Depois de passar a noite dormindo numa rua próxima à rodoviária, a mendiga Deza foi perambular no Terminal Rodoviário em Lagoa da Italianinha. Seu aspecto triste, bastante suja e exalando um mau cheiro incomodava os que ali estavam.
Alguns a olhavam com pena, outros com ironia e com ar de graça. Ela falava sozinha, e dizia:
- Lá na minha casa, não vejo essas caras...
Mas a casa de Deza são as ruas, pois ela não tem casa, e vive nas ruas desde 1987. Foi a primeira moradora de rua na cidade.
Deza perambulava caminhando pela rodoviária, e dizia:
- Eu sou Andrezza Moura, neta da portuguesa Mary Dee, tia de Luciana, Mimi, Débora, Caio e Paula, um bocado de ingratos. Não quero nem notícias dessa gente. Cambada de gente ruim!
Paula, que tem um restaurante na cidade, já havia falado sobre sua suposta tia, e disse que Deza não quer ajuda. A relação de Deza com sua suposta família é péssima. Mimi ficou triste quando foi chamada de "ingrata" por Deza, já que ela costuma oferecer para ela comida na sua barraca de feira gratuitamente.
Assim como alguns outros mendigos, Deza também se recusa a sair das ruas. Alguns acreditam que ela tem sérios transtornos de loucura.






