segunda-feira, 2 de março de 2026

Warlla é questionada por Quitéria


Numa certa manhã, Warlla, a "mendiga chique", apareceu na lanchonete de Quitéria, no Pátio Verona. Diferente do costume, que ela gosta de perturbar, ela pediu apenas um café e um cigarro, e pagou com o trocado que tinha. 

Em dado momento, Quitéria disse:

- Warlla, me permite lhe fazer uma pergunta?

- Faça. 

- Grande parte das pessoas que vivem nas ruas aqui de Lagoa da Italianinha, não têm família. Mas você tem família, inclusive, vivendo lá em Caruaru. Você mesma vivia com eles até 2022 aqui, e eu não consigo entender porque tu não os procura. Viver na rua é muito ruim. 

- Simplesmente eu não os procuro porque eles me odeiam. Mas é recíproco. Eu também os odeio. 

- Não fala isso, Warlla. Seus pais e seus irmãos...

- Eu não quero saber deles. Eles me abandonaram quando virei mendiga, portanto não tenho o menor interesse em estar com eles. Eu prefiro passar o resto da minha vida dormindo na rua do que estar com essa gente. 

- Warlla, você é muito... diferente. Você usa uma roupa parecendo madame, os outros mendigos não gostam de você, e você ainda carrega um ar de superiodade assim mesmo. Ao mesmo tempo que tu leva essa vida, tu tem um modo de ser incompatível com a vida que tu leva. Vida essa que mesmo você podendo sair dela, não quer sair. 

- É... eu perdi tudo, mas não a pose. E quero continuar assim. 

Quitéria disse:

- Sabe o que acho? Tu é muito estranha, tu precisa de um tratamento psiquiátrico. 

Warlla riu e disse:

- Pense como quiser, enxerida. Agora, com licença. 

Warlla se retirou, e Quitéria disse:

- Essa é problemática mesmo... detestada pela família, pelos ricos, pelos pobres, pelos mendigos...

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