sábado, 28 de março de 2026

Uma cidade dividida por uma polarização falsa


Na pequena cidade de Nova Humaitá, que ficaria próxima à Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, a população vive um verdadeiro clima de guerra, e "azuis" não falam com "vermelhos". Até casais foram desfeitos por causa de uma briga política que não passa de uma farsa.

Quando Nova Humaitá se emancipou de Serra Grande, em 1928, um astuto coronel mandou chamar o filho e o sobrinho para uma conversa. Mandou o filho ir para um partido de direita e o sobrinho para um partido de esquerda. Seguindo as ordens do coronel, eles deveriam se atacar um ao outro e evitar encontros públicos. Oficialmente, o filho era o candidato do coronel, e o sobrinho fingia ser oposição.

Anos se passaram e essa astúcia desse coronel fez com a população da cidade se dividisse, e assim Nova Humaitá ficou para trás em comparação com Serra Grande, Vila Dourada e principalmente Lagoa da Italianinha. Mas enquanto as pessoas brigam, trocam xingamentos e até se matam pelos grupos políticos da cidade, os herdeiros do coronel estão desfrutando desse controle absoluto da cidade alimentando os dois partidos e com encontros longe da vista do povo.

Obs: essa história é fictícia e faz parte de Rompendo Distâncias. Mas será que tem alguma relação com a realidade?

Cliente recebe visita de Wéllia em estado de loucura

 

Mesmo estando em estado deplorável - suja, descalça, descabelada e com as calças encardidas -, a publicitária Wéllia, que está em estado de loucura, foi atrás de seus clientes. Chegou a uma loja e o dono a recebeu, e ele disse:

- Mas o que significa isso? Que catinga é essa de... de... tu sabe de que, daquilo que nós despejamos quando comemos. 

- Isso não é catinga, isso é aroma, meu perfume é diferente. 

- Não sabia que agora havia perfumes com aroma de xixi e de cocô, essa é nova. 

Wéllia disse:

- Chega de tro-ló-ló, vamos falar de negócios!

- E tem como tu falar de negócios nesse estado que você está?

- Eu negocio até dormindo. 

O homem disse:

- Pois eu não vou mais fazer negócios com você, vou procurar aquela outra publicitária, a Branquinha, uma moça educada e gentil.

- Ah, aquela mocinha de chinelinho, que é quase igual aos mendigos pé sujo?

- Tu nem pode falar, que tu tá descalça. Pode ir embora, vou cancelar o contrato com você. 

Wéllia disse:

- Tudo bem... quando for amanhã, vai estourar um escândalo em Lagoa da Italianinha...

- Que escândalo?

- Um homem muito correto, com esposa e filhos, imagina como vai ficar o povo quando souber que tem uma amante em Vila Dourada.

O homem ficou assustado, e ele disse:

- Quem te contou isso?

- Eu investigo todos os meus clientes. E é isso, se tu quiser, continue comigo e nada acontece ou vai fazer contrato com a moça dos chinelinhos e aguente as consequências. 

O homem, com raiva e sem ter escolha, renovou o contrato com Wéllia, que saiu dali, radiante. Ele chamou a secretária, que chegou e disse:

- Credo, patrão, que catinga de bosta é essa? 

- Essa louca cagada que apareceu aqui, e eu tive que renovar o contrato com ela, ela é quem faz a publicidade da loja.

- Deveria ter interrompido, aquela moça, a Branquinha, é muito melhor. 

- Eu sei, mas não pude. 

- Porque? 

- Não faça perguntas, pegue um spray pra borrifar essa sala e tirar essa catinga de merda, vamos logo. 

- Sim, senhor. 

Enquanto isso, Wéllia chegou no seu escritório, e Geisy e Vitória estranharam. Geisy disse:

- De onde tu vem?

- Fui no escritório do dono daquela famosa loja da Nilo Peçanha. 

- Oxe, e tu foi assim, mijada, cagada e descalça? Ele com certeza rompeu contrato com você. 

- Claro que não, ele renovou. 

Vitória disse:

- Oxe, mas como a senhora conseguiu?

- Eu tenho meus modos...

Wéllia entrou na sala, deixando as duas horrorizadas. 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Uma diretora rigorosa


Vinda de Milão, lá na Lombardia, a diretora do colégio onde Vitório estuda, em Vitalba, na Toscana, é bastante rigorosa. De início, ela não engoliu a história do aluno andar descalço inclusive nas aulas. Mas Vitório implorou que ela aceitasse, e ela acabou cedendo, abrindo espaço para mais na frente, aceitar outra aluna descalça, a Sara Sofia. 

Mas mesmo assim, ela é bastante rigorosa. Ela chegou a deter Enzo e Vitório na sua sala depois deles brigarem no pátio do colégio. 

Ela é muito detestada por alguns alunos, mas uma das que mais se aproxima dela é a Wilma, a estudante perversa colega de Vitório. Apesar de estranhar que ele ande descalço, a diretora admira a inteligência do menino Vitório e a capacidade de memorizar datas, História e Geografia da Itália. 

Priscila na chuva


Numa noite de chuva forte em Lagoa da Italianinha, a mendiga Priscila caminhava como se nada estivesse acontecendo. Mesmo levando forte chuva sobre si mesma, e toda encharcada, Priscila caminhava lentamente. 

Alguém perguntou:

- Corra pra um abrigo, tá chovendo forte, moça. 

- Não quero abrigo! - disse Priscila, com raiva. 

A chuva forte caía sobre ela, e ela nem se importava. Alguns gritavam com ela, e ela nem ligava. Priscila falava sozinha e dizia:

- Que diferença faz eu levar chuva, sol, sereno? Durmo aqui todas as noites assim, nas ruas, mesmo. Sou andarilha e não tenho abrigo. Eu só lamento que essa noite não vou poder bater uma carteirinha aí e descolar uns trocados...

Giovanna Victórya já tem data para se tornar prefeita de Lagoa da Italianinha

 

Na contagem regressiva para entregar o cargo de prefeita de Lagoa da Italianinha, Myllena observa com orgulho sua filha Giovanna Victórya, que é também a vice-prefeita, se preparando para assumir o cargo. Myllena já renunciou ao mandato e a transição do cargo foi marcada para o dia 31 de março. Após cinco anos gerindo a cidade, a prefeita descalça vai tentar um mandato de deputada estadual por Pernambuco. 

Para garantir o sucesso da gestão de sua filha, Myllena fez aliança até mesmo com a deputada federal Sandra Valéria, de quem foi inimiga ferrenha por 13 anos, e em troca disso, conseguiu da deputada um apoio para sua filha. 

Giovanna tem lido projetos de lei e estudado bastante sobre gestão. Enquanto ela estudava, ela percebeu que sua mãe a observava, e disse:

- Mãe, a senhora aí?

- Sim, me orgulhando da filha que tenho que vai ser a prefeita desta cidade em poucos dias. 

- Verdade, estou me preparando muito. 

Myllena disse:

- Isso, filha. Seja melhor que eu, faça isso, querida. E outra, a gestão será sua. Eu posso dar conselhos, mas você terá a caneta na mão. Está preparada?

- Sim, mãe. 

- Dia 31, estou passando o cargo pra você definitivamente. 

- Certo. 

Myllena deu um grande abraço em sua filha Giovanna. 

Mimi e Kátia tentam trazer mais uma vereadora para a oposição


 Numa certa noite, Mimi e a ex-vereadora Kátia foram no escritório da vereadora Jane, amiga pessoal da Kátia. Jane faz parte da base aliada da prefeita Myllena, mas está cogitando sair e ir para a oposição. 

Jane é tão amiga de Kátia que em 2024, abriu mão de ser a candidata a vice de Mimi para ceder a vaga para Kátia, que tinha acabado de romper com a prefeita. Jane, assim, foi candidata a vereadora e acabou eleita. 

Jane está pensando em "pular do barco de Myllena" não só pela sua amizade com Kátia, mas por sua insatisfação com algumas situações da gestão. Jane chegou até a ser barrada na Prefeitura por Karoline e Ilene, as duas irmãs de Myllena. 

Jane ouviu as propostas de Mimi e Kátia e prometeu averiguar, se reunir com seu grupo para tomar a decisão final. 

O dia que Giuliana deixou sua pátria


Setembro de 1939. A Segunda Guerra Mundial havia começado e a Itália estava envolvida nela, ao lado da Alemanha e do Japão, contra França e Inglaterra. Uma jovem e bela camponesa da Campânia, que já tinha 30 anos e vivia sozinha, resolveu se aventurar para longe dali. Chegando em Nápoles, tomou o primeiro navio rumo ao Brasil. 

Giuliana sempre foi conhecida por ter gênio forte e ser muito valente, sem medo de nada. Costumava andar simples e sempre descalça, em todo lugar. Ela era observada por alguns homens durante a viagem de navio, mas os evitava. 

Giuliana desceu no Recife e depois de passar algumas noites em um hotel e outras nas ruas da capital de Pernambuco, ela foi empregada na casa de uma família rica. Mas passou apenas cinco anos ali, pois em 1944, Giuliana pediu demissão denunciando o assédio do patriarca. 

Ao saber que haviam famílias italianas em um sítio no agreste de Pernambuco, Giuliana foi para lá. Ela tentou trabalhar na casa das famílias italianas, sem sucesso. Empregou-se na casa de Mônica, cujo filho Antônio Neto havia sido convocado para a guerra. Mônica, mesmo sem gostar de estrangeiros, se agradou de Giuliana e a contratou. Somente depois da guerra e da volta de Antônio Neto, Giuliana pôde trabalhar com o italiano Jadiael. 

Viveu ali o resto da vida e ali fez família, saudável e longeva, chegando ver até mesmo o século XXI. Aline Débora e seu primo Emerson estão entre seus descendentes - bisnetos - que vivem atualmente em Lagoa da Italianinha. 

Uma cidade dividida por uma polarização falsa

Na pequena cidade de Nova Humaitá, que ficaria próxima à Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, a população vive um verdadeiro clim...