Wedja bebendo, Valdenes desenhando, a mendiga Solange molhada porque tinha tomado banho no chafariz e Marlene tentando pôr ordem.
Wedja viu Solange molhada e apontou o dedo.
"Olha ela! Tomando banho no chafariz! Isso é falta de educação! Isso é coisa de..."
Solange sorriu, espremendo a blusa. "É coisa de quem tava com calor, minha filha. Quer um banho também? Tá de graça."
Wedja bufou e virou pro Valdenes. "E tu? Artista? Desenhando bêbada? Me desenha bonita!"
Chegou perto e derrubou o café de Valdenes com a bolsa.
O café preto espalhou no caderno dele. No chão. No pé dele.
Valdenes olhou pro café. Olhou pro desenho. Olhou pra Wedja.
Respirou fundo. "Pronto. Acabei de criar minha nova obra. Chama: 'Café Derramado Sobre a Hipocrisia'."
Wedja achou que era elogio. "É? Eu sou hipocrisia? Obrigada, lindo!"
Marlene bateu o rolo de massa no balcão. O barulho ecoou na rodoviária inteira.
Todo mundo parou.
"Solange, seca esse cabelo que tu vai gripar.
Valdenes, limpa esse café e vende esse desenho que tá bonito.
Wedja, senta ali e toma uma água. Bêbada não pega ônibus e não enche meu saco!"
Wedja fez biquinho. "Mas Marlene..."
"Mas nada! Ou tu senta ou eu te sirvo de pastel e tu paga dobrado."
Wedja sentou. Resmungando.
Solange pegou uma toalha que Marlene jogou pra ela.
Valdenes pegou outro copo de café. Olhou pra poça, pra Wedja bêbada, pra Solange pingando.
E começou a desenhar de novo.
10 minutos depois o ônibus chegou.
Valdenes mostrou o desenho pra todo mundo: era a rodoviária. Solange saindo do chafariz, Wedja de braço aberto bêbada, Marlene com o rolo na mão igual juíza.
No canto, ele mesmo, descalço, tomando café.
Vendeu o desenho pro motorista por 30 reais e um café.
Marlene gritou: "Próximo pastel com 50% de desconto pra quem se comportar!"
E Valdenes ficou na plataforma. Pé no chão. Desenhando o ônibus indo embora.
Depois da confusão, tudo normalizou. Valdenes levou Wedja pra casa dela, Solange foi perambular pelas ruas e Marlene foi cuidar de fechar sua lanchonete.

Nenhum comentário:
Postar um comentário