Numa certa tarde, Eraldo, sua irmã Luana, e seus amigos Valdenes, Ana Karina e Branquinha, foram visitar Antônio Neto, o ex-pracinha da FEB e avô de Valdenes, que tinha 100 anos e estava morando com sua neta Suziana na mesma casa onde ele passou sua infância, que ficava no centro de Lagoa da Italianinha, em pleno agreste de Perambuco. Ele recebeu os cinco, e disse ao neto:
- Conheci Valdenes faz pouco tempo, gosto dele assim, descalço, igual eu sempre fui...
- Obrigado, vô.
Eraldo disse:
- Nós somos do "Café com Cultura" aqui de Lagoa da Italianinha, e Valdenes me disse que o senhor foi um herói lutando lá na Itália.
- Sim, sim. Eu fui convocado com apenas 19 anos. Me recordo até hoje da minha mãe Mônica, chorando quando eu estava para ir pra Itália. Olhem, passei alguns meses lá, mas parece que foi uma eternidade.
Luana disse:
- Mas o senhor como passou esses meses lá?
- Muito tensos. A gente não tinha hora pra comer, pra dormir... e perdi muitos companheiros nesse campo de batalha. A única coisa boa foi conhecer a bela italiana Roberta, sua avó, Valdenes.
- Pena eu nem ter conhecido ela... eu morava nas ruas, nem sabia das minhas origens - disse Valdenes.
Ana Karina disse:
- Seu Antônio, o senhor sabia que temos um antepassado em comum? Seu avô, que se chamava Antônio, que se casou com Alvanir, ele era descendente de Gilmara, a escrava lá do Século XVIII.
- É mesmo????
- Sim, minha antepassada Adriállina era prima de Antônio, seu avô.
Branquinha disse:
- Quer dizer que Valdenes tem sangue italiano, indígena e africano, também. Muito interessante.
- Eu nem sabia, tô sabendo agora porque Ana Karina falou - disse Valdenes.
Antônio Neto disse:
- Nossa família é maior do que vocês pensam. Da minha tia Aline, por exemplo, saíram italianos, pois ela se casou e foi morar na Itália. O seu Jadiael, pai de Alycia, era neto dela. Já da minha outra tia, Aurineide, saiu a família, por exemplo, do Moab.
Valdenes disse:
- Quer dizer que eu sou primo distante da Josiane, a filha do deputado?
- Sim... mas é distante. Branquinha, essa bela moça aí também é sua prima distante.
Eraldo disse:
- Isso quer dizer que nós cinco aqui temos a mesma origem. Eu e Luana somos netos do italiano Moysés e de Naná, a tia-avó de Moab, que é o tio de Branquinha, vindo nós da linhagem de Aline e de Aurineide ao mesmo tempo. E Valdenes é seu neto direto, vindo da linhagem de Alvanir, e Ana Karina é descendente da mesma família de Antônio, que casou com Alvanir.
- Pois é...
Conversaram ali muitas horas, e quando iam saindo, Antônio Neto disse:
- Nada disso, não vão embora sem almoçar. Minha neta Suziana preparou um almoço delicioso.
Foram almoçar e depois se despediram e voltaram para o centro da cidade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário