sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O sono pesado de Warlla


 Depois de passar a madrugada perambulando pelas ruas, Warlla, a "mendiga chique", acabou caindo no sono no meio do Pátio Verona, no centro de Lagoa da Italianinha. 

Warlla, que como se sabe, já foi rica e era muito requisitada, agora encontra-se ignorada. Muitos passam por ela e sequer a olham. 

Apesar de seu passado rico e seu gênio complicado, Warlla não esconde sua atual condição, não tendo medo nem mesmo de dormir nas ruas em público, como geralmente acontece com quem já esteve na riqueza algum dia e tenha perdido tudo, que tenta esconder sua condição pobre de alguma forma. 

Mas alguns não conseguem ignorar uma mulher vestida como madame de forma elegante, mas muito suja e deitada em uma rua ou calçada qualquer. 

Warlla dormiu no pátio por volta das 4 da manhã e só acordou ás 11 horas, ou seja, estava dormindo no principal horário de pico. Como se trata de um pátio, onde carros não passam, ela não teve problemas para ficar ali. 

A teimosia de Rafinha


 Numa certa tarde, Rafinha, que estava bastante suja, chegou na escola de música de Eraldo, pedindo um copo de água. Clíntia, a secretária, meio assustada com o estado da mulher, permitiu. Mas estava se incomodando com o cheiro forte dela. Nessa hora, Eraldo apareceu, e perguntou:

- O que está acontecendo?

- Essa mendiga veio tomar água, e eu não pude negar...

- Bom, ela não é mendiga. 

- Não?

- Não, é Rafinha, que tem problemas mentais. A família dela é rica, ela é irmã da vereadora Vanessa, e tem uma irmã residindo em Londres, a Valéria, e outra em Berlim, a Milady. 

- Nossa. E ela tá com uma catinga insuportável... de fezes. Acho que ela evacuou nas calças. 

Rafinha ia saindo, e Eraldo disse:

- Rafinha, você está bem?

- Claro que estou. 

- Mas não parece. Olha, você é de família rica, tem uma irmã na Inglaterra e outra na Alemanha, tu pode se tratar, e...

Rafinha disse:

- Não é da sua conta. Cuide da sua vida que eu cuido da minha!

Rafinha saiu dali, e Clíntia disse:

- Mal-educada, hein? Nem agradeceu pela água. 

- Teimosa que nem uma mula... por isso anda por aí parecendo mendiga. E tem noite que ela dorme na rua, mesmo, mas ela costuma dormir em casa. 

Fabiana no chafariz


Numa certa manhã, em Lagoa da Italianinha, no chafariz no meio da praça, a mendiga venezulana Fabiana estava tomando banho na fonte. Ela reclamava o calor e não resistiu à entrar na fonte para se refrescar. 

Algumas pessoas olhavam a mendiga, e até tiravam fotos ou gravavam vídeos com ela brincando na água. Um deles dizia:

- Essa maluca veio lá da Venezuela e tá por aí nas ruas, olha a situação dela. 

Mas pouco depois, chegaram os policiais Júnior e Ana Clécia. Júnior disse:

- Não pode ficar aí, dona. 

Fabiana ainda não conseguia entender direito o sotaque português, mas Ana Clécia fez gestos. Fabiana disse

No sabía que estaba prohibido. Voy a salir.

Eles a observavam enquanto ela, saía, e Fabiana disse:

- Lo siento!

Fabiana, molhada, foi circular pelas ruas para pedir esmolas.

Dormindo na rodoviária


 Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, Valdenes foi tomar café e se deparou com uma mendiga dormindo perto do balcão da lanchonete. Era a mendiga Priscila. Ele disse à Marlene:

- Priscila tá dormindo aí, Marlene, tu viu?

- Sim, depois eu vou enxotar ela daí. 

- Eu quando morei nas ruas, conheci muito ela, mas ela parece que não sai da vida errada. 

- Imagina, os pais dela são pobres, mas pessoas honradas, né? Devem ter vergonha de ter uma filha assim vivendo desse jeito, dormindo nas ruas e fazendo coisas erradas. 

Priscila tinha o sono pesado, e não acordou nem mesmo com barulhos grandes por ali, pois estava muito movimentado. 

Mas muito tempo depois, quando Valdenes já tinha ido embora, Marlene foi acordar Priscila, e disse:

- Priscila, aqui não é lugar de dormir, vai procurar outro lugar. 

- Oxe, logo no meu melhor sono, tu me acorda. Francamente, não poderia esperar mais um pouco?

- Tu é mais folgada que calça de palhaço, oxe. Chispa daqui, vaza!

Priscila saiu dali, olhando Marlene com raiva, e depois, se deitou perto de um muro do lado de fora da rodoviária. Marlene dizia:

- Preguiçosa, não, se amostra...

Inalda e suas tradições


No ano de 1940, a pintora alemã Inalda fez 45 anos de idade morando no interior de Pernambuco, no sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha. Apesar da cidade preservar muito a cultura italiana por conta de seus fundadores, foi Inalda a primeira estrangeira a residir ali. Ela foi morar no sítio do agreste de Pernambuco, que na época, pertencia a Vila Dourada, com apenas 20 anos de idade, em 1915, vinte anos antes da chegada dos imigrantes italianos e portugueses. 

Inalda, mesmo morando em uma região altamente católica, preservou sua tradição judaica. Uma das razões de ter escolhido Pernambuco como seu lar é porque em Recife localizava-se a primeira sinagoga do continente americano. 

Ela lia a Torá diariamente e preservava suas raízes, já que ela também era filha de judeus. Sofreu muitos preconceitos principalmente por parte da beata Lady Andréia, católica roxa e que passou parte de sua vida perseguindo Inalda. Durante a guerra, Lady Andréia chegou a denunciar Inalda, pois ela era de um dos países do Eixo - Alemanha - o que levou Inalda, duas famílias italianas e uma humilde família japonesa que residia em Vila Dourada ter seus rádios confiscados. Inalda também ensinava sua arte, tendo sido Maria Clara, uma humilde camponesa, uma de suas alunas. 

Inalda ainda sofria muito pelos judeus que viviam sendo perseguidos pela ditadura alemã. Ela havia escapado porque já morava no Brasil há anos, mas se preocupava com sua prima Danielly e suas amigas Lucélia, Stella e Alessandra, sendo que esta última não era judia, e sim, comunista. 

Apenas Stella morreu no período, mas as outras conseguiram sobreviver. Lucélia foi para Israel, Danielly para Pernambuco, viver junto com Inalda e Alessandra foi para Alagoas. 

Inalda sempre foi muito querida em Lagoa da Italianinha, e hoje suas bisnetas Taline e Teane tentam abrir um museu na casa onde Inalda morou. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Warlla e a nostalgia dos tempos de rica


Era mais ou menos 00h em Lagoa da Italianinha, e a "mendiga chique" Warlla passou em frente a uma mansão e viu uma família entrando ali. Logo, Warlla se lembrou dos tempos que era rica. Warlla se recordou, de que como aquelas crianças que estavam entrando numa mansão, cresceu no luxo e cercada de fartura. 

Warlla se recordava de quando dormia em cama quente, contrastando com a atual situação, onde dorme em calçadas no meio da rua. 

Uma das crianças percebeu e ficou com medo, e disse para sua mãe: 

- Mãe, tem uma mulher suja olhando pra gente. Tô com medo. 

Ela olhou e viu quem era, e levou as crianças para dentro. Warlla saiu dali, sem falar com ninguém. 

O dono da casa disse para sua esposa e os filhos:

- Aquela mulher ali eu conheço ela, ela já foi rica, mas ela hoje mora nas ruas, desde 2022. Ela é muito problemática e orgulhosa, nem os pais gostam dela, os pais foram pra Caruaru e não querem nem saber dela. Ela gosta de semear contendas, de fofocas e de fazer o mal. Por isso ela foi castigada, mas não se emenda. Vive nas ruas, mas continua de nariz empinado! 

Warlla, enquanto isso, estava em um beco, e dizia, sobre a família que vira:

- Tudo amostradinho... 

Mimi é estimulada a ser candidata a deputada estadual

 

Numa certa tarde, a juíza Suely foi na casa de Mimi, no sítio Mandacaru, ao lado da vereadora Vanessa. Mimi recebeu as duas, que foram falar com ela para implorar que ela saia candidata a deputada estadual. 

Suely disse:

- Eu estou sabendo, minha colega careca, que fosse convidada para ser candidata a deputada estadual. Você já aceitou?

- Não. 

- Pois seja. 

- Oxe, doutora Suely. 

Vanessa disse:

- A prefeita Myllena deverá sair candidata a deputada estadual do lado da Sandra Valéria como federal, e até mesmo Moab e Janayna deverão estar juntos com elas. A oposição não tem mais candidatos aqui em Lagoa da Italianinha. 

- Mas isso é especulação, não acha?

- Não. - disse Suely - a prefeita é minha irmã e eu estou sabendo dos bastidores. Ela anda se encontrando com a deputada de quem ela falou tão mal por treze anos. 

- Puxa, eu fico até desconsertada. 

Vanessa disse:

- Mimi, se tu aceitar o convite e ser candidata, tu já tem meu apoio e o da doutora juíza Suely, e nós vamos atrás de mais apoios. Por favor, a oposição só tem você, não nos abandone. 

- Mas isso é surpreendente - disse Mimi. 

Suely disse:

- Eu tenho algumas divergências com as ideologias que tu defende, mas eu reconheço que você é uma grande líder, e se só tiver você contra os grupos aí tudo se unindo, eu estou com você. 

- Bom, preciso pensar melhor... - disse Mimi. 

- Pense e nos responda - disse Vanessa - já teve deputado me procurando e eu já disse que estou apoiando outra pessoa, e é você quem eu quero apoiar. E não estamos aqui pra pedir cargo nem dinheiro pra você, queremos alguém representando a oposição. 

Suely disse:

- Sim, Mimi. Escute, pense com carinho e venha com a gente nessa luta. 

Elas almoçaram juntas e depois, Suely e Vanessa foram embora, enquanto Mimi ficava pensando. 

O sono pesado de Warlla

 Depois de passar a madrugada perambulando pelas ruas, Warlla, a "mendiga chique", acabou caindo no sono no meio do Pátio Verona, ...