quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Deza na rodoviária

 

Primeira mendiga de Lagoa da Italianinha, Deza foi à rodoviária da cidade, para ir pedir esmolas e tentar fumar e tomar café por lá. Deza passou por algumas pessoas, exalando um mau cheiro forte - ela odeia tomar banho - e algumas pessoas lhe negaram esmolas, e outras lhe deram. 

O cheiro de Deza era tão forte que poderia ser sentido a alguns metros de distância. Ela é muito conhecida na cidade por ser a pessoa que vive há mais tempo nas ruas da cidade, desde 1987. Alguns dos atuais pais de família, empresários e políticos da cidade já nasceram quando Deza já vivia nas ruas. 

Deza, que também tem problemas de loucura, tentava conversar com as pessoas, falando coisa com coisa. Ela se aproximou de um homem idoso e disse:

- Calor tá muito grande, nossa, e estou toda suada, caramba. 

O homem, não aguentando o mau cheiro dela, saiu de perto. Deza disse:

- Que pena, perdeu muito em não conversar comigo. 

Algumas pessoas tentavam ficar mais longe dela. Marlene, a dona da lanchonete da rodoviária e diretora do terminal, disse para Deza:

- Mulher, é o seguinte: tem como tu ir embora?

- Por que????

- Porque... seu cheiro... é, seu cheiro está incomodando a gente. 

Deza disse:

- Tá proibido aqui entrar pessoas fedorentas? Esvalda é mais fedorenta que eu e vive por aqui.

- Engano seu, a Esvalda já foi expulsa daqui, também. 

- Sinto muito, Marlene, aqui é público. Me admira tu, que já viveu nas ruas, tu tratar a gente assim. 

- Dona Deza, não me faça tomar medidas drásticas. 

- Eu vou, mas eu não gostei, e vou denunciar você por discriminação contra mendigos. 

- Não tem nada a ver com tu ser mendiga, mas com tu estar fedendo. 

Deza saiu dali, nervosa e inconformada. 

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