Na mansão da Danuzia, em Lagoa da Italianinha, o banheiro é do tamanho de uma sala. Banheira de mármore, espelho até o teto, torneira que solta água com cheiro de lavanda.
E lá dentro, na água, estava ela.
Danuzia. A vilã da cidade. Herdeira, empresária, invejada e temida.
Só que Danuzia não toma banho normal.
Ela tomava banho "completa".
Dentro da banheira: blusa social preta, paletó preto, saia preta, sapato salto alto preto. Tudo molhado, grudado no corpo. A água subindo até o pescoço.
Na porta, encostada, a tia. Ana Patrícia. Irmã do pai dela.
"Tia, chega mais", disse Danuzia, sem nem olhar. "Quero te mostrar uma coisa."
Ana Patrícia fez cara de nojo. "Filha, tu tá doida? Banho é pra tirar roupa. E tu com esse salto dentro d’água... vai escorregar."
Danuzia riu. Molhou a mão e jogou água no próprio paletó.
"Escorregar? Jamais. Eu sou chique até na água, tia. Eu só tomo banho assim."
Levantou um pouco na banheira. A saia boiou. O salto afundou e fez "ploc".
E aí ela puxou do pescoço.
Um colar de ouro. Grosso. Brilhando mesmo molhado. Pingente grande, com as iniciais D.B.
"Olha isso aqui, tia", ostentou, erguendo o colar pra luz. A água escorria pelo ouro. "Acabei de comprar. 80 mil. À vista."
Ana Patrícia arregalou os olhos. "Danuzia! 80 mil num colar?! E tu usando pra tomar banho?!"
"Claro", Danuzia encostou na borda da banheira, como quem posa pra foto. "Ouro não desbota, tia. E eu não tiro nunca. Nem pra dormir, nem pra trabalhar, nem pra... me limpar."
Girou o pescoço devagar. O colar fez barulho de riqueza.
"Sabe por quê? Porque gente como eu não pode aparecer sem nada. Se eu tirar o colar, as pessoas vão achar que eu tô quebrada."
Ana Patrícia balançou a cabeça. "Ostentação até dentro da banheira. O povo tá passando fome lá fora e tu aqui, de salto, lavando ouro."
Danuzia deu de ombros. Pegou o sabonete líquido e passou por cima da blusa social.
"Problema do povo, tia. O meu problema é manter o padrão. É chique, é poder, é isso que intimida."
Levantou. A água desceu pelo paletó. O salto fez barulho no mármore molhado.
Parou na frente do espelho, ainda pingando.
"Viu, tia? Até saindo do banho eu pareço capa de revista. Com ou sem água."
Danuzia ficou sozinha. Se olhou no espelho. Ajeitou o colar de ouro no pescoço molhado.
Sorriu.
*_Porque pra Danuzia, vilã não descansa.
Vilã ostenta. Até dentro da banheira._*
Quer que eu transforme isso em cena de novela, em crônica de humor ou em monólogo teatral da Danuzia?

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