quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O encontro: Lidyanny e Anna Paula frente a frente na praça



A praça estava cheia de sol. Bancos vazios, cafés abertos, gente passando. Mas no meio do calçamento, o tempo parou.

De um lado, Lidyanny. 

Vestido preto longo, bota, batom escuro. Cabelo loiro curtinho e uma estrela marrom na lateral da cabeça como assinatura. O olhar frio, direto, sem piscar. Vilã assumida. Não grita, não ameaça. Só encara. E quando ela encara, a cidade treme.

Do outro lado, Anna Paula. 

Veterinária. Camisa rosa, saia azul, sandália baixa. Cabeça raspada, postura firme. E nos braços, um gato rajado, protegido como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.

Elas se encontraram ali. Sem querer. Ou será que foi de propósito?

O gato olhou pra Lidyanny e se encolheu. Anna Paula apertou mais o abraço.

"Solta o caso dos animais da prefeitura, Lidyanny", disse Anna Paula, baixo mas firme. "Já chega de licitação fraudada e canil fechado."

Lidyanny sorriu de canto. Só um canto.

"Anna Paula... sempre salvando todo mundo. Até quando?" 

"Até o dia em que você parar", respondeu a veterinária.

Ninguém gritou. Ninguém encostou na outra. 

Era só o silêncio tenso entre duas mulheres que representam tudo o que a outra odeia. 

Lidyanny: poder, jogo sujo, interesse. 

Anna Paula: cuidado, vida, verdade.

As pessoas ao redor fingiam não ver. Mas todo mundo sentiu. Aquela praça ficou menor por alguns segundos.

No fim, Lidyanny virou e foi embora, salto batendo na pedra. Anna Paula ficou. Ajeitou o gato no colo e respirou fundo.

Porque tem briga que não se resolve com grito. Se resolve com presença.

E Anna Paula estava ali. De pé. Protegendo quem não tem voz.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Confronto na rua

Certo dia, Malu estava caminhando por uma rua de Lagoa da Italianinha quando viu sua irmã gêmea Wellia maltratando a mendiga Rita de Cássia,...