Em pleno Século XIX, em Fortaleza, a jovem Alvanir, tida como uma mulher à frente do seu tempo, desafiou o racismo de uma sociedade inteira ao contrair núpcias com o jovem jornalista Antônio, que havia sido escravo de Raul. Ele havia sido alforriado desde 1865, tendo inclusive se voluntariado a combater na Guerra do Paraguai.
Anos depois, ele começou a gostar de Alvanir, mas enfrentou ainda uma resistência inicial. Mesmo assim, foi falar com o barão Alrmir, o pai de Alvanir, que decidiu aceitar depois de muita hesitação. Eles se casaram, mas o casamento não foi muito prestigiado por ser inter-racial.
Mas eles, apesar de todos os desafios, formaram uma família feliz. Eles tiveram três filhas: Lucinha, nascida em 1878, Mônica, nascida em 1880, e Olívia, nascida em 1882. Enquanto as duas primeiras nasceram brancas, a Olívia, mais nova, herdou a etnia do pai.
Viveram juntos e felizes, até 1905, quando Antônio morreu, deixando Alvanir viúva com suas três filhas, ainda em Fortaleza. Dez anos depois, Alvanir se mudou para o sítio Maniçoba, interior de Pernambuco. Mônica foi com ela, Lucinha foi morar no Recife e Olívia, em Vila Dourada.
No sítio Maniçoba onde Mônica morava, nasceu a cidade de Lagoa da Italianinha. Nessa mesma casa, que passou por outras mãos, hoje mora Antônio Neto, filho de Mônica e neto de Alvanir, que ganhou esse nome em homenagem ao seu avô materno. Antônio Neto hoje tem 100 anos de idade e conseguiu recomprar para si essa mesma casa depois de vários anos.

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