Numa certa manhã, a freira Irmã Alcineia mandou chamar Valdenes no Colégio Irmã Renata Augusta, em Lagoa da Italianinha. Em dado momento, Valdenes ia entrando com medo, pois ele estava descalço e pensava que ia ser barrado, mas a freira disse:
- Eu removi essa proibição aqui do colégio. As pessoas podem entrar descalças, sim. Até fiz isso em memória à homenageada desse colégio, que passou metade de sua vida com os pés no chão!
- Ah, que bom, agora me sinto à vontade.
Irmã Alcineia disse:
- Quer um lanche? Um café?
- Aceito, irmã.
Irmã Alcineia disse:
- Vai casar quando?
- Oxe, eu nem sei. Nem imagino. A mulher de quem eu gosto eu não consigo ficar com ela porque o pai dela é deputado, e não deixa, e eu tô até tentando namorar uma florista, mas ela parece ter um gênio muito difícil.
- Entendo. Por isso, prefiro ser freira. Relacionamento não foi feito para mim.
- Que mal lhe pergunte, irmã, mas me lembro até quando eu morava nas ruas, que a senhora tinha um namorado, o que foi feito dele?
- Não gostaria muito de falar sobre ele.
- Bom, me desculpe.
- Está bem, Valdenes. Vamos conversar mais um pouco. Você trabalha?
- Sim, tô lá no escritório da doutora Suely, a juíza.
- Essa nem preciso perguntar se ela te deixa tu ir descalço pro trabalho, pois ela mesma também anda descalça. Muito peculiar o povo daqui.
- Pois é.
Conversaram ali muito tempo e só depois de 40 minutos Valdenes se retirou. Irmã Elvira percebeu e disse:
- Irmã, não é por nada não, mas a senhora tem um apreço por esse rapaz...
- Sim, um amigo de infância. Nada mais do que isso.
- Se a senhora não fosse freira eu jurava que estaria apaixonada por ele.
- Mais respeito, Irmã Elvira. Eu fiz um voto de castidade.
- Eu sei, desculpe, não foi por mal.
- Tá certo, vai lá na cozinha fazer limpeza por lá antes do almoço.
- Sim, senhora.

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