Numa certa manhã, Fada Allana levou Anna Beatriz para uma praça principal no centro de Vila Dourada, no agreste de Pernambuco, e ao observarem uma estátua, Anna Beatriz perguntou:
- Quem é essa mulher representada na estátua? Ela parece tão bonita.
- É a fundadora de nossa cidade, a francesa Jacilene, que viveu há mais de 200 anos, entre a metade do século XVIII e começo do século XIX.
- Nossa, faz tempo. A cidade aqui é bem antiga, então.
- Sim, já tem 214 anos de história, esse ano completará 215 anos. As cidades aqui vizinhas, Lagoa da Italianinha, Serra Grande do Agreste e Nova Humaitá pertenceram a Vila Dourada. Primeiro, em 1890, Serra Grande se emancipou, aí em 1928, Nova Humaitá se emancipou de Serra Grande, e em 1963, Lagoa da Italianinha se emancipou de Vila Dourada.
- E essa Jacilene? Fale mais sobre ela.
- Ela nasceu na França em 1752, viveu lá em Paris até 1782, quando veio para o Brasil, mas ela foi morar lá em Vila Rica, onde hoje é Ouro Preto. Lá, ela conheceu um homem daqui de Pernambuco, com quem se casou e veio morar aqui. Aí, fundaram esse povoado que virou cidade. Ela foi quem deu o nome de Vila Dourada, como se fosse uma homenagem a Vila Rica. Ela era iluminista, era a favor da Revolução Francesa e lutava pela independência do Brasil. Ela chegou a doar jóias para a Revolução Pernambucana de 1817, e ela ainda viveu o suficiente para ver D. Pedro I dando o grito do Ipiranga.
- Interessante, essa cidade tem muita história.
- Muita, mesmo. Aqui estamos no Nordeste, mas com toques franceses, por causa da fundadora, e ainda temos uma colônia japonesa aqui que vieram para cá no período de Getúlio Vargas.
- Eu tô encantada. Muito encantada. Jacilene, uma grande heroína, que veio de tão longe e fez florescer esta cidade perto de Serra Negra e fazer esse lugar ser desenvolvido.
- Verdade, agora, vamos pra casa, tu tem trabalho.
- Sim.
Anna Beatriz foi se afastando, mas não parava de olhar para a estátua.






