O ano era 1936, e Daniel, aos 76 anos, era um poderoso fazendeiro no sítio Maniçoba. Ele era cearense de nascimento, mas havia se mudado para Pernambuco para ficar perto de sua irmã Alvanir, com quem ele tinha uma ligação maior.
Daniel, filho caçula do barão Almir e da baronesa Delma, e irmão mais novo de Aline, Alvanir e Aurineide, se tornou um fazendeiro próspero. Apesar de sua riqueza e opulência, costumava ser simples com as pessoas e até ajudava os pobres quando necessário.
Nesse mesmo ano, ele acolheu em sua casa Flavinha, irmã do coronel Jefferson, neto de Aurineide. O motivo é que Flavinha foi expulsa de casa por ter largado o catolicismo romano e ter se convertido ao protestantismo. Tal atitude revoltou Jefferson, católico e devoto do "Padim Ciço", que não admitia ninguém de sua família em outra religião que não fosse a católica.
Foi a primeira protestante no então sítio Maniçoba - atual Lagoa da Italianinha -, cuja população era majoritariamente católica, tendo apenas algumas exceções, como a alemã Inalda, que era judia.
Flavinha não foi sozinha: a irmã mais velha Maria José decidiu ser solidária à sua irmã, embora continuasse católica. Nessa ocasião, Flavinha recebeu até a visita do padre Francisco e da freira Irmã Renata Augusta, mas ela estava irredutível.
Daniel acolheu Flavinha e Maria José, e deixou Flavinha livre para seguir a religião que ela quisesse. Inclusive, Daniel também se converteu, com a pregação de Flavinha. Apenas Maria José não se tornou protestante.
Flavinha se casou e formou uma família, que é quase toda evangélica. A prefeita Myllena e a juíza Suely, que são irmãs e também são evangélicas, são suas netas.

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