sábado, 31 de janeiro de 2026

Vanessa provoca polêmica com líderes políticos de Lagoa da Italianinha

 

Quando fez uma visita à comunidade do Alto do Cruzeiro, a vereadora Vanessa fez uma denúncia polêmica, onde acusou a prefeita Myllena e a deputada federal Sandra Valéria, adversárias políticas, de estarem firmando uma aliança política. 

- Cuidado, não se deixem enganar. Lagoa da Italianinha virou balcão de negócios para a deputada federal e a prefeita da cidade, que andam conversando uma com a outra depois de treze anos sem trocar a palavra uma com outra. Myllena, que está prestes a deixar a Prefeitura para ser candidata a deputada estadual, quer sua filha vice-prefeita Giovanna Victórya com forte apoio político, e anda buscando a ajuda da deputada que até alguns dias atrás dizia que não valia o peido de um gato. E a deputada quer esse apoio, e ela está prestes a fechar acordo com a prefeita e mais dois candidatos a estadual desta cidade, que são os ex-prefeitos Moab e Janayna. 

A fala de Vanessa foi gravada e compartilhada, e logo se tornou viral. A prefeita Myllena reagiu à fala da vereadora, dizendo:

- Essa maluca não sabe o que fala, eu e a deputada seguimos em palanques opostos, mas estamos tendo sim conversas administrativas. 

Janayna também reagiu:

- Alguém avise à senhora vereadora Vanessa que eu sou pré-candidata a deputada federal, e não a deputada estadual, como ela falou lá. 

A deputada federal Sandra Valéria e o deputado estadual Moab também repudiaram as declarações de Vanessa, sugerindo que ela mostre "provas" de um suposto acordo. 

Um dom que veio desde cedo

 

No ano de 1737, com apenas dez anos, Regina, em Vila Rica, já gostava de tocar piano, e nessa época, ganhou um piano de presente de seus pais. 

Regina já começou a se apresentar nessa época, sendo levada por seus pais para as salas da alta sociedade de Vila Rica. 

Sua paixão por piano lhe acompanhou a vida inteira. Mais tarde, ela começou a ensinar piano, tendo entre seus alunos a francesa Jacilene, a quem tratava como filha, e a jovem Milena. 

Regina é um talento precoce, que carrega um dom desde criança. 

Suely visita o sítio Mandacaru


 Num sábado de tarde, a juíza Suely andou visitando o sítio Mandacaru, zona rural de Lagoa da Italianinha, que fica bem distante do centro da cidade, quase no extremo do município. Suely foi muito bem recebida pelos moradores, e alguns a pediam para sair candidata a prefeita em 2028. 

Suely dizia:

- Não tenho esse pensamento, essa ambição. Depois que eu largar o cargo de juíza, quero é cantar pra Cristo, ser cantora evangélica. 

- Mas até lá, a senhora pode nos ajudar. 

- Eu ajudo vocês sem precisar estar nesse meio. É muita corrupção, eu sei porque minha irmã Myllena é a atual prefeita e vive nisso, e lá no fórum tem processos até mesmo contra ela. 

- E a senhora leva adiante os processos?

- Claro que sim, doa a quem doer. E se for comprovada alguma falcatrua dela, não tenho o menor problema em puní-la. Mesmo ela sendo minha irmã. 

- Por isso a gente te admira muito. 

Lanches para Rita de Cássia

 

Numa certa noite de sábado, em Lagoa da Italianinha, a mendiga Rita de Cássia, com sua inseparável boneca Dalila estava conversando com a vintage Fabíola, que pensa viver nos anos 50, e que tinha lhe trazido um lanche. Pouco depois, apareceu Valdenes, com um pão para Rita de Cássia, que agradeceu:

- Obrigada. 

Valdenes disse:

- Eu passei um pix lá na lanchonete de Quitéria, e trouxe essa lanche. 

Fabíola disse:

- Que diabo de pix, oxe. Eu pago com dinheiro vivo, mil réis. 

- Fabíola, até hoje tu insiste em pensar que tá nos anos 50, estamos em 2026!

- Mentira!

Pouco depois, apareceram as irmãs gêmeas Malu e Wéllia. Em dado momento, Wéllia disse:

- Olha pra isso. A reunião dos doidos. A mulher que pensa estar na década de 50, a maluca suja de rua chupeteira e o maluco descalço. 

- Wéllia, tu tem uma mania de se achar melhor que todo mundo, para com isso - disse Malu. 

Pouco depois, Malu também trouxe um lanche para Rita de Cássia. Ela disse:

- Vocês três são legais, obrigada. Fabíola me trouxe um lanche, depois Valdenes e agora Malu. Eu estava morrendooooo de fome. 

- O importante é que você se alimente, Rita. - disse Malu. 

Valdenes disse:

- Faltava só Wéllia ter trazido alguma coisa...

- Eu???? Jamais, eu não me misturo com essa gentalha! - disse Wéllia. 

Malu disse:

- Não liguem pra ela. 

Pouco depois, Fabíola, Valdenes, Malu e Wéllia foi cada um para sua casa, e Rita passou a noite naquela praça. 

Wêdja se diverte na piscina

 

Certo dia, num clube em Lagoa da Italianinha, Wêdja foi se divertir na piscina. Ela não se intimidou com o fato de muitas pessoas estarem de maiô e entrou completamente vestida, inclusive com os sapatos.

Wêdja nadou na piscina, mesmo que algumas pessoas a olhassem de forma estranha. Mas ela não se importou. Passou mais de duas horas se divertindo na piscina.

Depois, Wêdja foi tomar um banho, onde ficou encharcada por meia hora. Depois de tanta diversão, Wêdja saiu feliz, com as roupas molhadas, sem se importar com as críticas.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Jacilene em Vila Dourada

 

Com 59 anos de idade, já casada e com filhos, a francesa Jacilene, que nasceu em Paris e morara por muitos anos em Vila Rica, se viu em um lugar pacato no interior de Pernambuco, para onde foi com seu marido assim que se casou. O ano era 1811 e o referido povoado havia crescido, inclusive com capela e feira livre ao redor da fazenda onde residia. 

Jacilene decidiu dar o nome de "Vila Dourada" ao local, como uma espécie de homenagem à Vila Rica, por soar parecido e com o mesmo sentido. 

Feliz e tranquila, Jacilene caminhava pelas ruas do pequeno vilarejo, que nesse ano, recebeu a elevação à categoria de Vila. O local havia crescido muito em pouco tempo. 

Os habitantes do vilarejo saudavam a francesa e seu marido. Por esse motivo, Vila Dourada, além de preservar características nordestinas, também cultiva a cultura francesa. 

O território de Vila Dourada era enorme, mas sofreu uma série de desmembramentos com o passar dos anos. Primeiro, Serra Grande do Agreste se emancipou em 1890, e deste lugar, Nova Humaitá se emancipou em 1928. Mais tarde, Vila Dourada ainda perderia o sítio Maniçoba, que em 1963 se emancipou e recebeu o nome de Lagoa da Italianinha. 

Rita de Cássia e seus novos amiguinhos


Certo dia, na Praça 27 de Dezembro, em Lagoa da Italianinha, Samuel, Alice, a mendiga Rita de Cássia, Mateus e Tontom estavam juntos conversando. Rita de Cássia, que por sinal, não largava de sua boneca Dalila, parecia sentir-se à vontade ao lado de adolescentes e crianças. Mas Rita, para se ter uma ideia, é mais velha que Wéllia, a mãe de Alice, Valéria, a mãe de Samuel, e Mimi, a mãe de Tontom, sendo mais nova apenas que a prefeita Myllena, a mãe de Mateus.

Entretanto, apesar dos seus 43 anos, Rita tem mente de uma criança de cinco anos, e ela queria brincar principalmente com Tontom, a única criança do grupo - os outros já eram adolescentes. Ela disse:

- Vamos brincar de casinha, eu sou a mãe, tu é o pai da Dalila, a minha filhinha aqui...

- Eu nem posso brincar agora, mas fica para outra vez. Mas podemos conversar. 

Apesar da negativa, Rita se divertia, e disse:

- Eu quero que vocês sejam meus amiguinhos como Alice é. 

- Claro que seremos - disse Samuel. 

Mateus disse:

- Olha, porque tu não sai das ruas? Minha mãe é prefeita, posso falar com ela...

- Não, eu não quero sair das ruas. Eu sou livre. - disse Rita. 

Alice disse:

- Sim, ela quer ficar nas ruas... vamos entender ela. 

Rita se sentou e brincava com sua boneca. Os outros quatro se sentaram e se divertiam ao lado da mendiga. Mais tarde, quando Rita de Cássia foi embora, os outros quatro foram cada um para sua casa. Antes, Alice disse para os três:

- Rita é sensível, tem coração bondoso, vive nas ruas e coitada, parece criança. Não quer sair das ruas, é sozinha e nem sabemos de nenhuma família dela. Minha tia Malu sempre dá comida para ela, para ela não passar fome. 

- Coitada, ela é tão legalzinha - disse Tontom. 

- Pois é, um amor. 

- Vamos ser amigos dela, sim - disse Samuel. 

- Pena que ela quer ficar morando na rua. - disse Mateus. 

- Pois é, mas ela quer assim - disse Alice. 

Os quatro chegaram cada um em sua casa, enquanto Rita de Cássia foi para um beco com sua boneca.  

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Adanna e Dr. Becker, um casal que enfrentou desafios

 

No ano de 1945, o médico alemão Dr. Becker, que fingia ser um apoiador do regime ditatorial para salvar crianças nos campos de concentração, não conseguiu permanecer na Alemanha. 

Resultado disso foi embarcar para a África do Sul, onde passou a se estabelecer desde então. Nessa ocasião, Dr. Becker conheceu Adanna, por quem se apaixonou. 

Mas havia um outro porém. Algum tempo depois, na África do Sul, passou a vigorar um  regime de segregação racial, que inclusive incluía impedimento de casamento entre pessoas de raças diferentes. 

De início, Adanna e Dr. Becker se tratavam com desconfiança, mas com o tempo, eles passaram a se amar um ao outro, e juntos, enfrentaram as leis do país e se casaram. Viveram tempo suficiente para ver Nélson Mandela chegando à Presidência em 1994

Danúzia e Gilvânia se confrontam


 Numa certa tarde, na sua mansão, Danúzia estava em sua casa, quando viu sua prima Gilvânia, a quem odiava. Danúzia disse:

- Eu posso saber o que tu está fazendo aqui na minha casa? 

- Ué, eu sou sobrinha do seu pai, e ele, por sinal, está conversando com meu irmão no escritório dele. 

- Deveria ser proibido tu pisar seus pés sujos e nojentos nesta casa. 

Gilvânia riu e disse:

- Tu se acha muito a última bolacha do pacote, né, priminha querida? Cuidado que as últimas bolachas do pacote sempre vêm quebradas. 

- Gracinha, querendo ser piadista, nem pra isso tu presta. Aprendeu isso na cadeia onde tu ficasse presa é? 

- Ué, isso todo mundo sabe aqui fora. - disse Gilvânia. 

Danúzia disse:

- Tu é uma insolente, Gilvânia. Tenho vergonha de ser sua prima. 

- Ué, não diga, é recíproco. Também odeio ser sua prima. 

Pouco depois, o deputado estadual Moab, pai de Danúzia, apareceu na sala com o sobrinho, o vereador Marco Aurélio, irmão de Gilvânia. Moab disse:

- Que bom te rever, sobrinha. Faz tempo que você não aparece. 

- Pois é, tio. 

Danúzia disse:

- Claro, estava presa. 

- Não seja indelicada, Danúzia - disse Moab. 

- Não se preocupe, eu já estou acostumada, e além do mais, realmente estive presa, né? - disse Gilvânia. 

Marco Aurélio disse:

- Bom, vamos parar com brigas, que não leva ninguém a nada. Vamos embora. 

Marco e Gilvânia saíram dali, e Danúzia disse:

- Era pra essa pé sujo ser proibida de pisar aqui. 

- Nada disso, ela é minha sobrinha, é sua prima. 

- Tenho até vergonha de ter uma prima tão nojenta... 

Antônio Neto ataca um acampamento alemão

Durante os meses que esteve lutando no norte da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, Antônio Neto sofria por estar longe de sua casa. Ele não conseguia tirar sua mãe Mônica, que vivia no interior de Pernambuco, de sua mente. 

Antônio Neto, em 1944, aos 19 anos, foi chamado para a Força Expedicionária Brasileira, e mesmo com a oposição de sua mãe, teve que ir.

Na região da Toscana, onde Antônio Neto lutou, ele se chocou com várias cenas, de pessoas sendo mortas e mutiladas. Ele mesmo, para se defender, teve que apertar gatilho contra soldados alemães ou mesmo italianos colaboracionistas. 

Antônio Neto encontrou um acampamento alemão, e foi orientado a jogar uma granada. Ele dizia pra si mesmo:

- Eu não quero e nem gosto de fazer isso, sei que posso ferir ou até matar alguém. Mas infelizmente, ordens são ordens. Perdoe, meu Pai. 

Ele atirou a granada, e desmontou o acampamento alemão. Antônio Neto conseguiu correr dali sem ser notado. 
 

Flor relaxa na banheira


Flor, prima de Valdenes, chegou em casa e foi tomar um banho relaxante depois de um dia agitado e estressante. Ela até entrou na banheira até mesmo de sapatos e ficou lá por um bom tempo.

Flor pensou sobre sua vida e seu trabalho enquanto desfrutava de um banho tranquilo em casa.

Em certo momento, alguém tocou a campainha e Flor foi atender. Era um entregador de pizza. Flor percebeu que o entregador a olhava e disse:

- Há algum problema, senhor?

- Com licença, a senhora está todo molhada e ensaboada...

- Sim, eu estava tomando banho.

- De roupa???

- Qual o problema? Minha família gosta de tomar banho assim. Algumas pessoas na cidade tomam banho assim, parece que o senhor não é daqui.

- Com licença, senhora. Aqui está a pizza.

Flor recebeu a pizza, pagou e o entregador foi embora. Então ela voltou para a banheira.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Warlla tenta humilhar Suely

 

Numa certa manhã, Warlla, a "mendiga chique", passou por uma lanchonete na rodoviária e viu ali a juíza Suely tomando um café, e de repente, Warlla começou a olhar com  desdém para Suely, que perguntou:

- Algum problema? 

Warlla disse:

- Na boa, esquisitona a senhora, né? Olha aí sua cabeça, um aeroporto de mosquito... Eu acho que muita gente tem pena porque a senhora é careca, sabe? E anda por aí descalça parecendo mendiga. 

Suely disse:

- Parecendo mendiga? Mas quem é que dorme nas ruas aqui? 

- Eu sou mendiga, mas sou chique. Olhe pra mim. 

- Verdade, Warlla, tô te olhando e sentindo forte cheiro de mijo e de... quer que eu fale mesmo?

- Não seja insolente. 

Suely disse:

- Warlla, quando você foi rica, você causou muitos problemas, eu mesma liderei vários processos contra você. Agora, vejo que tu,  mesmo morando na rua agora há quatro anos, não se corrigiu, continua a mesma prepotente de sempre. 

- Você tá é com inveja de mim porque tu não é bonita feito eu. 

Suely riu e disse:

- Inveja? Eu não sou melhor que ninguém por isso, claro, mas eu tenho trabalho, sou bem conceituada, e vou pra uma casa, e durmo tranquilamente na minha rede, eu não gosto de cama. Mas veja, e você, dorme onde mesmo? 

Warlla bateu palmas ironicamente, dizendo:

- A máscara da juizinha careca já caiu, já tá se achando a melhor porque tem casa. 

Suely disse:

- Quer um café? Se quiser, eu pago. 

- Não. Não quero receber nada de uma pobretona da cabeça lisa e pés sujos. 

- Pobretona? Engraçado, eu sou irmã da prefeita, não sei se tu sabe. Apesar que eu não me considero melhor que ninguém por isso. 

- Grande coisa, essa prefeitinha pé sujo feito tu. Um dia ela sai do poder, aí tu fica pobre, também. 

Suely se levantou e disse:

- Warlla, tu vive nas ruas, mas tem mentalidade de rica, eu sou rica, mas tenho mentalidade humilde. Olha, Warlla, na boa? Procura um  tratamento psicológico. Tem aí tratamento de graça, você não precisa pagar nada, tem aí gente da prefeitura que trabalha com saúde mental. 

- Olha quem fala... uma louca que raspou a cabeça e anda por aí de pé no chão. 

- Se tu quer levar pra esse lado, é um direito seu. Mas que tu, Warlla, precisa descer do pedestal, isso tu precisa, mesmo. 

Warlla disse:

- Olha, faz o seguinte, dá um trocado pra mim comprar um... cigarro. 

- Não. Não ajudo a alimentar vício de ninguém. Se tu quiser, pago café ou lanche, mas cigarro, não conte comigo. 

Warlla disse:

- Idiota! Vou sair de perto, essa sua mente pobre pode ser contagiosa. 

Warlla se retirou, e Suely dava risadas, indo para o fórum e lembrando disso. 

Gilvânia na rodoviária

 

Em Lagoa da Italianinha, Gilvânia, a irmã do vereador Marco Aurélio, saiu para a rodoviária para tomar um café por ali, e foi atendida por Marlene. Gilvânia, que também é sobrinha do deputado estadual Moab, deu um show de antipatia, enquanto era atendida. Marlene disse:

- Vai querer alguma coisa?

Gilvânia disse:

- Se eu não quisesse eu não estava aqui, estrupício. 

Marlene respirou fundo para evitar dar uma resposta e perder a cliente. Marlene serviu um  café para Gilvânia, que disse:

- Só estou aqui por causa do meu irmão, afinal, ele me paga  e eu não preciso trabalhar. Mas aqui não tem nada de interessante. 

Marlene perguntou:

- Mais alguma coisa, senhora?

- Tem baratas, insetos, por aí? Gosto de comer insetos. 

- Eca., Aqui a gente não serve isso, não. 

- Pois deveria. Que porcaria de lanchonete é essa? 

- Olha, senhora, aqui já trabalho há anos, e não existem reclamações. 

- Grande coisa. Vou pagar só esse café, mesmo, e olhe lá. Vou pra minha casa, aqui não tem nada que preste, vou dormir agora...

- Essa hora, ainda pela manhã? 

- Sim, dentro do meu caixão confortável. 

Gilvânia pagou e foi embora. Marlene dizia:

- Que mulher mais antipática. 

Deinha, sua funcionária, viu de longe, e disse:

- Essa é a irmã descalça do vereador que dizem que dorme num caixão e come insetos?

- Ela mesma. É que a prima dela Danúzia, odeia. 

- Danúzia? Gilvânia? Dou uma na outra e não quero troco. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Valéria passa a viver em Londres

 

A aeromoça Valéria foi contratada pela empresa de aviação onde trabalha a passar a trabalhar na rota Recife-Londres, e assim, acabou se estabelecendo em Londres. Mesmo assim, devido ao seu trabalho, Valéria costuma aparecer em Lagoa da Italianinha, no Brasil, especialmente para visitar seu filho Samuel, que vive com suas tias, irmãs da aeromoça. 

Valéria também quis ficar mais perto da irmã, Milady, que mora em Berlim, na Alemanha, além de tentar convencer sua outra irmã, Rafinha, a fazer um tratamento contra sua doença mental na Inglaterra. Rafinha, porém, se recusa a fazer qualquer tratamento. 

Samuel, o filho de Valéria, sente saudades da mãe, mas se comunica com ela via telefone e Whatsapp. Samuel não reclama, pois entende que é o serviço da mãe. Ele mora em Lagoa da Italianinha com suas tias Vanessa, Bruna e Rafinha, e recebe a visita da mãe quando ela posa em Recife. 

Carismática, aventureira e corajosa, Valéria arrumou muitas amizades em Londres. Ela também domina os idiomas inglês, alemão e italiano - devido ao fato de Lagoa da Italianinha, sua cidade natal, ter sido fundada por italianos. 

Uma mudança para outro mundo


O ano era 1782 e a jovem francesa Jacilene, aos 30 anos de idade, vivia uma grande mudança em sua vida. Nascida e criada nas altas cortes de Paris, Jacilene não conseguiu se adaptar ao modelo de sociedade que vigorava em seu país na época. 

Jacilene foi radical, e partiu rumo a um lugar diferente. Deixara seu país, um país livre e soberano, e se aventuraria em uma colônia de outro país, longe da Europa. Jacilene foi para a América Portuguesa, onde atualmente se localiza o Brasil. 

Desceu no Rio de Janeiro, e dali, seguiu para Vila Rica, na época, capital de Minas Gerais. 

Durante a viagem, que durou vários dias, Jacilene, no navio, contemplava o mar, sonhando com a revolução que pusesse fim ao absolutismo na França, além de lembrar da difícil relação com seus pais, absolutistas de carteirinha. 

Jacilene se mantinha afastada das pessoas que estavam no navio. Ela pensava consigo mesma:

- Saí do meu país, da minha parentela, da minha pátria, da minha gente.. fico pensando o que vai ser de mim? 

Mal sabia Jacilene que ela seria uma grande iluminista em Minas Gerais e ajudaria a fundar uma cidade no interior de Pernambuco...

Rita de Cássia abraça Solange no seu aniversário

 

Numa certa noite, a mendiga Rita de Cássia resolveu fazer companhia para a mendiga Solange, que estava solitária. O detalhe é que Solange estava fazendo aniversário, completando 46 anos, mas sem nenhuma companhia. 

Rita, conhecida por ter mente de criança - tem 43 anos, mas tem mente de uma menina de cinco anos -, notou Solange triste e disse:

- O que foi, dona Solange?

- Tô ficando mais velha hoje, e estou solitária. 

- Puxa, parabéns, dona Solange. Eu e minha filha Dalila podemos lhe fazer companhia?

- Claro que pode, querida.

Solange estava triste, e Rita de Cássia a abraçou, dizendo:

- Gosto da senhora como se fosse minha mãe. 

- Obrigada viu? 

Não demorou muito, Solange pegou no sono. Rita de Cássia dizia pra sua boneca:

- Dalila, ela dormiu. Vou deitá-la e vou dormir, também. 

Rita deitou Solange no chão, e depois, ela mesma se deitou e pegou no sono naquela rua deserto. Solange dormira feliz, pois seu aniversário tinha valido a pena, por ter a companhia de uma pessoa. 

Ilene e Danúzia


Duas mulheres da alta sociedade da Lagoa da Italianinha, que são as vilãs destas histórias, Ilene e Danúzia, compartilham o mesmo gosto: ambas praticam o wetlook, ou seja, tomam banho completamente vestidas, sem sequer tirar os sapatos.

Ilene, a princípio, não fazia isso, mas um dia, vendo Danúzia nadando na piscina vestida, perguntou:

- Por que você entra na piscina assim?

- Porque sou chique até debaixo d'água!

Ao chegar em casa, Ilene experimentou a sensação e gostou. Desde então, há mais de dez anos, segue uma rotina rigorosa de estar sempre bem vestida em seus banhos. Ilene chegou a abrir uma agência de modelos onde modelos são filmadas ou fotografadas praticando o mesmo hábito. Seja no chuveiro, na banheira, na piscina, na praia, na cachoeira ou no rio, Ilene exala elegância.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Samuel, Alice, Mateus e Tontom, o novo quarteto de Lagoa da Italianinha

Em Lagoa da Italianinha, chama atenção que Samuel, Alice, Matheus e Tontom praticamente estão andando juntos pelas ruas da cidade. Tontom, que foi o último a chegar na cidade, acabou se juntando aos três amigos. 

Samuel, o filho da aeromoça Valéria, conhecido por ser bem maluquinho, é apaixonado por Alice, a filha de Wéllia, mas ela só o enxerga como amigo. Para estar do lado da sua amada, Samuel tenta manter boa relação com Mateus, o filho da prefeita Myllena, que também esconde um amor por Alice. Para complicar, Alice ganhou ainda mais um admirador, Tontom, o filho de Mimi. Curiosamente, Mateus e Tontom são amigos, mas filhos das duas adversárias das eleições de 2024. 

Wéllia, a mãe de Alice, reprova a amizade dela com os três "malucos", já que Samuel não gosta de usar roupas elegantes, Mateus anda sempre descalço e Tontom usa um sapato num pé e anda com o outro pé descalço. 

Alice, porém, defende os três. Para ela, eles são "amigos de verdade". Apesar dos três serem rivais na luta para conquistar Alice, eles costumam se unir quando se trata de livrá-la de algum perigo, já que Alice costuma se envolver em risco com muita frequência. 
 

Flor e sua discrição

A jovem Flor, prima de Valdenes, depois que deixou a política, tem se dedicado a negócios em Lagoa da Italianinha. Ela mantém uma parceria com a ex-vice-prefeita Marcella Virgínia, e não descarta uma volta à política. Mas Flor não parece mais interessada em apoiar a prefeita Myllena, de quem foi secretária na primeira gestão. 

Flor gosta de trabalhar, e no lazer, gosta de nadar. Pouco dá entrevistas e tem sido bastante discreta. O que se comenta na cidade é que ela não pretende apoiar Myllena para deputada estadual caso ela saia candidata, pois Flor não tem nenhuma participação na atual gestão municipal. 
 

Rita de Cássia enfrenta Wéllia

 

Numa certa tarde, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a mendiga Rita de Cássia estava com sua boneca Dalila, em situação de confronto com a publicitária Wéllia. Naquela hora, passaram Malu, a irmã gêmea de Wéllia, e sua sobrinha Alice, a filha de Wéllia, e vendo a cena, Malu disse:

- Mas o que significa isso? 

Wéllia disse:

- Essa mendiga suja está me desafiando!

- Sua mentirosa! Você veio aqui me humilhar, tu se acha melhor que eu!

- E eu sou melhor do que tu, sua boboca. Olha aí onde tu mora, nas ruas, sem casa, veja eu, eu moro em uma mansão! 

Rita de Cássia ia bater sua boneca Dalila em Wéllia, mas Malu não deixou: 

- Para com isso, deixe isso pra lá, Rita. Não ligue pra ela. 

Wéllia disse:

- Essa mendiga suja e fedida nunca vai chegar aos meus pés!

Alice disse:

- Chega, mãe. Vamos parar com isso. 

Malu levou Rita de Cássia para ali perto. Wéllia disse para Alice:

- Tu tá do lado de quem, sua maluca? 

- Mãe, não tenho como ficar do seu lado desse jeito. 

Malu apareceu e disse:

- Wéllia, francamente, tu não tem noção, mesmo. Tu aqui brigando com uma pobrezinha de rua, que coitada, tem mente de criança? 

- Ela me desafiou!

- Eu te conheço, Wéllia. Tu não pode ver um mendigo que já quer sair humilhando. Ela só deu a resposta! 

- Ah, minha irmã gêmea e minha filha defendendo essa mendiga porca, isso eu não aguento. Vou embora, que isso pode ser contagioso!

Wéllia se retirou. Malu foi pagar um lanche para Rita de Cássia e depois, foi embora com sua sobrinha Malu. 

O aniversário de Antônio Neto

 

Antônio Neto, o ex-pracinha de Lagoa da Italianinha que lutou no norte da Itália, chegou aos 101 anos, morando na mesma casa onde cresceu com sua mãe, Mônica, e de onde passou um tempo distante até conseguir recomprá-la de novo. 

Kátia, sua neta, foi visitar o avô, ao lado do seu primo Valdenes. Ambos foram recebidos por ele, com muita alegria. Ao ver seus dois netos, Antônio Neto disse:

- Muito feliz em receber vocês aqui, alguém ainda se lembra de mim. 

Kátia lhe trouxe um bolo, em comemoração aos seus 101 anos de idade. Antônio Neto nasceu lá em 1925, e cresceu ali em pleno interior de Pernambuco, mas aos 19 anos, foi chamado para a guerra, onde passou alguns meses, que para ele foram uma eternidade. O ponto bom desse tempo foi que conheceu a italiana Roberta, com quem se casou depois da guerra, formando uma grande família. 

Suziana, a outra neta de Antônio Neto, recebeu sua irmã e seu primo, e fizeram um almoço juntos. Katariny, a cantora irmã gêmea de Kátia, chegou depois, e chegou a tocar um violão e cantar para o avô. Ele passou uma tarde inesquecível ao lado de seus netos. 

Sandra Valéria e Myllena se encontram novamente


A deputada federal Sandra Valéria esteve na Prefeitura de Lagoa da Italianinha, onde teve uma conversa com a prefeita Myllena. Esse encontro foi histórico, já que ambas não se falavam desde 2013, e Sandra Valéria não tinha pisado na Prefeitura desde 2021, quando foi Myllena, sua adversária, foi eleita prefeita. 

Em 2013, Sandra Valéria tinha acabado de ser empossada prefeita, e Myllena era sua vice, mas naquele ano, Myllena rompeu com a prefeita, e se tornou sua maior adversária, a ponto de pedir seu impeachment e não dirigir mais a palavra à ela. Quando as duas precisavam conversar sobre algo, era a deputada estadual Janayna quem fazia a interlocução. Em 2016, Sandra Valéria foi reeleita exatamente derrotando Myllena na disputa. 

Mas as duas andam tendo algumas conversas formais, e já se especula na cidade que Sandra Valéria e Myllena poderão voltar a ser aliadas. Mas Myllena já descartou essa possibilidade, dizendo que respeita a deputada de forma institucional, e que se dispôs a conversar com ela, mas as duas permanecem em palanques opostos. 

Mas Sandra Valéria anda tentando voltar a ter Myllena como aliada, como foi em tempos passados. A deputada até ofereceu apoio à filha de Myllena, Giovanna Victórya, que deverá assumir a Prefeitura assim que a mãe renunciar para ser candidata a deputada estadual. Sandra Valéria chegou até mesmo a fazer elogios públicos à Giovanna, chamando-a de "jovem promissora".

Nos bastidores, Sandra Valéria tenta ser a única candidata a deputada federal, fazendo dobradinha na cidade com três candidatos a deputado estadual: Moab, Janayna e Myllena. Arinaldo, atualmente deputado federal, não pretende buscar a reeleição, e Janayna, que tem cogitado disputar a cadeira de deputada federal, anda pensando em tentar uma reeleição na Assembleia Legislativa. 

O fato é que embora as duas neguem, elas realmente estão buscando um entendimento político e uma aliança. Myllena deseja que sua filha Giovanna governe com mais apoio possível. Algumas arestas ainda existem entre elas, mas o diálogo começou a acontecer. 

Em entrevista polêmica, Vanessa defende a causa dos descalços

 

A vereadora Vanessa, em Lagoa da Italianinha, foi entrevistada na Rádio Auriverde e chegou a dar declarações bastante polêmicas, principalmente atacando a prefeita Myllena. O apresentador chegou a lembrar que as duas fazem parte da mesma Sociedade dos Pés Livres, e ambas andam descalças. Vanessa, porém, disse:

- Eu sou uma descalça mais convicta que ela. Não tivemos nenhum ganho com ela na Prefeitura quanto a essa causa. Ela é mais demagoga. Ela tem dois filhos, mais só um anda descalço, a filha dela, a vice-prefeita, usa sapatos. Filho meu, tivesse um, quatro, sete ou dez, nenhum deles não usaria nem chinelo! 

Vanessa se diz mais radical que Myllena quando se trata de andar descalça. Ela diz até que sonha em "libertar as pessoas dos calçados". 

Vanessa também não descartou uma futura disputa para Prefeitura. Ela disse:

- Estou pronta para disputar a Prefeitura, tentar mostrar uma coisa nova nessa cidade. Já precisamos urgente nos livrar do círculo vicioso que tá por aí. Agora, aqui tá parecendo monarquia, pois a mãe vai deixar a Prefeitura pra ser deputada estadual e a filha vai assumir a cadeira de prefeita. 

Puxando a sardinha novamente para os descalços, a vereadora disse:

- Se eu for prefeita, criarei uma secretaria voltada para os descalços, pois somos ainda discriminados, muita gente fica me perguntando se eu estou pedindo esmolas, não entendem que eu rejeito calçados porque é o estilo de vida que eu adotei. Essa prefeita que está aí não criou, e eu vou criar. 

Alguns ouvintes começaram a acusar Vanessa de querer obrigar outras pessoas a andarem descalças. Vanessa rebateu:

- Não quero obrigar ninguém a nada, quero apenas apoiar mais a causa dos descalços, que a prefeita pouco ou nada fez. E a minha fala acima foi só referente a filhos meus, não a outras pessoas.

A entrevista dividiu opiniões, pois alguns aplaudiam a autenticidade de Vanessa, outros a chamavam de "louca". 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A resiliência de Solange


Desde que passou a morar nas ruas em 1999, Solange se mantém resiliente, como se aceitasse seu destino. Embora tivesse tido a oportunidade duas vezes de sair das ruas, ela se recusou, e se manteve morando ao relento. 

Ela tinha apenas 17 anos quando virou mendiga, e hoje, com 46 anos, se mantém assim, apesar de todas as críticas que recebe. Já foi chamada de "vagabunda" e de "louca". Mas Solange não quis abandonar seus outros amigos de rua, especialmente Fábia. 

Uma das características peculiares de Solange é que ela só aceita comida, não costuma aceitar dinheiro nem calçados - ela se sente bem andando descalça -, e costuma dormir em ruas com pouco movimento. Segundo ela, é melhor para "orar" e "meditar". 

Solange caminha pelas ruas diante de pessoas que costumam condená-la ou fechar os olhos para sua real situação. 

Além do mais, Solange gosta muito de comer, e tem uma preferência especial por tapioca. A mendiga muitas vezes costuma dizer:

- Quem quiser me conquistar pela barriga, me faça tapioca. 

Solange tem gênio forte e não tem medo de nada, mas é conhecida também por ser generosa. Não costuma comer sozinha quando ganha comida, e costuma dividir com algum outro morador de rua que esteja ao seu lado. 

O Filho de Mimi

 

Por esses dias, chegou em Lagoa da Italianinha, e para ficar, um menino bonito e bem extrovertido. Mas com uma particularidade: ele anda com o sapato no pé direito e o pé esquerdo descalço. Logo, por conta disso, já descobriam que é a mãe dele...

Certo dia, ele caminhando pelo Pátio Verona, Alice, a filha de Wéllia, viu o menino e disse:

- Ei, tu é filho de dona Mimi, aquela careca que trabalha na feira?

- Oxe, como tu sabe? 

Alice riu e disse:

- Porque só podia ser, quem eu conheço que anda com um pé calçado e outro descalço é ela...

- Sim, exatamente. Eu herdei isso dela, e quer saber? É muito bom, é o maior barato. Um pé calçado e outro descalço. 

- E por onde tu andava?

- Eu estava em Caruaru, com meus avós. Mas agora, voltei pra ficar. 

- Que legal, qual o seu nome?

- Antônio, mas pode me chamar de Tontom. 

- Eita, eu sou Alice. Muito prazer. 

Samuel, pouco depois, apareceu, e disse:

- Oxe, quem é esse menino, e porque ele tá com o sapato num só pé?

- Ele é filho de Mimi, que foi candidata a prefeita. 

- Ah, só podia ser. 

Tontom disse:

- Bom, foi um prazer conhecê-los. Estou indo lá pra feira ficar com minha mãe. 

- Só falta tu ser careca feito ela - disse Samuel. 

- Não, eu gosto dos meus cabelos. Mas com licença. 

Tontom saiu dali, e Alice disse:

- Samuel, tu ficasse com ciúme dele? 

- Eu não. 

- Deixe de ser bobo. Eu gostei dele, apenas pra ser amigo, como você é. 

- Tá bom...

Tontom chegou na feira, e sua mãe Mimi o recebeu com muito amor. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Encontro na chuva

 

Numa noite chuvosa em Vila Dourada, no interior de Pernambuco, no ano de 1947, a portuguesa Mary Dee havia bebido um pouco além da conta, mas viu uma pessoa andando na chuva. Mary Dee foi até essa pessoa, mesmo enfrentando essa forte chuva. Era a italiana Tia Sandra, que havia saído da casa onde estava morando, no sítio Maniçoba, para dar um passeio e ainda não voltara. 

Tia Sandra, que já tinha 56 anos nessa época, tinha mente de criança e não largava sua boneca de pano. Mary Dee disse:

- Mas o que estás a fazer na chuva?

- Eu??? Bem, eu só quis passear...

- Vamos pra sua casa. 

- Onde estou? - dizia Tia Sandra. 

- Tu vieste parar aqui em Vila Dourada, bem longe da fazenda da tua sobrinha Lanie, gaja! 

- Nossa... eu quero ver minha sobrinha. 

- Vamos pra lá agora. 

Mesmo descalças, as duas andavam pela chuva torrencial. Pouco depois, passou ali um caminhão. Era o italiano Jadiael, que disse:

- Tia Sandra. Minha esposa Lanie tá preocupada com você! 

Tia Sandra subiu no caminhão, e Mary Dee disse:

- Que bom que tu vai voltar pra casa. Vá em paz. 

Jadiael disse:

- Espere, Mary Dee, tu tá indo pra onde?

- Pra casa. 

- Tua casa tá longe, lá perto da minha fazenda onde Tia Sandra mora, tu vai andar nessa chuva, tu descalça e bêbada?

- Mas...

- Deixe de coisa, sobe aí, portuguesa, que eu te levo!

Mary Dee subiu no caminhão e foi para sua casa. Jadiael levou Tia Sandra de volta para sua fazenda e Lanie, que estava preocupada, finalmente, se sentiu aliviada. 

A Cultura da Honestidade


Numa certa tarde, o sueco Gustav caminhava pelas ruas em Lagoa da Italianinha, quando viu uma carteira caída no chão do Pátio Verona. Ele pegou a carteira, e saiu procurando quem seria o dono ou a dona dela. 

Em dado momento, a mendiga Priscila gritou e disse:

- É minha!

- Sua???? - disse Gustav. 

- Sim, claro que é minha. Pode me dar. 

Valdenes apareceu e disse:

- Deixa de ser mentirosa, Priscila. Essa carteira é de Marcella. 

- Mentira sua! 

- Mentira, nada, eu vi quando a carteira caiu, e quando eu ia pegá-la para devolver a Marcella, esse moço achou, e vim procurar por ele pra avisá-lo.

Priscila disse:

- Avisou porque é besta, Valdenes. Eu, vendo uma carteira dessas, eu pegava, e a maioria faria isso!

Gustav disse:

- Pois lá no meu país, a Suécia, as pessoas são honestas e se acham uma caneta, querem devolver ao dono. 

Valdenes disse:

- Eita, aqui, quando colocam uma caneta numa lotérica, ela some...

- Me leve até a dona dessa carteira, por favor. 

Valdenes levou Gustav até Marcella, que já estava desesperada. Gustav disse:

- Essa carteira é sua?

- É sim! 

- Ela tinha caído ali do lado da fonte. 

Marcella abriu sua carteira e mostrou o RG dela. Marcella ainda quis dar uma recompensa a Gustav, mas ele disse:

- Por favor, não se importe. Eu fiz isso porque é cultura no meu país, se acham algo, a gente não sossega enquanto não devolve. 

- Que país é o seu?

- Suécia. 

- Notei pelo seu sotaque que não és daqui.

- Sim, meu pai Adam é um dos sócios do novo shopping que abriu aqui, aí nós viemos morar aqui. 

- Entendi... uma pena que aqui no Brasil, a desonestidade impera.. não de todos, claro. Mas a maioria. Tu imagina, que quando cai um caminhão na estrada, o pessoal vai lá e saqueia, rouba carga?

- Mas isso é muito triste. Quando cai um caminhão assim por lá, a gente se preocupa primeiro em socorrer o motorista. 

- Era tão bom que fosse assim aqui também...

- Bom, a carteira está devolvida, vou indo. 

- Muito obrigada, mesmo, viu? 

Marcella voltou para casa, feliz em ter recuperado sua carteira com o dinheiro apurado da venda de seus lanches. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Samuel se declara para Alice

 

Numa certa manhã, Samuel decidiu tomar coragem para se declarar para a Alice. O filho da aeromoça Valéria andava nutrindo um sentimento especial pela filha de Wéllia. 

Samuel, numa das praças em Lagoa da Italianinha, se ajoelhou e disse para Alice:

- Quer ser minha namorada?

Alice levou um susto. Mas ao se recuperar, disse:

- Samuel, não me leve a mal, mas eu só te vejo como um grande amigo. 

- Puxa, não diz isso. Só porque não gosto de me vestir elegante e ando assim despojado?

Alice riu e disse:

- Nada disso, seu bobo. Eu gosto desse seu jeito autêntico, querido. Mas namorar não está nos meus planos. Espero que me entenda, não me leve a mal. 

- Sei, entendo...

- Samuel, espero que não fique triste comigo. Me desculpa se em algum momento, você deixou nascer isso em seu coração por causa de algo que eu fiz ou disse. Mas entenda. Não é nada com você, na verdade, sou eu mesma. Preciso priorizar meus estudos. 

- Certo, eu entendo, Alice. Relaxa. 

Samuel saiu dali, um pouco triste. Alice o observava de longe. Apesar da negativa, Samuel continuou mantendo amizade com Alice, na esperança de um dia conquistá-la. 

A Convenção dos Descalços

 

Num certo dia, a empresária Karla Patrícia, em Lagoa da Italianinha, conseguiu convidar algumas pessoas para uma convenção que reuniria os descalços da cidade. Ela, que havia fundado a Sociedade dos Pés Livres, decidiu realizar essa convenção, não só com os membros da sociedade, como com todos que amam andar descalços. 

A prefeita Myllena, descalça convicta, apareceu com seu filho Mateus. Myllena e a vereadora Vanessa, uma das fundadoras da sociedade, estavam em conflito uma com a outra, mas trocaram um cumprimento leve. A irmã de Myllena, a juíza Suely, também se fez presente, com seu funcionário Valdenes, outro descalço. Além deles, estavam a própria vereadora Vanessa, a cantora Marília do Acordeon e a simples vendedora de picolés Leila. Branco, outro fundador da sociedade, chegou depois, quando a reunião já tinha começado. 

Alguns ali contavam suas experiências de vida após ter adotado esse estilo de vida sem calçados. Contavam os preconceitos que sofriam e até as inúmeras vezes que foram barrados em alguns lugares por estar descalços. Myllena se filiou à Sociedade, e a prefeita confessou que seu sonho é conseguir fundar um partido formado por descalços. 

Apesar de ser adversária política, a vereadora Vanessa não se opôs à entrada de Myllena na Sociedade dos Pés Livres. Karla Patrícia, que se tornou a presidente da Sociedade, discursou:

- Eu quero aqui agradecer aos colegas descalços pela presença, e temos que nos unir contra toda espécie de preconceitos que sofremos. Quantas vezes nós não somos barrados? Precisamos ter a liberdade de optar em não usar calçados. Na minha loja de produtos naturais, todas minhas funcionárias andam descalças igual a mim. As pessoas nos olham como se fôssemos mendigos, mas não somos. É uma opção nossa, e calçados deveriam ser artigos facultativos, usa quem quiser, e não artigo obrigatório. 

Karla Patrícia foi bastante aplaudida. Ela facultou a palavra para alguns, e Vanessa teve a oportunidade de falar, lembrando de alguns "descalços históricos" da cidade, a exemplo de Maria Clara, a italiana Giuliana, o italiano Arthur, a freira Irmã Renata Augusta, a portuguesa Mary Dee e o avô de Valdenes, Antônio Neto, único remanescente ainda vivo desse grupo. Valdenes até disse quando falaram do seu avô:

- Puxei a ele, lógico. 

A juíza Suely também discursou, e se filiou à Sociedade com sua irmã Myllena. Suely parabenizou a iniciativa e disse que seria uma militante fiel em favor da causa. Myllena, por sua vez, estava radiante, e empolgada por ter se filiado à Sociedade dos Pés Livres, pretendia ser uma apoiadora mensal contribuindo em grande quantia, além de procurar trazer membros novos. Seu filho Mateus, embora descalço convicto como a mãe e empolgado, não se filiou à Sociedade por ser de menor. 

Ao fim da Convenção, Marília do Acordeon, sobrinha de Karla Patrícia, ainda fez seu show, animando todos os presentes. 

Warlla atordoada depois de uma noite ao relento

 

Depois de passar mais uma noite dormindo em uma calçada no centro de Lagoa da Italianinha, Warlla, a mendiga chique, acordou amargurada com a vida. Ela olhou para si mesma e dizia:

- Droga, tô toda mijada! Bebi demais ontem!

Muitos passavam por ela e fingiam que nem viam. Warlla dizia:

- É assim, quando eu era rica, me beijavam os pés, agora, mal olham pra minha cara!

Warlla se levantou e foi logo na barraca de Josinete, querendo comprar cigarro. Josinete disse:

- Que fedor de mijo é esse, mulher?

- Eu bebi e... já sabe, né? 

- Mulher, que vida tu leva, tu até uns anos atrás, vivia no luxo e agora tá assim. Tu não quer mudar de vida, tu tem família rica....

- Quero que eles se explodam! 

- Não diga isso, Warlla. 

- Digo, sim, eles me odeiam e eu odeio eles! Deixe eu na rua, mesmo, é melhor do que estar com eles!

Warlla saiu de perto, e Josinete dizia:

- Essa mulher realmente não tá bem da cabeça...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Um encontro tenso no aniversário de Milady


 A brasileira Milady fez mais um aniversário e convidou cinco amigos seus para ir para um restaurante em Berlim: a alemã Ludmylla, a brasileira Carol e o casal Waldo e Karola. Mas o que eles não imaginavam é que Margarete, que Waldo é perdidamente apaixonado, estava ali, do lado do Jordan, que usava terno e gravata. 

Carol perguntou:

- Quem é essa olhando para cá?

- Essa é a Margarete, que Waldo ficava atrás dela, eu já disse várias vezes que ele esquecesse dela, pois ela o odeia, e agora, ele está com a Karola. - disse Milady. 

Ludmylla disse:

- Waldo, tu não se importa com a presença dela aqui? 

- Aqui é público. 

Waldo fez ainda mais. Levantou-se com Karola e foi abraçar e beijá-la. Margarete disse para Milady:

- Vocês acham que vão me provocar com isso? Esse daí é louco por mim, mas eu não quero ele! 

- Não deveria se incomodar, ele agora está com quem realmente o ama! - disse Milady. 

- Uma coitada...

Jordan disse:

- Chega, Margarete. Toda vez que tu vê esse rapaz, tu dá um show, não vou ficar suportando isso. 

- Espere, Jordan, vamos conversar. 

Margarete saiu atrás de Jordan, e pouco depois, Waldo e Karola voltaram à mesa. Karola disse:

- Desculpa por estragar tua festa de aniversário, Milady., 

- Nada, eu fiquei foi feliz que coloquei essa que saiu no devido lugar dela. E eu espero, Waldo, que você nunca mais vá atrás dela, senão eu rompo a amizade com você. 

- Mas, isso nunca! Karola é quem me importa agora. 

Karola deu um sorriso. 

Edward recebe visita de Vernon

Certo dia, na Filadélfia, Edward recebeu seu amigo Vernon, que viera de Goldenville, ali perto. Vernon foi passar uns dias na casa do seu amigo de infância. 

Edward disse:

- Seja bem vindo, Vernon. Minha esposa Judy tá fazendo um almoço muito bom. 

- Muito obrigado. Vai ser bom passar alguns dias fora. 

Edward disse:

- Olha, fique à vontade, tem um quarto já preparado, não se preocupe. Tome um banho, relaxe, aliás, eu sei que tu gosta de tomar banho de roupa, Vernon, pois você pode tomar banho até de sapatos, se tu quiser! Seja você sempre! 

- Muito obrigado, viu? 

Vernon tomou um banho, e depois, tirou a roupa, lavou e pendurou sua roupa no varal. Almoçou e trocava muitas ideias sobre política, principalmente. Judy, a esposa, dizia:

- Esses dois quando começam a falar de política... vão até de madrugada. 

Edward e Vernon ainda passeavam pelas ruas da Filadélfia, visitando os monumentos referentes à Independência dos Estados Unidos. 

Regina e as alunas de piano

Por volta de 1785, em Vila Rica, Regina se via ensinando outras jovens a tocar piano. Além de Milena, uma jovem de família aristocrática da então capital mineira, a recém-chegada Jacilene, francesa que viera habitar ali, estavam entre os vários interessados a aprender piano com Regina. 

Certo dia, enquanto Regina observava sua aluna Milena tocando piano, Jacilene, sentada, via se perto como sua colega fazia. Jacilene disse:

- Sempre quis aprender piano, mas meu pai nunca quis. 

- Uma pena, pois tocar piano é maravilhoso - disse Milena. 

Regina retrucou:

- Agora, você chegou da França, e estou aqui disposta a te ensinar, também. 

Jacilene disse:

- Mas somos só eu e ela?

- Não, tem muitos outros alunos, pessoas de Vila Rica e até de outras cidade. As pessoas mais pobres eu costumo fazer um desconto. Realmente, eu desejo que mais pessoas possam aprender essa arte maravilhosa. 

Milena disse:

- Eu quero ainda ir em Viena e conhecer Mozart. 

- Dizem que ele é um gênio, já ouvi falar dele na França também - disse Jacilene. 

- Se conhecer ele, não esqueça de falar de mim - disse Regina. 

- Está certo...

Milena continuou dedilhando o piano, sendo observada por Jacilene e por sua professora Regina. 

domingo, 18 de janeiro de 2026

Encontro na Cachoeira


Num certo domingo, na Cachoeira Sol Nascente, em Lagoa da Italianinha, as modelos italianas Cláudia e Érica encontraram Valdenes, que assim como elas, estava nadando ali de roupa e tudo, diferente dos banhistas que ali estavam. Cláudia disse:

- Molto bene, bagno vestiti come noi! 

Valdenes, apesar de ser neto de uma italiana a Roberta, pouco entendia o sotaque das duas. Mas entendeu que elas o elogiavam por ele estar vestido dentro da água. Ele disse, usando gestos:

- Obrigado, mas é assim que eu gosto assim mesmo, desde criança...

- Nostro migliore amico! - disse Érica. 

Os banhistas que ali estavam olhavam os três com um misto de surpresa e de zombaria. Naquele local em pleno interior de Pernambuco, eles viam quem entrava de roupa e tudo na água como "matutos". 

Valdenes avisou ás duas italianas sobre a visão das pessoas que ali estavam, mas elas disseram não se importar com as críticas. Disseram que no país delas, na região de Marcas, de onde elas tinham vindo, não era diferente. 

Cláudia e Érica se deram tão bem em Lagoa da Italianinha que decidiram viver ali, trabalhando inclusive na agência de modelos de Ilene. E Valdenes conseguiu estreitar o laço de amizade com as duas italianas. 

sábado, 17 de janeiro de 2026

Jessy se arrisca no rio

 

Jessy, a jovem gari, é capaz até de se arriscar de uma forma preocupante para poder deixar qualquer ambiente limpo. Foi o que ela fez quando decidiu entrar no rio para recolher lixos jogados ali. Seus colegas garis ficaram preocupados, e um deles disse:

- Jessy, ficasse doida? 

- Nada disso, eu não suporto ver sujeira, só isso. E em vez de ficar me criticando, me ajudem. 

Jessy entrou de uniforme e botas no rio e recolhia os entulhos. Um de seus colegas tinha um saco onde ela ia colocando o que ela tirou do rio. 

Jessy, ao sair do rio, disse:

- Vamos levar isso no caminhão. 

- Jessy, cuidado, tu entrasse assim no rio sujo...

- Não tenho medo, não. Depois, vou chegar em casa e tomo um bom banho. Vamos logo com isso, pessoal. 

Pegaram o carro de lixo e circulavam pela cidade. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A freira e seu amigo


 Numa certa manhã, a freira Irmã Alcineia mandou chamar Valdenes no Colégio Irmã Renata Augusta, em Lagoa da Italianinha. Em dado momento, Valdenes ia entrando com medo, pois ele estava descalço e pensava que ia ser barrado, mas a freira disse:

- Eu removi essa proibição aqui do colégio. As pessoas podem entrar descalças, sim. Até fiz isso em memória à homenageada desse colégio, que passou metade de sua vida com os pés no chão! 

- Ah, que bom, agora me sinto à vontade. 

Irmã Alcineia disse:

- Quer um lanche? Um café?

- Aceito, irmã.

Irmã Alcineia disse:

- Vai casar quando?

- Oxe, eu nem sei. Nem imagino. A mulher de quem eu gosto eu não consigo ficar com ela porque o pai dela é deputado, e não deixa, e eu tô até tentando namorar uma florista, mas ela parece ter um gênio muito difícil. 

- Entendo. Por isso, prefiro ser freira. Relacionamento não foi feito para mim. 

- Que mal lhe pergunte, irmã, mas me lembro até quando eu morava nas ruas, que a senhora tinha um namorado, o que foi feito dele?

- Não gostaria muito de falar sobre ele. 

- Bom, me desculpe. 

- Está bem, Valdenes. Vamos conversar mais um pouco. Você trabalha?

- Sim, tô lá no escritório da doutora Suely, a juíza. 

- Essa nem preciso perguntar se ela te deixa tu ir descalço pro trabalho, pois ela mesma também anda descalça. Muito peculiar o povo daqui. 

- Pois é. 

Conversaram ali muito tempo e só depois de 40 minutos Valdenes se retirou. Irmã Elvira percebeu e disse:

- Irmã, não é por nada não, mas a senhora tem um apreço por esse rapaz...

- Sim, um amigo de infância. Nada mais do que isso. 

- Se a senhora não fosse freira eu jurava que estaria apaixonada por ele. 

- Mais respeito, Irmã Elvira. Eu fiz um voto de castidade. 

- Eu sei, desculpe, não foi por mal. 

- Tá certo, vai lá na cozinha fazer limpeza por lá antes do almoço. 

- Sim, senhora. 


O encontro das carecas


Numa certa manhã, no escritório da juíza Suely, apareceram duas amigas para conversar com ela: a Mimi e a veterinária Anna Paula. Acontece que assim como Suely, e inspiradas por ela, Mimi e Anna Paula rasparam suas cabeças e se tornaram carecas por opção, isso já há anos. Mimi é agricultora e tem uma barraca na feira, além de ter sido candidata a vereadora em 2016, quando tinha cabelos ainda, a vice-prefeita em 2020, quando já era careca, e à prefeitura em 2024, quando foi derrotada por Myllena, a irmã de Suely. 

As três trocaram ideias sobre a possibilidade de criar um grupo para elas na cidade. Suely, que já foi convidada a integrar a Sociedade dos Pés Livres, que reúne os descalços, resolveu pensar em criar uma associação que reunisse as mulheres que tomaram a decisão de abandonar os cabelos. 

Suely disse:

- Eu fui convidada por Valdenes a integrar um grupo de descalços que ainda está em formação, e eu pensei em fazer o mesmo sobre nós. Sabe, a gente sofre muito preconceito, as pessoas perguntam se estamos doentes, ou em tratamento, não entendem que eu decidi ser careca, eu quis ser careca. Minhas duas filhas seguem o mesmo estilo que eu. 

- Seria bom, não imagina as piadas que eu escuto. Mas eu não me arrependo, eu particularmente, não tenho nenhuma vontade de deixar meus cabelos crescerem de novo - disse Mimi. 

- Eu também amo ser careca, e vou continuar assim. - disse Anna Paula.

Suely disse:

- Vamos falar com as outras mulheres carecas da cidade, tipo a ex-vereadora Maria Isabel, e outras que adotaram nosso estilo. E sabe, Mimi, eu proponho que você seja a presidente da sociedade.

- Eu?????

- Sim, você tem mais condições de liderar. Eu não tenho vaidade com isso, lá mesmo no grupo dos descalços me ofereceram a presidência, mas eu não aceitei assim de cara, não. Eu posso ser a vice, com você na presidência. 

- Bom, isso é algo que ainda vamos discutir. Vamos ver primeiro as mulheres que vão topar participar. 

Anna Paula disse:

- Como são pouquíssimas mulheres carecas aqui, a gente pode chamar pessoas não-carecas, mas que também aceitem nossa luta. 

- Pode ser. - disse Mimi. 

Suely, Mimi e Anna Paula tomaram um café, e em dado momento, Anna Paula perguntou:

- Mimi poderá fazer parte do grupo dos descalços? Ela só é descalça em um pé, o outro, não. 

Mimi riu, e Suely disse:

- Sim, ela pode, sim, pelo que Valdenes me disse. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Diferente do discurso

 

Certo dia, em Lagoa da Italianinha, o jovem Venâncio, comunista de carteirinha, estava em seu quarto, quando seu pai, o ex-vereador Zé Bento, apareceu. Ele perguntou:

- Decidiu agora estudar espanhol, filho?

- Sim, pai, afinal é o idioma do país onde pretendo viver. 

- Oxe, que conversa é essa? Tu vai sair do Brasil?

- Claro, pai. Já falei isso pro meu irmão Vinícius inclusive. 

Zé Bento disse:

- Bom, então suponho que você vai morar em Cuba, já que és comunista, inclusive você tem muitas fotos do Fidel Castro. 

- Não, pai. Vou pra Espanha!

Zé Bento tomou um susto e disse:

- Mas como? Espanha é um país capitalista! E além do mais, é uma Monarquia!

- O que tem a ver, pai?

- Tem a ver que tu briga contra o capitalismo e vai pra um país capitalista? Como é que pode isso, Venâncio? 

- Pai, na Espanha tem um sistema educacional avançado...

- E em Cuba, não? 

- Pai, não é assim, vamos com calma. 

Zé Bento disse:

- Filho, vou te dizer uma coisa. Meu pai Diógenes era advogado em cartório e minha mãe Tainá era uma índia, e eles se sacrificaram muito para me criar. Confesso que na minha juventude eu exaltei ideias comunistas, nada mais belo. Mas a realidade é muito diferente. Você sabe quando caiu a ficha pra mim? Quando vi pessoas derrubando o muro da Alemanha comunista querendo ir pra Alemanha capitalista. Isso em 1989, não sai da minha cabeça. Filho, aquilo me fez pensar: como é que as pessoas podem querem trocar o paraíso e fugir pro inferno? 

- Pai, não exagera essas coisas. Não é assim...

- Escuta, filho, vou te falar uma coisa. Se tu for pra Cuba, eu te ajudo. Seja coerente. Mas se tu tiver indo para a Espanha, não estás sendo coerente, portanto, não conte comigo. 

Vinícius, o irmão de Venâncio, chegou e disse:

- O que está acontecendo aqui?

- Seu irmão é comunista, demoniza o capitalismo, mas quer estudar espanhol para ir para um país que além de ser capitalista, é uma monarquia. Falta de coerência. 

- Ué, pai, mas o senhor é anticomunista desde a queda do Muro de Berlim - disse Vinícius. 

- De fato. Sou anticomunista. Mas seu irmão é um sonhador utópico que deseja pro país dele algo que não existe no país para onde ele quer ir. Então, se ele quiser ir pra Cuba, eu ajudo, mas se estás querendo ir para a Espanha, te vira sozinho! E tenho dito!

Zé Bento saiu, e Venâncio disse:

- Pai endoidou foi?

- Quem endoidou foi tu. Tu defende comunismo e quer ir pra país capitalista. Acho isso hipocrisia. 

Vinícius se retirou, e Venâncio ficou resmungando:

- Burguês é tudo problemático...

Cássia é recebida no Café com Cultura

 

Na Biblioteca Pública Municipal de Lagoa da Italianinha, os irmãos Eraldo e Luana, Valdenes, Ana Karina e Branquinha deram as boas vindas à Cássia, que passou a fazer parte do Café com Cultura ao lado deles. 

A ideia partiu de Ana Karina, que foi aceita por todos os membros. Valdenes e Branquinha foram pessoalmente na casa de Cássia fazer o convite. Lúcia, a irmã de Cássia, disse:

- Eu fico feliz demais, isso vai distrair ela. 

Valdenes disse:

- Cássia é muito inteligente e pode contribuir ao nosso lado. 

Cássia disse:

- Eu fico feliz, porque finalmente alguém se lembrou de mim... só por causa de meus problemas de loucura, me escantearam tanto...

- Mas você tem muito a nos ajudar - disse Branquinha. 

Cássia foi para a primeira reunião, com Valdenes e Branquinha, e foi recebida por Eraldo, Luana e Ana Karina. Luana disse:

- Seja bem vinda, Cássia. 

- Eu que agradeço, apesar de eu ser meio... maluca. 

- Mas que besteira, tu tem potencial enorme - disse Eraldo.

Ana Karina disse:

- Bom, agora somos seis e espero que esse número aumente. 

- Cássia, me fale de você. - disse Eraldo. 

Cássia disse:

- Sou uma mulher feliz, apesar da minha loucura... eu amo me molhar na chuva, no rio, na cachoeira, na praia, na piscina, também gosto de me lambuzar na lama, dormir no chão e ter amigos de rua. 

- Você é uma pessoa pura de coração. Já percebemos isso - disse Luana. 

- Muito obrigada. 

A reunião foi até tarde da noite, e Branquinha levou Cássia de carona para a casa dela. Cássia finalmente voltava a fazer parte de um grupo social depois de 24 anos. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

As reflexões de Alice

 

Alice, a filha de Wéllia, em uma segunda-feira de tarde, foi para a Cachoeira Sol Nascente sozinha, fazendo reflexão. Como era segunda-feira, a cachoeira não estava movimentada. 

Alice se sentou em uma pedra, e admirava a cascata. Um dos zeladores que trabalhava ali viu a Alice e disse:

- Perdoe-me, tem algum problema?

Alice disse:

- Nada demais. Só pensando na vida. 

- Mas por que, moça?

Alice retrucou:

- Engraçado, eu ando pelas ruas de Lagoa da Italianinha, eu vejo tanta gente dormindo nas ruas, passando fome, e nunca se tem dinheiro pra resolver isso. Mas os poderosos tem dinheiro pra fazer guerras e mais guerras. Pra isso não falta dinheiro!

- É, isso é verdade...

- Eu cheguei a conhecer meu bisavô italiano Arthur, que veio muito pequeno aqui para Pernambuco, e ele me contou que quando era criança, escutava as notícias da Segunda Guerra Mundial e ficava assustado com tanta maldade. Ele me contou sobre o holocausto na Alemanha, sobre as bombas atômicas no Japão... 

- É, Alice, infelizmente, o ser humano em sua maioria tende a se preocupar mais em destruir o próximo do que amar o próximo...

Alice disse:

- Aqui, o Brasil, dizem que é um país cristão... como pode ser um país cristão, se aqui tem tanta corrupção, tanta safadeza, tanta gente querendo passar a perna no outro e morrendo de inveja? Não tem lógica. 

- Alice, quantos anos você tem?

- 16! 

- Olha, você ainda vai ver muita coisa. Minha mãe dizia que eu ainda ia ver coisa. |Você, já nova, observa essas coisas, mas o que eu digo a você é que você nunca perca sua generosidade. 

Alice disse:

- Olha, se eu tivesse que perder a bondade, eu já tinha perdido há tempos... eu mesma sou filha de pai e mãe com caráter duvidoso... Mas não quis ser igual a eles. 

- Já ganhou meu respeito, garota. Mas vá pra casa. Não é bom você estar sozinha por aqui. 

- Obrigada por me ouvir. 

Alice saiu, e o zelador dizia:

- Queria tanto que o mundo tivesse mais pessoas feito essa garota...

sábado, 10 de janeiro de 2026

Andreza é vista no chafariz por Carla


 Numa tarde de sábado, aproveitando a ausência de policiais, a mendiga Andreza foi tomar banho no chafariz da praça em Lagoa da Italianinha, mas percebeu que estava sendo observada. Andreza virou e viu que era sua irmã mais nova Carla. Andreza disse:

- O que tu está fazendo aqui, piranha?

Carla disse:

- Que diferença, eu tomo banho no chuveiro de minha casa, num banheiro confortável, e minha irmã mais velha toma banho no chafariz de uma praça. Credo! Como tu se rebaixou. 

- Você me roubou, tá esquecida?

- Tô não. Mas bem que tu podia ter se reerguido, mas prefere ficar pior do que já era. 

Andreza se aproximou de Carla e disse:

- Olha, saia daqui, senão eu te afogo nesse chafariz. 

- Tu tem coragem? Tenta. Vão te prender, tu tá em rua pública. Mas eu vou, viu? Tchau, irmãzinha querida. 

- FORA! 

Carla saiu do chafariz, e Andreza ficou dentro da fonte mais de dez minutos. 

Marlene reencontra Dardina

 

Em sua lanchonete na rodoviária, Marlene ficou incomodada com a presença de Dardina, uma ex-moradora de rua que resolveu passar por ali. Marlene disse:

- O que tu quer aqui, galega?

- Calma, isso é jeito de me tratar? Vim relembrar dos velhos tempos quando a gente morava nas ruas e batia carteiras. 

- Tu é uma suja, Dardina. Fosse para um abrigo e ainda tais assim? 

- Oxe, se eu passar a vestir roupa limpa, ninguém mais dá esmola pra mim. Tenho que sair nas ruas suja, fedorenta e descalça, não é? 

Marlene disse:

- Tá bom, pode dar meia volta. 

- Oxe, eu quero café. 

- Tem dinheiro????

- Tá aqui o dinheiro, bruaca!

Marlene pegou dinheiro e deu café para Dardina, dizendo:

- Pronto, agora, vaza! Não quero tu perturbando aqui. Além de eu ser dona da lanchonete, sou diretora nessa rodoviária. 

- Olha só, a maloqueira se deu bem mesmo. Pena que sua irmã Marly não pode dizer o mesmo, ela continua nas ruas. 

- Continua porque ela é problemática e preguiçosa. Agora, vaza. 

- Tá bom. Depois eu volto, foi um prazer te rever. 

Dardina se afastou dali, e Marlene dizia:

- Golpista! 

Encontro raro de cinco irmãs

 

Myllena, Suely, Karoline, Ilene e Faby Pés Sujos.

Numa certa noite, cinco irmãs separadas pelo tempo e pelas ocupações decidiram se encontrarem em um restaurante no Shopping Maniçoba. Mesmo todas elas morando na mesma cidade de Lagoa da Italianinha, elas mal conseguem ter um encontro simultâneo. 

A prefeita Myllena, uma delas, como já se sabe, é prefeita da cidade, e vem se preparando para ser candidata a deputada estadual. Ela só consegue ver mais de perto no dia a dia duas de suas irmãs, Karoline e Ilene, que são secretárias municipais. 

A juíza Suely é muito ocupada no fórum, além de manter seu escritório, enquanto Faby Pés Sujos, a "maloqueirinha", é a única que se separou da vida de luxo das irmãs. Hoje ela mora em uma casa em cima de uma árvore e vende picolés nas ruas. 

Karoline e Ilene, que estavam de sapatos, riam das outras três irmãs descalças. Ilene até dizia:

- Eu sou a que mais odeia colocar os pés no chão. Não tiro os sapatos nem no banho. 

- Não sabe o que tá perdendo, Ilene - disse Myllena. 

- Deixa eu assim como estou mesmo. 

Karoline disse para Faby:

- E tu vai continuar vendendo picolés nas ruas?

- Sim, é um trabalho digno e honesto. E eu não quero nada da vida, amo a simplicidade. 

- Deveria voltar a viver na riqueza como nós - disse Ilene. 

- É mais fácil Suely deixar os cabelos crescerem do que eu voltar pro luxo.

Suely disse:

- Pois se tu for depender de mim deixar os cabelos crescerem pra tu voltar a viver em uma mansão, pode fica pelas ruas pra sempre. Eu estou adorandooooo ser careca e quero continuar assim. 

- O povo fica falando tanto de tu, Suely... - disse Myllena. 

- Oxe, se eu me preocupasse com o que o povo pensa, eu nem seria juíza! 

A conversa durou muito, mas Ilene saiu antes do fim da conversa. Ela não quis ficar porque na verdade, não gosta muito de Faby e nem de Suely. Mas Karoline disse:

- Ela tá com uma dor de cabeça, só isso...

Myllena disse para Suely, Karoline e Faby:

- Olha, eu serei candidata a deputada estadual, espero contar com vocês. 

- Se tu for eleita e te barrarem na Assembleia porque tu tá descalça, Myllena, o que tu vai fazer? - disse Karoline. 

- Eu fico assistindo as reuniões remotas, mesmo. Não abro mão do meu jeito de ser. 

Suely disse:

- Nisso, Myllena e eu somos parecidas, não abrimos mão do nosso jeito de ser. 

Quando já era noite, Myllena voltou para sua casa, levando Karoline no apartamento onde ela mora. Já Suely deu uma carona até a árvore onde Faby Pés Sujos mora antes de ir pra sua casa. 


As reflexões de Rita de Cássia

  Depois de passar algumas horas dormindo na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a mendiga Rita de Cássia, a quarentona que tem mente de cri...