Numa certa tarde, em Nova Humaitá, no agreste de Pernambuco, o jovem Benjamim recebeu sua amiga, Branquinha, que viera de Lagoa da Italianinha a trabalho. Ela disse:
- Está gostando daqui?
- Tô, sim, mas te confesso que desisti da política aqui...
- Mas porque?
Benjamim disse:
- Aqui tem uma polarização, direita contra esquerda, isso há anos, uma terceira via aqui não consegue ter vez.
- Ué, mas você tem que entrar, ser uma nova opção pra essa gente.
- Mas tem um problema, Branquinha. Alguns anos atrás, um coronel mandou chamar um filho e um sobrinho, e mandou o filho pra um partido de direita e um sobrinho para um partido de esquerda, aí nasceu essa rivalidade falsa, pois eles fingiram que brigavam. E o povo daqui segue até hoje o partido de um ou o partido do outro.
- Ué, o povo sabendo disso, ainda mantém isso?
- Mas existem vantagens nisso tudo, querida. E essa polarização fez muito mal à essa cidade, somos a menor das quatro aqui das redondezas. Vila Dourada, Serra Grande e principalmente, a tua cidade, Lagoa da Italianinha, onde lá só o bairro Mary Dee é maior do que toda a cidade aqui.
- É ruim... isso tá acontecendo até a nível de Brasil.
- É verdade, isso tudo me entristece. Ver o povo dessa cidade comendo corda de uma farsa montada por um astuto coronel que conseguiu dividir o povo e garantir seu poder, pois independente do lado eleito, ele sempre estava ganhando com isso. Ele morreu há anos, mas a família dele ainda goza dessa benesse, mandando uns para direita, outros para esquerda, e eles, só luxando e com casas longe daqui, tem até comércio grande lá em Lagoa da Italianinha.
- Nada disso é eterno, um dia isso pode ser quebrado.

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