Se você for ao centro de Lagoa da Italianinha num sábado de manhã, é capaz de ver ela.
Vestido rodado até o joelho. Luvas brancas. Chapéu com véu. Salto impecável. E nos braços, uma pilha de livros antigos que ela jura que "não se lê em Kindle".
Essa é a Fabíola. A vintage maluca da cidade.
Fabíola vive como se fosse 1955. De propósito.
Enquanto todo mundo corre de tênis, fone e mochila, ela atravessa a rua com a postura de quem saiu de um filme em preto e branco. Cumprimenta o padeiro de "bom dia, senhor". Pede "por obséquio" na farmácia. E paga tudo com dinheiro trocado, guardado numa carteira de couro, dirige fusca e só escreve em uma máquina de escrever.
“Eu não sou doida, eu sou de outra época”, ela diz rindo.
O contraste fica mais bonito ainda aqui. Porque Lagoa da Italianinha é moderna. Tem food truck, tem Wi-Fi na praça, tem grafite no muro da escola. E no meio disso tudo, Fabíola.
Um vestido branco cortando o calor, os livros debaixo do braço, e aquele batom vermelho que não borra nem com o vento da serra.
As crianças acham que ela é personagem. Os idosos chamam ela de "minha senhora". E os jovens? Os jovens param pra tirar foto. Porque Fabíola lembra todo mundo de uma coisa que a gente esqueceu: elegância não sai de moda.
Ela carrega livros porque diz que "ideia boa precisa de peso". Carrega chapéu porque "cabeça merece coroa". E carrega essa personalidade porque "viver é chato demais pra ser igual".
Fabíola não está presa no passado. Ela trouxe o melhor do passado pra hoje.
E Lagoa da Italianinha ficou mais bonita por causa disso.

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