ela frequentava a mesma sinagoga que Inalda e Danielly, que eram primas uma da outra, e Stella. 

Lucélia passou um longo tempo solteira, e sempre foi considerada uma mulher bonita e inteligente. Mas ela não imaginava o inferno que viveria por questões políticas. Nessa época, a Alemanha, tomada pelo antissemitismo, estava dando espaço a um partido extremista que pregava abertamente a exclusão dos judeus da comunidade alemã. 

Mas Lucélia nunca teve medo. Ela nunca escondeu suas crenças, e exibia em público. Por sua coragem, Lucélia passou a ser mais perseguida, especialmente, a partir de 1933, quando o tal partido alcançou o poder. Não escapou de um campo de concentração, seguindo o mesmo rumo de Stella e de Alessandra, uma jovem comunista. Inalda estava no Brasil e Danielly, depois da Noite dos Cristais e com o começo da Segunda Guerra Mundial, conseguiu fugir para o Brasil. 

Lucélia, porém, conseguiu escapar do campo de concentração em 1943. Não tinha mais a mesma beleza de antes, estava magra, pálida e muito doente. Mas conseguiu se refugiar e fugiu para a Palestina. Stella morreu em 1945 e Alessandra foi libertada pelos soviéticos. Nessa ocasião, Inalda, Danielly e Alessandra pensavam que Lucélia estava morta, mas ela havia fugido, como foi dito acima. 

Lucélia finalmente conseguiu viver em paz e passou o resto de sua vida no Estado de Israel, que surgiu em 1948. 

Warlla importuna Valdenes


Numa certa tarde de sábado, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, Warlla, a "mendiga chique", que estava bêbada, viu Valdenes ali tomando café e foi incomodá-lo. Valdenes ficou incomodado com a presença de Warlla, que exalava um mau cheiro insuportável. Ele disse:

- O que você deseja?

- Nada... mas veja tu, que estranho. Tu descalço, parece um pobretão, misericórdia...

- Oxe, e tu que tá aí mais suja que ficha de deputado em mira de CPI? 

Warlla disse:

- Eu sou suja e fedida, mas sou chique. 

Warlla fumava, e Valdenes disse:

- Desculpe, não aguento cigarro perto de mim.

- Oxe, tu morou na rua tanto tempo e nunca fumou, maloqueiro? 

- E quem disse que quem mora na rua tem que fumar? Isso é sua ideia. 

Warlla disse:

- Valdenes, parece que tu ficou muito nariz empinado depois que saiu da rua. Agora tu tá se achando muito... 

Valdenes terminou logo de tomar café, e Warlla disse:

- Oxe, já vai embora?

- Vou... tu tá com uma catinga terrível, oxe. 

Marlene, a dona da lanchonete, apareceu: 

- O que está acontecendo?

- Estou pagando meu café - disse Valdenes. 

Warlla disse:

- Paga um lanche pra mim?

Valdenes disse:

- Você não é chique? Você diz que não perde a pose? Então, se tu tem dinheiro pra comprar cigarro e bebida, deve ter dinheiro pra comprar lanche. 

- Mas é muito insolente. 

- Bom, com licença. 

Valdenes se retirou, e Marlene disse para Warlla:

- Warlla, se tu seguir importunando meus clientes, eu juro que vou tomar uma medida contra você. Não se esqueça que além de dona dessa lanchonete, eu sou diretora nessa rodoviária. 

- Vai me barrar? Isso aqui é público. 

- Vaza daqui, vaza! Suma! Te encanta!

Warlla saiu dali, cambaleando, e do lado de fora da rodoviária, acabou se deitando. 

Cássia corre na chuva

Mais um dia de chuva forte em Lagoa da Italianinha, e a maluquinha Cássia, como sempre, sai de casa para se divertir no meio do temporal. 

Mas ela fez mais: saiu correndo na chuva, e se divertia, pulando nas poças de água pelas ruas movimentadas da cidade. Muitas pessoas a chamavam de "louca", mas ela não parecia se importar com nenhuma das críticas. 

Cássia gritava:

- Chuva, te amoooo, não vá embora!!!!!!

Cássia chegou até mesmo a se deitar em uma poça de água numa das ruas centrais da cidade. Mas a alegria dela durou pouco: sua irmã Lúcia apareceu de carro, e brigando com Cássia, a levou de volta para sua casa. 

 

Uma amizade forte

Em Lagoa da Italianinha, alguns comentam sobre a grande amizade existente entre Valdenes e Branquinha, a jovem publicitária. Os dois costuma...