quinta-feira, 26 de março de 2026

Andreza no rio

 

Numa certa tarde, em Lagoa da Italianinha, Andreza, a mendiga maluca, caiu no rio, e foi nadar e mergulhar nele. Algumas pessoas a olhavam da ponte, chamando-a de maluca. 

Andreza dizia:

- Tão olhando o que? Vão procurar o que fazer!

Não faltou quem risse dela e quem tirasse fotos ou gravasse vídeos. Muitos ironizavam a situação da "ex-modelo de Caruaru".

Mesmo sendo alvo de zombarias, Andreza ficou mais de duas horas no rio, sem se importar com a poluição e a sujeira da água. Só depois desse tempo que ela saiu do rio e foi circular pela cidade. 

Marília do Acordeon enfrenta zombadores no Pátio


A bela e talentosa Marília do Acordeon, em Lagoa da Italianinha, é muito querida e cotada para apresentações artísticas. Dona de uma voz firme e poderosa, ela atrai admiração, mas atrai também inveja e é alvo de zombarias por ela andar sempre descalça, mesmo em público. 

Certo dia, no Pátio Verona, Marília fazia sua apresentação com sua sanfona, e muitos a aplaudiam. Mas chegaram dois rapazes, que eram de Serra Grande do Agreste, cidade próxima. Um deles, que usava um boné, jogou 2 reais, dizendo:

- Tome, pra comprar um chinelo. Ahahahaha

Marília ficou incomodada, e disse:

- Desculpe, eu não uso calçados. Se é pra isso, pode pegar seus míseros 2 reais de volta. 

- Puxa, que ingrata. Além de maloqueira, pois tu só anda descalça, isso é coisa de maloqueira, ainda é abusada. 

- Moço, não existe nenhuma lei que me obrigue a usar chinelos, sapatos ou sandálias, eu estou dentro da lei, eu amo andar de pés no chão e pretendo continuar assim e não é um sujeito da tua laia que vai me obrigar a fazer o contrário. 

- Eita, além de pé sujo, é abusada. 

Marília disse:

- Olha, tu saiu da cadeia depois que tu agrediu minha amiga lá de Serra Grande e agora vem aqui encher o saco?

- Oxe, que parada é essa, doida, que tu tá falando?

O outro rapaz disse:

- É melhor ir embora, essa maluca do pé sujo te conhece. 

Marília disse:

- Eu já sei que tu é o tipo de homem misógino que adora humilhar mulheres, nem a tua mãe tu respeitou. E vem me criticar porque eu ando descalça?????? Eu prefiro meus pés sujos do que um coração podre feito o seu. 

O homem ficou irritado, e nervoso, mas o outro amigo o segurou, e disse:

- Vamos embora, essa mulher te conhece. 

- Ah, que pena estarmos em público. Senão tu ia ver. 

- Vai, eu não tenho medo de tu, não. 

O outro amigo insistiu:

- Vamos embora, chega. 

Eles saíram dali, e Marília, sorridente e bela, pegou sua sanfona e continuou fazendo sua apresentação no Pátio. 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Danúzia zomba de Warlla


 Numa certa noite, Danúzia foi a um beco no centro de Lagoa da Italianinha e encontrou a mendiga chique Warlla, deitada em uma calçada. Warlla, vendo-a, disse:

- O que tu quer aqui?

- Nada, vim só cumprimentar a madame Warlla, cuja casa e mansão de luxo é o mundo, a rua...

- Toda cheia de gracinhas... mas cuidado, que eu sei do teu passado, e se eu denunciar, tu vai passar anos  na chave. 

- Oxe, eu sou rica, jamais irei presa, estamos no Brasil. Agora, tu? Tu mora nas ruas, tu é igual esses mendigos nojentos. E olha, se tu denunciar, tu também vai sair das ruas. Mas pra cadeia. Mas tu fica, porque tu é pobre, e eu não. 

- Fora daqui! Tu ainda me paga, Danúzia!

- Warlla, eu não tinha medo de tu quando tu era rica, vou ter medo hoje, que tu é uma simples mendiga fedendo a merda, é? 

- Vai zombando, vai zombando, que teu sal tá se pisando. 

- Vou embora, pobreza pode ser contagioso... durma bem aí do lado dos insetos, das baratas, dos ratos, da sujeira... 

- Vá embora!

Danúzia, dando risadas maldosas, saiu dali, entrou em um carro e foi embora. Warlla estava com ódio, e dizia:

- Essa bruxa me paga! 

Uma briga interrompida

 

Numa certa noite, numa praça principal em Lagoa da Italianinha, a vintage Fabíola, o artista Valdenes e a cantora Wiviane estavam conversando. Acontece que Valdenes novamente as pegou brigando, e separou as duas. Valdenes disse:

- Não sei porque, duas moças tão bonitas e tão maluquinhas, brigando assim...

- Olha quem fala, Valdenes, em maluquice, tu aí descalço... - disse Fabíola. 

- Mas não falei por mal, gosto de pessoas malucas. Por favor, porque vocês não tentam se dar bem?

Wiviane disse:

- Eu me dar bem com essa doida que veste roupa do tempo da minha avó? Jamais. 

- E tu, que parece maloqueira, só anda de chinelos e roupa suja? Até o Valdenes, descalço, consegue ser mais elegante que tu - disse Fabíola. 

- Vamos parar com isso, eu quero que vocês se dêem as mãos. 

Fabíola disse:

- Nunca, eu posso me contaminar com a pobreza dela. 

- Mas ela nem é pobre, ela é irmã da vereadora Jane. 

- Mas parece uma pobre. Eu sou uma madame fina e elegante. 

Wiviane riu e disse:

- Pronto, agora lascou mesmo. 

- Vamos parar com isso - disse Valdenes.

Fabíola disse:

- Quer saber, vou embora, preciso descansar minha beleza. Até amanhã, sua doida. 

- Até amanhã, sua megera. 

Fabíola se retirou, e Valdenes disse pra Wiviane:

- Não sei qual de vocês duas é mais doida...

Wiviane não disse nada e se retirou. Valdenes voltou pra casa. 

Marlene reencontra Claudinha


Certo dia, Marlene chegou em sua lanchonete, e encontrou a mendiga Claudinha tomando café. Marlene disse:

- Claudinha, você tomando café aqui?

- Sim, mas eu paguei, não se preocupe. 

- Eu sei disso. Você adormeceu aqui a noite toda, do lado de fora da rodoviária...

- Sim. 

- Claudinha, nem imagino como tu aguenta, eu já vivi nas ruas, e digo que é sofrimento. 

- Eu sei. Mas eu sou só. E sabe? Eu estou do lado dos meus amigos de rua. Sempre para ajudá-los. 

Claudinha terminou seu lanche e disse:

- Vou indo, dona Marlene. Obrigada por me ouvir. 

Marlene ficou surpresa com o tratamento dela. Na verdade, Marlene e Claudinha tiveram muitos atritos quando Marlene ainda morava nas ruas. 

Benjamim recebe visita de Branquinha


Numa certa tarde, em Nova Humaitá, no agreste de Pernambuco, o jovem Benjamim recebeu sua amiga, Branquinha, que viera de Lagoa da Italianinha a trabalho. Ela disse:

- Está gostando daqui?

- Tô, sim, mas te confesso que desisti da política aqui...

- Mas porque? 

Benjamim disse:

- Aqui tem uma polarização, direita contra esquerda, isso há anos, uma terceira via aqui não consegue ter vez. 

- Ué, mas você tem que entrar, ser uma nova opção pra essa gente. 

- Mas tem um problema, Branquinha. Alguns anos atrás, um coronel mandou chamar um filho e um sobrinho, e mandou o filho pra um partido de direita e um sobrinho para um partido de esquerda, aí nasceu essa rivalidade falsa, pois eles fingiram que brigavam. E o povo daqui segue até hoje o partido de um ou o partido do outro. 

- Ué, o povo sabendo disso, ainda mantém isso?

- Mas existem vantagens nisso tudo, querida. E essa polarização fez muito mal à essa cidade, somos a menor das quatro aqui das redondezas. Vila Dourada, Serra Grande e principalmente, a tua cidade, Lagoa da Italianinha, onde lá só o bairro Mary Dee é maior do que toda a cidade aqui. 

- É ruim... isso tá acontecendo até a nível de Brasil. 

- É verdade, isso tudo me entristece. Ver o povo dessa cidade comendo corda de uma farsa montada por um astuto coronel que conseguiu dividir o povo e garantir seu poder, pois independente do lado eleito, ele sempre estava ganhando com isso. Ele morreu há anos, mas a família dele ainda goza dessa benesse, mandando uns para direita, outros para esquerda, e eles, só luxando e com casas longe daqui, tem até comércio grande lá em Lagoa da Italianinha. 

- Nada disso é eterno, um dia isso pode ser quebrado. 

Vitória leva um susto ao encontrar Priscila


 Numa certa noite, Vitória estava indo para casa, quando se deparou com a mendiga Priscila, que a olhava com tom ameaçador. Vitória, assustada, disse:

- O que tu quer, Priscila?

- Calma, não vou te morder, querida. Mas tu não se lembra dos bons tempos que batíamos carteira juntas nas ruas, né? 

- Não me lembro. 

Vitória ia saindo, e Priscila pegou no braço dela e disse:

- Tu se acha muita coisa depois que tu saiu da rua, né, querida? Mas tu não ficasse rica, não, tu só não tá dormindo nas ruas feito eu. 

- Me deixe em paz!

- Tá bom, Vitória, posso te deixar em paz... mas me dá um trocado aí. 

- Tô sem nada. 

- Para com isso, tu trabalha no escritório daquela cagona da Wéllia, e eu sei que ela te pagou, e tu ainda recebe mesada daquele teu irmão paspalho Valdenes. 

Vitória pegou 10 reais e deu, e Priscila disse:

- Só isso????

- Tu acha pouco? Era o dinheiro que eu ia pegar moto-táxi.

Priscila amassou o dinheiro e jogou em Vitória, dizendo:

- Pode ficar com isso. Isso é esmola. Eu posso pegar muito mais do que isso. 

Vitória pegou os 10 reais e foi embora. Priscila dizia:

- Abusada... depois que saiu das ruas, se acha melhor que os outros. Mas vou dar um  jeito nela...

Andreza no rio

  Numa certa tarde, em Lagoa da Italianinha, Andreza, a mendiga maluca, caiu no rio, e foi nadar e mergulhar nele. Algumas pessoas a olhavam...