quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A resistência de Alessandra

 

Os seis anos que Alessandra passou em um campo de concentração - os mesmos anos da Segunda Guerra Mundial - foram os mais terríveis na vida de jovem alemã descendente de indianos. Além de sua etnia, ela ainda era militante comunista e era perseguida pela ditadura. 

Alessandra tornou-se um símbolo de resistência, que não se entregou fácil. Ela emagreceu, ficou careca, adoeceu diversas vezes, viu a morte de perto em vários momentos. Chegou a ser condenada a execução, mas que foi suspensa por causa do mau tempo. 

Certo dia, em 1942, um dos soldados a viu toda magra, pálida e sem forças, e disse:

- Eita, que tu vai morrer logo, viu? Já está morta, só falta enterrar. 

- Cuidado, tu pode morrer antes de mim...

- Isso é impossível. Sou um dos melhores atiradores da Alemanha, e minha saúde é de ferro. Jamais isso nem passa pela minha cabeça. 

Ele saiu, não sem antes provocar:

- Fica aí, morimbunda, vou gozar de minha vida longa. 

Alessandra resistiu. Em 1945, esse soldado acabou morto em uma batalha contra os soviéticos, enquanto Alessandra sobreviveu ao campo, foi salva, e foi morar em Maceió, no Brasil, onde conseguiu viver até o começo da década de 90, passando dos 90 anos de idade e testemunhando até mesmo a unificação da Alemanha. 

O dia que Bianca foi jogada na lama


O ano era 1949, e a imigrante italiana Bianca estava prestes a ir embora do Brasil. Ela nunca se acostumou com o interior de Pernambuco, para onde foi com seus pais Hélio e Suzana, e seu irmão mais novo Kayque, em 1935. 

Bianca, porém, diferente de seus pais e seu irmão, era muito detestada no sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha. Bianca sempre falava mal do povo local, e era muito antipática. 

Pouco antes de ir embora, começou a provocar a camponesa Maria Clara, dizendo:

- Uma louca suja, do pé sujo, olha que tipinho que vive por aqui. 

- Tu se acha muita coisa, né, Bianca? 

- Eu não me acho! Eu sou! 

- Olha, se eu caisse naquele chiqueiro de porcos, eu ficaria suja. E você... também. 

- Ah, não venha com suas filosofias...

- Quer apostar?

Maria Clara começou a empurra Bianca, que disse:

- Pra onde está indo? Me solta!

Maria Clara jogou Bianca entre os porcos, na lama. Alguns viram e riram bastante. Bianca disse:

- Tu vai me pagar, sua fedida. 

- Vá embora, antes que eu afunde mais ainda sua cara na lama!

Bianca saiu dali, vaiada. Maria Clara disse:

- Ela é assim, mas a família dela é maravilhosa. Ainda bem que ela vai embora. Mas os pais e o irmão vão ficar. 

- Já vai tarde essa abusada! - disse um dos que ali estavam. 

Bianca chegou em casa, e sua mãe Suzana disse:

- O que aconteceu?

- Não interessa, quero tomar banho, eu tô fedendo a chiqueiro! Aquela camponesa pé sujo me paga! 

Bianca tomou um banho e se limpou. Suzana repreendeu a filha por tratar mal as pessoas que os acolheram no sítio. No dia seguinte, Bianca arrumou as malas e voltou para a Itália, indo morar em Tirano, perto da fronteira com a Suíça. Hoje, é a neta de Bianca, Nonna, quem vive lá. 

O plano sujo de Wéllia

 


Numa certa tarde, na agência de publicidade, Wéllia estava ali, com olhar maldoso, fumando, e rindo muito. Geisy, a sua ajudante, vendo a cena, disse:

- O que aconteceu, dona Wéllia? Não me diga que a senhora está feliz por ter.. é... feito isso nas calças, se é que me entende. 

- Também, querida, mas aqueles que riem de mim por eu fazer cocô nas calças estão fazendo o mesmo agora. 

- Como assim?????

- Eu coloquei purgante na mesa de algumas pessoas... minha irmã Malu, minha filha Alice, minha mãe Selma nós tomamos café juntas e aproveitei pra elas fazerem o que eu faço... 

- O que???? 

- Sim, ahahahah, eles devem estar experimentando o quanto é bom. 

Naquela hora, chegou Malu, a irmã gêmea de Wéllia, e disse:

- Wéllia, explica isso, como é que tu colocou purgante na minha comida quando eu tomei café na sua casa hoje? Tu me convida pra tomar café pra me aprontar uma dessas? Eu devia ter desconfiado! 

- Calma, irmãzinha... você viu como é maravilhoso isso?

- Não achei nem um pouco bom, minha saia tá suja de...não precisa dizer de que, né? Ah, e lá no colégio, me contaram que Alice também está com a calça suja, pois é, riram dela porque ela cagou nas calças. 

- Não é nada demais, é muito bom. 

Malu disse:

- Wéllia, sinceramente? Tu precisa se tratar. Tu não é normal, mesmo. Tu tem esse costume nojento e quer que outros também tenham. 

- Não acho nada disso nojento, ao contrário...

`Pouco depois, apareceu Alice e disse:

- Mãe, porque tu fez isso com a gente? Tô com a calça melada de... merda. 

- Ué, o que tem demais?

- Ficaram rindo de mim, mãe, por isso. 

Wéllia disse:

- E a minha mãe Selma?

- Com ela não aconteceu nada, porque ela correu logo pro banheiro. Mas eu espero que isso não se repita, Wéllia. Se tu quiser bancar a ridícula fazendo cocô nas calças, é um direito seu, mas não queira que outros sejam igual a tu, não. E vamos embora, Alice. 

- Pra onde tu vai levar minha filha?

- Pra minha casa. Tu não está normal, Wéllia. E se isso se repetir, eu não respondo por mim!

Malu e Alice saíram, e Wéllia disse:

- Voltem aqui!

Geisy disse:

- Wéllia, tu não acha que exagerou?

- Não. Não exagerei e não me arrependo. 

Geisy começou a ficar assustada com Wéllia. 

Warlla enfrenta outros mendigos

 

Numa certa madrugada, alguns moradores de rua estavam em um beco em uma das principais vias centrais de Lagoa da Italianinha, e em conflito com Warlla, a "mendiga chique". Warlla, como se sabe, já foi rica, mas perdeu tudo, menos a pose, e hoje vive nas ruas andando como se fosse uma madame chique. Ela é rejeitada também por outros moradores de rua, sem contar que a própria Warlla os rejeita, chamando-os de "pobres nojentos", mesmo ela estando entre eles. 

Rita de Cássia, Solange, Deza, Guilherme, Warlla, Fábia, Renata e Esvalda estavam ali por volta de 2 da manhã, e brigando. Renata, entre os mendigos, era a quem mais enfrentava Warlla. Rita e Solange estavam sentadas observando, Deza e Guilherme também enfrentavam Warlla, Fábia, mesmo sentada, também a enftentava, e Esvalda ficava observando. 

Warlla disse:

- Vocês são uns pobres, nojentos, tudo inútil, não tem como, eu jamais poderia me misturar a vocês!

- Deixa de tua besteira, doida, que tu mora nas rua feito a gente, tu não tem onde dormir e fica aqui nas calçadas! - disse Renata. 

- Mas eu sou uma mendiga chique!

- Tu é muito metida a besta, isso sim! - disse Fábia. 

Warlla disse:

- Eu não sou igual a vocês, entendam. Eu sou melhor, superior. Eu ando pelas ruas, as pessoas me olham, eu chamo atenção. 

- Deve ser pela sua besteira e teu nariz empinado - disse Guilherme. 

Deza retrucou: 

- Essa daí é muito sem noção. 

- Sem noção são vocês! - disse Warlla. 

- Tu se acha melhor que a gente, mas tu tá suja, fedendo, por sinal, só eu estou fedendo mais que você - disse Esvalda. 

- Não falo com mendigas encardidas. Fica na tua! 

Solange se levantou e disse:

- Sabe o que eu faço com uma besta feito tu? Eu meto um tabefe!

Rita se levantou, tirou a chupeta da boca e disse pra Solange:

- Deixa, dona Solange. Não vale a pena se sujar por essa bruaca! 

Warlla disse:

- Vocês morrem de inveja de mim, isso sim. 

Renata perdeu a paciência e empurrou Warlla, dizendo:

- Saia daqui! Saia!

Warlla foi empurrada por todos os outros sete mendigos, e ela dizia:

- Vocês me pagam!

Warlla foi dormir em outro beco, escuro e deserto, enquanto os outros mendigos se sentiram aliviados após a saída dela. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

De volta ás aulas


 De volta às aulas, os amigos Samuel, Alice, Mateus e Tontom novamente se encontraram no colégio onde os quatro estudam, no Colégio de Freiras Irmã Renata Augusta, dirigido pela Irmã Alcineia. 

Tontom na verdade é novo no colégio, tendo sido matriculado agora. Mas os outros três já estudam lá há algum tempo. 

Samuel, filho de Valéria, é amigo inseparável de Alice, a filha de Wéllia, apaixonado por ela, mas o Mateus, filho da prefeita Myllena, também quer namorar com ela. Mas Alice rejeita ambos, pois quer priorizar o estudo em detrimento do namoro. 

Tontom, o filho de Mimi, se juntou a esses amigos e tem se divertido muito com eles. Mas apenas os três primeiros estudam numa mesma classe, e Tontom estuda em outra classe, fazendo com que eles se vejam apenas no recreio. 

Giovanna rumo à chefia da Prefeitura

 

Vice-prefeita de Lagoa da Italianinha, Giovanna Victórya já está se preparando para assumir o cargo de prefeita quando sua mãe Myllena renunciar para disputar o mandato de deputada estadual. Giovanna, inclusive, já dá algumas ordens na Prefeitura, e ela é obedecida. 

A expectativa na cidade com Giovanna é muito grande. Inclusive, até mesmo a deputada federal Sandra Valéria, adversária de Myllena, já se rendeu ao carisma de Giovanna e anda tentando convencer Myllena a voltar a seu grupo político depois de 13 anos, de olho em um apoio à Giovanna em 2028, quando poderá tentar um mandato completo. 

Até mesmo algumas pessoas que não votam em Myllena estão tendo expectativas positivas com Giovanna, acreditando que ela fará um trabalho ainda melhor que a mãe descalça. Giovanna, inclusive, já é presidente do partido na cidade, secretária de Governo e tem estudado cursos de formação política e de gestão para governar bem Lagoa da Italianinha. 

Apesar das preocupações e dos medos de Myllena, Giovanna anda provando que está muito preparada e vai querer fazer a diferença. Uma das grandes diferenças entre a mãe e a filha é que Myllena tem um gênio muito forte, ás vezes explosiva, enquanto Giovanna costuma calcular melhor as emoções e tomar decisão sempre de cabeça fria. 

A proposta ousada de Sandra Valéria


Decidida a disputar mais um mandato de deputada federal, Sandra Valéria convocou as três principais lideranças de Lagoa da Italianinha para seu escritório de Recife. Longe dos holofotes, ela recebeu o deputado estadual Moab, a prefeita Myllena e a deputada estadual Janayna. 

A expectativa era pela presença da prefeita Myllena, que atualmente, é adversária ferrenha da deputada. Mas a prefeita descalça compareceu ao encontro. Myllena é pré-candidata a deputada estadual, e Janayna, pré-candidata a deputada federal. 

Mas Sandra Valéria quer o apoio dos três à sua candidatura. Ela disse:

- Eu recebo vocês aqui, com muita alegria, e não precisam dar a resposta. Mas estive fazendo as contas, se vocês três forem candidatos a deputados estaduais, poderão ser eleitos os três juntos. Como se sabem, o atual deputado federal Arinaldo, meu amigo, está deixando a vida pública e vai me apoiar. 

- Mas Janayna não será candidata a deputada federal? - quis saber Myllena. 

- Janayna já está recebendo convites para tentar uma vaga na Assembleia Legislativa. 

- Sim, é verdade, Myllena. - disse Janayna - e as chances de chegar são grandes. Federal é algo muito grande. 

Moab disse:

- Confesso que sua proposta é muito ousada, amiga. 

- Sim, mas é possível conseguir. Além do mais, vocês são majoritários em algumas cidades próximas. Você, por exemplo, é majoritário em Serra Grande, Myllena é majoritária em Vila Dourada e Janayna é majoritária em Nova Humaitá. 

Myllena disse:

- Sandra, eu e você somos adversárias políticas. 

- Sim, e daí? O atual presidente e o vice-presidente foram adversários políticos. E olha, Myllena, eu estou disposta a esquecer tudo que aconteceu, vamos voltar ao tempo que fomos aliadas, como você, chegou a ser minha vice quando eu fui prefeita, e eu estou disposta a ajudar sua filha Giovanna quando ela te substituir na Prefeitura. Eu já orientei ao meu grupo não fazer oposição contra ela. 

- Bom, isso é algo muito sério... o povo não vai entender. 

- Desde quando tu se preocupa com a opinião das pessoas, Myllena? 

Moab disse:

- Bom, eu já escutei aqui em Recife que Mimi, que foi candidata a prefeita, deverá ser convidada pra ser candidata a deputada estadual. 

- Sério? - disse Janayna. 

- Sim, e se isso acontecer, não vou impedir. Acho que precisamos deixar nossas diferenças de lado e fortalecer Sandra Valéria. Temos nós três chances reais de sairmos vitoriosos. 

- Bom, eu preciso realmente pensar mais um pouco - disse Myllena. 

- Pense direitinho. O tempo tá passando - disse Sandra Valéria. 

A deputada federal serviu um almoço para os convidados e depois eles voltaram para Lagoa da Italianinha. 

A resistência de Alessandra

  Os seis anos que Alessandra passou em um campo de concentração - os mesmos anos da Segunda Guerra Mundial - foram os mais terríveis na vid...