Rafaela dizia aos que ali estavam:
- Se bem soubessem o quanto é bom estar aqui, e não na agitação urbana...
- Verdade - disse Danielle. - eu vim pra cá e nunca me arrependi.
Diana, a mais velha, que já tinha uns 50 anos, disse:
- Rafaela, bendito dia que tu me chamou pra cá, eu me sentia sozinha e minha família nunca ligou pra mim.
- Verdade, dona Diana - disse Eduardo.
Lulu, por sua vez, não falava. Rafaela disse:
- Eu ainda quero povoar esse paraíso com mais pessoas. Temos que libertar as pessoas da agitação urbana e conectar com a natureza.
- Só sinto falta de Adriana conosco - disse Danielle.
- Adriana está num chalé aqui perto, ela teve que ir por questões de saúde, e eu entendo - disse Rafaela.
A vida deles tinha regras. Nada de celular, nada de comer carnes, apenas comer verduras, frutas ou comidas que não contivessem carne - eram vegetarianos -. Visitar a cidade, só três vezes na semana, quando seria permitido o contato com familiares, pessoalmente ou pelo celular de alguém. Notícias, nem pensar, principalmente política. A partir do dia que Adriana passou a morar no chalé, foi permitido que eles pudessem passar a noite nesse chalé em caso de chuva muito forte. Como não tem cama para todos, eles dormem no chão, que é exatamente outra regra deles, sempre dormir no chão.
Rafaela, que exerce uma certa liderança, criou essas regras, que são seguidas à risca pelos outros. A quebra de uma delas não resulta em expulsão, mas apenas em advertência. A exclusão da comunidade selvagem acontece apenas em caso de traição ou algum crime. Danielle é uma espécie de "número 2", ou vice-líder no grupo, pronta para liderar se Rafaela estiver ausente.

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