Numa certa noite no ano de 1865, numa casa grande em Fortaleza, a jovem abolicionista Alvanir - que viria a ser mãe de Mônica, avó de Antônio Neto e tataravó de Valdenes -, foi visitar sua amiga Sophia, que sofria de depressão profunda desde a morte do seu noivo amado Michael, que morreu em uma queda de cavalo em 1862, apenas três anos antes.
Alvanir disse:
- Sophia, você tão jovem e tão bonita, eu fico triste tem te ver assim, por favor, reaja.
- Não tenho mais vontade de viver, Alvanir. Desde que Michael morreu eu não quero mais viver. Principalmente depois do que eu descobri.
- Descobriu o que?
- Foi minha mãe Tereza quem mandou envenenar o cavalo pra ele cair e morrer.
Alvanir ficou assustada e disse:
- Sophia, isso é muito grave.
- Mas eu estou sabendo de tudo. Minha própria mãe fez essa monstruosidade comigo.
Naquela hora, estavam em casa Raul e Tereza, os pais de Sophia, e Mauro, o irmão mais velho dela, que por sinal, era apaixonado por Alvanir. Em dado momento, quando Alvanir ia embora, Tereza disse:
- Minha filha falou alguma coisa?
- Olha, essa conversa é pessoal...
- Ela por acaso disse que eu mandei matar o moço que ela gostava?
- Disse.
- Loucura dela. Eu nunca faria isso. Mas claro, Sophia, um estrupício desses, só pode falar besteira, mesmo.
- Não diga assim, dona Tereza. Ela é sua filha.
- Infelizmente.
- Devido a esse seu comportamento, eu sou obrigada a acreditar que a senhora realmente tem algo a ver com a morte do Michael.
- Se tu não fosse filha do barão Almir, tu ia ouvir uma resposta agora, sua insolente. E tu está proibida de pisar aqui.
Raul e Mauro escutaram a conversa, e Raul disse:
- Nada disso, Alvanir é a melhor amiga da nossa filha. Ela fica vindo pra cá.
- É uma insolente.
Mauro disse:
- Chega, mãe. Deixe Alvanir em paz.
Tereza ficou calada e Alvanir voltou para sua casa, arrasada pela forma como Sophia era tratada pela sua própria mãe.

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