Os seis anos que Alessandra passou em um campo de concentração - os mesmos anos da Segunda Guerra Mundial - foram os mais terríveis na vida de jovem alemã descendente de indianos. Além de sua etnia, ela ainda era militante comunista e era perseguida pela ditadura.
Alessandra tornou-se um símbolo de resistência, que não se entregou fácil. Ela emagreceu, ficou careca, adoeceu diversas vezes, viu a morte de perto em vários momentos. Chegou a ser condenada a execução, mas que foi suspensa por causa do mau tempo.
Certo dia, em 1942, um dos soldados a viu toda magra, pálida e sem forças, e disse:
- Eita, que tu vai morrer logo, viu? Já está morta, só falta enterrar.
- Cuidado, tu pode morrer antes de mim...
- Isso é impossível. Sou um dos melhores atiradores da Alemanha, e minha saúde é de ferro. Jamais isso nem passa pela minha cabeça.
Ele saiu, não sem antes provocar:
- Fica aí, morimbunda, vou gozar de minha vida longa.
Alessandra resistiu. Em 1945, esse soldado acabou morto em uma batalha contra os soviéticos, enquanto Alessandra sobreviveu ao campo, foi salva, e foi morar em Maceió, no Brasil, onde conseguiu viver até o começo da década de 90, passando dos 90 anos de idade e testemunhando até mesmo a unificação da Alemanha.






