Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, as mendigas Warlla e Priscila estavam por ali, discutindo uma com a outra. Marlene, a dona da lanchonete, já ficou atenta observando as duas, que poderiam causar uma confusão ali.
De longe, estavam os amigos Valdenes e Branquinha, e em dado momento, Valdenes disse:
- Olha ali quem chegaram... a mendiga chique e a outra mendiga trambiqueira.
- Misericórdia, essa rodoviária tá ficando muito mal-frequentada.
- Pois é...
Warlla dizia para Priscila:
- Priscila, tu é uma mendiga suja e fedida, mas quero conversar de boa com você.
Priscila riu e disse:
- Oxe, olha quem fala. Tu mora na rua, feito eu, sua doida. Agora tu é uma mendiga de araque, porque tu fica feito madame, olha pra mim, eu sou suja, fedorenta e descalça, viu? Eu sim, sou mendiga de verdade. Tu mora na rua não sei pra que.
- Priscila, baixe a arma, quero conversar de boa.
- Então, fala logo, que eu não tenho o dia todo, tenho que ir na lotérica pedir esmola pros bestas. Aproveitar que hoje é meu aniversário, e quero mais grana hoje.
- Ora, hoje é seu aniversário??? Teu pai e tua mãe moram no Alto do Cruzeiro e nem vieram te ver... impressionante.
- E nem quero que venham. Tu é pior, tua família tá lá em Caruaru e não querem te ver nem pintada de ouro.
- Priscila, veja só, nós somos odiadas, inclusive pelas nossas famílias, vivemos nas ruas,, não temos casa e sobrevivemos aí dando uns golpes... não acha que a gente poderia ganhar mais sendo aliadas do que inimigas?
- Como assim?
- Deixa de ser tonta, Priscila, a gente pode ganhar muita coisa juntas.
- E como eu quero saber se tu não tá querendo dar golpe em mim?
- Eu não quero dar golpe em tu... olha, acho que a rodoviária não é o melhor lugar, aqui tem gente nos vendo... vamos sair daqui.
- Tá bom, trambiqueira. Vou te ouvir.
Warlla e Priscila saíram dali, e Marlene disse:
- Que alívio. Pensei que elas iam brigar de novo.
Valdenes disse para Branquinha.
- Eu pensei que elas iam brigar, mas saíram juntas...
- Boa coisa elas não estão aprontando...