quarta-feira, 4 de março de 2026

Reunião no Palácio


Numa certa tarde no ano de 82, no Palácio de Vitoriana, na Roma Antiga, Gilsius conversava com o senador Eraldus, a respeito de algumas tensões políticas que o império vivia. Lania, a escrava, acabou ouvindo a conversa porque foi chamada por eles para servir a comida. 

Eraldus disse:

- Depois que parte de Vitoriana foi atingida pela erupção do Vesúvio, a gente teve que reconstruir muitas casas, não foi tarefa fácil. Felizmente, a cidade toda não foi destruída, nós pudemos nos reconstruir com mais facilidade. Mas Pompéia e Herculano foram varridas do mapa. Mas... o que eu queria te perguntar, meu querido conselheiro, é uma coisa: o que tu acha desse novo imperador, o Domiciano? 

- Perigoso. Dizem que ele vai perseguir os cristãos com mais rigor. 

- Sério?????

- Sim. A gente teve bons reinados com Vespasiano e o filho dele, Tito, mas agora, parece que Domiciano, o irmão mais novo do Tito, poderá nos trazer problemas. 

- Então, aquela mendiga Danucia que se cuide... ela é cristã. 

- Não só ela, senador, mas todo um povo...

Lania, a escrava, já ficou preocupada. Eraldus disse:

- O que tu tem, escrava?

- Nada, nada... 

- Pode levar a comida, estamos satisfeitos. 

Lania saiu dali, e ficou arrasada com a notícia de que os cristãos seriam perseguidos. Ela era cristã. 

Rida e a proposta maligna para Valdenius


No ano de 72, em Vitoriana, a maléfica madame Rida havia se encontrado com Valdenius, famoso por sua atuação em revoluções e guerras. Rida, com ar maldoso, e se aproveitando do gênio violento de Valdenius, disse:

- Você parece que tá em risco... soube que o senador Eraldus pôs sua cabeça a prêmio. 

- Não tem problema, eu parto ele em quatro pedaços com minha espada. E a qualquer um que se atrever a defender ele. 

- Nossa. Você é bravo, viu? Valdenius, tu poderia ganhar muito mais, se tu matasse apenas uma única pessoa. 

- Que pessoa? 

- Danucia, aquela mendiga fedorenta que é da seita cristã. 

- Eu bem que tenho vontade mesmo de dar um fim nela, mas parece que ela é protegida por alguém...

- Protegida nada. Tu é que tá com medo de matar ela, só porque ela é uma pobre sem casa e sem armas. 

- Pode ser. Gosto de enfrentar pessoas armadas. 

Rida disse:

- Valdenius, me escuta. Se livra dessa mendiga, tu vai ter uma vida melhor. Eu te prometo. Tu, sua esposa Josiana e seu filho Antonius vão sair daquela insulae fedida que vocês vivem. 

De repente, apareceu Cassiana, com sua mãe Sandrela, e Cassiana disse ao Valdenius, que é seu capanga:

- Tais fazendo o que, Valdenius? 

- Nada, só estava conversando. 

- Vamos pro palácio. Temos muita coisa pra conversar. 

Valdenius se retirou com Cassiana e Sandrela, enquanto Rida os olhava com ironia. 

Véllia e as mendigas


 Numa certa manhã, Véllia deixou sua insulae para ir vender comida pelas ruas de Vitoriana, numa tarde do século I desta cidade na Roma Antiga. Nessa hora, apareceram quatro mendigas esfomeadas, desejando comida: eram Varla, Renatis, Clódia e Erika. Véllia disse:

- Parece que estão com fome. O que desejam?

- Comer! - disse Varla. 

- Mas o problema é que não temos nenhum denaro! - disse Renatis. 

- Não se preocupem, podem pegar aqui. 

As quatro mendigas, felizes, comiam. Varla falava das três amigas, e ela disse:

- Imagina, dona Véllia, essa daqui do meu lado, Renatis, odeia tomar banho e adora entrar no esgoto, já as outras duas aí, Clódia e Erika, só vivem dentro da água,  elas adoram tomar banho no chafariz. 

- Eu já vi Clódia e Erika no chafariz, mas parece que o senador Eraldus mandou proibir esses banhos na fonte. 

- Mas eu não vou obedecer! - disse Clódia. 

- Mas cuidado, isso é perigoso - disse Véllia. 

Erika disse:

- E o que temos a perder? Nem casa temos mesmo...

Renatis disse:

- Qualquer coisa, podem ir pro esgoto comigo...

- Ah, isso nunca - disse Varla. - somos sujas, mas assim já é demais. 

Véllia disse:

- Está bem, vou ter que ir. Boa tarde, viu? 

Véllia, sorridente, foi vender sua comida, enquanto as quatro mendigas malucas conversavam no pátio. 

Fabea confronta Josiana


Observadas pela sacerdotisa romana Andreina, a madame Fabea e a caçadora Josiana, com seu arco e flecha, tiveram um embate. Andreina estimulou o confronto, ao sugerir para Fabea que ela deveria "colocar Josiana no seu devido lugar". 

Fabea disse:

- Olha tu toda suja, coisa de pobretona que vive em insulae! 

- E tu com isso? Tu acha que é melhor só porque és rica? 

- Não acho, eu sou melhor! 

- Ah, mas interessante. Tu é mais velha que eu e és solteira, eu sou casada e tenho filho! 

Fabea disse:

- Grande casamento esse teu. O Valdenius, um bandido que vive saqueando pessoas, que já matou gente da minha família, e seu filho Antonius querendo ser igual a ele! É com esse tipinho que tu é casada? Nossa. 

- Tu cala a tua boca, se não quer que...

- Não quer que... o que?

Josiane armou seu arco e flecha, e ameaçou Fabea, que disse:

- Tu vai me matar com essa porcariazinha, é?

- Experimenta falar do meu marido e do meu filho! 

A sacerdotisa Andreina disse:

- Vamos embora, Fabea. Essa agitadora do arco e flecha vai ter o que merece ainda. 

Fabea e Andreina saíram, enquanto Josiana estava irritada. 

Danucia julgada num tribunal romano


Numa certa tarde, no ano de 70, no Palácio em Vitoriana, na Roma Antiga, o senador Eraldus deparou com uma situação inusitada, onde três madames da alta sociedade lhe trouxeram uma mendiga, a Danucia, para ser julgada por ele. Juntamente com as três, que eram Cassiana, Rida e Suéllia, estava Valdenius, inimigo declarado do senador, mas que naquele momento, estava com a espada pretendendo matar a mendiga. Danucia vivia nas ruas desde que perdeu sua casa, confiscada a mando de Eraldus, e pedia esmolas nos pátios de Vitoriana. 

Enquanto Valdenius observava de longe, as três faziam acusações contra a mendiga. Cassiana dizia:

- Essa mendiga é uma agitadora, vive falando mal do nobre senador, e até do imperador. 

- Verdade, imagina que ela faz parte dessa seita chamada de cristãos, senador, e ela se recusa adorar o imperador - disse Rida. 

Suéllia disse:

- Ela chegou até a zombar de mim porque sou careca. 

Eraldus disse:

- Tu tens alguma coisa a dizer, mendiga?

Danucia disse:

- Algumas dessas acusações são falsas, como a de que eu zombei de Suéllia por ela ser careca, eu apenas avisei que onde ela está pode levá-la à perdição, como as outras duas, aquele briguento de espada na mão e até o senhor, se o senhor não se converter a Cristo!

Eraldus disse:

- Epa, pode parar. É assim que tu fala com o senador? 

Valdenius disse:

- Eu estou cansado das provocações dessa mendiga suja, se quiser, eu resolvo tudo aqui agora mesmo. Estou com a espada...

- Agora, não. - disse Eraldus. - porque se recusas a adorar o imperador?

- Porque ele é um homem, feito você, feito o outro aí, ele nasceu e vai morrer um dia, ele é falho, mas Jesus é perfeito!

Valdenius disse:

- Ela vive fantasiando esse tal de Jesus o tempo todo, os judeus lá não gostam dele, dizem que ele era impostor, tanto é que o povo de lá escolheu Barrabás pra ser solto, e não ele. E olha, viu? Barrabás é minha inspiração. 

Danucia disse:

- Um dia, Jesus virá do céu e julgará todos nós... e vocês verão que Ele é filho de Deus. 

- Chega de conversa, mendiga suja e doida. Valdenius, pegue sua espada e mate-a agora! - disse Rida. 

Eraldus disse:

- Epa, Rida, aqui quem manda executar sou eu. 

Naquele momento, Gilsius, o conselheiro do senador, teve uma conversa particular com ele. Eraldus depois disse para Danucia:

- Pode ir. 

Cassiana, Rida, Suéllia e Valdenius protestaram contra a soltura de Danucia. Mas a mendiga saiu dali, de cabeça erguida. 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Marlene apronta pra cima de Wéllia


Numa certa tarde, Marlene, em sua lanchonete na rodoviária, recebeu duas clientes um tanto indesejadas: Geisy e Wéllia, que foram lanchar ali. Wéllia, por sinal, não perdeu a oportunidade de despejar arrogância, e disse para Marlene:

- Eu espero que tu me atenda bem melhor do que tu atende esses mendigos porcos e nojentos que andam por aqui. 

Marlene disse:

- Bom, eu acho engraçado a senhora falar em mendigos sujos, porcos e nojentos, quando a senhora mesma... bem, outro dia, aparecesse aqui sua calça suja de fezes e molhada de urina...

- Isso é problema meu, tu não tem nada com isso. 

Geisy disse:

- Olha, dona Marlene, nos sirva, que nós não temos o dia todo. 

- Bora, bota um cachorro quente aqui. E se me der dor de barriga, nem tem problema, eu largo nas calças, mesmo, nem uso banheiro. 

Marlene anotou o pedido, e foi para a cozinha, e disse para Deinha:

- Faça um cachorro quente caprichado para Geisy e Wéllia, mas depois vou te pedir uma coisa, é uma surpresa que quero fazer pra Wéllia. 

Quando Deinha pegou os cachorros quentes, Marlene pegou pimenta e colocou em excesso no que seria servido para Wéllia. Deinha disse:

- O que é isso, dona Marlene?

- É uma forma que encontrei de colocar essa abusada no lugar dela. 

- Tu vai colocar no do da vampira, também? 

- Não, só de Wéllia mesmo. 

Deinha ficou preocupada em servir, mas Marlene disse:

- Pode deixar que eu sirvo, eu me responsabilizo. 

Marlene levou os cachorro quentes, mas quando Wéllia experimentou, começou a sentir ardência na boca, e Geisy disse:

- O que foi, Wéllia? 

- Água, água, logo! 

Marlene pegou água, e Wéllia bebeu, mas ela disse:

- Eu precisaria de um balde de água. 

- Não seja por isso. 

Marlene pegou um balde de água que estava cheio ali e jogou em Wéllia. Marlene disse:

- Desculpe, dona Wéllia, esqueci que a senhora odeia tomar banho...

- Isso não vai ficar assim. 

Geisy ficou olhando a cena, mas não fazia nada. Wéllia disse:

- Vamos embora, Geisy. E pode estar certa que eu não vou pagar. 

Wéllia e Geisy saíram dali, e Marlene falava:

- Vai-te embora, carniça...

Warlla é questionada por Quitéria


Numa certa manhã, Warlla, a "mendiga chique", apareceu na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona. Diferente do costume, que ela gosta de perturbar, ela pediu apenas um café e um cigarro, e pagou com o trocado que tinha. 

Em dado momento, Quitéria disse:

- Warlla, me permite lhe fazer uma pergunta?

- Faça. 

- Grande parte das pessoas que vivem nas ruas aqui de Lagoa da Italianinha, não têm família. Mas você tem família, inclusive, vivendo lá em Caruaru. Você mesma vivia com eles até 2022 aqui, e eu não consigo entender porque tu não os procura. Viver na rua é muito ruim. 

- Simplesmente eu não os procuro porque eles me odeiam. Mas é recíproco. Eu também os odeio. 

- Não fala isso, Warlla. Seus pais e seus irmãos...

- Eu não quero saber deles. Eles me abandonaram quando virei mendiga, portanto não tenho o menor interesse em estar com eles. Eu prefiro passar o resto da minha vida dormindo na rua do que estar com essa gente. 

- Warlla, você é muito... diferente. Você usa uma roupa parecendo madame, os outros mendigos não gostam de você, e você ainda carrega um ar de superiodade assim mesmo. Ao mesmo tempo que tu leva essa vida, tu tem um modo de ser incompatível com a vida que tu leva. Vida essa que mesmo você podendo sair dela, não quer sair. 

- É... eu perdi tudo, mas não a pose. E quero continuar assim. 

Quitéria disse:

- Sabe o que acho? Tu é muito estranha, tu precisa de um tratamento psiquiátrico. 

Warlla riu e disse:

- Pense como quiser, enxerida. Agora, com licença. 

Warlla se retirou, e Quitéria disse:

- Essa é problemática mesmo... detestada pela família, pelos ricos, pelos pobres, pelos mendigos...

Reunião no Palácio

Numa certa tarde no ano de 82, no Palácio de Vitoriana, na Roma Antiga, Gilsius conversava com o senador Eraldus, a respeito de algumas tens...