domingo, 5 de abril de 2026

A loucura de Deza

 

Depois de passar a noite dormindo numa rua próxima à rodoviária, a mendiga Deza foi perambular no Terminal Rodoviário em Lagoa da Italianinha. Seu aspecto triste, bastante suja e exalando um mau cheiro incomodava os que ali estavam. 

Alguns a olhavam com pena, outros com ironia e com ar de graça. Ela falava sozinha, e dizia:

- Lá na minha casa, não vejo essas caras...

Mas a casa de Deza são as ruas, pois ela não tem casa, e vive nas ruas desde 1987. Foi a primeira moradora de rua na cidade. 

Deza perambulava caminhando pela rodoviária, e dizia:

- Eu sou Andrezza Moura, neta da portuguesa Mary Dee, tia de Luciana, Mimi, Débora, Caio e Paula, um bocado de ingratos. Não quero nem notícias dessa gente. Cambada de gente ruim! 

Paula, que tem um restaurante na cidade, já havia falado sobre sua suposta tia, e disse que Deza não quer ajuda. A relação de Deza com sua suposta família é péssima. Mimi ficou triste quando foi chamada de "ingrata" por Deza, já que ela costuma oferecer para ela comida na sua barraca de feira gratuitamente. 

Assim como alguns outros mendigos, Deza também se recusa a sair das ruas. Alguns acreditam que ela tem sérios transtornos de loucura. 

Priscila tomada pela revolta


 Enquanto está perambulando pelas ruas de Lagoa da Italianinha de noite, a mendiga Priscila, sapeca incorrigível, tem em mente seus planos malignos principalmente nessa hora. Além de cometer alguns furtos pelas ruas da cidade, ela também planeja vingança contra pessoas a quem ela considera responsáveis "por jogá-la nas ruas". 

Na cidade,conta-se que ela é de uma família pobre no Alto do Cruzeiro, mas ela já foi expulsa de casa, e não fala com seus familiares. Rebelde e inconsequente, Priscila é tida como motivo de vergonha pra sua família.

Priscila era solitária, mas recentemente, aliou-se com Warlla, a "mendiga chique", que também trama vingança contra seus algozes. 

Deitada e solitária em uma calçada durante uma madrugada, Priscila maquina em sua mente revoltada algumas ações contra as pessoas que odeia. 

Fabiana resiste em voltar pra Venezuela


Mesmo com a mudança política recente na Venezuela, a mendiga Fabiana, que vive nas ruas em Lagoa da Italianinha, não cogita voltar para lá. Nem mesmo seus três filhos Eduardo Felipe, Emerson Isaías e Everton Samuel, que vivem com ela mas ruas, querem voltar. Os quatro recusaram abrigos na cidade e perambulam pelas ruas da cidade, pedindo esmolas. 

Fabiana tem até consigo um celular, onde acompanha algumas notícias de sua família. Fabiana não diz que está vivendo nas ruas, ninguém em sua família sabe que ela virou mendiga. 

Outros mendigos na cidade acham Fabiana esquisita. Até mesmo a mendiga Renata, conhecida por querer ficar nas ruas e defender os direitos dos moradores de rua preferirem morar nas ruas, não acha legal a atitude de Fabiana, visto que ela tem três filhos. Fabiana já foi aconselhada a enviar os dois filhos mais novos para uma escola ou abrigo, mas ela não quer, e eles também não querem sair de perto da mãe. 

Conta-se em Lagoa da Italianinha que Fabiana não quer voltar para seu país por ter uma péssima relação com seus familiares, e alguns dizem que ela é meio "louca". A venezuelana anda chamando muita atenção na cidade...

A teimosia de Rita de Cássia de não querer sair das ruas

 

Dentre todos os mendigos em Lagoa da Italianinha que se recusam a sair das ruas, Rita de Cássia é a mais teimosa nesse sentido. Já se aproximando dos 44 anos de idade, Rita tem uma mente de menina de cinco anos e carrega uma boneca, a quem deu nome de Dalila, e ocasionalmente, usa uma chupeta. 

Embora já tenha recebido algumas propostas para sair das ruas, ela tem se recusado. Rita diz:

- Não quero viver debaixo de nenhum teto, estou há anos nas ruas e não pretendo sair das ruas. 

Como Rita vive nas ruas desde que realmente era uma criança, há muitas especulações sobre de qual família ela seria, mas ela mesma se recusa a falar. Há quem diga que ela é do Alto do Cruzeiro, comunidade pobre da cidade, mas que ela teria sido abandonada pelos pais. Já há quem diga que ela seria até mesmo de uma família rica, mas que ela teria fugido ou sido abandonada. Os mistérios permanecem. 

A recusa de Rita de Cássia em sair das ruas provoca reações diferentes: há quem a chame de "ingrata", já que ela se recusa a ser ajudada, há quem entenda a posição dela e a respeite, a exemplo da hippie Malu e da cantora Wiviane, que costumam lhe levar comida. 

Alguns na cidade até acham bom Rita querer ficar nas ruas, pois como ela tem mente de criança, alguns imaginariam como ela viveria sozinha em uma casa? Rita diz não ter família, somente a boneca Dalila, a quem chama de "filha". 

Rita de Cássia perambula pelas ruas centrais da cidade com sua boneca, costuma tomar banho no chafariz ou no posto de gasolina, de roupa e tudo, mas gosta também de se divertir no rio e até na lama. Ela quase nunca usa banheiro, pois faz xixi e cocô nas calças, provocando muitas situações embaraçosas com esses seus atos. É uma das mendigas que não aceita um calçado, gosta de viver descalça sempre. Sua maior inimiga é a mendiga chique Warlla, com quem tem vários atritos, além da malvada publicitária Wéllia, a irmã gêmea de Malu. 

Mas Rita ainda é conhecida por sua força descomunal, pois na cidade, se conta que ela já teria pego em peso sem reclamar e até batido em alguns marmanjos que tentaram roubar sua boneca. Na cidade, a mendiga é tida como folclórica. 

sábado, 4 de abril de 2026

Manuel deseja visitar Lagoa da Italianinha


Filho de José Maria e da cantora portuguesa Mary Dee, seu Manuel, agora com 96 anos, ainda pensa em visitar a cidade brasileira onde sua mãe viveu até o fim de sua vida. Manuel nasceu em Portugal em 1929, mas ainda pequeno, com seu pai preso, foi com sua mãe para o interior de Pernambuco, onde hoje está a cidade de Lagoa da Italianinha. Lá, se casou e nasceu Fátima, sua filha. Depois que a mãe morreu, Manuel voltou para Porto, onde vive até hoje com sua filha Fátima, que já é viúva, assim como ele. 

Manuel, passeando por Porto com sua filha, disse:

- Quero ir visitar Lagoa da Italianinha, ver lá como estão meus sobrinhos que são descendentes da minha mãe Mary Dee...

- Mas, pai, tais muito cansado...

- Não, filha. Minha saúde tá muito boa. Eu quero ir pra lá, eu soube que tem uma sobrinha minha morando nas ruas, uma tal de Deza, e ainda tem outras sobrinhas bem de vida, uma bem maluquinha chamada Débora, uma Luciana que tem hospedaria, uma Paula que tem um restaurante, uma Mimi que é careca e que foi candidata a prefeita e um Caio, que fiquei sabendo que tá namorando uma italiana.

- Nossa, pai. 

- E também quero ver os túmulos dos meus pais, dos seus avós, pois eles foram sepultados lá. 

- Tá bem, pai, verei uma forma da gente ir ao Brasil fazer uma visita a Lagoa da Italianinha. 

Suely perde uma amizade por conta de seu visual


 Num certo sábado, a juíza Suely foi a uma festa em Nova Humaitá, na casa de uma amiga advogada dos tempos de colégio. Mas ela ficou surpresa ao ver o visual de Suely: careca e descalça. 

A mulher disse:

- Suely, quando me contaram, não acreditei? Por que raios tu raspasse a cabeça, sua doida?

- Eu sempre quis ser careca, sempre amei esse estilo. 

- E tu tá descalça, mulher, tem medo de micróbio, não? Poderia ter vindo de sapatos. 

- Não uso calçado há muito tempo por que eu me sinto bem de pés no chão. 

- Suely, vai por mim, tu fica mais bonita com cabelos e sapatos, querida. Ainda mais a senhora que é juíza, fica muito feio. 

- Sinto muito, seu contexto de beleza é diferente do meu. A beleza consiste na pessoa ser autêntica. 

- Suely, sinto muito, as pessoas na festa estão te olhando. 

- Eu entendi, você quer que eu vá embora. Vou voltar agora pra Lagoa da Italianinha, e não se preocupe, não entrarei mais em contato com você. Eu quero ser amiga das pessoas que me aceitam como eu sou, ok? Boa noite. 

Suely pegou seu carro e voltou para Lagoa da Italianinha. Ela ficou triste com o fim da amizade, mas não queria mudar seu estilo. 

Malu encontra Wéllia em estado deplorável

 

Numa certa noite, a hippie Malu recebeu uma ligação de sua mãe Selma, que preocupada, disse que Wéllia não estava mais dormindo em casa. Selma até pensou que Wéllia estivesse dormindo em seu próprio escritório, mas nem lá ela estava. 

Malu saiu procurando por sua irmã gêmea e encontrou-a deitada em uma calçada, toda suja, cheirando mal e falando palavras misturadas. Malu disse:

- O que aconteceu com você, Wéllia?????? 

- Maria Luísa, o que tu quer aqui? Não basta tomar meu namorado?

- Para com isso, todo mundo sabe em Lagoa da Italianinha que Vinícius me ama. 

- Nada disso, ele me ama, ele só está com você porque tu se parece comigo. 

- Olha, Wéllia, volte pra casa, nossa mãe tá preocupada...

- Me deixa. 

Malu disse:

- Wéllia, tu fala mal dos mendigos, disse que odeia pobre e fala mal de quem anda descalço, e tu está descalça, o que está acontecendo? Tu tá toda suja, cagasse nas calças de novo e...

- Já disse pra dar o fora, me deixa em paz! Ou não respondo por mim! 

Malu se assustou, pois Wéllia estava agressiva. Malu foi na casa de sua mãe e avisou à ela:

- Mãe, Wéllia tá dormindo na rua. 

- De novo????

Alice, a filha de Wéllia, escutou e disse:

- Mãe dormindo na rua?????

Selma disse:

- Wéllia tá com um estresse elevado, e ela quando tem esses ataques, dorme na rua, fica suja, fedida e até descalça. 

- Puxa, isso na cidade vai ficar mal-falado, ela é publicitária famosa... - disse Malu. 

- Pois é. Deixe Wéllia lá. É preferível que ela fique na rua, nesse estado... vai que ela tivesse aqui. Poderia atacar a gente. 

Malu ficou assustada. Quando ia voltando para sua casa, passou pelo mesmo local e viu Wéllia dormindo na calçada. 

A loucura de Deza

  Depois de passar a noite dormindo numa rua próxima à rodoviária, a mendiga Deza foi perambular no Terminal Rodoviário em Lagoa da Italiani...