No ano de 1862, viviam em uma fazenda nas imediações de Ouro Preto um casal de idosos, Aurélio e Áurea. Aurélio tinha 92 anos, e Áurea, tinha 90 anos. Ambos se conheciam desde crianças, na época que Ouro Preto se chamava Vila Rica.
Aurélio era um menino pobre, que morava com seu pai Jessé, já viúvo, enquanto Áurea era de família rica, filha de Abel e Abigail.
Quando era menina, Áurea chegou a aprender a tocar piano com Regina, a dama de Vila Rica, que era uma pianista de mão cheia. Mas enfrentavam preconceitos por conta de suas diferenças sociais. A malvada Sinhá Adriana e sua filha Mariana, que eram amigas da família de Abel, desaconselhava a aproximação de Áurea com um menino pobre.
Mas os anos se passaram, e eles conseguiram se casar, com a francesa Jacilene como madrinha do casamento. Viveram felizes e constituíram família.
Em 1862, ambos estavam doentes. Numa tarde de chuva leve, seus filhos os visitaram, e eles estavam na cama. Aurélio, prestes a morrer, dizia:
- Cuidem da minha Áurea...
Mas não sabia ele que tinha acabado de ficar viúvo, pois Áurea havia falecido. E nem deu tempo de saber, pois Aurélio também faleceu logo em seguida.
O luto duplo comoveu a todos. Era um casal unido desde a infância, que superaram diferenças sociais e acabaram partindo juntos desta vida.

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