sábado, 4 de abril de 2026

Branquinha e Valdenes encontram Guilherme e Andreza

 

Numa certa noite de sábado, Branquinha e Valdenes andavam pelas ruas, e Valdenes disse:

- Bora ver meu irmão Guilherme, aquele que eu te disse que mora nas ruas? Nunca mais o vi. 

- Certo, vamos, amigo. 

- Ele deve estar com Andreza, aquela que eu disse que foi modelo lá em Caruaru. 

- Tu já tentou falar com ele pra ele sair das ruas????

- Muito, muito, mas ele só quer ficar nas ruas, e do lado de Andreza, que também não quer sair das ruas. Ele é afim dela, mas ela não quer ele pra casamento, só gosta dele como irmão. 

Os dois viram que os mendigos Guilherme e Andreza estavam juntos em uma praça. Valdenes disse:

- Guilherme, como tu está?

- Estou bem. 

- Eu soube que tu esteve fora. 

- Sim, mas voltei. 

Valdenes disse para Branquinha:

- Essa é Andreza, a mulher que eu te disse:

- Andreza???? É a que foi modelo em Caruaru? - disse Branquinha. 

- Sim. 

Andreza disse:

- Não gosto nem de lembrar que fui modelo. 

Valdenes disse ao Guilherme:

- Guilherme, eu tenho sapatos lá em casa, vou te trazer amanhã, como tu sabe, eu não gosto de usar calçados, né? 

- Verdade, irmão. Pode me trazer. 

- Bom, a gente vai indo. Boa noite, e se cuidem. 

Branquinha e Valdenes se retiraram, e Guilherme e Andreza se deitaram na praça. Branquinha disse:

- Credo, Valdenes, aquela mulher fede demais, eu tava sentindo uma catinga...

- Ela perdeu o amor próprio depois de tudo que aconteceu com ela. Ela foi roubada e perdeu tudo. 

- Mas eu não acredito que ela tenha sido modelo. Ela é muito feia. Eu quase ia dizendo isso, mas vai que ela se ofendesse...

- Ofende, nada, ela adora ser chamada de feia. 

- Sério??? Não é possível. 

- Pois é, ela conseguiu se auto-destruir. 

- Quantos anos ela tem, Valdenes? Sabe dizer?

- 48 anos. 

- Mas ela parece ter mais de 60 anos, ela tá realmente só o pó. 

Enquanto isso, Andreza perguntou ao Guilherme:

- Aquela lá é namorada do seu irmão?

- Não, ela não namora com ele, ela é feito você, não quer casar. 

- Eita, muito bacana. Uma mulher inteligente. 

Guilherme disse:

- Vocês mulheres pensam que todos os homens são iguais, mas não é assim, não. Nem eu nem meu irmão somos iguais ao safado que te roubou. 

- Se tu fosse igual a ele, eu não queria nem estar perto de tu, criatura. 

- Tá bom. 

Andreza disse:

- Guilherme, sabe o que acho engraçado de tu e teu irmão?

- O que?

- Ele saiu das ruas e tem casa, mas ele vive descalço, enquanto tu que mora nas ruas, usa sapatos, imagina...

- É, meu irmão tem isso, mesmo, ele só quer viver descalço, eu não aguento. 

- Nem eu. Eu vivo nas ruas, mas só vivo de sapatos, não tiro nem pra banho nem pra dormir. - disse Andreza.


Claudinha ora agradecendo no dia do seu aniversário


Mesmo morando nas ruas, Claudinha é conhecida por ser uma jovem resignada, e ela costuma agradecer muito em suas orações, mais do que pedir. 

Claudinha, certa noite, estava agradecendo por mais um ano: era seu aniversário. Mesmo estando só ela nunca se achava sozinha. 

Claudinha agradeceu por não lhe faltar nada, mesmo estando sem teto e vivendo nas ruas. E por alguns amigos que sempre a ajudavam. 

Depois da oração, Claudinha chegou a receber uma marmita de Quitéria, a dona da lanchonete do Pátio Verona. 


Giovanna enfrenta sua tia Ilene


Em Lagoa da Italianinha, a prefeita Giovanna Victórya mandou chamar sua tia Ilene, que é secretária de Turismo, para uma "conversa séria". 

Ilene disse:

- Meus parabéns, minha sobrinha, por assumir a Prefeitura...

- Obrigada, tia, mas agora, passou e temos que trabalhar. Eu estive vendo umas contas da Secretaria de Turismo e elas não estão batendo. E recebi uma denúncia anônima de que a senhora estaria desviando verbas da secretaria para sua empresa, sua agência de modelos. 

Ilene disse:

- Mas isso é um absurdo, como minha própria sobrinha pode me acusar disso?

- Eu não estou acusando, estou lhe questionando. 

- Giovanna, sua mãe Myllena não vai gostar do que você tá fazendo. 

- Minha mãe está em busca de ser deputada estadual, e ela confia em mim e me deu carta branca. Portanto, tia Ilene, é verdade essa denúncia?

- Mas é claro que não! 

Giovanna disse, com ar áspero: 

- Acho bom. Pois eu não admito conchavos políticos e muito menos corrupção. Eu vivi na Alemanha e na Áustria, dois países que são exemplos na política, e eu não pretendo seguir o modelo daqui que só tem atrasado nosso país. 

- Giovanna, minha sobrinha querida, você não está na Alemanha, nem na Áustria, você está no Brasil. 

- Eu sei, obrigada pelo conselho. Mas vou investigar essa história. Se eu descobrir que a senhora tá fazendo isso, vou te exonerar, não me interessa se tu é minha tia ou não. 

Ilene saiu dali, irritada, e Giovanna ficou no gabinete assinando papéis. Ilene chegou a ir pedir socorro para sua irmã, a ex-prefeita Myllena, mãe de Giovanna, que disse:

- Eu confio na Giovanna, ela é a prefeita. Você se vire com ela.

Mas nos bastidores, Myllena, antes de sair, tinha dito à Giovanna, que era a vice-prefeita ainda, que quando ela tomasse posse, executasse medidas para frear a ambição de Ilene.  

Rúbia e sua vida errada

 

Um certo dia, Rúbia foi tomar um café na lanchonete de Marlene, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, e conversou com a funcionária Deinha, que é amiga de infância. Rúbia, apesar de parecer uma mendiga, não mora nas ruas, e sim, em uma casinha, mas costuma pedir esmolas nas ruas. 

Em dado momento, Rúbia disse:

- Estou aqui cheia de grana no bolso, estou super fedida e suja, mas estou com grana. 

Deinha disse:

- Rúbia, porque tu não trabalha? Tu é tão jovem, querida. Arruma um trabalho. 

- Nada disso. Eu, pedindo esmolas para os bestas, ganho mais do que quem trabalha no comércio, querida. E depois, quem ia me aceitar pra trabalhar? Eu odeio tomar banho, e iam exigir isso de mim.

- Puxa, isso é trambicagem. 

- É nada, é esperteza. E você não pode dizer que não faço sacrifícios, eu faço, sim.

- Qual?

- Eu, por exemplo, odeio andar descalça, mas eu ando descalça para os otários sentirem mais pena de mim e me ajudarem. 

- Francamente, Rúbia, seus pais se envergonhariam dessa sua atitude. 

- Deinha, obrigada pelo café, toma o trocado, e vou agora pra casa lotérica, agora tá cheio de gente lá, vou pedir esmolas por lá. 

Rúbia saiu dali, e Deinha disse:

- Ainda bem que ela foi embora, eu não tava aguentando a catinga dela...

Myllena diz que vai continuar descalça se for eleita deputada estadual


Em Lagoa da Italianinha, a ex-prefeita Myllena já está conversando com comunidades para buscar apoios para sua campanha para deputada estadual. Ela esteve no Loteamento Maria Clara, onde conversou com alguns populares. Ela revelou todos seus programas de governo, mas quando ela liberou para perguntas, uma idosa levantou a mão, e Myllena disse:

- Tens alguma pergunta?

- Sim, filha... posso fazer uma pergunta... indiscreta?

- Bom, faça. 

A idosa disse:

- Se tu for eleita deputada estadual, tu vai continuar assim descalça?

Myllena riu e disse:

- Claro! Nem que eu fosse Presidente do Brasil eu deixaria de andar descalça, não tem quem me faça usar sapatos. 

- Mas e se lá na Assembleia for proibido?

- Mas vou lutar para acabar com a proibição, como consegui quando fui vereadora aqui na Câmara. Se eu não conseguir, não é possível que cassem meu mandato por isso, oxe. Mas vou participar de alguma forma. Mas não abro mão de andar descalça. 

As pessoas que estavam ali riram, e um deles disse:

- Vou votar na senhora, mesmo, mas tô pagando pra ver essa resenha. 

Helânia recebe sua filha Danúzia em Maceió

 

Np feriado da Páscoa, Danúzia saiu de Lagoa da Italianinha e foi passar o feriado em Maceió, onde nascera, e ficou com sua mãe Helânia. Em dado momento, as duas foram para uma praia, repleta de banhistas. Enquanto Helânia estava com seu traje de banho normal, Danúzia, como é de seu costume, estava com roupa normal e até de sapatos. Helânia disse:

- Não sei porque tu só toma banho vestida assim, até no chuveiro tu faz isso...

- Oxe, eu sou chique até debaixo da água, mãe. 

- Mas olha aí as pessoas estão olhando pra você e estranhando...

- Mande eles procurarem o que fazer, eu faço isso desde pequena, igual minha avó Jennifer, só tomo banho de roupa e tudo, e ninguém vai mudar meu jeito, não, mãe. 

- Tá bom, filha, a roupa e os sapatos são seus... tu poderia pelo menos tirar os sapatos, eles têm vida curta com você, porque tu toma banho até com sapatos...

- Bobagem, eu tenho muita grana e posso comprar quantos sapatos eu quiser. 

Danúzia deu um mergulho, e Helânia ria dela. 

Lagoa da Italianinha, uma cidade multicultural

 

Lagoa da Italianinha, por se localizar no agreste de Pernambuco, ter sido fundada por italianos e ter a presença de colônias alemã e portuguesa, acabou se tornando uma cidade multicultural. 

A imagem acima mostra a pernambucana professora Issa, a italiana Lanie, a alemã Inalda e a portuguesa Mary Dee, que viviam na década de 30, na época da fundação da cidade. 

A professora Issa ensinava em uma escola do sítio Maniçoba, atual Lagoa da Italianinha, que na época, fazia parte do vizinho município de Vila Dourada. Entre seus alunos, estiveram Antônio Neto, que viraria pracinha na guerra, e a pequena italiana Alycia. 

Já a italiana Lanie, mãe de Alycia, havia deixado a Itália, com seu marido e dois filhos, para fugirem da ditadura fascista, com outra família italiana, e escolheram o Nordeste para morar. 

A alemã Inalda, artista plástica e judia, já tinha chegado da Alemanha desde 1915, por conta da Primeira Guerra Mundial, e foi a primeira estrangeira a residir no sítio. 

A portuguesa Mary Dee deixou Portugal também por questões políticas, e chegou ali juntamente com os italianos. 

Anos mais tarde, em 1963, o sítio Maniçoba desmembrou-se de Vila Dourada, e virou Lagoa da Italianinha. Hoje, devido aos seus descendentes, a cidade respira lado a lado as culturas nordestina, italiana, alemã e portuguesa. 

As mendigas vilãs na madrugada

Num beco de noite em Lagoa da Italianinha, três vilãs de vidas destruídas. Warlla, conhecida como a "mendiga chique", Sandra e Pri...