quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O poder da aeromoça



Domingo no lago. Decisão rápida: "Bora se molhar, filho?"

Valéria, aeromoça, e Samuel entraram na água de roupa e tudo. Igual criança. Igual mãe e filho que não perdem a chance de brincar.

Só que quando saíram, aconteceu a parte que Samuel ainda não entende.

Ele saiu pingando. Camiseta encharcada, bermuda pesada, cabelo escorrendo. O menino típico depois do banho de lago.

Valéria? 

Saiu, balançou o cabelo, deu dois passos... e estava seca. 

Blazer preto impecável. Camisa azul sem uma marca d’água. Calça social e até o salto alto intacto. Como se nunca tivesse entrado no lago.

Samuel parou na margem e olhou pra mãe: 

"Mãe... como você faz isso?"

Valéria só riu e estendeu a mão pra ele.

"Filho, é o trabalho. Depois de anos entrando e saindo de avião, com conexão em cima da outra, a gente aprende a se virar. A água não pode me atrasar."

Ela chama de "poder da aeromoça". Samuel chama de magia.

A verdade é que Valéria aprendeu a resolver tudo rápido. Mala, voo, fuso horário, casa, filho. Se molhou? Seca. Se atrasou? Corre. Se sujou? Resolve. 

Agora os dois estão voltando pra casa pela estrada de barro. Ele todo lambuzado de lama e orgulho do banho. Ela limpa, sorrindo, olhando pra ele de lado.

"Mãe, me ensina esse poder?" 

"Te ensino sim. Começa secando essa roupa e deixando de pisar em poça."

E os dois riem.

Porque no fim, o verdadeiro poder da Valéria não é secar rápido. 

É transformar qualquer banho de lago em memória, e qualquer dia corrido em tempo com o filho.


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