quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A coragem de Sara Jéssica

 



7h da manhã. Diner antigo, banco vermelho, piso xadrez e cheiro de café passado.

Na mesa do canto está Sara Jéssica. 

Jardineira jeans, blusa branca, tênis limpo e uma caneca nas duas mãos. Cabeça raspada, postura reta. Antes de encarar o dia, ela toma o café dela em silêncio.

Filha da juíza Suely, Sara cresceu vendo a mãe dizer que beleza é escolha. E escolheu a dela: careca. Igual à mãe. Por opção. 

"Meu cabelo não me define. Minhas atitudes definem", ela costuma dizer.

E olha as atitudes dela...


Sara é modelo. Anda na passarela de cabeça raspada, batom forte e atitude. Quebra padrão e mostra que elegância não depende de peruca.

Sara é empresária. Tem uma marca de roupas autorais aqui em Lagoa da Italianinha. Peças simples, confortáveis e com caimento pra todo tipo de corpo. "Roupa tem que caber na vida da gente", diz ela.

E Sara é vereadora. A mais jovem da câmara. Chega cedo, ouve o povo, e não tem medo de votar contra quando precisa. Herdou da mãe o senso de justiça e o jeito direto de falar.

Na foto ela está só tomando café. Mas é nesse intervalo que ela se prepara pra três trabalhos. 

Pra desfilar e representar mulheres que não se veem nas revistas. 

Pra abrir a loja e gerar emprego. 

Pra ir pra câmara e cobrar escola, saúde e respeito.

O garçom já sabe: "o de sempre, Sara?". Ela sorri, agradece, e sai. Jardineira, tênis e cabeça erguida.

Sara Jéssica prova que dá pra ser muitas coisas ao mesmo tempo. E que ser careca, ser mulher e ser jovem na política não é frescura. É escolha. É força.

É café antes da luta.

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