sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Antônio Neto recebe o Café com Cultura


 Numa certa tarde, Eraldo, sua irmã Luana, e seus amigos Valdenes, Ana Karina e Branquinha, foram visitar Antônio Neto, o ex-pracinha da FEB e avô de Valdenes, que tinha 100 anos e estava morando com sua neta Suziana na mesma casa onde ele passou sua infância, que ficava no centro de Lagoa da Italianinha, em pleno agreste de Perambuco. Ele recebeu os cinco, e disse ao neto:

- Conheci Valdenes faz pouco tempo, gosto dele assim, descalço, igual eu sempre fui...

- Obrigado, vô. 

Eraldo disse:

- Nós somos do "Café com Cultura" aqui de Lagoa da Italianinha, e Valdenes me disse que o senhor foi um herói lutando lá na Itália.

- Sim, sim. Eu fui convocado com apenas 19 anos. Me recordo até hoje da minha mãe Mônica, chorando quando eu estava para ir pra Itália. Olhem, passei alguns meses lá, mas parece que foi uma eternidade. 

Luana disse:

- Mas o senhor como passou esses meses lá?

- Muito tensos. A gente não tinha hora pra comer, pra dormir... e perdi muitos companheiros nesse campo de batalha. A única coisa boa foi conhecer a bela italiana Roberta, sua avó, Valdenes. 

- Pena eu nem ter conhecido ela... eu morava nas ruas, nem sabia das minhas origens - disse Valdenes.

Ana Karina disse:

- Seu Antônio, o senhor sabia que temos um antepassado em comum? Seu avô, que se chamava Antônio, que se casou com Alvanir, ele era descendente de Gilmara, a escrava lá do Século XVIII. 

- É mesmo????

- Sim, minha antepassada Adriállina era prima de Antônio, seu avô. 

Branquinha disse:

- Quer dizer que Valdenes tem sangue italiano, indígena e africano, também. Muito interessante. 

- Eu nem sabia, tô sabendo agora porque Ana Karina falou - disse Valdenes. 

Antônio Neto disse:

- Nossa família é maior do que vocês pensam. Da minha tia Aline, por exemplo, saíram italianos, pois ela se casou e foi morar na Itália. O seu Jadiael, pai de Alycia, era neto dela. Já da minha outra tia, Aurineide, saiu a família, por exemplo, do Moab. 

Valdenes disse:

- Quer dizer que eu sou primo distante da Josiane, a filha do deputado?

- Sim... mas é distante. Branquinha, essa bela moça aí também é sua prima distante. 

Eraldo disse:

- Isso quer dizer que nós cinco aqui temos a mesma origem. Eu e Luana somos netos do italiano Moysés e de Naná, a tia-avó de Moab, que é o tio de Branquinha, vindo nós da linhagem de Aline e de Aurineide ao mesmo tempo. E Valdenes é seu neto direto, vindo da linhagem de Alvanir, e Ana Karina é descendente da mesma família de Antônio, que casou com Alvanir. 

- Pois é...

Conversaram ali muitas horas, e quando iam saindo, Antônio Neto disse:

- Nada disso, não vão embora sem almoçar. Minha neta Suziana preparou um almoço delicioso. 

Foram almoçar e depois se despediram e voltaram para o centro da cidade. 

Encontro tenso no restaurante

 

Num fim de tarde em Berlim, Waldo resolveu convidar Karola para um jantar. Karola, evidentemente, aceitou o convite. A cantora se sentia mais feliz por ver que finalmente o seu amado estava começando a se render para ela. 

Mas algo inesperado aconteceu: durante a estadia dos dois no restaurante, apareceu outro casal: Jordan e Margarete, a mulher de quem Waldo gostava. Jordan não era namorado de Margarete, mas ambos estavam conversando um com o outro na tentativa de atar um relacionamento. 

Karola, ao notar a presença de Margarete, ficou incomodada, pois achava que Waldo não lhe daria mais atenção. Mas Waldo disse:

- O que tu tem, Karola? 

- Tu viu quem está aí? 

- Sim, eu  vi, e daí? Olha, se tu quiser, a gente pode ir pra outro restaurante...

- Não, Waldo, podemos ficar aqui mesmo. Não podemos ficar brincando de esconde-esconde com ninguém. 

- Bom, você é quem sabe... 

Karola disse:

- E quem é esse rapaz que tá com ela? Namorado dela?

- Não sei, nem conheço ele. Mas, Karola, a gente veio jantar ou falar de... dela?

- Não, viemos jantar. 

- Então, pronto. 

Karola fez tais perguntas para testar Waldo, e ficou satisfeita ao ver que ele se mostrava forte. Enquanto isso, Jordan disse:

- Margarete, porque tu olha pra esse casal? 

- É casal, nada. Esse é o paspalho que fica atrás de mim. 

- Sério??? E tu gosta?

- Claro que não. 

- Então, deveria estar feliz em ver que parece que ele agora tem outra pessoa. 

- Uma coitada, sem dúvida. Não sei o que ela viu nesse maluco. 

Jordan disse:

- Margarete, eu não fico nem um pouco confortável em estar aqui jantando com você e observando esse rapaz que você alega que lhe incomoda. 

- Tá bom, quero ir pra outro restaurante. 

- Talvez, seja melhor. 

Jordan e Margarete saíram dali, pagando a conta do que já tinham comido e foram embora procurar outro restaurante. Karola disse:

- Parece que eles já foram embora...

- Deixe pra lá. 

Waldo e Karola conversavam mais um com o outro, de forma alegre. 

Fábia relembra sua infância

 

A solitária mendiga Fábia, depois de passar a noite dormindo em uma calçada, acordo e por ali ficou, observando de longe as pessoas que passavam. Curiosamente, ela nem pedia esmolas e nem falava nada, apenas observava as pessoas. 

Fábia estava pensativa, pois lembrava de sua família, quando vivia em uma casinha simples com seus pais e irmãos. Desde que saiu de casa, ainda menina, nunca mais morou debaixo de um teto. Já são mais de trinta anos que Fábia dorme nas ruas. 

Curiosamente, mesmo ela tendo 46 anos hoje, tem aparência de adolescente, o que chama mais atenção. 

Um casal passava ali perto e ao verem Fábia, ficavam olhando. A mulher disse:

- Que tanto tu olha para aquela mendiga?

- Eu conheci os pais dela, ela sempre foi assim, bem maluquinha, meio destrambelhada, coitada. Um coração de ouro, mas meio sem juízo. Nunca se sentiu bem e sempre se sentiu rejeitada em sua família.  Imagina que ela fugiu de casa, e desde então, nunca mais quis voltar, vive na rua até hoje. 

- Coitada. 

- Pois é, mas ela é muito bondosa. Não mexe com ninguém. Mas nunca mostrou interesse de voltar pra casa. 

- Vamos lá dar alguma coisa para ela?

O casal se aproximou de Fábia e o homem lhe deu 20 reais, dizendo:

- Tome, pra fazer algum lanche. 

Fábia sorria, dizendo:

- Muito obrigada, moço. De coração. 

Fábia se levantou da calçada e foi comer na lanchonete de Marlene, na rodoviária. 

Um reencontro tenso

 

Um reencontro tenso em Lagoa da Italianinha entre duas irmãs que se odeiam movimentou o centro da cidade. Carla, uma mulher de classe média alta, reviu sua irmã mais velha, a mendiga Andreza, que vive nas ruas da cidade. Andreza, que é ex-modelo, responsabiliza sua irmã mais nova por tê-la roubado e tê-la feito perder tudo. Conta-se que Carla sempre nutriu inveja de Andreza. 

Carla disse:

- Andreza, quem te viu quem te vê, cadê aquela mulher linda que arrasava nas passarelas de Caruaru? Tu hoje não é nem a sombra, visse? Feia, fedida e toda suja. Olha isso. Parece tão velha que poderia ser minha mãe, não minha irmã. 

Andreza disse:

- Tu ainda vem zombar, né? Mas eu durmo com a consciência limpa, diferente de tu. 

- Grande coisa, dormir assim no meio da rua. 

- Prefiro estar na rua do que estar no meio de pessoas feito você.

Pouco depois, o mendigo Guilherme chegou e disse:

- O que está acontecendo?

- Minha ex-irmã Carla veio me desejar feliz ano novo... - disse Andreza, ironicamente. 

Carla olhou o mendigo e disse:

- Quem diria... uma ex-modelo, hoje parece uma velha, tá agora com outro mendigo feio e sujo. 

- E isso é da sua conta? - disse Andreza. 

Carla disse:

- Olha vou indo, tu, Andreza, tá com uma catinga da gota, não aguento quando tu abre a boca, o mau hálito e a catinga de cigarro tá triste, sem contar o fedor de sovaco, cheiro de mijo e de bosta, oxe. Com licença, viu? 

- É até preferível feder mesmo, pra espantar pessoas da tua laia. 

Carla se retirou, e Andreza estava irritada. Guilherme deu um abraço nela, e ela disse:

- Olha, parceiro, obrigada pelo apoio, mas queria ficar só um pouco... pode ser?

- Pode, sim. 

Guilherme se retirou e Andreza se sentou em uma calçada. 

Mimi passa o feriado nas águas

 

Pouco depois da virada do ano, a Mimi foi se banhar no rio, de modo que ficou ali muito tempo. Ela, que é adepta do candomblé, alega que foi "pedir bênção para as águas". Mimi entrou na água e por ali ficou horas e horas. 

Ela passou o feriado quase inteiro ali, só voltando para sua casa já de tarde. Ela, que tem a cabeça raspada e só usa sandália no pé direito, enquanto o pé esquerdo fica sempre descalço, é conhecida por ser muito diferente. Mas mesmo assim, ela quase virou prefeita de Lagoa da Italianinha em 2024, quando perdeu para Myllena por apenas 4 mil votos de diferença. 

Mimi chegou a falar do seu ritual para uma emissora de rádio, e disse que "queria ser abençoada em 2026". Não falou se era sobre política, sobre o tratamento de diabete ou sobre sua vida pessoal. Atualmente longe da política, segue sendo agricultora no sítio Mandacaru, onde mora, e feirante, vendendo lanches em uma barraca na feira livre de Lagoa da Italianinha. 

Um café para Rita de Cássia


 Passando mais uma virada de ano sozinha pelas ruas, Rita de Cássia tinha apenas a companhia de sua boneca Dalila, a quem chama de "filha". Mesmo já tendo 43 anos, segue com mente de uma criança de 5 anos. 

Rita recebeu logo cedo um café da manhã de Malu, que costuma levar alimentos para ela. Malu disse:

- Tu passou bem a virada de ano?

Rita disse:

- Passei, sim, eu e minha filhinha Dalila. 

Malu deu um café para Rita tomar, e ela tomou. Malu dizia:

- Rita, tu deveria sair das ruas, é muito ruim viver sem teto...

- Não, Malu. Me desculpe, mas prefiro continuar livre...

- Que liberdade é essa? 

- Liberdade de fazer o que eu quiser e não prestar conta a ninguém...

Rita terminou de tomar café e se abraçou em sua boneca. Malu se despediu e voltou para sua casa. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

O aniversário de Cássia

 

Em pleno dia de Ano Novo, Cássia estava fazendo mais um aniversário, e as duas irmãs Quitéria e Lúcia decidiram levá-la na praia. Quitéria não abriu sua lanchonete nesse dia, e Lúcia acompanhou as duas irmãs. 

Cássia queria passar aniversário se divertindo na praia, e foram para Praia dos Carneiros, no litoral sul de Pernambuco. Quitéria e Lúcia entraram com seus trajes de banho, mas Cássia entrou de roupa e tudo, como sempre gostava. Cássia ainda queria entrar de tênis, mas Lúcia disse:

- Menina, tira os tênis, pelo menos. 

- Tá bom, irmã...

Cássia tirou os tênis., mas deixou as meias e logo entrou na água. 

As três irmãs se divertiram na praia, e Cássia chegou a dizer:

- Bora apostar nadando pra ver quem chega primeiro na areia? 

As duas aceitaram a aposta, pois como Cássia estava com blusa e calça jeans, achavam que ela perderia. Mas a surpresa foi grande quando viram Cássia ganhando delas. Lúcia disse:

- Mas como é possível? Estamos com traje de banho e tu tá toda vestida, peso em cima de tu, como tu conseguiu?

- Prática, apenas isso. 

Quitéria disse:

- É mesmo, ela conhece o fundo do mar, o fundo da lama, o fundo do rio, o fundo da piscina, o fundo do chafariz, essa é toda envolvida com água e lama. 

- Verdade, eu sou assim - disse Cássia. 

Cantaram parabéns pra Cássia, e jogaram água nela, a pedido dela mesma. 

Depois de saírem da água, ainda se divertiram na areia. Cássia pediu para ser coberta de areia, e as duas irmãs assim o fizeram. Depois, para tirar a areia da roupa, Cássia voltou para a água. 

Era quase de noite quando saíram da água e foram descansar no hotel onde estavam. Voltaram de manhã no dia seguinte para Lagoa da Italianinha. 

Danuzia tenta humilhar Sayonara

  Praça 27 de Dezembro, Lagoa da Italianinha. 9h da manhã.  Sol batendo no banco da praça e cheiro de café vindo da padaria. No banco, Sayon...