7h da manhã. Diner antigo, banco vermelho, piso xadrez e cheiro de café passado.
Na mesa do canto está Sara Jéssica.
Jardineira jeans, blusa branca, tênis limpo e uma caneca nas duas mãos. Cabeça raspada, postura reta. Antes de encarar o dia, ela toma o café dela em silêncio.
Filha da juíza Suely, Sara cresceu vendo a mãe dizer que beleza é escolha. E escolheu a dela: careca. Igual à mãe. Por opção.
"Meu cabelo não me define. Minhas atitudes definem", ela costuma dizer.
E olha as atitudes dela...
Sara é modelo. Anda na passarela de cabeça raspada, batom forte e atitude. Quebra padrão e mostra que elegância não depende de peruca.
Sara é empresária. Tem uma marca de roupas autorais aqui em Lagoa da Italianinha. Peças simples, confortáveis e com caimento pra todo tipo de corpo. "Roupa tem que caber na vida da gente", diz ela.
E Sara é vereadora. A mais jovem da câmara. Chega cedo, ouve o povo, e não tem medo de votar contra quando precisa. Herdou da mãe o senso de justiça e o jeito direto de falar.
Na foto ela está só tomando café. Mas é nesse intervalo que ela se prepara pra três trabalhos.
Pra desfilar e representar mulheres que não se veem nas revistas.
Pra abrir a loja e gerar emprego.
Pra ir pra câmara e cobrar escola, saúde e respeito.
O garçom já sabe: "o de sempre, Sara?". Ela sorri, agradece, e sai. Jardineira, tênis e cabeça erguida.
Sara Jéssica prova que dá pra ser muitas coisas ao mesmo tempo. E que ser careca, ser mulher e ser jovem na política não é frescura. É escolha. É força.
É café antes da luta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário