segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Duas mendigas no chafariz de Vitoriana

 

Em Vitoriana, duas amigas que viviam pelas ruas da cidade costumavam entrar no chafariz da cidade e brincarem ali. Clódia e Erika eram muito conhecidas e viviam pedindo esmolas por ali. 

As duas não tinham famílias e viviam ao relento, sem teto, e tinham aproximação com outros mendigos, a exemplo de Danucia, Varla, Renatis, Arthurius, Jefteus, Patriciana, entre outros. Clódia era mais calada, enquanto Erika costumava falar mais. 

Depois de uma tarde no chafariz, por volta do ano 70, Erika saiu, mas Clódia continuou na água. Erika disse:

- Daqui a pouco vão passar alguns soldados querendo que tu saia da água. 

- Deixe passar, eu não tenho medo. 

- Mas tome cuidado, que a grande autoridade aqui, o senador Eraldus, pode querer nos impedir de nos divertir no chafariz. 

Clódia disse:

- Nós não temos casa, aqui é onde tomamos banho, assim como outros mendigos. 

- É verdade. Mas não custa evitar. 

Depois de muito custo, Clódia saiu da água. As duas caminhavam encharcadas pelas ruas de Vitoriana. Em dado momento, elas viram o casal Valdenius e Josiana de longe. Valdenius começou a olhar para Erika ,e Clódia disse:

- Parece que aquele homem gostou de tu.

- Impressão sua. Ele é casado, não tá vendo a esposa dele ali? E depois, ele jamais iria querer qualquer coisa com uma mendiga. 

- Sei, não...

Josiana percebeu que Valdenius observava a Erika, e disse:

- Valdenius, porque tu olha para aquela mulher de rua? 

- Por nada, apenas chamou atenção por morarem na rua...

- Vamos embora. 

Josiane e Valdenius saíram dali e voltaram para a insulae onde viviam. 

A guerreira de Vitoriana

 

Em Vitoriana, na Roma Antiga, Véllia não pega em espadas, mas é conhecida como uma guerreira. Isso porque ela enfrenta vários desafios. Bem humilde, ela mora em uma pequena insulae com sua filha Alicia, e ganha a vida vendendo comidas pelas ruas de Vitoriana. 

Véllia tem um enorme carinho pelas pessoas que dormem nas ruas, e costuma distribuir comidas entre eles. É amiga principalmente das mendigas Danucia e Varla. 

Véllia também tem muitos inimigos, pois ela é corajosa e decidida. Enfrenta com coragem o senador Eraldus, que assim como fizera com Danucia, tenta tomar tudo dela e deixá-la sem nada. Além dele, tem sérios conflitos com Rida, a malvada madame e com Valdenius, seu vizinho de insulae que costuma azucrinar sua vida. 

Muitos em Vitoriana se perguntam sobre a vida amorosa de Véllia, mas ela não diz nada. Ela tenta se manter discreta em uma sociedade bastante patriarcal. 

A patinha feia da família

 

Uma exímia nadadora e apaixonada por água, a jovem Niedja, neta da italiana Alycia, é tida em Lagoa da Italianinha como "patinha feia", isso porque supostamente ela não seria tão bonita como os irmãos Quitéria, Lúcia, Cássia e André. 

Niedja se acha mesmo feia e desengoçada, usa algumas vezes óculos fundo de garrafa e é meio dentuça. Alguns chegaram ao cúmulo de duvidar que ela fosse da mesma família, insinuando que ela seria "adotada". 

Mas Niedja realmente pertence a essa família. Alguns mais velhos dizem que na família nem todos eram bonitos. 

A paixão de Niedja é a natação. É muito raro não vê-la na água. Inclusive, quando ela sai com sua irmã Cássia, que ama entrar na água no rio ou na cachoeira, Niedja costuma entrar com ela, diferente dos outros irmãos. 

Fábia se diverte no chafariz

 

Numa certa tarde, a mendiga Fábia foi se divertir na água do chafariz em Lagoa da Italianinha. Quando ela entrou, muitos a olhavam, ou com zombaria, ou com admiração, visto que ela é conhecida por ser quarentona, mas ter aparência adolescente. 

Outra mendiga, a Deza, passou por ali, e disse:

- Fábia, tu na água? Sai daí. 

- Nada disso, aqui é muito bom. Amoooo tomar banho. 

- Pois eu odeioooooo. - disse Deza. 

Fábia continuou se divertindo. Diferente de outro dia, não chegou a ser incomodada pela polícia. Ela passou mais de uma hora, e depois, saiu da fonte e foi caminhar pelas ruas. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

A aluna italiana

 

O professor de música, Eraldo, ganhou uma nova aluna: a italiana Érica, que decidiu se inscrever para aprender a tocar violão. Eraldo, que vive em Lagoa da Italianinha, no interior de Pernambuco, se viu diante da realidade de ensinar uma italiana tocar instrumento musical. Eraldo disse: 

- Eu sei um pouco de italiano porque meu avô Moysés era italiano de Verona. Mas.. . aqui nós tocamos Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Santana, Flávio José... e de quem são as músicas que tu quer tocar? 

Érica, entendo bem o português, mas não abandonando seu sotaque, disse:

- Laura Pausini, Eros Ramazzotti, Andrea Boccelli, Tiziano Ferro, Gianluca Grignani...

- Hum, está bem, senta aí, vou te ensinar. 

Érica segurava o violão e Eraldo lhe ensinava os acordes. Naquela hora, apareceu Valdenes, o amigo de Eraldo, e Clíntia, a secretária, observava a aula. Valdenes disse:

- Nossa. É aquela italiana?

- Ela mesma. Ela quer aprender a tocar violão. 

- Que legal!!!

Em pouco tempo, Érica já conseguia tocar e cantar. 

A ambulante e a cliente italiana


Em Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, a vendedora ambulante Marcella acabou ganhando uma nova cliente, a italiana Cláudia, que ficou encantada com os lanches que ela vende. 

Certo dia, Cláudia encontrou a ambulante, e disse: 

- Quali sono le cose deliziose da mangiare?

Marcella disse:

- Não entendo muito italiano, mas veja aqui. 

Cláudia ficou encantada com os lanches, e disse: 

- Voglio!!!!

Cláudia mostrou o que estava querendo, e Marcella lhe deu. Cláudia pagou o que devia, e disse, bem devagar: 

- Voglio sempre comprare da te; ho sentito dire che sei il miglior venditore di snack a Lagoa da Italianinha.

Marcella não entendeu logo de cara, mas entendeu que a italiana lhe fazia muitos elogios, dizendo que ela era a "melhor vendedora de lanches da cidade". Marcella disse: 

- Obrigada, moça. Seja sempre bem vinda!

- Prego! 

Cláudia se afastou, e Marcella disse: 

- Prego? Por que prego? 

Mal sabia Marcella que "prego" significava "de nada". 


Conversa na cachoeira

 

Num certo domingo, em Lagoa da Italianinha, Valdenes foi dar um passeio com Josiane na cachoeira Sol Nascente, e lá encontraram as italianas Cláudia e Érica, duas amigas que eram modelos. Valdenes e Josiane, que estavam de roupa na água, perceberam que as duas, também vestidas, não eram da cidade. Josiane disse:

- Oi, tudo bem????

Cláudia disse:

- Tutto bene. 

- Oxe, são italianas?

Valdenes disse:

- Parece que eu fiquei sabendo que elas são italianas, mesmo, moram lá no Edifício Nápoles. 

Érica disse:

- Sono rimasto sorpreso nello scoprire che alcune persone qui nuotano completamente vestite, come me e il mio amico.

Valdenes disse:

- Não entendi nada. 

Josiane disse:

- Parece que ela ficou surpresa em saber que aqui alguns nadam de roupa feito elas...ela fez os gestos, deu pra entender...

- Ah, entendi. 

Cláudia disse: 

- Sei sposato?

Josiane disse:

- Não, eu e Valdenes somos amigos... ecco. Eu sei um pouco de italiano porque esta cidade foi fundada por italianos, e aqui tem pessoas que são descendentes mesmo. 

- Ok, ho capito! - disse Cláudia. 

- Siamo entrambe single, ma sono innamorata di un ragazzo che ha la mia stessa abitudine, e anche alla mia amica piace un altro ragazzo che fa la stessa cosa.- disse Érica. 

Valdenes disse:

- O que danado elas falaram?

Josiane disse:

- A morena aí disse que gosta de um rapaz que toma banho assim feito ela, e a outra amiga dela também gosta de outro que faz a mesma coisa. Só espero que não seja nenhuma por tu, visse?

- Oxe, nem pode ser eu, a gente tá se conhecendo agora. 

- Acho bom...

Os quatro passaram a tarde se divertindo por ali. Josiane aproveitou porque seu pai Moab, o deputado estadual, não estava na cidade, e sim, no Recife. 


Danuzia tenta humilhar Sayonara

  Praça 27 de Dezembro, Lagoa da Italianinha. 9h da manhã.  Sol batendo no banco da praça e cheiro de café vindo da padaria. No banco, Sayon...