terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Alvanir visita amiga depressiva


Numa certa noite no ano de 1865, numa casa grande em Fortaleza, a jovem abolicionista Alvanir - que viria a ser mãe de Mônica, avó de Antônio Neto e tataravó de Valdenes -, foi visitar sua amiga Sophia, que sofria de depressão profunda desde a morte do seu noivo amado Michael, que morreu em uma queda de cavalo em 1862, apenas três anos antes. 

Alvanir disse:

- Sophia, você tão jovem e tão bonita, eu fico triste tem te ver assim, por favor, reaja. 

- Não tenho mais vontade de viver, Alvanir. Desde que Michael morreu eu não quero mais viver. Principalmente depois do que eu descobri. 

- Descobriu o que?

- Foi minha mãe Tereza quem mandou envenenar o cavalo pra ele cair e morrer. 

Alvanir ficou assustada e disse:

- Sophia, isso é muito grave. 

- Mas eu estou sabendo de tudo. Minha própria mãe fez essa monstruosidade comigo. 

Naquela hora, estavam em casa Raul e Tereza, os pais de Sophia, e Mauro, o irmão mais velho dela, que por sinal, era apaixonado por Alvanir. Em dado momento, quando Alvanir ia embora, Tereza disse:

- Minha filha falou alguma coisa?

- Olha, essa conversa é pessoal...

- Ela por acaso disse que eu mandei matar o moço que ela gostava? 

- Disse. 

- Loucura dela. Eu nunca faria isso. Mas claro, Sophia, um estrupício desses, só pode falar besteira, mesmo. 

- Não diga assim, dona Tereza. Ela é sua filha. 

- Infelizmente. 

- Devido a esse seu comportamento, eu sou obrigada a acreditar que a senhora realmente tem algo a ver com a morte do Michael. 

- Se tu não fosse filha do barão Almir, tu ia ouvir uma resposta agora, sua insolente. E tu está proibida de pisar aqui. 

Raul e Mauro escutaram a conversa, e Raul disse:

- Nada disso,  Alvanir é a melhor amiga da nossa filha. Ela fica vindo pra cá. 

- É uma insolente. 

Mauro disse:

- Chega, mãe. Deixe Alvanir em paz.

Tereza ficou calada e Alvanir voltou para sua casa, arrasada pela forma como Sophia era tratada pela sua própria mãe. 

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