Certo domingo, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a mendiga "chique" Warlla estava desesperada atrás de dinheiro, pois queria fumar e beber. Ela viu a Luana, lendo um livro, se aproximou dela e disse:
- Posso falar contigo?
- Pode.
Luana via com surpresa o estilo da mendiga; usando roupas muito chiques, mais ao mesmo tempo, sujas. Sua aparente elegância contrastava com a sujeira, a miséria e a vida que ela levava. Warlla disse:
- Queria comer, tô morrendo de fome, sabe?
Luana, já conhecendo quem era Warlla, disse:
- Olha, se tu quiser comer, vai ali na lanchonete de Marlene, pegar o que tu quiser. Eu pago.
- Poxa, não pode dar uma grana, não?
- Ué, tu não quer comer? Eu estou dizendo que tu pode ir ali que eu pago, criatura.
- Oxe, é que...
- É que... o que? - disse Luana.
- Poxa, tu ficaria mais sossegada, lendo, não sabe? Eu pego a grana, vou lá e compro o que for, e...
Luana disse:
- Warlla, eu te conheço, tu não quer comer nada. Tu quer pegar cigarro pra fumar e se embriagar. Se for isso, não conte comigo, eu não alimento vício de ninguém.
Warlla se ajoelhou, dizendo:
- Não é, eu quero comer, me dê uma grana, por favor.
- Warlla, ou faz desse jeito que eu te falei ou não te dou nada. Vai lá na lanchonete de Marlene, diga que eu pago, meu nome é Luana, ela me conhece.
Warlla se levantou, com ódio e disse:
- Sua abusada. Fica com teu dinheiro!
Warlla saiu dali, nervosa. Luana disse:
- Bem que eu desconfiei...
Um pouco depois, Luana foi na lanchonete de Marlene, e contou o que havia acontecido. Marlene disse:
- Fizesse bem em não dar dinheiro, é uma trambiqueira. Ela realmente vive nas ruas, mesmo vestida de madame, mas não vale o peido de um gato. Ela já pegou trocado e veio pra cá beber.
- Bem que eu percebi, ela tava com catinga de cachaça e de urina. Ela deve ter mijado nas calças.
- Exatamente.
Warlla ainda tentava algum trocado para comprar cigarro e bebida.