- Ei, quero falar com você.
Malu ficou um pouco assustada, pois sabia da fama de Priscila em cometer roubos. Priscila disse:
- Precisa se assustar, não, só quero falar contigo. Eu vim em paz.
- Fala, Priscila.
- Tu pode fazer um favor pra mim?
- Depende.
Priscila pegou uma foto e deu à Malu, dizendo:
- Guarde essa foto.
Malu pegou a foto e disse, surpresa:
- Ué, mas são seus pais... e esse bebê?
- Esse bebê era eu.
- Mas porque tu quer que eu guarde essa foto pra mim, Priscila?
Priscila respondeu:
- Porque meus pais jogaram no mato. Eu soube, eu procurei, por isso, eu estou aqui nesse setor que eu evito aparecer.
Malu disse:
- Priscila, pensa comigo... eles devem estar tristes em te ver nas ruas, na vida errada... tu acha que...?
- Malu, tu só sabe da versão deles, mas eu fui expulsa de casa, escorraçada a pontapés. Eu estou nas ruas porque assim eles quiseram!
- Porque tu não tenta volta pra casa?
- Não quero, já me acostumei com as ruas, mesmo. Pelo menos, sou livre pra fazer o que eu quiser!
- Priscila, tu é nova e bonita, tu podia sair dessa vida errada, tu ia conseguir tanta coisa.
- Pra que? Não tenho o menor interesse. Olha, eu estou te dando essa foto porque não gosto de rasgar fotos, e nem meus pais querem e nem eu quero.
- Tudo bem, vou guardar. Mas pensa no que eu disse.
- Não. Minha vida é essa e acabou. E obrigada por cumprir meu favor. Olha, vou falar com uns parceiros aí pra não mexerem com você, te preocupa, não.
- Priscila, tu quer lanchar?
- Quero...
- Vai lá na lanchonete de Quitéria...
- Quitéria me expulsou da lanchonete dela.
- Priscila, ela é minha amiga, pode ir lá. Vai lá lanchar, eu pago. Eu vou falar aqui agora com ela pra que ela saiba e vou passar o pix pra ela. Pode ir. Agora, se comporte lá, viu?
- Tá certo...
Priscila saiu dali e foi à lanchonete de Quitéria. Malu pagou o lanche pelo pix.

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