Recém-chegada em Pernambuco em 1936, a portuguesa Mary Dee chamava atenção no sítio Maniçoba (atual Lagoa da Italianinha) onde estava morando com o seu filho Manuel, e na cidade de Vila Dourada, a quem o sítio pertencia na época.
Certo dia, a portuguesa saiu caminhando numa rua de Vila Dourada, e ela notou que estava sendo observada, especialmente por uma beata, a Lady Andréia. Mary Dee disse:
- O que foi, senhora? Porque me olhas?
- Nada, mas só que tu tais toda dando show por aqui, do nada... tu nem daqui é, né?
Mary Dee disse:
- Eu sou portuguesa, eu cheguei com os italianos e estou morando no sítio Maniçoba.
Lady Andréia dsse:
- Mônica me falou de tu, tu é uma pecadora, mãe solteira, só tem tu e o filho...
- Ô, senhora, eu não sou solteira, sou casada, mas meu marido foi preso pela ditadura do Salázar, e ele mesmo mandou que eu e meu filho viéssemos para o Brasil!
- Boa coisa não fizeram...
Mary Dee disse:
- Olha, odeio que me julguem, tá? Sabe o que eu faço com quem me julga?
- O que?
Mary Dee mostrou a língua e um de seus pés descalços, sujos, e Lady Andréia ficou irritada, e disse:
- Sua portuga nojentinha!
- Vai cuidar de tua vida, tá, fofoqueira?
- Me respeita!
Mary Dee saiu dali, e Lady Andréia disse:
- Aqui já tem uma alemã que me atanaza, agora aparece essa portuguesa...

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