sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Inalda e suas tradições


No ano de 1940, a pintora alemã Inalda fez 45 anos de idade morando no interior de Pernambuco, no sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha. Apesar da cidade preservar muito a cultura italiana por conta de seus fundadores, foi Inalda a primeira estrangeira a residir ali. Ela foi morar no sítio do agreste de Pernambuco, que na época, pertencia a Vila Dourada, com apenas 20 anos de idade, em 1915, vinte anos antes da chegada dos imigrantes italianos e portugueses. 

Inalda, mesmo morando em uma região altamente católica, preservou sua tradição judaica. Uma das razões de ter escolhido Pernambuco como seu lar é porque em Recife localizava-se a primeira sinagoga do continente americano. 

Ela lia a Torá diariamente e preservava suas raízes, já que ela também era filha de judeus. Sofreu muitos preconceitos principalmente por parte da beata Lady Andréia, católica roxa e que passou parte de sua vida perseguindo Inalda. Durante a guerra, Lady Andréia chegou a denunciar Inalda, pois ela era de um dos países do Eixo - Alemanha - o que levou Inalda, duas famílias italianas e uma humilde família japonesa que residia em Vila Dourada ter seus rádios confiscados. Inalda também ensinava sua arte, tendo sido Maria Clara, uma humilde camponesa, uma de suas alunas. 

Inalda ainda sofria muito pelos judeus que viviam sendo perseguidos pela ditadura alemã. Ela havia escapado porque já morava no Brasil há anos, mas se preocupava com sua prima Danielly e suas amigas Lucélia, Stella e Alessandra, sendo que esta última não era judia, e sim, comunista. 

Apenas Stella morreu no período, mas as outras conseguiram sobreviver. Lucélia foi para Israel, Danielly para Pernambuco, viver junto com Inalda e Alessandra foi para Alagoas. 

Inalda sempre foi muito querida em Lagoa da Italianinha, e hoje suas bisnetas Taline e Teane tentam abrir um museu na casa onde Inalda morou. 

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