Numa certa tarde, Wiviane foi chamada por sua irmã mais velha, a vereadora Jane ao escritório, e Jane disse para ela:
- Wiviane, precisamos conversar sério? Até quando tu vai viver dessa forma?
- Que forma?
- Fica por aí feito maloqueira com esse violão na mão, andando com mendigos e ainda arrumando briga com aquela louca da Fabíola. Tu já tem 45 anos e precisa tomar juízo, mulher.
- Eu gosto do que eu faço, eu nasci pra ser cantora.
- Ah, pense como é bom ser cantora. Ganha muito dinheiro.
Wiviane disse:
- Eu detesto essas coisas de política, é só roubalheira e encheção de saco.
- Wiviane, tu tem ideias de esquerda, tu mesma disse que defende socialismo, e olha isso. A gente te sustentando e tu...
- Epa, Jane. Ninguém me sustenta, não. Eu consigo viver da minha arte.
- Não seja boba, eu te convidei pra ser minha assessora, trabalhar comigo, e tu não quer me ajudar.
- Jane, eu odeio o nepotismo, eu não quero ser sua assessora porque tu é minha irmã, se o Ministério Público e a juíza Suely caem de cima da gente, tu pode até perder o mandato, querida.
- Chega. Ou tu toma juízo, larga esse violão e essa vida artística, ou pode procurar outro lugar pra morar.
- Tem problema, não. Se tiver que ir pra rua, eu vou.
- Você ficou louca?
- Não, eu só não quero ser forçada a ser quem não quero ser. Eu não tenho vocação pra ser madame de vestido elegante e sapatos caros, eu quero ser assim maloqueira, de chinelos e de roupa rasgada, e com meu violão cantando por aí. Fui!
Wiviane saiu, e Jane dizia:
- Essa Wiviane ainda vai me dar dor de cabeça...

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