Alice, a filha de Wéllia, em uma segunda-feira de tarde, foi para a Cachoeira Sol Nascente sozinha, fazendo reflexão. Como era segunda-feira, a cachoeira não estava movimentada.
Alice se sentou em uma pedra, e admirava a cascata. Um dos zeladores que trabalhava ali viu a Alice e disse:
- Perdoe-me, tem algum problema?
Alice disse:
- Nada demais. Só pensando na vida.
- Mas por que, moça?
Alice retrucou:
- Engraçado, eu ando pelas ruas de Lagoa da Italianinha, eu vejo tanta gente dormindo nas ruas, passando fome, e nunca se tem dinheiro pra resolver isso. Mas os poderosos tem dinheiro pra fazer guerras e mais guerras. Pra isso não falta dinheiro!
- É, isso é verdade...
- Eu cheguei a conhecer meu bisavô italiano Arthur, que veio muito pequeno aqui para Pernambuco, e ele me contou que quando era criança, escutava as notícias da Segunda Guerra Mundial e ficava assustado com tanta maldade. Ele me contou sobre o holocausto na Alemanha, sobre as bombas atômicas no Japão...
- É, Alice, infelizmente, o ser humano em sua maioria tende a se preocupar mais em destruir o próximo do que amar o próximo...
Alice disse:
- Aqui, o Brasil, dizem que é um país cristão... como pode ser um país cristão, se aqui tem tanta corrupção, tanta safadeza, tanta gente querendo passar a perna no outro e morrendo de inveja? Não tem lógica.
- Alice, quantos anos você tem?
- 16!
- Olha, você ainda vai ver muita coisa. Minha mãe dizia que eu ainda ia ver coisa. |Você, já nova, observa essas coisas, mas o que eu digo a você é que você nunca perca sua generosidade.
Alice disse:
- Olha, se eu tivesse que perder a bondade, eu já tinha perdido há tempos... eu mesma sou filha de pai e mãe com caráter duvidoso... Mas não quis ser igual a eles.
- Já ganhou meu respeito, garota. Mas vá pra casa. Não é bom você estar sozinha por aqui.
- Obrigada por me ouvir.
Alice saiu, e o zelador dizia:
- Queria tanto que o mundo tivesse mais pessoas feito essa garota...

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