Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, é famosa por ter sido fundada por italianos. Entretanto, existem duas outras colônia minoritárias de estrangeiros na cidade, que também exercem influência cultural. E em 1936, as duas representantes dessas duas colônias se tornaram amigas inseparáveis.
Nessa época, a artista plástica judia alemã Inalda pintou um quadro da cantora portuguesa Mary Dee. Inalda já morava ali desde 1915, quando deixou a Alemanha por conta da Primeira Guerra Mundial. Já Mary Dee tinha chegado ali recentemente com os italianos, tendo deixado Portugal por conta da ditadura salazarista.
E ambas escolheram um pequeno sítio do agreste de Pernambuco para recomeçar suas vidas. Inalda, naquela tarde, pintou um quadro de Mary Dee, que ficou encantada com o resultado. Ambas eram artistas, pois Inalda pintava quadros e Mary Dee cantava. Eram próximas até na idade: Inalda nascera em 1895 e tinha 41 anos na época, e Mary Dee nasceu em 1899 e tinha 37 anos.
Inalda disse:
- Gostou do quadro?
- Ameeeeii, fiquei encantada. Muito obrigada! - respondeu Mary Dee, abraçando a pintora.
Anos mais tarde, essas duas amigas seriam responsáveis por lançar sementes de outras culturas em uma cidade dominada pela cultura nordestina, onde estava situada, e pela cultura italiana, dos fundadores oficiais da cidade. Os descendentes de Inalda preservam a cultura germânica, e os descendentes de Mary Dee preservam a cultura lusitana., e tentam divulgá-las nesse universo multicultural que a cidade oferece.
Taline e Teane, irmãs gêmeas e bisnetas de Inalda, tentam abrir um museu na casa onde Inalda morou, e a ex-candidata a prefeita Mimi, bisneta de Mary Dee, tem lutado para abrir um museu em homenagem à Mary Dee, que já batiza um bairro e um hospital, inclusive.

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