segunda-feira, 9 de março de 2026

Uma marmita de aniversário

Numa certa tarde em uma das ruas centrais de Lagoa da Italianinha, a mendiga Priscila, que vive nas ruas da cidade e é conhecida por ser revoltada e perigosa, estava comendo em uma marmita, com uma garrafa de cajuína do lado. Era sua mãe, uma humilde senhora do Alto do Cruzeiro, que havia lhe deixado essa marmita, por se lembrar do aniversário da filha. 

O pai dela não queria nem saber dela, e nem sabia que sua esposa havia levado marmita para Priscila. Ela comia com vontade, pois estava com muita fome, e depois tomou a cajuína. A mãe chegou para ela e disse:

- Filha, porque tu não sai dessa vida? 

- Não, mãe, estou acostumada. 

- Mas, filha, é muito perigo. Tu faz coisas erradas, seu pai e eu...

- Meu pai não gosta de mim, nem quer ver minha cara. E desculpe, mas estou aqui porque eu escolhi. 

- Tá bom.. vou te trazer umas roupas, uns chinelos... tu quer?

- Chinelos nem consigo usar, me acostumei a ficar descalça, mas roupas, pode ser...

- Está bem...

Mesmo triste, ela beijou sua filha e pegando a marmita vazia e a garrafa de cajuína, voltou para sua casa. Priscila queria ficar nas ruas por se sentir livre, e estava cega pela revolta contra outras pessoas, incluindo sua própria família. 
 

Karola e Margarete brigam na piscina em Berlim


Numa certa tarde, Karola, que havia voltado de Viena, encontrou-se por acaso com Margarete na casa de Geane, em Berlim, que tinha relação próxima com ambas. Margarete começou a provocar Karola:

- Como foi o passeiozinho na Áustria com aquele sonso? Deveriam ter ficado por lá...

Karola evitava falar. Mas Margarete provocava ainda mais:

- Sabe de uma coisa? Vocês dão um par certo, viu? Uma cantorazinha de beira de esquina e um artista fracassado, pense na dupla. 

Karola respondeu:

- Tu pensa que me ofende em dizer que eu dou um par certo com ele, pelo contrário, eu me sinto feliz. Tu é que tem se conformar com o Jordan. 

- Ele sim é um homem de verdade, não esse lerdo com quem tu anda. 

Karola empurrou Margarete na piscina, e ela caiu na água, e com raiva, disse:

- Sua idiota, quem mandou tu me empurrar na piscina? Isso não vai ficar assim! Desça aqui se tu é mulher! 

Karola se jogou na piscina, de roupa e tudo, e as duas começaram a discutir e a brigar feio. Geane viu, e disse:

- Parem, vocês duas. Duas moças tão bonitas, o que deu em vocês? 

Margarete disse:

- Essa cantora de merda me empurrou na piscina. 

- Ela estava ofendendo o Waldo, o meu namorado. Ele, que só queria oferecer amor para essa piranha e que ela o trata como bandido. 

- Chega, saiam da piscina, vocês duas. Tá muito frio aqui na Alemanha e vocês podem pegar resfriado. 

Karola e Margarete saíram da piscina, e cada uma foi para sua casa. Mais tarde, Waldo censurou Karola:

- Karola, tu é uma mulher fina e elegante, pra que tu se baixar ao nível dela?

- Desculpe, não aguentei ver ela te ofendendo. 

- Eu entendo, e agradeço. Mas não caia mais nas provocações dela. Promete?

- Sim, eu prometo. 

Waldo abraçou Karola. Margarete chegou em casa e levou uma bronca de sua mãe Agnes. 

Suely é ovacionada na cachoeira

 

Num certo domingo, a juíza Suely foi para a cachoeira Sol Nascente, onde foi nadar um pouco. Ela, que trajava uma blusa azul e uma saia preta, entrou dessa forma na água, e começou a nadar. Mas não demorou muito para que ela fosse ovacionada pelas pessoas que ali estavam. Suely sempre foi conhecida por sua honestidade e ética, e ela foi muito aplaudida depois que havia criticado a aliança da sua irmã, a prefeita Myllena, com a deputada federal Sandra Valéria. 

Alguns já gritavam: "Suely prefeita!" Mas Suely dizia:

- Não quero ser prefeita, quero continuar servindo no Fórum, e fora isso, só cantando louvores. Existem hoje alguns limites para mim, que sou juíza, me candidatar a cargo público. Prefiro continuar onde estou, onde cheguei com meu suor. Mas vou contribuir apoiando bons nomes para a cidade, como fiz em 2024. 

Suely foi sozinha no passeio, mas ela não conseguiu ficar sossegada, devido ao grande número de pessoas que queriam se aproximar dela. 

Warlla propõe trégua com Priscila


Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, as mendigas Warlla e Priscila estavam por ali, discutindo uma com a outra. Marlene, a dona da lanchonete, já ficou atenta observando as duas, que poderiam causar uma confusão ali. 

De longe, estavam os amigos Valdenes e Branquinha, e em dado momento, Valdenes disse:

- Olha ali quem chegaram... a mendiga chique e a outra mendiga trambiqueira. 

- Misericórdia, essa rodoviária tá ficando muito mal-frequentada. 

- Pois é...

Warlla dizia para Priscila:

- Priscila, tu é uma mendiga suja e fedida, mas quero conversar de boa com você.

Priscila riu e disse:

- Oxe, olha quem fala. Tu mora na rua, feito eu, sua doida. Agora tu é uma mendiga de araque, porque tu fica feito madame, olha pra mim, eu sou suja, fedorenta e descalça, viu? Eu sim, sou mendiga de verdade. Tu mora na rua não sei pra que. 

- Priscila, baixe a arma, quero conversar de boa. 

- Então, fala logo, que eu não tenho o dia todo, tenho que ir na lotérica pedir esmola pros bestas. Aproveitar que hoje é meu aniversário, e quero mais grana hoje. 

- Ora, hoje é seu aniversário??? Teu pai e tua mãe moram no Alto do Cruzeiro e nem vieram te ver... impressionante. 

- E nem quero que venham. Tu é pior, tua família tá lá em Caruaru e não querem te ver nem pintada de ouro. 

- Priscila, veja só, nós somos odiadas, inclusive pelas nossas famílias, vivemos nas ruas,, não temos casa e sobrevivemos aí dando uns golpes... não acha que a gente poderia ganhar mais sendo aliadas do que inimigas? 

- Como assim? 

- Deixa de ser tonta, Priscila, a gente pode ganhar muita coisa juntas. 

- E como eu quero saber se tu não tá querendo dar golpe em mim? 

- Eu não quero dar golpe em tu... olha, acho que a rodoviária não é o melhor lugar, aqui tem gente nos vendo... vamos sair daqui. 

- Tá bom, trambiqueira. Vou te ouvir. 

Warlla e Priscila saíram dali, e Marlene disse:

- Que alívio. Pensei que elas iam brigar de novo. 

Valdenes disse para Branquinha. 

- Eu pensei que elas iam brigar, mas saíram juntas...

- Boa coisa elas não estão aprontando...

O preço da inveja


Nos anos 30, em Vila Dourada, a família Villegagnon, principal família da cidade, enfrentava conflitos internos. Duas dos sete filhos do casal Jorge e Joana praticamente se estranhavam com frequência. Dalva, a quarta filha, sempre nutriu inveja de Francielly, a sexta filha. Em Vila Dourada, Francielly era chamada de "a princesinha", o que deixava Dalva ainda mais irada, pois sabia que ela era a preferida do pai. 

Porém, tudo mudou quando foi descoberto que Francielly mantinha encontros secretos com o motorista da mansão, Leandro, o que levou Jorge a expulsar ele e a filha de casa, sob forte apoio de Dalva. Franciely foi deserdada e saiu de Vila Dourada, onde era tratada como prostituta, indo morar no sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha. 

Francielly morreu numa queda de cavalo em 1935, deixando seu marido Leandro e seu filho pequeno Augusto, futuro prefeito de Lagoa da Italianinha. Jorge se recusou a ir no velório da filha e ainda proibiu que a sua esposa e os outros filhos fossem. Apenas Estêvão, Gustavo e a adotada Helena desafiaram a proibição e compareceram lá. 

Anos mais tarde, Augusto, já adulto, por vingança contra a família de sua mãe, ajudou a emancipar Lagoa da Italianinha de Vila Dourada em 1963, tornando-se no dia 31 de maio de 1964 o primeiro prefeito eleito da história da nova cidade. 

Dalva, por sua vez, quando já estava idosa, com 80 anos, em 1976, começou a ter alucinações, recebendo em sua casa uma ser maligna, Ana Rowena, que tinha cheiro de cinzas e era queimada pelo fogo, avisando que a "hora dela prestar contas estava chegando". Dalva, nessa época, dizia que matou Francielly envenenando o cavalo dela. Na época da morte de Francielly, nem se cogitou tal coisa. 

Em 1976, Dalva foi encontrada morta, e a suspeita era de suicídio. Os últimos anos de Dalva foram marcados por uma série de tormentos e muitas alucinações. Acredita-se que ela estava pagando um alto preço por ter tido uma inveja mortal contra sua irmã mais nova. 

domingo, 8 de março de 2026

Ilene encomenda um estranho invento para Eugênio

 

Numa certa tarde, numa lanchonete, Ilene, a empresária, chamou o cientista Eugênio, e lhe disse:

- Eugênio, estou precisando de seus serviços, acho que você é a pessoa certa. 

- Pode falar, dona Ilene. 

- Você faz muitas invenções é cientista... e eu acho que uma invenção para mim seria uma maravilha. 

- Qual invenção?

Ilene disse:

- Olha, roupa é algo que demora pra secar, acho que fica um pouco chato. Então seria bom uma máquina que faça a roupa secar em menos de dez minutos e os sapatos em no máximo quinze minutos. 

- Por que a senhora tem interesse nesse tipo de invenção?

- Porque eu quando tomo banho, eu tenho depois que tirar a roupa e os sapatos, e trocar...

- Oxe, a senhora toma banho de roupa e tudo?????

- Claro, e até de sapatos. Minha irmã Myllena, a prefeita, só vive descalça, mas eu não aguento isso, eu não tiro os sapatos nem pra tomar banho. Mas eles acabam durando pouco. Por isso, esses inventos seriam maravilhosos, e eu estou disposta a lhe pagar o que for necessário. 

- Bom, dona Ilene, não é uma coisa muito fácil, porque tem que pegar questão de clima, dessas coisas...

- Não quero saber, quero o invento, quero saber se está disposto a criar. 

- Bom, eu vou tentar. 

- Está bem. Se esse invento sair, tu vai ficar rico. 

- Duvido, acho que nem todo mundo usaria, afinal, pouca gente toma banho de roupa. 

- Eu sou uma das que faço isso, e aqui em Lagoa da Italianinha tem gente que também só toma banho com roupa, e isso sem contar algumas pessoas de fora do Brasil. 

- Embora eu acho esse hábito muito estranho, eu vou tentar fazer isso. 

- Experimente, você vai ver como é ótima a sensação. 

- Não, deixe como está. Mas eu vou tentar atender seu pedido. 

Eugênio pegou o número do telefone de Ilene e se retirou, achando-a "maluca". 

Joseph dá bronca em Margarete

 

Num certo dia, em Berlim, Joseph, que havia chegado recentemente de uma viagem a trabalho, se encontrou com sua filha Margarete. Numa mensagem, ele disse que "queria ter uma conversa séria com ela". 

Estavam perto da Catedral de Berlim, e Joseph disse:

- Pode ser aqui mesmo, longe da sua mãe Agnes e do seu irmão Manfried. 

- O que foi, pai, porque está me olhando assim?

- Eu estava fora esses dias, eu vim da Suíça, e eu fiquei sabendo que tu mandou uma mensagem agressiva para aquele moço que gosta de tu, o Waldo. 

Margarete riu e disse:

- Já foram te contar. Quer saber? Mandei sim, e mandaria de novo. 

- Mas que tipo de filha que eu criei? Uma filha mal-educada, o que diria sua bisavó Stella, que morreu lá num campo, se tivesse viva? 

- Deixe de coisa, tu queria que eu namorasse com ele?

- Não estou dizendo isso. Eu confesso que até faria gosto em Waldo ser meu genro, mas se tu não queria nada com ele, simplesmente falasse com educação, e não da forma agressiva que você fez, até ameaçando o rapaz. 

- Ainda foi pouco, ele merecia mais. 

- É.. você não tem coração, aliás, você e sua mãe adoram me dar de dor de cabeça, se com o próprio pai tu faz isso, imagina com um desconhecido. 

- Pai, eu estou muito bem com o Jordan. 

- Sinceramente, eu não gosto desse Jordan. Mas a vida é sua. Agora, eu estava vindo de viagem, e sabe o que aconteceu com o Waldo? Está na Áustria, com a Karola, que foi cantar por lá. 

- Por mim, quero que fiquem por lá. 

- Está bem, filha. Você pode ter razão em rejeitá-lo. Mas foi errada a forma como tu fez. Cuidado. As consequências vêm, espero que tu ainda peça desculpas pra ele, quando ele voltar pra Berlim. 

- Pedir desculpas? Não fiz nada errado. Não estou arrependida nem um pouco, eu acho que a mensagem que eu mandei foi muito carinhosa, ele merecia muito pior. 

- Está bem, pense como quiser. 

Joseph saiu dali, deixando Margarete sozinha. 

Uma marmita de aniversário

Numa certa tarde em uma das ruas centrais de Lagoa da Italianinha, a mendiga Priscila, que vive nas ruas da cidade e é conhecida por ser rev...