domingo, 8 de março de 2026

Ilene encomenda um estranho invento para Eugênio

 

Numa certa tarde, numa lanchonete, Ilene, a empresária, chamou o cientista Eugênio, e lhe disse:

- Eugênio, estou precisando de seus serviços, acho que você é a pessoa certa. 

- Pode falar, dona Ilene. 

- Você faz muitas invenções é cientista... e eu acho que uma invenção para mim seria uma maravilha. 

- Qual invenção?

Ilene disse:

- Olha, roupa é algo que demora pra secar, acho que fica um pouco chato. Então seria bom uma máquina que faça a roupa secar em menos de dez minutos e os sapatos em no máximo quinze minutos. 

- Por que a senhora tem interesse nesse tipo de invenção?

- Porque eu quando tomo banho, eu tenho depois que tirar a roupa e os sapatos, e trocar...

- Oxe, a senhora toma banho de roupa e tudo?????

- Claro, e até de sapatos. Minha irmã Myllena, a prefeita, só vive descalça, mas eu não aguento isso, eu não tiro os sapatos nem pra tomar banho. Mas eles acabam durando pouco. Por isso, esses inventos seriam maravilhosos, e eu estou disposta a lhe pagar o que for necessário. 

- Bom, dona Ilene, não é uma coisa muito fácil, porque tem que pegar questão de clima, dessas coisas...

- Não quero saber, quero o invento, quero saber se está disposto a criar. 

- Bom, eu vou tentar. 

- Está bem. Se esse invento sair, tu vai ficar rico. 

- Duvido, acho que nem todo mundo usaria, afinal, pouca gente toma banho de roupa. 

- Eu sou uma das que faço isso, e aqui em Lagoa da Italianinha tem gente que também só toma banho com roupa, e isso sem contar algumas pessoas de fora do Brasil. 

- Embora eu acho esse hábito muito estranho, eu vou tentar fazer isso. 

- Experimente, você vai ver como é ótima a sensação. 

- Não, deixe como está. Mas eu vou tentar atender seu pedido. 

Eugênio pegou o número do telefone de Ilene e se retirou, achando-a "maluca". 

Joseph dá bronca em Margarete

 

Num certo dia, em Berlim, Joseph, que havia chegado recentemente de uma viagem a trabalho, se encontrou com sua filha Margarete. Numa mensagem, ele disse que "queria ter uma conversa séria com ela". 

Estavam perto da Catedral de Berlim, e Joseph disse:

- Pode ser aqui mesmo, longe da sua mãe Agnes e do seu irmão Manfried. 

- O que foi, pai, porque está me olhando assim?

- Eu estava fora esses dias, eu vim da Suíça, e eu fiquei sabendo que tu mandou uma mensagem agressiva para aquele moço que gosta de tu, o Waldo. 

Margarete riu e disse:

- Já foram te contar. Quer saber? Mandei sim, e mandaria de novo. 

- Mas que tipo de filha que eu criei? Uma filha mal-educada, o que diria sua bisavó Stella, que morreu lá num campo, se tivesse viva? 

- Deixe de coisa, tu queria que eu namorasse com ele?

- Não estou dizendo isso. Eu confesso que até faria gosto em Waldo ser meu genro, mas se tu não queria nada com ele, simplesmente falasse com educação, e não da forma agressiva que você fez, até ameaçando o rapaz. 

- Ainda foi pouco, ele merecia mais. 

- É.. você não tem coração, aliás, você e sua mãe adoram me dar de dor de cabeça, se com o próprio pai tu faz isso, imagina com um desconhecido. 

- Pai, eu estou muito bem com o Jordan. 

- Sinceramente, eu não gosto desse Jordan. Mas a vida é sua. Agora, eu estava vindo de viagem, e sabe o que aconteceu com o Waldo? Está na Áustria, com a Karola, que foi cantar por lá. 

- Por mim, quero que fiquem por lá. 

- Está bem, filha. Você pode ter razão em rejeitá-lo. Mas foi errada a forma como tu fez. Cuidado. As consequências vêm, espero que tu ainda peça desculpas pra ele, quando ele voltar pra Berlim. 

- Pedir desculpas? Não fiz nada errado. Não estou arrependida nem um pouco, eu acho que a mensagem que eu mandei foi muito carinhosa, ele merecia muito pior. 

- Está bem, pense como quiser. 

Joseph saiu dali, deixando Margarete sozinha. 

Aidan se encanta por uma brasileira


Numa rua de Dublin, capital da Irlanda, o jovem Aidan parecia encantado com uma bela jovem que estava ao seu lado. Aidan jurava que nunca iria conseguir gostar de uma estrangeira, mas acabou pagando pela língua, isso porque a jovem em questão é uma brasileira. 

Maytê, que é brasileira, estava vivendo em Dublin há algum tempo, e conseguiu se tornar publicitária. Aidan, por sua vez, é um jovem que trabalha em um escritório, comandado pelo exigente Lorcan, e às vezes sofre por se atrapalhar em alguns serviços. Ele acaba sendo ainda responsável por sustentar sua mãe, a viúva Laoise. 

Aidan disse para Maytê:

- Você é muito linda e inteligente, eu gosto de pessoas com essa sua qualidade. Tu vem de onde?

- Do Brasil, eu sou de Lagoa da Italianinha, lá em Pernambuco, uma cidade que foi fundada por italianos. 

- Nossa, interessante. E o que vieram fazer aqui na nossa querida Irlanda?

- Meu pai é pastor evangélico, ele tem uma igreja aqui. Sabe como é, obra de Deus, a gente tem que estar em qualquer lugar. 

- Pastor??? Hum...

- Sim, algum problema?

- Nada, nenhum. Aqui é um país de maioria católica, mas tivemos problema com esse negócio de briga de religião, porque aquela parte de norte da Irlanda tá com a Inglaterra, e...

- Eu conheço a História. 

A conversa seguiu adiante, e logo, Maytê entrou no escritório de publicidade. Aidan tomou seu rumo para o escritório, e ao chegar lá, levou uma bronca de Lorcan:

- Quinze minutos atrasado, meu patrão!

- Me desculpa, é que eu tava com uma pessoa, acabei perdendo a noção da hora...

- Dessa vez passa. 

- Onde estão Ronan e Cilian? 

- Já foram fazer as tarefas, e você se prepare pra fazer as suas. 

- Sim, senhor. 

Aidan começou a realizar seu trabalho, mas não tirava a cabeça da brasileira. 

sábado, 7 de março de 2026

Karine tenta se aproximar de Warlla


 Numa certa noite, em um beco escuro em Lagoa da Italianinha, Karine viu a "mendiga chique" Warlla deitada em uma calçada e quis se aproximar dela para conversar. Warlla disse:

- O que tu quer?

- Oxe, eu vim conversar com você, eu já ouvi falar de você, te chamam de "mendiga chique" e não é à toa. Você é muito elegante em sua forma de se vestir, embora a roupa esteja muito suja. 

- É... eu perdi tudo, mas não perco a pose. 

Karine disse:

- Warlla, tu é uma mulher bonita, jovem, porque não sai dessa vida?

- Porque sinceramente? Eu estou cansada de pessoas falsas. É, quero ficar na rua, mesmo. 

- Olha, Warlla, eu conheço seus pais e seus irmãos, eu sou de Caruaru. 

- Sério????

- Sim, eu também era rica, mas eu larguei tudo porque quis. Você tem uma família rica... 

- Que me odeia. Sim, me odeiam. Mas eu não sou santa... eu mesma já provoquei muita confusão entre eles. Mas é o meu jeito, me divirto em ser assim, em fazer as pessoas brigarem. 

- Então perdesse tudo por castigo?

- Pode ser, eu aceito o castigo. Eu odeio mendigos, mas eu tô até curtindo viver na rua, sou livre... embora que... ninguém gosta de mim. Nem os mendigos, eu sou sozinha.

- Ué, eu posso ser sua amiga. 

- Tu???? O que tu tem pra me oferecer? 

- A paz, que só vem dos céus, e não da terra. 

- Ah, entendi. Conversa de crente. Tô fora. Olha, eu bebo e fumo muito, e não pretendo deixar, ok?

- Não estou te pedindo nada. Warlla, me deixe ser sua amiga. 

Karine trouxe uma bolsa com dois pães e deu um à Warlla, que disse:

- Obrigada... eu estava com fome, mesmo. 

Karine deu um abraço na mendiga chique e depois foi embora. Warlla pensou:

- Desde 2022 que ninguém me abraçava...

Mateus recebe um convite de Ellyson

Numa certa tarde de 1945, no norte da Itália, estavam o brasileiro Mateus e o americano Ellyson, conversando durante uma trégua. A guerra já caminhava para o fim e já se conversava sobre a ocupação de alguns países, como Alemanha e Áustria. 

Ellyson perguntou ao Mateus:

- O teu conterrâneo Antônio Neto, como ele está?

- Está bem, a bala passou de raspão, ele deve voltar hoje para o campo de batalha. 

- Muito bem. Olha, Mateus, fiquei sabendo que seu país vai ser convidado para ajudar a ocupar a Áustria. Talvez você seja designado para ir para lá. 

- Eu???

- Sim. Tu é do Rio Grande do Sul, um estado que faz frio, tu é mais acostumado com o clima, e lá tem muitos descendentes de alemães, acredito que tu conheça melhor. Por isso você deverá ser um dos soldados a ir para a Áustria, caso o Getúlio Vargas aceite a ideia. 

- Realmente, eu sou do estado que Getúlio Vargas nasceu. 

- Então? E Antônio Neto talvez irá junto, ele é de que estado?

- Ele é de Pernambuco, já é mais longe do meu estado. E lá é clima quente e tem poucos alemães por lá. 

- Então, você segue indicado. O que acha? 

- Bom, seria uma honra, mas não vejo a hora de rever minha família. 

- Não é por muito tempo, meu caro, é só enquanto a Áustria estiver ocupada. Pense nisso. 

Mateus ficou pensativo. Ao fim da guerra, porém, Getúlio recusou a proposta de ajudar na ocupação da Áustria e todos os pracinhas da FEB - incluindo Mateus e Antônio Neto - foram chamados para retornar ao Brasil. 
 

Claudinha alimenta animais

 

Claudinha, uma jovem solitária que vive pelas ruas de Lagoa da Italianinha, é conhecida por seu coração bondoso. Certa noite, ela foi vista numa das principais ruas da cidade alimentando animais que estavam com muita fome. Tanto cachorros como gatos de rua se deliciavam da comida que Claudinha deu para eles. 

Claudinha dizia para eles:

- Venham, venham, venham matar o que está matando vocês...

Os cachorros e gatos se aproximavam e se saciavam. Mas por incrível que pareça, houveram pessoas que se incomodavam com a atitude da mendiga. Achavam ruim que ela atraía os animais, todos de rua e sem donos. Claudinha ficava triste com essas pessoas, e dizia:

- Eu só faço alimentar os pobres bichinhos e ainda tem gente que fala mal...

Alycia tenta explicar a situação do Brasil


Numa certa tarde, em Verona, a Alycia estava conversando com sua bisneta Nicolly Hanna, que em dado momento, demonstrou interesse de ir para o Brasil:

- A senhora viveu tanto tempo lá no Brasil, queria saber como é lá, sabe? 

Alycia disse:

- Olha, eu vivi lá desde 1935, quando eu tinha 5 anos, até 2001, quando eu tinha 71 anos. Fui pra lá com meu pai Jadiael, minha mãe Lanie e meu irmão Arthur. Olha, lá é um país maravilhoso, mas eu não recomendaria que tu fosse pra lá agora... lá tá uma agitação muito grande. 

- Como assim?

- Pra quem acha que a política daqui da Itália sempre foi agitada, lá tá muito pior... veja só. Um ex-presidente lá foi preso em 2018 por corrupção, não foi candidato e ele indicou um vice, aí o povo elegeu outro presidente que perdeu em 2022 para o ex-presidente que tinha sido preso anteriormente, pois ele teria sido... é... "descondenado". Bom, eu sei que o presidente que perdeu em 2022 agora é quem está preso, por ter atentado contra a democracia, e o presidente atual que tinha sido preso antes quer disputar a reeleição e agora o outro que tá preso indicou o filho pra ser candidato. Lá aparecem bons candidatos, mas infelizmente, o povo só fica nesses dois, nessa ciranda, como se diz lá em Pernambuco. Eu tenho 95 anos, vou fazer 96 e passei anos e anos lá, nunca vi tamanha bagunça como essa que tá acontecendo por lá. 

- Puxa, tô até perdendo a vontade de ir pra lá depois dessa...

- Filha, se eu pudesse, eu mandava trazer meus netos Quitéria, Lúcia, Cássia, André e Niedja pra cá, além da minha bisneta Raabe, mas eles têm seus afazeres em Lagoa da Italianinha. Com exceção de Cássia, que é doidinha, mas ela se sente bem ao lado dos irmãos. 

- Eu entendo... realmente, e o povo lá ainda vota neles?

- Sim, não só vota como idolatra eles. Uns idolatram um presidente que é ex-presidiário, e outros idolatram um presidiário ex-presidente. Tá tudo muito louco por lá...olha, vou tocar piano que isso pode ser contagioso... 

Nicolly riu, e abriu o piano para sua bisavó tocar. 

Ilene encomenda um estranho invento para Eugênio

  Numa certa tarde, numa lanchonete, Ilene, a empresária, chamou o cientista Eugênio, e lhe disse: - Eugênio, estou precisando de seus servi...