A praça estava cheia de sol. Bancos vazios, cafés abertos, gente passando. Mas no meio do calçamento, o tempo parou.
De um lado, Lidyanny.
Vestido preto longo, bota, batom escuro. Cabelo loiro curtinho e uma estrela marrom na lateral da cabeça como assinatura. O olhar frio, direto, sem piscar. Vilã assumida. Não grita, não ameaça. Só encara. E quando ela encara, a cidade treme.
Do outro lado, Anna Paula.
Veterinária. Camisa rosa, saia azul, sandália baixa. Cabeça raspada, postura firme. E nos braços, um gato rajado, protegido como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Elas se encontraram ali. Sem querer. Ou será que foi de propósito?
O gato olhou pra Lidyanny e se encolheu. Anna Paula apertou mais o abraço.
"Solta o caso dos animais da prefeitura, Lidyanny", disse Anna Paula, baixo mas firme. "Já chega de licitação fraudada e canil fechado."
Lidyanny sorriu de canto. Só um canto.
"Anna Paula... sempre salvando todo mundo. Até quando?"
"Até o dia em que você parar", respondeu a veterinária.
Ninguém gritou. Ninguém encostou na outra.
Era só o silêncio tenso entre duas mulheres que representam tudo o que a outra odeia.
Lidyanny: poder, jogo sujo, interesse.
Anna Paula: cuidado, vida, verdade.
As pessoas ao redor fingiam não ver. Mas todo mundo sentiu. Aquela praça ficou menor por alguns segundos.
No fim, Lidyanny virou e foi embora, salto batendo na pedra. Anna Paula ficou. Ajeitou o gato no colo e respirou fundo.
Porque tem briga que não se resolve com grito. Se resolve com presença.
E Anna Paula estava ali. De pé. Protegendo quem não tem voz.

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