segunda-feira, 9 de março de 2026

O preço da inveja


Nos anos 30, em Vila Dourada, a família Villegagnon, principal família da cidade, enfrentava conflitos internos. Duas dos sete filhos do casal Jorge e Joana praticamente se estranhavam com frequência. Dalva, a quarta filha, sempre nutriu inveja de Francielly, a sexta filha. Em Vila Dourada, Francielly era chamada de "a princesinha", o que deixava Dalva ainda mais irada, pois sabia que ela era a preferida do pai. 

Porém, tudo mudou quando foi descoberto que Francielly mantinha encontros secretos com o motorista da mansão, Leandro, o que levou Jorge a expulsar ele e a filha de casa, sob forte apoio de Dalva. Franciely foi deserdada e saiu de Vila Dourada, onde era tratada como prostituta, indo morar no sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha. 

Francielly morreu numa queda de cavalo em 1935, deixando seu marido Leandro e seu filho pequeno Augusto, futuro prefeito de Lagoa da Italianinha. Jorge se recusou a ir no velório da filha e ainda proibiu que a sua esposa e os outros filhos fossem. Apenas Estêvão, Gustavo e a adotada Helena desafiaram a proibição e compareceram lá. 

Anos mais tarde, Augusto, já adulto, por vingança contra a família de sua mãe, ajudou a emancipar Lagoa da Italianinha de Vila Dourada em 1963, tornando-se no dia 31 de maio de 1964 o primeiro prefeito eleito da história da nova cidade. 

Dalva, por sua vez, quando já estava idosa, com 80 anos, em 1976, começou a ter alucinações, recebendo em sua casa uma ser maligna, Ana Rowena, que tinha cheiro de cinzas e era queimada pelo fogo, avisando que a "hora dela prestar contas estava chegando". Dalva, nessa época, dizia que matou Francielly envenenando o cavalo dela. Na época da morte de Francielly, nem se cogitou tal coisa. 

Em 1976, Dalva foi encontrada morta, e a suspeita era de suicídio. Os últimos anos de Dalva foram marcados por uma série de tormentos e muitas alucinações. Acredita-se que ela estava pagando um alto preço por ter tido uma inveja mortal contra sua irmã mais nova. 

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