A sofrida Gilmara, que viveu no século XVIII, em Vila Rica, sofria muito nas mãos de Sinhá Adriana, tida como uma mulher cruel e perversa. Filha de outro escravo, Gilberto, que havia sido trazido da África, e que foi alforriado anos mais tarde, Gilmara nasceu nessa condição em 1730 e não conseguiu galgar posições em sua vida.
Foi alforriada somente em 1794, já com 64 anos de idade, e já doente, pouco disfrutou de sua liberdade. Alguns de seus descendentes também experimentaram a escravidão. Suas bisnetas Socorro e Adriállina, que não chegaram a conhecer a bisavó, foram escravas em Fortaleza, no Ceará, até 1884, quando aconteceu a abolição em terras cearenses, quatro anos antes da abolição nacional.
Outros descendentes seus que viveram no século XIX foram os irmãos Antônio e Miguel, sendo que eles foram alforriados já em 1860.
Adriállina teve uma neta, a professora Issa, que viveu no sítio Maniçoba nos anos 30, onde futuramente seria fundada a cidade de Lagoa da Italianinha, em Pernambuco. Issa foi a bisavó de Ana Karina, atualmente professora e historiadora em Lagoa da Italianinha, além de seus irmãos Adriana (ex-vereadora e ex-psicóloga), Sandrinha, a atual vereadora Cileide e a jornalista Luz.
Antônio, primo de Adriállina, se casou com a Alvanir, branca, rica e abolicionista. Gerou três filhas: Lucinha, Mônica e Olívia, das quais somente Olívia herdou a etnia afrodescendente. Lucinha foi antepassada da Madame Eliene e da atual vereadora Goy, que são brancas. Mônica, por sua vez, viria a ser mãe de Antônio Neto e avó de Kátia, Katariny, e seus primos Valdenes, Guilherme, Jad, Vitória, Josy e Juju Doida, sendo alguns deles pardos. E Olívia foi avó de Barnabé, que tem um filho conhecido por Chico Tripa, devido a ser magro.

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