Na foto, Filadélfia, 1827. Luz entrando pela janela, móveis de madeira, retratos na parede. Sentados no sofá, lado a lado, estão Wrialle, 73 anos, e Fabiana, 70.
Mas a história deles começa muito antes e cruza o Atlântico duas vezes.
Wrialle era jovem quando pegou em armas. Lutou na Revolução Americana pela independência dos Estados Unidos. Depois da guerra, com o coração inquieto, decidiu atravessar o oceano. Veio parar em Vila Rica, no Brasil. Minas Gerais, ouro, igrejas barrocas e uma vida completamente diferente da que ele conhecia.
Foi lá que ele conheceu Fabiana, uma simples camponesa.
Dizem que foi num baile, dizem que foi na porta da igreja. O que importa é que os dois se acharam. Ele com o sotaque estrangeiro e as histórias de batalha. Ela com a força das mulheres de Vila Rica. Casaram, construíram família e criaram raízes.
O tempo passou. Filhos cresceram.
Alguns ficaram no Brasil, em Vila Dourada, uma cidade recém emancipada em Pernambuco. Plantaram chão, formaram família e deram continuidade ao sobrenome por aqui.
E Wrialle e Fabiana?
Em 1824, já idosos, decidiram voltar. Pegaram a estrada de volta para os *EUA*. Aos 73 e 70 anos, como mostra essa foto, eles estavam em Filadélfia novamente. Cansados? Talvez. Mas com o olhar de quem viveu duas vidas em uma só.
Olha pra eles na imagem. Ele de casaca, sério, mas com a mão perto da dela. Ela de vestido de seda, postura firme, olhando pra ele como quem diz: "a gente conseguiu".
São duas cabeças brancas, dois países no currículo e uma família espalhada entre Pernambuco e a América.
Wrialle e Fabiana provam que lar não é um lugar. Lar é com quem você escolhe envelhecer.
E que história cabe numa única fotografia, né?

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