quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

A Cultura da Honestidade


Numa certa tarde, o sueco Gustav caminhava pelas ruas em Lagoa da Italianinha, quando viu uma carteira caída no chão do Pátio Verona. Ele pegou a carteira, e saiu procurando quem seria o dono ou a dona dela. 

Em dado momento, a mendiga Priscila gritou e disse:

- É minha!

- Sua???? - disse Gustav. 

- Sim, claro que é minha. Pode me dar. 

Valdenes apareceu e disse:

- Deixa de ser mentirosa, Priscila. Essa carteira é de Marcella. 

- Mentira sua! 

- Mentira, nada, eu vi quando a carteira caiu, e quando eu ia pegá-la para devolver a Marcella, esse moço achou, e vim procurar por ele pra avisá-lo.

Priscila disse:

- Avisou porque é besta, Valdenes. Eu, vendo uma carteira dessas, eu pegava, e a maioria faria isso!

Gustav disse:

- Pois lá no meu país, a Suécia, as pessoas são honestas e se acham uma caneta, querem devolver ao dono. 

Valdenes disse:

- Eita, aqui, quando colocam uma caneta numa lotérica, ela some...

- Me leve até a dona dessa carteira, por favor. 

Valdenes levou Gustav até Marcella, que já estava desesperada. Gustav disse:

- Essa carteira é sua?

- É sim! 

- Ela tinha caído ali do lado da fonte. 

Marcella abriu sua carteira e mostrou o RG dela. Marcella ainda quis dar uma recompensa a Gustav, mas ele disse:

- Por favor, não se importe. Eu fiz isso porque é cultura no meu país, se acham algo, a gente não sossega enquanto não devolve. 

- Que país é o seu?

- Suécia. 

- Notei pelo seu sotaque que não és daqui.

- Sim, meu pai Adam é um dos sócios do novo shopping que abriu aqui, aí nós viemos morar aqui. 

- Entendi... uma pena que aqui no Brasil, a desonestidade impera.. não de todos, claro. Mas a maioria. Tu imagina, que quando cai um caminhão na estrada, o pessoal vai lá e saqueia, rouba carga?

- Mas isso é muito triste. Quando cai um caminhão assim por lá, a gente se preocupa primeiro em socorrer o motorista. 

- Era tão bom que fosse assim aqui também...

- Bom, a carteira está devolvida, vou indo. 

- Muito obrigada, mesmo, viu? 

Marcella voltou para casa, feliz em ter recuperado sua carteira com o dinheiro apurado da venda de seus lanches. 

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