O pai dela não queria nem saber dela, e nem sabia que sua esposa havia levado marmita para Priscila. Ela comia com vontade, pois estava com muita fome, e depois tomou a cajuína. A mãe chegou para ela e disse:
- Filha, porque tu não sai dessa vida?
- Não, mãe, estou acostumada.
- Mas, filha, é muito perigo. Tu faz coisas erradas, seu pai e eu...
- Meu pai não gosta de mim, nem quer ver minha cara. E desculpe, mas estou aqui porque eu escolhi.
- Tá bom.. vou te trazer umas roupas, uns chinelos... tu quer?
- Chinelos nem consigo usar, me acostumei a ficar descalça, mas roupas, pode ser...
- Está bem...
Mesmo triste, ela beijou sua filha e pegando a marmita vazia e a garrafa de cajuína, voltou para sua casa. Priscila queria ficar nas ruas por se sentir livre, e estava cega pela revolta contra outras pessoas, incluindo sua própria família.

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