sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A freira e seu amigo


 Numa certa manhã, a freira Irmã Alcineia mandou chamar Valdenes no Colégio Irmã Renata Augusta, em Lagoa da Italianinha. Em dado momento, Valdenes ia entrando com medo, pois ele estava descalço e pensava que ia ser barrado, mas a freira disse:

- Eu removi essa proibição aqui do colégio. As pessoas podem entrar descalças, sim. Até fiz isso em memória à homenageada desse colégio, que passou metade de sua vida com os pés no chão! 

- Ah, que bom, agora me sinto à vontade. 

Irmã Alcineia disse:

- Quer um lanche? Um café?

- Aceito, irmã.

Irmã Alcineia disse:

- Vai casar quando?

- Oxe, eu nem sei. Nem imagino. A mulher de quem eu gosto eu não consigo ficar com ela porque o pai dela é deputado, e não deixa, e eu tô até tentando namorar uma florista, mas ela parece ter um gênio muito difícil. 

- Entendo. Por isso, prefiro ser freira. Relacionamento não foi feito para mim. 

- Que mal lhe pergunte, irmã, mas me lembro até quando eu morava nas ruas, que a senhora tinha um namorado, o que foi feito dele?

- Não gostaria muito de falar sobre ele. 

- Bom, me desculpe. 

- Está bem, Valdenes. Vamos conversar mais um pouco. Você trabalha?

- Sim, tô lá no escritório da doutora Suely, a juíza. 

- Essa nem preciso perguntar se ela te deixa tu ir descalço pro trabalho, pois ela mesma também anda descalça. Muito peculiar o povo daqui. 

- Pois é. 

Conversaram ali muito tempo e só depois de 40 minutos Valdenes se retirou. Irmã Elvira percebeu e disse:

- Irmã, não é por nada não, mas a senhora tem um apreço por esse rapaz...

- Sim, um amigo de infância. Nada mais do que isso. 

- Se a senhora não fosse freira eu jurava que estaria apaixonada por ele. 

- Mais respeito, Irmã Elvira. Eu fiz um voto de castidade. 

- Eu sei, desculpe, não foi por mal. 

- Tá certo, vai lá na cozinha fazer limpeza por lá antes do almoço. 

- Sim, senhora. 


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