domingo, 30 de novembro de 2025

Paloma Kassandra, a mulher que busca conhecimento


Descendente direta do patriota americano Wrialle, que lutou na revolução americana no fim do Século XVIII, e neta do militar Ellyson, que lutou na Segunda Guerra Mundial no norte da Itália, a jovem Paloma Kassandra é uma historiadora e pesquisadora. Ela gosta de História e é apaixonada pela saga dos seus antepassados. 

Paloma vive na Filadélfia, com sua mãe Eliete, filha de Ellyson, e também costuma dar aulas para as crianças. 

Paloma Kassandra nutre um dia um desejo de conhecer Lagoa da Italianinha, em Pernambuco. Quer se encontrar com o ex-pracinha Antônio Neto, de quem seu avô Ellyson falava muito. Além do mais, Paloma nutre um carinho pelo Brasil já que ela mesma tem sangue brasileiro: o seu antepassado Wrialle havia se casado com a brasileira Fabiana, no fim do século XVIII. 

A eterna criança

 

Com apenas 15 anos de idade, em 1906, Tia Sandra chamava atenção numa família rica de Verona por agir como criança e não largar sua boneca de pano. Lanie, sua sobrinha, ainda não havia nascido - só nasceria em 1907 -, e ela morava com seus pais.

Depois de um exame detalhado, foi constatado que Tia Sandra tinha mente de criança, e ela carregaria isso para o resto da vida. Os pais ficaram inconformados, e Tia Sandra passou a receber cuidados especiais. 

Mesmo já crescendo e sendo adolescente, ela costumava brincar com as crianças nas ruas de Verona. Tia Sandra passou por uma vida tumultuada: viveu rica, chegou a morar nas ruas de Verona por dois anos, passou seis anos internada em um hospício e depois, aos 55 anos, se mudou para o Brasil, onde estava sua sobrinha Lanie. 

Wiviane e Jane, duas irmãs em conflito


 A cantora Wiviane é irmã mais nova da empresária e vereadora Jane, mas as duas têm um certo conflito. Wiviane é acusada pela sua irmã mais nova de ser muito "fora dos padrões de madame". Wiviane costuma usar roupas simples e chinelos, e sonha em ser cantora, sendo que costuma tocar violão nas ruas principais de Lagoa da Italianinha. 

Jane queria que sua irmã Wiviane se interessasse por negócios e política. Mas Wiviane diz que "não tem saco pra isso". 

Mesmo com os conflitos, as duas irmãs se dão, em geral, muito bem. Wiviane costuma tocar nos eventos promovidos por sua irmã Jane, que agora é vereadora, e embora não costume cobrar, Jane lhe paga um cachê. 

Jane vinha crescendo na política e ia ser candidata a vice-prefeita de Mimi, mas cedeu a vaga para Kátia, então vereadora, que havia rompido com a prefeita Myllena. Jane saiu candidata a vereadora e foi eleita, enquanto a chapa Mimi-Kátia perdeu a eleição. 

Kátia, depois das eleições, se aliou com Myllena novamente, e Jane decidiu também passar a apoiar a prefeita. Wiviane, porém, não gostou, e continua na oposição. 

O Castigo de Warlla

 

Chamando atenção por sua pose de madame em Lagoa da Italianinha, a mendiga Warlla, que vive nas ruas há três anos, e é conhecida como "mendiga chique", perambula pelas ruas da cidade, pedindo esmolas, mas mantendo a pose. 

Certo dia, ela queria comer e foi procurar comida na lata de lixo. Escondida, entrou dentro da lata para ver se tinha algo para comer. 

Ela foi vista de longe por dois homens, pai e filho, que conversavam, ela porém, não os viu. Um deles disse:

- Tá vendo aquela mulher ali dentro da lata de lixo? Ela tá pagando, colhendo o que plantou. 

- Como assim, pai? 

O homem respondeu:

- Essa mulher estudou comigo, ela já foi muito rica, é descendente da alemã Inalda, que viveu aqui no começo do século passado. Mas ela sempre foi arrogante, prepotente, nunca respeitou os pais, sempre gostava de criar brigas... se lembra de uma vez que eu e sua mãe te contamos que passamos mais um ano intrigados? 

- Sim. 

- Foi ela quem causou isso. Imagina se eu não tivesse me casado com sua mãe por causa dessa mulher. Ela é tão perversa que nem a família quer ela por perto, pois sabe que ela gosta de arrumar encrencas e plantar discórdias. 

- Mas porque ela foi parar nas ruas?

- Depois que brigou com os pais, perdeu tudo, foi irresponsável, gastando dinheiro com cigarro e bebida, agora está aí na sarjeta. E ela é tão orgulhosa e prepotente que ainda se veste como madame mesmo morando nas ruas. Mas tá com essa mesma roupa faz três anos. 

- Nossa, ela é muito complicada, então. 

Warlla saiu da lata de lixo, comendo um pedaço de pão que havia encontrado, e se retirou dali. O homem disse:

- Filho, nunca seja feito ela. 

- Claro que não, pai. Jamais. 

A roupa nova de Esvalda

 

No domingo de manhã, a mendiga Esvalda chamou atenção na rua de Lagoa da Italianinha, por estar trajando uma nova roupa depois de mais de vinte anos usando a mesma roupa. Por um momento, pensava-se que ela tinha tomado um banho. 

Mas não foi. Esvalda ganhou essa roupa nova, e apenas a vestiu. Ela disse:

- Agora, só daqui a vinte anos que eu tiro essa roupa...

Alguns zombaram da mendiga, e diziam:

- Coitada dessa roupa, vai ver grude, mijo, bosta...

Esvalda nem ligou para seus críticos. 

Os pretendentes de Candoca


 Vivendo em Santana do Pajeú, sertão de Pernambuco, com seus dois irmãos, Zeca, o mais velho, e Chiquinho, o mais novo, Candoca atrai a atenção de admiradores por sua beleza. Mesmo simples e humilde, Candoca desperta corações apaixonados.

Não são poucos os admiradores que lhe enviam cartas, emails e mensagens no telefone, sendo que ela prefere não ter Whatsapp. 

Zeca, seu irmão mais velho, é muito ciumento e não quer ver sua irmã se casar tão cedo. Para ele, "ela ainda é muito nova". Como os três são órfãos de pai e de mãe, cabe ao Zeca, já com idade adulta, cuidar de seus dois irmãos mais novos como se fossem seus filhos. 

Zeca não permite nem mesmo que Candoca trabalhe, pois segundo ele, "há muito macho querendo colocar os olhos nela se ela for estar saindo de casa". Apesar de ser famoso por suas travessuras, Chiquinho, o irmão mais novo, tenta arrumar um namorado para a irmã, e age como aliado dela nessa batalha. Candoca quer casar e formar família. 

Débora se diverte na cachoeira

 

Era um domingo como outro qualquer, e Débora saiu de casa sem avisar às suas irmãs Luciana e Paula para onde iria. 

Pegou um ônibus e foi para a cachoeira Sol Nascente, e passou a manhã toda ali. Alguns banhistas riram dela, porque ela estava dentro da água de blusa, calça jeans e chinelos. Ela dizia:

- Tão olhando o que? Vão cuidar de suas vidas, procurar uma lavagem de roupa!

Uma das banhistas disse:

- É mesmo, e a sua já está sendo lavada, né? 

Débora mergulhou na água, e se divertia mais e mais, não se importando com a crítica dos que ali estavam. Um dos banhistas foi falar com o zelador da cachoeira, e este respondeu:

- Essa moça não está fazendo nada errado, aqui não se tem nenhuma proibição com relação a trajes de banho. Aqui só não se pode fazer topless e ter nudismo, só isso é proibido. Mas entrar de roupa, qual o problema, o que tem isso? 

Débora saiu da cachoeira e foi andando de volta para a cidade, enquanto sua roupa secava. Chegou em casa, e suas irmãs Luciana e Paula já estavam preocupadas com ela. Débora disse:

- Fui só dar um passeio, me divertir...

Vitório e sua rotina de domingo

 

Num certo domingo, depois de chegar da missa, onde ajudava o padre como coroinha na igreja matriz em Vitalba, Vitório se trancou em seu quarto para fazer seus desenhos. Primeira coisa que fez foi tirar os sapatos, que era obrigado a usar na igreja, e que o chateava muito. Maria, sua mãe adotiva, havia ido com ele para a missa e voltara para casa para fazer o almoço.

Vitório desenhou sua amada Alessandra, e também alguns amigos seus mais próximos, como Jolanda e Joni. Começou a ler os gibis de Walt Disney e Maurício de Sousa, além do blog Rompendo Distâncias, de Valdenes Guilherme. Tudo isso ia desenhando nele seu desejo de futuramente ainda ser um artista. 

Quando o almoço já estava pronto, Maria chamou:

- Vitório!!!!!!

Vitório se preparou para ir para a cozinha, e almoçar. Maria viu alguns desenhos e disse:

- Quem são esses desenhados aqui?

- São meus amiguinhos Alessandra, Jolanda e Joni, que estuda comigo e é coroinha na igreja, também. Desenhei também personagens dos outros: Mickey Mouse, Pato Donald e Pateta, do Walt Disney, que é lá dos Estados Unidos, Mônica, Magali, Cascão, Cebolinha e Chico Bento, do Maurício de Sousa lá do Brasil, e também as gêmeas Malu, Wéllia, a Fabíola, o Valdenes, o Joni Von, a Rita de Cássia, a Josiane e a Marcella, que é do Valdenes Guilherme, lá do Brasil também, sendo que tem muita história ambientada aqui na Itália. 

- Hum... quero ver se isso vai te dar futuro. Estude pra crescer na vida, isso tu pensa depois. 

Vitório não gostou muito do que escutou, preferindo continuar almoçando. 

Warlla tenta extorquir Luana


 Certo domingo, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a mendiga "chique" Warlla estava desesperada atrás de dinheiro, pois queria fumar e beber. Ela viu a Luana, lendo um livro, se aproximou dela e disse:

- Posso falar contigo? 

- Pode. 

Luana via com surpresa o estilo da mendiga; usando roupas muito chiques, mais ao mesmo tempo, sujas. Sua aparente elegância contrastava com a sujeira, a miséria e a vida que ela levava. Warlla disse:

- Queria comer, tô morrendo de fome, sabe?

Luana, já conhecendo quem era Warlla, disse:

- Olha, se tu quiser comer, vai ali na lanchonete de Marlene, pegar o que tu quiser. Eu pago. 

- Poxa, não pode dar uma grana, não?

- Ué, tu não quer comer? Eu estou dizendo que tu pode ir ali que eu pago, criatura. 

- Oxe, é que... 

- É que... o que? - disse Luana. 

- Poxa, tu ficaria mais sossegada, lendo, não sabe? Eu pego a grana, vou lá e compro o que for, e...

Luana disse:

- Warlla, eu te conheço, tu não quer comer nada. Tu quer pegar cigarro pra fumar e se embriagar. Se for isso, não conte comigo, eu não alimento vício de ninguém.

Warlla se ajoelhou, dizendo:

- Não é, eu quero comer, me dê uma grana, por favor. 

- Warlla, ou faz desse jeito que eu te falei ou não te dou nada. Vai lá na lanchonete de Marlene, diga que eu pago, meu nome é Luana, ela me conhece. 

Warlla se levantou, com ódio e disse:

- Sua abusada. Fica com teu dinheiro!

Warlla saiu dali, nervosa. Luana disse: 

- Bem que eu desconfiei...

Um pouco depois, Luana foi na lanchonete de Marlene, e contou o que havia acontecido. Marlene disse:

- Fizesse bem em não dar dinheiro, é uma trambiqueira. Ela realmente vive nas ruas, mesmo vestida de madame, mas não vale o peido de um gato. Ela já pegou trocado e veio pra cá beber. 

- Bem que eu percebi, ela tava com catinga de cachaça e de urina. Ela deve ter mijado nas calças. 

- Exatamente. 

Warlla ainda tentava algum trocado para comprar cigarro e bebida. 

Jacilene e sua velhice em Pernambuco

 

Nos primeiros anos do Século XIX, a francesa Jacilene, casada com um pernambucano, se mudou para o interior de Pernambuco, e se estabeleceu em um pequeno sítio, perto de uma serra, por ser melhor para sua saúde. Ela acabou batizando o local de "Vila Dourada", por trazer uma lembrança sobre Vila Rica, cidade onde viveu desde 1782, quando veio da França, sua nação de origem. 

Em 1817, aos 65 anos, Jacilene ainda mantinha os mesmos ideais de sua juventude. Chegou a doar vários colares, brincos e vestidos para a causa da Revolução Pernambucana, que acontecia naquele ano. O marido disse:

- Jacilene, são muitos valiosos!

- Mas o sonho de um  mundo melhor é muito mais valioso... - dizia Jacilene

Jacilene, porém, viu com tristeza a derrota da Revolução que chegou a separar Pernambuco do Brasil por alguns dias. 

Mesmo assim, Jacilene plantou uma semente naquele estado, ajudando a fundar Vila Dourada, que se emanciparia mais de um século depois, em 1928. 

Jacilene ainda viveu o suficiente para ver o Brasil se tornar independente de Portugal em 1822. 

Wéllia tenta humilhar Malu e seus amigos

 

Num certo domingo, na rodoviária de Lagoa da Italianinha, Wéllia viu sua irmã gêmea Malu conversando com Valdenes, a vintage Fabíola e a Marcella, que vende comidas pelas ruas da cidade. Wéllia os olhou com desprezo, e Malu disse:

- O que tu tem? 

- Olha esses tipos de amizade com quem tu anda. Um boboca descalço, uma louca que quer ser velha e uma pobretona pé sujo que vende comidas por aí...

- São todos honestos e de bem - disse Malu. 

Marcella disse:

- Tu se acha muita coisa, né, Wéllia? Não te dou uns tabefes por respeito à sua irmã Malu. 

Fabíola retrucou:

- Não briguem, por favor. Você, Wéllia e a Malu parecem mais os americanos e soviéticos atualmente...

Malu disse:

- Como assim?

- Ué, nunca ouviram falar da guerra que tá acontecendo agora, Estados Unidos contra União Soviética? 

Valdenes disse:

- Sim, essa guerra existiu, faz muito tempo, a União Soviética acabou em 1991. 

- Deixe de ser paspalho, Valdenes, ainda estamos muito longe de 1991. 

Wéllia riu e disse:

- Olha isso, Malu, é esse tipo de gente que é sua amiga... 

Valdenes disse:

- Tu não pode falar nada, que eu já sei de algumas coisas suas...

- Que coisas?

- Oxe, Horácio me contou tudo...

- O que???? Horácio está aqui????

Valdenes disse:

- Sim, e o que ele me disse, caramba, fiquei muito chocado. Tu faz coisas que faz até a mendiga Esvalda parecer mais higiênica que você. 

Marcella disse:

- Oxe, o que ela faz de tão nojento? Esvalda não toma banho há anos. 

Wéllia disse:

- Seja o que for, é tudo mentira. Seus idiotas! Vou embora que não vou perder tempo com essa gentalha. Inclusive, Malu é uma gentalha, também. 

Wéllia saiu dali, e Marcella disse:

- O que é, Valdenes, que ela faz de tão anti-higiênico? 

- Oxe, isso vai estourar logo, logo, tu vai ver... nem prefiro contar. 

Malu ficou preocupada com a conversa, pois ela sabia mais ou menos do que se tratava. Fabíola só fazia rir. Wéllia se trancou em seu escritório, e dizia:

- O que aquele bandido do Horácio falou para aquele maloqueiro do pé sujo? 

sábado, 29 de novembro de 2025

Vitório tenta ajuda de sua amiga Fabiane

 

Num certo dia, caminhando pelas ruas de Vitalba, Vitório viu sua colega de classe Fabiane, de quem se aproximou para conversar. Vitório sabia que Fabiane é amiga de Alessandra, sendo ambas colegas de uma agência de modelos na cidade. 

Vitório contou que está apaixonado por Alessandra, e queria a ajuda de Fabiane. Mas Fabiane disse:

- Vitório, tu gosta dela, mas ela não gosta de você. 

- Puxa, sabia que tu ia jogar areia...

- Não é jogar areia, amiguinho, é só falar a verdade...

- Sei, não sou um bom par pra ela...

Fabiane disse:

- Vitório, tu é uma gracinha, eu até gosto desse seu jeito de andar descalço por aí... mas infelizmente ela não gosta. Mas sabe? Jolanda gosta de você. 

- Sinceramente, ás vezes eu queria conseguir gostar de Jolanda como ela gosta de mim. 

- Por que não tenta? Eu ficaria muito feliz que vocês ficassem juntos...

Eles foram conversando, até que Fabiane entrou numa biblioteca. Vitório queria entrar, mas não pôde por estar descalço. 

Jaciara oferece jantar para Magaly

 

Numa certa noite, em Vila Dourada, Jaciara, dona do restaurante com culinária francesa e nordestina, visto que Vila Dourada fica no interior de Pernambuco e Jaciara é descendente da francesa Jacilene, estava conversando com uma mulher humilde, chamada Magaly, que fazia bicos pelas ruas da cidade. 

Jaciara disse:

- Magaly, tu já jantou?

- Ainda não.

- Venha jantar. Minha filha Amanda pagou um jantar pra tu. 

- Puxa, obrigada. 

Magaly jantou, e comia muito. Jaciara disse:

- Tais parecendo aquela personagens de gibis que é tua xará...

- É, minha mãe me deu esse nome por causa dela. 

- É verdade???

- Sim, eu me divirto demais. 

Em dado momento, Magaly perguntou:

- Dona Jaciara, porque tem tanta coisa da França aqui?

- Essa cidade foi fundada por uma francesa, Jacilene, lá no fim do século XVIII, ela morou em Minas Gerais, na atual Ouro Preto, antes de vir pra cá. Conta-se que ela deu o nome à essa cidade por causa de Vila Rica, que era o antigo nome de Ouro Preto, e ambas têm conotação parecida...

- Interessante... mas vem muita gente aqui???

- Vem, sim, até de fora, de Lagoa da Italianinha, Serra Grande, Nova Humaitá, Limoeiro, Caruaru, Recife, Bezerros, Gravatá, Cumaru, Passira, Riacho das Almas...

- Que legal... eu trabalharia em um lugar assim. 

Magaly se deliciou do jantar, e depois, se despedindo de Jaciara, se retirou. 

O aniversário de Matheus

 

Num sábado à noite, a prefeita Myllena, em Lagoa da Italianinha, deu uma festa para seu filho Matheus, que estava fazendo mais um aniversário. Na festa, estavam a prefeita, Matheus e sua outra filha, a vice-prefeita Giovanna Victórya. 

No local, apareceram vários convidados, para cumprimentar o menino, que estava bem elegante, mas descalço, igual sua mãe, sendo que os dois compartilham esse mesmo hábito. Apenas Giovanna Victórya estava de sandálias. 

Matheus recebeu seus amigos de colégio, e a Alice, filha de Wéllia, também foi convidada, e acabou indo na festa com sua mãe. Wéllia disse:

- Esse menino seria um par pra tu muito melhor do que aquele filho da aeromoça, mas o defeito desse menino é viver descalço. 

- Sim, igual a mãe dele, né? 

Alice se aproximou de Matheus e deu um abraço, lhe dando os parabéns e deu um presente pra ele, uma gravata. Alice disse:

- Gostou do presente, amiguinho?

- Claro, eu só detestaria se fosse calçados. 

- Eita, se tu recebesse calçados, tu faria o que?

- Eu já recebi, mandei doar para algum pobre. Eu não uso calçados, igual minha mãe. 

Myllena estava radiante, e dizia para os convidados:

- Amo minha filha, vai ser minha sucessora, mas esse menino é demais, puxou a mim, anda descalço do jeito que eu ensinei e quero. Pena que minha filha não é assim...

Giovanna disse:

- Pelo visto, mãe, parece que a senhora gosta mais dele que de mim...

- Claro que não, amo os dois igualmente. Mas ele pegou meu hábito, já você com essa sua mania horrível de usar calçados... mas tudo bem, eu te amo do mesmo jeito. 

Cantaram os parabéns, serviram o bolo e a festa foi muito concorrida. 

Débora e seu sonho de ser cantora

 

Em Lagoa da Italianinha, a maluquinha Débora chama atenção pelo seu estilo despojado e seu carisma pessoal. Ela costuma ficar na rodoviária ou no Pátio Verona, e gosta de conversar com desconhecidos. 

Débora é bisneta da portuguesa Mary Dee, que chegou no local juntamente com os italianos na década de 30. Ela mora com suas irmãs Luciana e Paula. Outra irmã dela, Mimi, mora no sítio Mandacaru, e vende lanches na feira. Vez por outra, Débora lancha por lá. 

Curiosamente, Débora não trabalha com nenhuma das suas três irmãs: nem na própria pensão onde vive, com Luciana, nem no restaurante com Paula e nem na barraca de feira com Mimi. Gosta de fazer pinturas e rabiscos, e até quer ser cantora como sua bisavó. Luciana, sua irmã mais velha, já foi cantora, mas abandonou a carreira. 

Débora chegou a se inscrever para concursos de calouros, mas sua timidez a impediu de fazer boa apresentação, embora sua voz seja muito bonita. Mas ela tenta vencer a timidez para realizar seu sonho. 

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

O menino que gosta de desenhar mapas

 

Em Vitalba, na Toscana, Vitório, o menino descalço, tem entre seus hobbies um em especial, desenhar mapas. 

Com muito sacrifício, ele conseguiu desenhar um mapa da região da Toscana, destacando Vitalba, além das cidades de Florença, Siena, Luca e Pisa. 

Maria, sua mãe adotiva, te chamou para jantar:

- Vitório, venha jantar. 

- Espere um pouco, tô terminando aqui, mãe...

- Deixe isso, menino, e venha jantar!

Vitório, mesmo contrariado, foi jantar. Depois do jantar, ele mesmo lavou a louça, e voltou para seu quarto. Além desse mapa da Toscana, ele tinha a planta de Vitalba, de Florença, de Siena e o mapa da Itália. E sabia das localizações dos lugares diversos de cabeça. 

Sílvia rejeita pretendente

 

Toda vez que aparece um pretendente interessado em se casar com ela, Sílvia sempre acha uma forma de rejeitá-los. Sílvia não quer formar família. 

Certo dia, na praça em Lagoa da Italianinha, um rapaz pediu ela em namoro. Mas Sílvia só fez rebolar e mostrar a língua. Ela disse:

- Desculpe, moço, mas sou louca varrida, doente mental, durmo dentro de um barril, ando descalça sempre e sou louca por cavalos. 

- Mas, não exagere...

- Mas é a realidade. Não sirvo pra você. 

Quando se afastou dele, Sílvia começou a gritar sozinha na rua, e até trombando com alguns pedestres. Ele pensou:

- Credo, ela é doida varrida. Tô fora!

Warlla na rodoviária

 

Após passar o dia inteiro na rodoviária de Lagoa da Italianinha, Warlla, a mendiga chique, estava sentada e sozinha. Bastante suja e cheirando mal, ela ficou isolada das pessoas. 

Marlene, em sua lanchonete, disse para sua funcionária Deinha Life:

- Percebeu que Warlla tá uma catinga? Credo, dá até pra sentir daqui. 

- Ela tá muito suja. Ela toma banho, mas fica com essa mesma roupa que ela usa desde 2022. 

- E os sapatos, então, quando ela tira, derruba até avião. Ela não tira os sapatos dela nem pra tomar banho nem pra dormir. 

Warlla percebeu que falavam dela, e se aproximou da lanchonete, dizendo:

- Tão falando de mim, né? 

- Oxe, e o mundo gira em torno de tu, Warlla? - disse Marlene. 

- Eu sei que eu chamo atenção, sou uma dama. - disse Warlla. 

Deinha Life disse:

- Warlla, mete na sua cabeça. Tu é uma moradora de rua, querida. Tu dorme nas calçadas. 

- Eu sei, querida. Mas não é por isso que eu vou ser uma suja fedida feito os outros que vivem nas ruas. 

Marlene disse:

- Pois eu se fosse tu, tomava um belo banho, porque tu tá com uma catinga insuportável, veio até clientes aqui reclamar. 

Warlla pegou alguns reais que tinha, e disse:

- Me vendam água, por favor. 

Warlla comprou uma garrafa de água, e saiu dali, dizendo:

- Morram de inveja do meu estilo... eu sou chique. Mesmo sendo moradora de rua, mas sou chique. 

Warlla se sentou ali perto, e Marlene e Deinha se olhavam, estarrecidas.

Uma pequena boa ação que faz a diferença

 

Anoitecia em Lagoa da Italianinha e a mendiga Fábia, conhecida como "mendigata", estava com bastante fome, pois não havia comido durante o dia, pois estava sem nenhum trocado. 

Ela estava perto da lanchonete de Quitéria, sendo que em cima, moravam ela, sua filha e alguns irmãos, uma delas, Cássia, a maluquinha. 

Cássia viu Fábia de longe pela janela, separou uma comida, desceu e foi entregar à mendiga. Fábia disse:

- Minha nossa, como tu imaginou que eu tava com fome?

- Não sei, eu senti...

- Muito obrigada, Cássia, nem sei como te agradecer.

Cássia ainda lhe deu 20 reais, e disse:

- Isso é pra tu jantar mais tarde, e tomar café amanhã. Qualquer coisa, eu falo com Quitéria. 

- Obrigada, mesmo. 

Cássia voltou feliz, por ter ajudado quem precisava, enquanto Fábia se deliciava da comida, bastante feliz. Fábia até dizia:

- Dizem que ela é doidinha, mas o que ela tem de doida, tem de coração bondoso...

O vai-e-vem de Kátia na política

 

Se a atual vice-prefeita Giovanna Victórya e a atual secretária de Ação Social Kátia se dão muito bem e são amigas hoje, há um ano atrás, elas disputaram o mesmo cargo uma contra a outra na cidade. Kátia perdeu seu mandato de vereadora por conta de um grande vai-e-vem na política.

Kátia foi candidata a vereadora em Lagoa da Italianinha em 2016, mas ficou na suplência. Assumiu em 2018, quando a vereadora Adriana renunciou. Em 2020, foi candidata à reeleição apoiando a então prefeita Janayna, e dessa vez foi eleita. Mas Janayna foi derrotada por Myllena. 

Kátia logo passou a ser aliada de Myllena. Chegou a ser líder do Governo na Câmara. 2024 se aproximava e a prefeita descalça pretendia ser candidata à reeleição, e Kátia queria ser sua vice. Ela alegou em entrevistas que havia tido essa promessa da prefeita descalça de que ela seria sua vice. 

Mas o barco político navegou para outro porto, e os aliados de Myllena defendia que Giovanna Victórya, filha da prefeita, fosse sua vice. Giovanna acabou sendo a escolhida. Inconformada, Kátia rompeu com Myllena e passou a fazer oposição raivosa contra a prefeita. 

Kátia chegou a se lançar pré-candidata a prefeita, mas acabou aceitando ser vice na chapa de Mimi, a principal adversária de Myllena. A atual vereadora Jane, então aliada de Mimi, chegou a ser cotada como vice de Mimi, mas renunciou em favor de sua amiga Kátia. 

A chapa de mãe e filha formada por Myllena e Giovanna Victórya venceu o pleito, derrotando a chapa formada por Mimi e Kátia. Sendo assim, Kátia só seria vereadora até o fim de 2024. 

Mas algo surpreendente aconteceu: Myllena resolveu nomear Kátia para ser secretária de Ação Social. E Kátia, que não seria mais vereadora, aceitou o convite. Mimi, que foi candidata da oposição e teve Kátia como sua vice, ficou desapontada. 

Myllena deverá ser candidata a deputada estadual e Giovanna passará a ser prefeita em Lagoa da Italianinha. Nos bastidores, comenta-se que Kátia poderá ser a vice de Giovanna quando esta for candidata em 2028.  

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

A misteriosa Lidyanny

Irmã de Eraldo, Luana e Fabíola, a cantora Lidyanny é conhecida por seu gênio difícil. Ela não se dá muito bem com os irmãos, mas mesmo assim, mora em um apartamento com Luana. Mas a irmã com quem mais ela tem atritos é a Fabíola, a vintage que pensa estar na década de 50 em pleno ano de 2025. 

Lidyanny sempre sonhou em ser cantora, e é vista sempre com uma estrela na sua testa. Mas embora sonhe com a fama, tem pouca atenção com as pessoas e com o público. É convidada com uma certa frequência para fazer shows, mas quando os termina, pega logo o carro e vai embora. 

Como ela usa sempre roupas pretas, existem alguns boatos maldosos envolvendo Lidyanny, contando-se até que ela seria uma "vampira". Lidyanny não se preocupa em desfazer tais boatos, pois ela gosta de ser vista como uma pessoa "fora do normal", "diferente" ou "misteriosa". 

Vitório sofre restrição de alguns colegas do colégio


 No colégio onde estuda, em Vitalba, Vitório é alvo de críticas da maioria dos alunos por andar descalço para todos os lugares, inclusive na sala de aula. Numa certa hora, no recreio, Vitório estava sentado, pensativo, enquanto alguns alunos o olhavam com olhares atravessados. Achavam o costume dele muito "pobre" e até "anti-higiênico".

Maria, sua mãe adotiva, briga com Vitório por ele andar descalço. Ele possui calçados, mas pouco os usa. Vitório diz claramente que não se sente bem com calçado no pé. Algumas vezes, ele sai de casa de chinelos, pra disfarçar, mas tira no meio do caminho e coloca na sua bolsa. 

Alguns de seus amigos, Jolanda - que também é apaixonada por ele -, Joni e Winnie pregam o respeito à escolha dele, e não o abandonam. Já Wilma é a mais venenosa, que tenta de tudo para convencer os alunos da sala a isolar Vitório por considerá-lo um "mau exemplo". 

Em casa, sua mãe Maria chegou a perguntar:

- Vitório, me contaram que na escola, tu anda descalço, é verdade?

- Mãe, eu saio de chinelo, óbvio que tiro lá um pouco...

- Filhote, acaba com isso. É muito feio sair por aí descalço. 

- Mas eu gosto, mãe...me sinto bem assim. Sentir o chão, a terra...

Maria não gostou da resposta de Vitório, que foi para o quarto. 

A loucura de Sílvia

 

Mesmo sendo rica e sobrinha da deputada federal Sandra Valéria, Sílvia gosta de perambular pelas ruas de Lagoa da Italianinha aprontando loucuras. Para se ter uma ideia, não foram poucas as vezes que ela chegou até mesmo a tomar banho no chafariz da praça. 

Sílvia é conhecida por gostar de cavalos e por viver em dentro de um barril na fazenda onde mora. Sílvia não pretende ter quartos e fica ali dentro do barril perto do curral. 

Mas não é só isso: Sílvia não quer casar e rejeita todo pretendente. Sua mãe Maria Bonyta e sua tia Sandra Valéria tentam desesperadamente arrumar um marido para ela, mas ela se recusa de todas as formas, chegando a fazer até coisas que espantam os homens de sua presença. Sílvia diz que "não quer virar escrava de homens". 

Na cidade, o comentário é de que Sílvia tem problemas de loucuras, e até toma remédios. 

A rotina de Marcella

 

Cansada depois de um dia inteiro vendendo comida pelas ruas de Lagoa da Italianinha, Marcella volta para sua casa, na humilde Vila Lusitânia. Ela, às vezes, faz alguns lanches na lanchonete de Quitéria ou na lanchonete de Marlene, na rodoviária. 

O apurado de Marcella varia, dependendo do dia. Em alguns dias, dá pra pagar suas contas. Mas em outros, mal dá pra comprar alguma comida. Sem contar que Marcella ainda é conhecida pelo seu coração generoso, visto que costuma doar algumas comidas para alguns moradores de rua. 

Chegando em casa, mal tem tempo para descansar. Depois de jantar e dormir, acorda-se de 4 da manhã para preparar mais comida para ir vender nas ruas. Costuma sair ás 6 da manhã, ficando até quando as comidas acabam. Mas quando não acabam, 16 horas à tarde é o limite. 


Cidinha na cachoeira


Irmã da freira Irmã Elvira, a Cidinha é uma beata radical, que mora no Conjunto Residencial Bella Ciao. Ela, certo dia, foi passear na Cachoeira Sol Nascente, no bairro do mesmo nome. Ela entrou na água com a roupa que estava usando até com as botas. Embora o hábito de tomar banho de roupa seja praticado por algumas pessoas em Lagoa da Italianinha, a exemplo de Josiane, Danúzia e Valdenes, a maioria rejeita esse hábito e zomba dos que o praticam. 

Cidinha, toda vestida dentro da água era motivo de zombaria dos banhistas que ali estavam. Cidinha disse:

- Estão rindo do que? Eu não sou pecadora feito vocês, não. Não ficarei nua pra vocês me verem não!

Um dos banhistas disse:

- Oxe, quem é que quer te ver pelada? Tais se achando, hein, beata? 

- Pensem como quiser, pecadores e pecadoras. Mas vocês vão queimar no inferno!

Uma banhista disse:

- Oxe, olha pra doida. 

Cidinha mergulhou várias vezes na água, e depois de muito tempo, ela finalmente saiu da água. Um banhista disse:

- Vai-te embora, bruxa!

Cidinha ia falando sozinha, dizendo:

- Cambada de pecadores. Agora vou pegar meu dinheiro e comprar meu pão. 

Mas ela lembrou de algo, e arregalou os olhos:

- Eita, o dinheiro está no bolso da minha calça! 

Como ela havia entrado na água usando a calça, o dinheiro que estava no bolso estava molhado...

Myllena pune médico que não ia ao posto de saúde

 

Durante uma manhã em um posto de saúde no Loteamento Maria Clara, em Lagoa da Italianinha, houve um tumulto porque o médico do posto levou uma verdadeira bronca da prefeita Myllena. 

Tudo começou quando Myllena recebeu uma denúncia de que o médico não aparecia no referido posto de saúde, aparecendo apenas para marcar ponto e sair sem atender os pacientes. Myllena mandou investigar se a história era real, e ao saber da veracidade do fato, a prefeita descalça, inconformada, foi ao posto sem avisar, e o encontrou lá. 

O médico disse:

- Bom dia, senhora prefeita, não te esperava aqui. 

- Não esperava porque eu já descobri sua safadeza. 

O médico, surpreso, disse:

- Mas, prefeita, não tô entendendo. 

- Eu já estou sabendo que tu só aparece aqui pra assinar ponto e nem atende os pacientes. 

- Mas quem contou essa inverdade?

- Não adianta me enganar, moço. Eu já averiguei e descobri que era verdade. 

O médico, percebendo que havia sido desmascarado, disse:

- Prefeita, vamos conversar... olha, na próxima eleição, eu voto na senhora, e...

- Doutor, eu não estou preocupada com seu voto, eu estou preocupada que tu faça o teu serviço direito. Esse povo daqui da localidade chega 4, 5 da manhã e tu não atende as pessoas, por puro orgulho. 

- Prefeita, prometo que isso não vai mais acontecer. 

- Claro que não. Pois esse homem que veio comigo também é médico e vai ficar no seu lugar. Tu pode pegar suas trouxas e desapareça daqui!

- Prefeita, não faça coisas que pode se arrepender depois...

- Não adianta me ameaçar. Vamos, lavra logo daqui, eu não tenho o dia todo. 

O médico demitido pegou seus pertences e saiu do posto, vaiado pelos pacientes que ali estavam. A prefeita foi muito aplaudida pelas pessoas, e sua postura foi elogiada até por integrantes da oposição. O médico demitido, inconformado, dizia:

- Essa louca do pé sujo vai me pagar. 

Suely e as filhas Sara e Diná


Certo dia, em seu escritório, a juíza Suely recebeu suas duas filhas Sara e Diná. Suely havia dispensado seu ajudante Valdenes naquele dia, permitindo que ele viesse apenas no dia seguinte. 

Sara é empresária, vereadora e modelo, e Diná, uma jovem adolescente estudante. Quando Suely passou a ser careca, as duas estranharam, mas depois, decidiram adotar o visual da mãe. Sara e Diná, desde então, se mantém carecas, por opção, assim como a mãe, Suely. 

Naquela tarde, Suely soube que Diná havia sido vítima de bullyng por conta de seu visual. Sara contou isso para a mãe, e esse foi o motivo das três se reunirem pra conversar. Suely disse:

- Essa conversa é tão importante pra mim que eu dispensei Valdenes hoje, amanhã ele volta. Sara, é verdade que te esculhambaram na escola? 

- Sim, mãe. 

Sara disse:

- Ela me contou até quem foi. Foi a tal de Léa, sobrinha do deputado Moab. 

- Perguntaram até se eu estava doente. - disse Diná. 

Suely disse:

- Me perguntam isso direto. Eu ainda enfrento mais preconceito, porque além de ser careca, ainda vivo descalça, isso vocês duas preferiram não me imitar. Mas quero que saibam de uma coisa. Se quiserem deixar seus cabelos crescerem, podem deixar. Mas eu mesma quero continuar careca. 

- Não, mãe, eu também quero continuar assim. - disse Sara. 

- Eu também. - disse Diná. 

- É, isso pode até ser uma força para as que estão, por exemplo, doentes. É uma forma delas não se sentirem sozinhas. 

- É verdade. - disse Sara. 

Diná disse:

- Mãe, o que pretende fazer com a pessoa que praticou bullyng? 

- Depois vou conversar com o deputado sobre esse assunto, ele é tio dela. Mas se isso persistir, eu sou juíza e posso tomar as providências. Mas não quero usar o meu cargo em favor de parentes meus. Só se for necessário. 

Os avós de Jacilene

No início do Século XVIII, Paris testemunhou um romance proibido entre dois jovens de duas famílias inimigas. Catarina, nascida em 1695, era filha do casal Thierry e Charlote, enquanto Pierre, que nasceu em 1692, era filho do casal Louis e Amélie. 

Na época, o reinado era de Luís XIV, mas os primeiros questionamentos ao regime absolutista já existiam. Eis aí a razão das duas famílias se odiarem. Thierry e Charlotte eram contrários ao absolutismo, enquanto Louis e Amélie eram admiradores do Rei Luís XIV. 

Mas Pierre e Catarina desafiaram essa inimizade, e passaram a se encontrar ás escondidas. Em 1720, o caso acabou se tornando público. Como os pais de Catarina não aceitaram o genro, ela precisou fugir de casa para viver seu grande amor. 

Pierre e Catarina se casaram, e tiveram um único filho, que viria a ser o pai de Jacilene, que nasceu em 1752. Eles chegaram a conhecer a netinha, e ficaram encantados com ela. Ao longo da vida deles, com o abolutismo cada vez mais questionado, as duas famílias outrora inimigas haviam se reconciliado. 

Pierre e Catarina amavam muito a neta Jacilene, porém ambos faleceram antes que ela saísse da França e fosse morar no Brasil, então colônia portuguesa, em 1782. 

Sufoco durante um passeio na cachoeira


Numa certa tarde, seis amigos foram se divertir na Cachoeira Sol Nascente: Eraldo, Eugênio, Valdenes, Joni Von, Rodolfo e Cici. Era uma tarde quente e ensolarada, e eles quiseram aproveitar a hora do almoço para se divertir por ali. A idéia foi de Joni Von. 

Como Valdenes entrou de roupa e tudo, logo foi alvo de piadas dos outros cinco. Colocaram outro paletó em Joni Von, quando foram tirar foto. 

Joni Von e Rodolfo aproveitavam para aprontar mais. Mas em dado momento, um dos zeladores da cachoeira chegou aos amigos e disse:

- Roubaram as roupas de vocês!

- O que???? - disse Eraldo. 

- Mas e agora? - disse Eugênio. 

Valdenes disse:

- Olha aí, riram de mim porque entrei de roupa e tudo, não levei esse prejuízo, ok? 

- Tu tem muita sorte, Valdenes! - disse Cici. 

Eugênio disse:

- Vamos sair e procurar o meliante que roubou nossas roupas. 

- Mas... e se não encontrarmos? - disse Eraldo. 

Mas o meliante havia sido encontrado, ele tinha sido preso ao sair da cachoeira. Eles foram na delegacia para recuperar suas roupas, e o delegado Oliveira, que por sinal é irmão de Joni von, disse:

- Valdenes quem se deu bem, né? Não teve suas roupas roubadas porque entrou com elas na água. Aqui estão cinco peças de roupas de seis amigos. 

Cada um pegou suas roupas, se vestiram e voltaram pro centro da cidade. 

A mendiga paralítica

 

Em Lagoa da Italianinha, existe uma mendiga que é paralítica de nascença, e costuma se rastejar no chão pelas ruas da cidade. Edna é irmã de Iraneide, outra moradora de rua, e o que mais se surpreende nela é que apesar dela não andar e ainda não ter casa, é bem alegre e brincalhona. 

Certo dia, ela estava numa lanchonete da rodoviária, quando um homem engravatado disse:

- Minha vida é uma merda, mesmo!

Edna ouviu, e se rastejou até perto dele, e ele ao ver a mendiga, disse:

- Tem esmola, não. 

- Não vim por isso. Mas te ouvi dizer que sua vida é uma merda. 

- Claro, por que é!

- Ah... tu anda, tu tem casa pra morar, imagina eu que nem ando e nem tenho casa. E nem por isso acho que minha vida seja uma bosta. 

O empresário disse:

- Boa sorte pra tu, mendiga fedorenta. 

Ele saiu, e Edna dizia:

- Arrogante, prepotente. 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Recomeço depois do terror


Klaus foi um soldado que serviu na Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial. Ele, antes, foi um devoto do regime ditatorial, tendo servido em um campo de concentração na Polônia, sendo responsável pela prisioneira Alessandra. 

Entretanto, à medida que Klaus foi se desencantando com o regime cruel e tirano, ele foi passando a proteger Alessandra. No começo de 1945, os oficiais superiores descobriram tudo e ele foi metralhado na frente dela, caindo ferido no chão. Alessandra e os oficiais pensavam que ele estava morto, mas Klaus, mesmo ferido, conseguiu escapar do campo e informar aos soviéticos que já se aproximavam dali. 

Klaus conseguiu fugir, e depois de se recuperar, foi para a Suécia. Mesmo estando no país escandinavo, ele foi julgado e passou um tempo preso. Mas refez sua vida ao lado da enfermeira Blenda, com quem se casou e gerou uma filha, Dagmar. 

Alessandra, que estava morando no Brasil, em Maceió, pensava que ele estivesse morto. Mas em 1960, recebeu uma carta dele, e descobriu que ele estava vivo e morando na Suécia. 

Personagens que atravessaram gerações

Thomas, aos 89 anos, com Irmã Isabela, em 1865. 

Alguns personagens dessas histórias atravessaram gerações, sendo testemunhas vivas de uma época em outra época. Aqui citamos quatro: Thomas, Daniel, Antônio Neto e Alycia. 

Testemunha viva dos acontecimentos de Vila Rica no fim do século XVIII, Thomas, já idoso, vivia em Fortaleza, perto da casa do barão Almir, neto de Brenda, que havia sido a mãe adotiva de Thomas. Ele, que nascera em 1776, relembrava também a pianista Regina, a francesa Jacilene, e a malvada Sinhá Adriana. Thomas viveu 100 anos, até 1876.  

Daniel, aos 96 anos, com Flavinha, sua sobrinha-neta, em 1956. 

Já o filho mais novo do barão Almir, Daniel, ainda vivia no interior de Pernambuco, no sítio Maniçoba, onde futuramente seria Lagoa da Italianinha. Em 1935, Daniel tinha 75 anos quando imigrantes italianos chegaram no local e ele testemunhou pessoalmente o nascimento da cidade. Além do seu pai barão Almir e de sua mãe, baronesa Delma, Daniel lembrava muito de suas irmãs mais velhas Aline, Alvanir e Aurineide. Daniel viu o Thomas, lá do século XVIII, quando ainda era menino. Ele tinha 16 anos quando Thomas morreu. E viu ainda pequenos o agricultor pernambucano Antônio Neto e a imigrante italiana Alycia, já idosos hoje. 

Antônio Neto 

Alycia 

Já Antônio Neto e Alycia, ainda vivem, e já são bem idosos. Antônio Neto, hoje com 100 anos, mora em Lagoa da Italianinha e viu essa cidade nascer, viu os imigrantes italianos chegarem no local no agreste de Pernambuco, além de ter chegado a combater na Segunda Guerra Mundial. Viu ainda o seu tio-avô Daniel, irmão de sua avó Alvanir. 

Já Alycia vive em Verona, na Itália, onde nasceu. Alycia saiu de lá para Pernambuco com apenas 5 anos, e voltou para a Itália aos 71 anos. Hoje, com 95 anos, ainda carrega as lembranças de sua amada família e do país e estado que os acolheram quando tiveram que deixar a Itália no período fascista. Ela, por sinal, é a responsável pelo nome da cidade pernambucana, já que ela era apelidada de Italianinha, e gostava de brincar em uma lagoa. 

Uma vida destruída pela inveja


 Prima de Alvanir, a bela Armanda teve sua própria vida arruinada pela inveja que ela mesma teve contra sua prima.

Desde meninas, Armanda e Alvanir nunca se deram bem. Armanda invejava Alvanir em tudo, querendo tomar tudo dela. O brilho que Alvanir tinha causava ódio em Armanda. 

Armanda era apenas 5 anos mais velha que Alvanir. Armanda nasceu em 1840, e Alvanir, em 1845. Em 1865, quando Armanda saiu do Rio e foi morar em Fortaleza na casa do seu tio, o barão Almir - pai de Alvanir -, Armanda tinha 25 anos, e Alvanir tinha 20 anos. 

Armanda tentou até mesmo matar Alvanir envenenada, chegando também a tentar atrair para si os homens que por acaso nutrissem interesse em Alvanir. 

Anos mais tarde, em 1889, Armanda foi na casa de Alvanir, armada, querendo matá-la. Alvanir estava com seu marido Antônio e as filhas pequenas Lucinha, Mônica e Olívia. Armanda pretendia matar todos os cinco, mas a ex-escrava Adriállina surpreendeu Armanda e conseguiu imobilizá-la. Armanda foi internada em um hospício, e dizia ainda que mataria Alvanir. Armanda ainda tentou fugir de novo, mas foi pega e recolhida no manicômio, de onde não saiu mais. 

Em 1889, solteira, 49 anos, sem ninguém, e recolhida em um manicômio com uma camisa de força. Armanda, que passara a vida só tramando contra Alvanir, e vencida pela inveja, terminaria desse jeito...

Horácio faz revelações sobre Wéllia


Numa certa noite, Horácio, que havia chegado do Rio de Janeiro, pediu para marcar um encontro com Valdenes. Ele soube que Valdenes é um  grande rival de Wéllia, e queria ter uma conversa com ele. Valdenes estranhou tal coisa. Mas Horácio havia marcado um encontro no Pátio Verona, um dos lugares mais movimentados da cidade. 

Horácio disse:

-Você é o Valdenes?

- Sim, sou eu. 

- Você morava nas ruas, não é?

- Sim, mas hoje moro em uma casa...

- E continua descalço?

- Sim, me sinto bem assim. 

Horácio disse:

- Eu sou o pai de Alice. 

- Hã... bem que seu rosto não era estranho...

- Sim, Valdenes, e sei que você é rival de Wéllia, minha ex...

- Digamos que sim... por que? 

- Porque tenho informações que talvez vão te interessar sobre ela. E depois, eu falarei com a Malu e até com a juíza Suely. 

- Então, desembucha!

Horácio disse:

- Wéllia não tem condições mentais, morais, higiênicas e nem éticas para tomar conta de Alice. 

- Olha, moço, essa parada de condições morais, éticas até acho, mas porque também mentais e higiênicas?

- Wéllia é uma perturbada mental. 

- Ah, isso eu sei. Mas eu falo da questão higiênica... ela é uma madame muito metida e nariz empinado. 

- Ah, mas isso é uma pose que ela mantém. Mas ela odeia tomar banho. Ela até se suja de lama e suja as calças...

Valdenes disse:

- Hã??? Como assim, suja as calças? 

- Não entendeu, não? Ela urina e evacua nas calças, ela não tem pudor. 

- Ahahaha, essa não pode ser. Uma madame feito ela se prestar a uma coisa nojenta dessas? Isso não pode ser, amigo. 

- Oxe, é a realidade, eu convivi com ela muito tempo. 

Valdenes disse:

- Apesar que teve um dia que eu tava perto dela, senti uma catinga de merda, mesmo... mas pensei que tinha sido a mendiga Esvalda, que tinha passado pela praça onde a gente estava.

- Valdenes, tu vai saber de coisas do arco da velha. E eu posso te contar tudo. 

- Conte tudo, não me esconda nada. 

A chegada de Sara Sofia

 

No colégio em Vitalba, alguns alunos ficaram supresos quando chegou uma nova aluna para estudar na classe. Sara Sofia chamava atenção pelo seu visual, careca e descalça. 

Numa certa hora, quando o recreio estava acontecendo, Sara Sofia ficou na sala, pois sabia que ia ser alvo de piadas. Mas Jolanda, Vitório e Joni foram conversar com ela. Jolanda começou a fazer algumas perguntas para Sara Sofia, que respondeu:

- Eu sou careca porque meus cabelos realmente não cresceram, nasci sem cabelos, e eles não cresceram, é problema mesmo. Mas eu me aceitei assim, sabe? Não uso perucas nem nada. 

Joni disse:

- E porque andas descalça? Tais ligada que tem outro colega nosso aqui descalço, o Vitório?

- Sim, eu também me sinto bem sem usar calçados. Às vezes uso, mas muito pouco. 

Vitório disse:

- Pelo menos, não sou mais o único descalço aqui...

Jolanda disse:

- Seja bem vinda, Sara Sofia, e saiba que você é nossa amiga a partir de hoje, viu?

- Muito obrigada. 

Eles abraçaram a nova aluna. 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Wéllia e Rita de Cássia brigam na rua

 

Numa noite chuvosa em Lagoa da Italianinha, a publicitária Wéllia, na rua, tentou humilhar a mendiga Rita de Cássia, mas encontrou uma mulher brava. Wéllia provocou:

- Olha tu e tua boneca encardida, tu é mais velha que eu e usa chupeta, vou acabar com isso agora. 

Wéllia tentou tomar a boneca de Rita, mas Rita revidou, dizendo:

- Na minha filha tu não toca!

Nem mesmo quando a chuva começou a cair, intimidou Wéllia. As duas praticamente foram vistas por muitas pessoas brigando na rua. Malu, a irmã gêmea de Wéllia, passou por ali, e gritou:

- Larga Rita, Wéllia!

- Não se meta, Maria Luísa! 

Malu saiu do carro onde estava, puxou Wéllia para o carro e Rita de Cássia pôde ficar em paz. Malu disse:

- Não quer passar a noite lá em casa?

- Não, deixe eu na rua, mesmo... - disse Rita. 

- Ao menos, saia da chuva. 

Malu entrou no carro, e irritada, levou Wéllia para casa. 

Uma brasileira na Alemanha

 

Vivendo entre Sttutgart e Berlim, a professora Carol é uma brasileira que se mudou para a Alemanha há algum tempo. Em Berlim, ela tem amizade com a Milady, outra brasileira, de Lagoa da Italianinha, que vive lá. Também tem amizade com a cantora alemã Ludmylla, que no passado, já foi inimiga dela e de Milady, mas que hoje é uma grande amiga. 

Em Sttutgart, mora com sua família, mas em Berlim, ela vive em um apartamento, onde costuma descansar do seu trabalho na capital alemã. Carol, ao saber que Lagoa da Italianinha, a cidade pernambucana fundada por italianos, onde Milady nasceu, tem também uma colônia alemã. Inclusive, Carol tem um quadro pintado pela judia alemã Inalda, que vivia em Lagoa da Italianinha quando ainda era o sítio Maniçoba pertencente a Vila Dourada. 

Carol também é especialista na História e cultura alemã. Ela costuma dar aulas sobre o idioma, a história, a cultura e a geografia do país. 

Flávia tenta convencer Wêdja a deixar alcoolismo

 

No mesmo edifício onde moram, Flávia foi visitar Wêdja, que havia sido trazida por ela na noite anterior, muito alcoolizada. Wêdja disse:

- Flávia, foi tu quem me trouxe pra casa ontem?

- Sim, fui eu. 

- Obrigada, eu estava ontem aérea...

Flávia disse:

- Wêdja, tu precisa parar de beber. Isso é tão prejudicial para sua saúde. 

- Eu tento... mas não é fácil. É mais forte que eu. Não posso ver uma garrafa na frente. 

Flávia disse:

- Muitas pessoas começaram assim, com o primeiro gole... depois ficaram viciadas. 

- É...

- Aqui em Lagoa da Italianinha, tem o escritório dos Acoolicos Anônimos, porque tu não vai lá?

- Eu vou... eu prometo. 

- Espero que sim. Se ame,  não beba, viu. 

Flávia se retirou para voltar pro seu apartamento. Wêdja disse:

- Essa galega sabe nada... eu sei me controlar.. só exagerei um pouco ontem...

Fabíola, Valdenes e Wiviane se envolvem em briga na praça

 

Numa certa tarde, Valdenes se viu envolvido em uma confusão na praça principal em Lagoa da Italianinha, quando foi apartar uma briga entre a vintage Fabíola e a cantora Wiviane, que se odeiam desde crianças. 

Valdenes disse:

- Parem de brigar vocês duas, é impossível vocês não se encontrarem pra não brigarem. 

- Essa maloqueira de chinelos foi quem começou! - disse Fabíola.

Wiviane disse:

- Pior é tu, que usa roupas do tempo da minha avó! 

- Ah, que vou puxar seus cabelos, de novo!

Valdenes disse:

- Parem, vocês duas! 

O policial Júnior passou ali e disse:

- Algum problema?

- Xi, sujou! Agora, vocês duas dançaram na chapa quente! - disse Valdenes. 

Fabíola disse:

- Essa daí me provocando, ela tem inveja o quanto sou bonita!

- Olha pra isso, essa velha com cara de nova! - disse Wiviane, e as duas começaram novamente a se baterem, e Valdenes as separava. Júnior disse:

- Chega! Todo mundo para a delegacia, já!

- Mas, delegado, prenda ela, foi ela quem começou! - disse Fabíola. 

- Todos pra delegacia, inclusive, tu, Valdenes. 

- Sobrou pra mim!

Fabíola, Valdenes e Wiviane chegaram na delegacia com o policial Júnior e o delegado Oliveira disse:

- De novo vocês duas?????? Ainda trouxe outro de brinde????

Valdenes disse:

- Eu só tentei separar essas duas que estavam brigando feito loucas!

- Epa, loucas, não! - disse Wiviane, que juntamente com Fabíola, começaram a bater em Valdenes. Oliveira disse:

- Parem com isso! Senão boto todos na cela!

Depois de acalmarem os ânimos, deixaram a delegacia. 

Lady Andréia se deixa vencer pelo orgulho e rejeita as filhas

 

No ano de 1952, em Vila Dourada, a malvada Lady Andréia, outrora uma madame beata respeitada na cidade, estava morando nas ruas, tendo virado mendiga. Acontece que ela tivera sua casa tomada por Carlos Villegagnon, por dívidas com o pai dele, Jorge Villegagnon. 

Porém, mesmo na sarjeta, Lady Andréia não perdeu a arrogância. Nessa época, ela já tinha 63 anos, e perambulava pelas ruas. Nessa ocasião, suas duas filhas, Gisella, que já tinha 41 anos, e Allana Hevellyn, que já tinha 39 anos,  já eram casadas e cada uma com sua casa, tentaram convencer Lady Andréia a sair das ruas. Mas Lady Andréia disse:

- Me recuso a dividir o mesmo teto que uma de vocês. 

- Mas porque, mãe? - disse Gisella. 

Lady Andréia disse:

- Por que vocês não me puxaram, vocês quiseram ser boazinhas. Vocês gostam de pobres, tratam pessoas de diferentes raças da mesma forma, eu estou decepcionada. 

- Mas, mãe, nós temos que ser boas pessoas - disse Allana Hevellyn. 

- Pois podem dar meia-volta, volte cada uma para sua casa.

- E o povo aí anda dizendo que somos desnaturadas, pois nossa mãe vive nas ruas ... - disse Gisella.

- Esse é o problema? Não se preocupem, eu mesma digo que não quero vocês. 

Lady Andréia começou a gritar para as pessoas que por ali passavam:

- Olhem essas minhas filhas, me deram desgosto. Elas querem ser boas pessoas e eu não aceito isso. 

As pessoas estranhavam a atitude de Lady Andréia, que mesmo doente e morando nas ruas, insistia no seu gênio orgulhoso. Decepcionadas, as duas irmãs voltaram cada uma para sua casa. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Natasha e Stéfany

 

Duas irmãs do vereador Luís Roberto, em Vila Dourada, no interior de Pernambuco, as irmãs Natasha e Stéfany vivem em guerra uma contra a outra. Ambas são conhecidas por serem perigosas, mas não se unem. Natasha chama Stéfany de "maloqueira pé sujo", enquanto Stéfany acusa Natasha de ser uma "patricinha metida". 

Luís Roberto tenta acalmar suas irmãs; ele teme que as atitudes delas acabem prejudicando sua carreira política, que se mostra promissora.

Certo dia, enquanto Luís Roberto estava viajando em Lagoa da Italianinha, Natasha chegou e encontrou Stéfany sentada no sofá, dizendo: 

- Eita, meu irmão saiu e se esqueceu de desinfetar a casa...

- Tais falando comigo, patricinha?

- Tô, sim, sua pé sujo. 

- Olha, Natasha, o que eu faço ou deixo de fazer não te interessa. Cuida da tua vida que da minha cuido eu. 

- Que vida. Eu tô sabendo das suas maracutaias, visse?

- Não diga. Eu já sei das suas. Se denunciar as minhas pro nosso irmão, eu falo das suas. Tá avisada. 

Natasha sentiu vontade de bater em Stéfany, mas se segurou e se retirou. 

Estudantes a caminho do colégio em Vitalba


Numa certa manhã, estavam seis estudantes indo juntos para o Colégio em Vitalba, na Toscana: Enzo, Amália, Vitório, Winnie, Joni e Raschele. Eles se encontraram por acaso a caminho do colégio e caminhavam juntos pela cidade italiana.

Em comum, todos estudiosos, que pretendiam ser algo na vida. Enzo queria ser artista, Amália queria ser empresária, Vitório sonhava em ser escritor e desenhista, Winnie queria ser veterinária, Joni queria ser padre e Raschele sonhava em ser enfermeira. 

Eles chegaram juntos ao colégio, o porteiro até estranhou:

- Interessante, Enzo e Vitório juntos, só vivem brigando...

Vitório disse:

- Mas o que é que tem? Podemos nos falar às vezes, normalmente. 

Raschele disse para Winnie:

- Imagina se Vitório fosse barrado por estar descalço...

- Isso não vai acontecer, a diretora já autorizou faz tempo. 

- Eita, como ia ser interessante. 

Amália e Joni conversavam muito um com o outro, também. Foram para a classe, onde havia uma regra rígida: nada de celular na sala. Os professores do colégio não abriam mão da educação tradicional, apesar de todo avanço tecnológico. 

E assim, se iniciou mais um dia de aula no colégio, com eles e todos os outros alunos que ali haviam chegado.  

Karola, Waldo e Margarete no restaurante em Berlim

 

Num certo dia, em um restaurante em Berlim, a cantora Karola acompanhou seu amigo, o artista Waldo, para almoçarem juntos. Mas Karola não contava com isso: Enquanto ela falava, Waldo nem prestava atenção. É que ali estava Margarete, a quem ele amava. 

Karola disse:

- Posso saber o que está acontecendo?

- Essa moça aí, Karola. É a tal Margarete, de quem eu gosto. 

- Parece que ela não está nem um pouco feliz em te ver...

- É o jeito dela. 

Karola ficou incomodada com a forma que Waldo olhava para Margarete. Não demorou muito, Karola saiu, e Waldo viu, e disse:

- Para onde vai, Karola?

- Vou indo. Acho que aqui tem alguém mais interessante do que eu. 

- Mas não diga isso. 

Karola saiu, e Waldo não viu mais Margarete. Ela havia deixado o restaurante por conta da presença do rapaz. E a reação de Karola se deu por uma razão: Karola é apaixonada por Waldo. 

Myllena recebe Valdenes em seu gabinete

 

Numa certa manhã, na Prefeitura de Lagoa da Italianinha, a prefeita Myllena recebeu Valdenes, seu ex-secretário de Turismo. Ela disse:

- Valdenes, que surpresa te ver aqui. O que manda? Alguma coisa lá nos conjuntos residenciais onde tu mora?

- Por enquanto, não. 

- Então?

Valdenes disse

- Semana passada, estive com a vereadora Vanessa, minha prima, Branco, Karla Patrícia e Marília do Acordeon, e nós estamos criando um grupo para pessoas descalças. Como a senhora também anda sempre descalça, acredito que tal grupo seja do seu interesse. 

- Hum, e qual nome e o objetivo?

- Sociedade dos Pés Livres, e o objetivo é lutar pelos direitos dos descalços de escolherem esse estilo de vida. A senhora mesma relatou muitos preconceitos que a senhora sofre mesmo sendo prefeita. 

Myllena disse:

- Pois é, a ideia é genial, o problema é a presença da Vanessa, a sua prima, ela me odeia, não sei se você sabe que ela rompeu comigo porque eu não quis dar a Presidência da Câmara para ela. 

- Com todo o respeito, essa questão dos descalços transcende política. Precisamos ser livres para escolhermos não usar calçados, e a senhora é na cidade a pessoa mais importante descalça, juntamente com sua irmã juíza Suely, minha patroa. 

- Está bem, Valdenes, eu sou uma descalça convicta e estarei sempre ajudando em qualquer grupo que venha a ajudar em nossos direitos. Eu estou farta de sofrer preconceitos por isso, quero ser respeitada. Mas me permita pensar?

- Como quiser, prefeita. 

- Muito obrigada.

Valdenes se retirou, e Myllena dizia: 

- É um grupo maravilhoso, o problema é a presença da Vanessa...

Fabiana no posto de gasolina

 

A venezuelana Fabiana é uma das mendigas que costuma tomar banho em um posto de gasolina na cidade de Lagoa da Italianinha. Ela e seus três filhos vão ali diariamente, além de ganhar comidas quando pedem esmolas pelas ruas. 

Fabiana, quando está na ducha, fecha os olhos e se lembra de sua terra natal, a Venezuela, país que foi obrigada a deixar por conta do caos social. 

Numa certa tarde, Fabiana demorou tanto tomando banho no posto que um dos frentistas disse:

- Oi, você já está aqui há tempos...

- Oh, desculpe... - disse Fabiana, com o seu sotaque espanhol tentando falar português. 

Fabiana desligou o chuveiro e foi embora. Um dos frentistas disse:

- Essa mulher tem uma língua diferente, né? Um sotaque diferente. 

- Ela veio da Venezuela, tá aqui morando nas ruas de nossa cidade. Ela e os três filhos vivem aí pelas ruas, dormem nas calçadas...

- Pois é, escolheram lá um ditador, deu nisso...

Jacilene questiona sociedade de sua época


 O ano era 1772, e a francesa Jacilene tinha apenas 20 anos de idade. Morava nas altas cortes de Paris, mas não parecia feliz. Ela via muitas pessoas pobres e ficava inquieta. 

Jacilene vivia na época do absolutismo monárquico, com a presença da divisão social em três estados, o que anos mais tarde levaria o povo à se revoltar e à uma revolução. 

Jacilene perguntava aos seus pais:

- Por que tem tantas pessoas nas ruas enquanto nós estamos no luxo?

- Jacilene, são esses impostos pagos por essa gente que sustentam você. - disse o pai. 

- Mas isso é absurdo, pai. Eu tenho direito a isso, mas eles também têm. 

- Jamais, filha - disse a mãe. 

O professor de Jacilene também tinha pensamentos absolutistas. Ele disse:

- Jacilene, pare de questionar o que já foi estabelecido. Tu só tem que obedecer. Tem o clero, em primeiro lugar, a nobreza em segundo. A ralé é o resto, pagando os luxos do clero e da nobreza, inclusive os seus. 

- Desculpe, eu não consigo entender essas regras sociais. 

- Hierarquia, já ouviu falar? Pronto, é isso. 

Jacilene costumava muito ir para festas, e era galanteada por vários homens, mas nenhum lhe despertava interesses. Ela não se sentia bem naquele meio. Dez anos depois, deixou seu país e passou o resto da vida no Brasil, entre Minas Gerais e Pernambuco. 

A resistência de Alessandra

  Os seis anos que Alessandra passou em um campo de concentração - os mesmos anos da Segunda Guerra Mundial - foram os mais terríveis na vid...