Na foto, fim de tarde. Rua tranquila, folhas no chão e sol batendo de lado.
Alice vai correndo, blusa rosa, jeans e sorriso aberto. Do lado dela, o cachorro que ganhou de presente. Lingua pra fora, rabo abanando, coleira na mão dela. Leveza total.
Só que por trás dessa cena simples tem uma história de família.
O presente veio de Wellia.
A mãe. A vilã da cidade. Mulher de negócio frio, olhar duro e fama de não perdoar. Wellia deu o cachorro pra Alice. Dizem que foi pra "educar a menina pra responsabilidade". Dizem que foi pra mostrar que até vilã tem coração. Ninguém sabe.
O que todo mundo sabe é que Alice se dá melhor com a tia Malu.
Malu é irmã gêmea de Wellia. Mesma cara, alma diferente.
Enquanto Wellia fecha contrato, Malu abre a porta da cozinha. Enquanto Wellia cobra, Malu abraça.
É na casa da tia que Alice conta os segredos. É Malu quem leva ela pra passear, quem compra ração, quem ensina o nome dos comandos pro cachorro.
"Tia, por que mãe é assim?" Alice pergunta.
"Porque sua mãe esqueceu de ser criança, filha. Mas você não vai esquecer."
E ali, no passeio da foto, está tudo.
O presente da mãe que não sabe demonstrar.
O carinho da tia que sabe cuidar.
E Alice no meio, crescendo, correndo, escolhendo ser leve mesmo com duas mulheres tão diferentes criando ela.
O cachorro não escolhe lado. Ele só abana o rabo pros dois. E talvez seja isso que a casa precise.
Porque família é isso: gêmeas opostas, uma menina no meio, e um cachorro pra lembrar que amor também late.

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