quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Waldo tenta se interessar por Karola


 No dia da passagem do ano, em um restaurante de Berlim, a cantora Karola animava o ambiente cantando e encantando as pessoas que ali se encontravam. Naquela hora, em uma mesa perto de Karola, estavam Waldo e a amiga Evellyn, curtindo o show. Waldo ainda estava desolado porque alguns dias antes, Margarete o evitara, preferindo esperar um outro ônibus que ia para Klauzberg do que pegar o mesmo carro que ele tinha pego. 

Evellyn disse:

- Desculpe a sinceridade, Waldo, mas tu é muito otário. 

- Isso é coisa que se fale, Evellyn?

- Meu amigo, tá vendo essa mulher linda que tá aí cantando? Ela te ama, e tu não valoriza ela. 

- Conversa sua...

Evellyn disse:

- Olha, Waldo, antes do show, Karola falou comigo, e ela ficou feliz quando soube que tu ia estar aqui comigo. E sabe o que ela disse? 

- O que?

- "Eu daria tudo para que o Waldo olhasse pra mim como ele olha para aquela louca da Margarete, que não quer nada com ele. Enquanto ela evita subir no ônibus com ele, eu saio de casa orando todo dia pra me encontrar com ele, nem que seja rápido". Percebe, cara? 

- Bom, eu não sei o que dizer....

- Não diga, aja, simples assim. Olhe essa mulher talentosa, de voz linda, tu não acha que tem muito homem aqui na Alemanha doido por ela, não, é? E com tanto homem assim, ela ainda quer ficar com você. Acorda pra realidade, homem! 

Waldo ficou desolado com a fala. Evellyn disse:

- Eu vou indo. 

- Já????

- Eu quero que vocês conversem sozinhos. Boa noite. 

Evellyn se retirou, e Waldo olhava Karola cantando, e ele pensava consigo mesmo:

- Eu quero tanto amar essa mulher, ela sim, merece meu amor. Não aquela outra. Preciso ao menos me esforçar...

Depois que terminou o show, Waldo convidou Karola para sentar à sua mesa, e ela disse:

- Fico feliz por ter sido convidada por você, meu querido. E imagina que recusei convite de outra pessoa pra estar aqui com você. 

- Sério? E quem foi essa pessoa? 

- Um amigo muito chegado de um político importante da Alemanha. 

- Puxa, me sinto lisonjeado. 

- Eu sou uma cantora, e me sinto muito bem ao lado de um artista. 

- Muito obrigado!

Waldo e Karola passaram a noite conversando. Karola estava na luta para conquistar o coração do rapaz, enquanto Waldo queria desviar o foco do amor que sentia de Margarete para Karola. 

Rafaela e a passagem de ano no meio da mata

 

Enquanto pessoas ricas comemoraram passagem de ano em suas mansões, Rafaela, que um dia já foi rica, tem uma passagem de ano bem diferente: ela, que saiu de uma família rica de Limoeiro e virou moradora da floresta em Lagoa da Italianinha, vê as movimentações urbanas de longe, enquanto ela fica no meio da mata. 

Quando vê os fogos no céu, costuma dizer:

- Pra que isso tudo? Comemoram passagem de ano, sendo que amanhã, o sol nasce do mesmo jeito, o dia vai continuar tendo 24 horas, ou seja, nada vai mudar...

Pouco depois, outra moradora da floresta, Danielle disse:

- Falando sozinha, Rafaela?

- Não, só refletindo. O povo aí tudo comemorando passagem de ano. 

- Oxe, não me diga que estás querendo ir pra lá. 

- Jamais. Meu lugar é aqui na mata. 

- Fico feliz em ouvir isso de você. 

Rafaela se deitou ali perto da árvore mesmo e adormeceu. 

Jolanda começa a conquistar Vitório

 

No fim de ano em Vitalba, na Toscana, o jovem Vitório, mesmo sofrendo com um amor não correspondido por Alessandra, decidiu tentar dar uma chance à Jolanda, que demonstra amá-lo muito. Certo dia, eles conversavam, sob os olhares de Jovana, a mãe de Jolanda. A conversa durou muito tempo. 

Jovana via que os dois se olhavam muito um para o outro. Ela pensava:

- Será que finalmente, Vitório criou juízo? Minha filha ama demais esse garoto descalço.

Jolanda estava muito sorridente, e disse para Vitório:

- Eu tenho toda paciência do mundo, eu sei que você tá se esforçando por mim. 

- Estou, sim, Jolanda. Não posso negar o quanto tu gosta de mim. 

Eles se abraçaram, enquanto Jovana observava tudo. Quando eles se despediram, cada um voltou para sua casa, e Jovana disse:

- Jolanda, o garoto tá gostando de você?

- Acho que ele tá começando a gostar, sim. 

- Cuidado, filha. Não sofra. Eu até gosto desse garoto, embora eu ache ele esquisito por viver descalço. Mas ele é inteligente, no entanto, ele gosta dessa tal de Alessandra. 

- Alessandra tá namorando o Enzo!

Jovana disse:

- Sério?????

- Sim.

- Então, esse garoto tá te usando pra esquecer dela. 

- Não, mãe, ele nem sabe ainda. Ela começou a namorar hoje com Enzo. 

Mais tarde, quando Vitório voltou para casa, ficou arrasado quando soube pelas redes sociais que Alessandra estava namorando. Mas se sentia melhor pelo dia que passara ao lado de Jolanda. 

Malu e Wéllia em Tamandaré


 As gêmeas Malu e Wéllia foram passar a virada de ano em Tamandaré. Foram junto com a Selma, mãe delas, e com Alice, a filha de Wéllia. 

Apesar de aparentemente sorridente, as duas não paravam de ter atritos. Malu, que entrou no mar com roupa e tudo, usando veste hippie, foi alvo de zombaria de Wéllia, que disse:

- Olha a matuta!

- Oxe, eu gosto assim, visse? Tu nem gosta de tomar banho, só tá aqui porque quer se divertir. 

- Deixa de ser besta, Malu!

Em dado momento, enquanto Malu nadava na praia, ela viu Wéllia desfilando na areia, tentando chamar a atenção. Malu disse:

- Mas é doida, oxe... 

Selma estava com sua neta Alice, um pouco longe dali e não viram as duas irmãs gêmeas discutirem uma com a outra...

Mimi e os novos desafios

 

A agricultora e feirante Mimi, em Lagoa da Italianinha, segue se preparando para novos desafios no Ano Novo. Ela, que foi candidata a prefeita em 2024, costuma ser lembrada para uma nova candidatura, mas ela não pretende se candidatar mais a nenhum cargo, a não ser apenas vereadora. 

Mimi, apesar de ser oposição, nutre uma boa relação com a prefeita Myllena, que a venceu na disputa. A prefeita tem atendido algumas de suas reivindicações tanto na feira como no sítio Mandacaru, onde ela mora. 

Ela negou convites para ser candidata a deputada, e diz que pretende apoiar Moab para estadual e Sandra Valéria para federal. O mais interessante é a sua sintonia com Moab, valendo ressaltar que Moab construiu sua carreira na direita local, enquanto Mimi é comunista assumida, tendo inclusive invadido uma fazenda dele quando era líder sem-terra e ele era prefeito. No entanto, Mimi se sente grata ao Moab por ele ter sido o primeiro a acreditar e apoiar sua candidatura em 2024. Além do mais, Mimi acredita que o apoio do deputado foi muito importante por que diminuiu a resistência dos empresários locais a ela. 

E assim, Mimi segue sua vida simples, mas buscando seu lugar na política.

A solidão da mendiga chique


Mais um ano novo e Warlla, a mendiga chique, passa sozinha essa festa. Ela, que um dia já foi rica e experimentou a fartura, hoje vive no desprezo e na solidão. Mesmo chamando atenção por seu modo diferente de se vestir, que não condiz com a vida que leva - se veste feito uma madame chique, usando até mesmo acessórios -, ela simplesmente é ignorada por muitos. 

A começar por sua família. Warlla não é ignorada pela família por maldade deles, mas por tudo que ela causou quando vivia entre eles. Warlla sempre gostou de provocar rixas, intrigas e fofocas, e tinha prazer em ver "o circo pegando fogo". Suas primas, as irmãs gêmeas Taline e Teane, chegaram a se odiarem e não se falarem por um ano por conta de uma intriga falsa de Warlla. 

Não obstante, Warlla também arrumou problemas com seu outro primo, Esdras, de modo que até mesmo Hadassa, a pequena filha de Esdras, tem muito medo de Warlla. Nenhum deles convida Warlla para uma ceia de Natal e são poucas as vezes que Teane ainda leva comida para ela. 

Os pais de Warlla querem distância da filha, e sequer moram em Lagoa da Italianinha, tendo ido morar em Caruaru. 

Já outras ex-amigas de classe rica, a exemplo de Danúzia e Wéllia, hoje desprezam Warlla pela situação atual que ela vive. A maioria dos "amigos" da alta sociedade simplesmente sumiram quando souberam que Warlla virara moradora de rua. 

Nem mesmo entre outros mendigos ela é bem vinda. Isso por que ela é rejeitada pelo fato de se vestir como madame, o que desagrada outros moradores de rua, a exemplo de Rita de Cássia, Andreza, Guilherme, Fábia, Gílson e Renata, que acham que ela é uma "nariz empinado" que não se reconhece em situação de rua. Sua companhia é evitada até mesmo por mendigos que andam na vida errada, a exemplo de Priscila e Eric. 

Essa é a quarta virada de ano que Warlla passará sozinha, em alguma rua, deitada em alguma calçada, bebendo e fumando - vícios que a fizeram perder tudo -, solitária, enquanto em suas casas vários que andavam com ela comemorarão a virada de ano ao lado de parentes e amigos, enquanto que nem os mendigos querem estar perto dela. 

Myllena e Sandra Valéria juntas

 

O último dia de 2025 rendeu uma cena bem inesperada em Lagoa da Italianinha. Pela primeira vez em 12 anos, a prefeita Myllena trocava um diálogo direto com a deputada federal Sandra Valéria. Elas não se falavam desde 2013, quando Sandra Valéria era prefeita em seu primeiro mandato e Myllena era sua vice. Na época, Myllena, depois de mais de 15 anos aliada de Sandra Valéria, rompeu com ela, e se tornou não só sua adversária, mas inimiga, a ponto até de pedir o impeachment dela algumas vezes. 

Os deputados estaduais Moab, aliado de Sandra, e Janayna, aliada de Myllena, decidiram articular para que as duas líderes políticas voltassem a trocar palavras uma com a outra. Inclusive, o próprio Moab foi o pivô da ruptura de Myllena com Sandra, pois esta tinha se aproximado de Moab, que foi seu adversário por longos anos, e Myllena jamais concordou com essa aliança. 

Os quatro caminharam pelas ruas da cidade, onde a prefeita mostrou pessoalmente para a deputada as obras que estavam sendo realizadas com as verbas que ela destinara. Sandra Valéria disse:

- Pelo menos fico feliz em ver que Myllena está aplicando direito o dinheiro das verbas que enviei...

- Eu que agradeço, apesar de sermos adversárias, você não se negou a ajudar nossa cidade. - disse Myllena. 

- Exatamente isso, Myllena. Ajudar a cidade, independente de quem seja prefeito, é meu dever ajudar a minha cidade. 

Alguns repórteres curiosos fotografaram eles, e nem a prefeita e nem a deputada colocaram objeções. Quando perguntada se estava voltando a ter uma aliança política com Sandra Valéria, a prefeita descalça disse:

- Olha, a gente está apenas quebrando um gelo, acho que a cidade nos elegeu, eu prefeita, e ela deputada, e é preciso que possamos conversar mais diretamente uma com a outra. Mas permanecemos em palanques opostos, como adversárias políticas. Mas não quer dizer que terei que continuar sendo inimiga. 

Sandra Valéria também foi questionada e disse:

- Eu tenho novas ideias e projetos para a cidade, lançaremos uma candidatura de oposição, que serão discutidos em 2028, mas até lá a prefeita é a Myllena, e eu como deputada federal com base nesta cidade, é meu dever ter essa conversa institucional com ela. 

Moab e Janayna fizeram elogios à postura de Myllena e de Sandra Valéria. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Reencontro depois de uma batalha


Em Vitoriana, na Roma Antiga, o casal Valdenius e Josiana tentavam superar suas diferenças. Ambos muito pobres, viviam uma insulae romana precária, com o filho Anthonius. Valdenius sempre foi conhecido na região da Campânia e de Nápoles por ser um revolucionário perigoso e salteador. Mas Josiana, que é conhecida por ser uma exímia caçadora, acabou se casando com ele. 

Apesar de seu gênio um tanto destruidor, Valdenius nutria respeito por sua família, e amava Josiana de forma respeitosa e carinhosa, e tinha verdadeira adoração por seu filho, a quem queria ensinar a ser um revolucionário para "destruir Roma". 

Josiana também tinha gênio forte, mas sofria muito pela vida arriscada do seu marido. Ela nunca teve medo, e certo dia, ela chegou a ferir um soldado romano que tentou prender Valdenius. 

Certo dia, na insulae onde moravam, Valdenius chegou de mais uma batalha. O ano era 70, e o imperador, Vespasiano. Josiana correu junto com o filho para abraçar seu marido. Ela disse:

- Como foi a batalha?

- Nem aconteceu, alguns soldados romanos foram tomar Jerusalém. 

- Sério????

- Sim. O senador Eraldus tá lá por aquelas bandas, ele quer colocar a mão em alguns cristãos. 

Anthonius:

- Papai, quando crescer, posso lutar ao seu lado?

- Claro que pode, filho. 

Eles entraram, e alguns do lado de fora olhavam de longe. Valdenius e Josiana eram bastante temidos na insulae onde viviam. 


Jacilene enfrenta uma ordem estabelecida


 Numa certa tarde em 1770, em Paris, a jovem Jacilene, que tinha 18 anos, irritou seu pai a dar esmolas para um morador de rua na capital francesa. Mesmo sabendo que seu pai ficaria incomodado, ela não mediu esforços para ajudar o mendigo. 

Ele lhe deu uma bronca:

- Que história é essa de dar a ele dinheiro de suas economias que eu lhe dei?

- Sim, pai, o senhor me deu, e a partir do momento que o senhor me deu, eu decido o que fazer. 

- Mas dar a um mendigo?

- Ele é gente como a gente. 

O pai de Jacilene disse:

- Ele nunca será gente como a gente. Somos superiores. Ele nos ajuda com os impostos que ele paga. 

- Isso é injusto. Nesse país, os mais pobres pagam impostos, e os mais ricos e o clero nada. 

- É o correto. Eles precisam sustentar a gente. Portanto, você não tem nada que dar dinheiro pra eles, eles é quem tem que nos sustentar.

Jacilene riu e disse:

- Vai chegar um dia, papai, o que o povo francês vai se levantar contra isso. 

- Isso nunca vai acontecer. É a ordem estabelecida. 

- Uma hora vai mudar, pai. E triste do país que vive uma situação assim e aceita. Será que depois da França, outros exemplos serão seguidos? Será que lá na frente, alguma outra nação também terá governos cobrando impostos, corrupção desenfreada e o povo vai ficar inerte, só curtindo festas, pão e circo como na Roma Antiga? Eu sei que a França vai se levantar contra isso, mas fico triste por outros países que poderão não seguir esse rumo. 

- Pra mim chega, vamos pra casa, Jacilene! 

Um encontro interrompido


Numa certa tarde, Valdenes se encontrara às escondidas com Josiane, a filha do deputado estadual Moab. Nessa hora, enquanto eles estavam no rio, tomaram um susto com um grito, vindo de uma mulher que os via. Valdenes disse: 

- Mas quem é ela?

Josiane olhou e disse:

- Nem a conheço!

A mulher, que era a espanhola Jenerina, disse:

- Lo siento, los vi por accidente, mi auto se averió cerca y venía para acá para relajarme un poco.

- É o que? - disse Valdenes. 

Josiane saiu da água e disse:

- Ela fala espanhol, tu habla português? 

- Sí, hablo un poco de portugués. Soy español, de Sevilla.

Josiane disse:

- Valdenes, ela veio de Sevilha, na Espanha. 

- Entendi... - disse Valdenes, saindo da água. 

Josiane disse:

- Parece que ela disse que o carro dela quebrou. 

Valdenes e Josiane foram até o carro de Jenerina. O carro não havia quebrado, apenas era algo fora do lugar. Jenerina conseguiu fazer o carro funcionar, e disse: 

- Gracias y sepan que ustedes dos hacen una hermosa pareja.

- O que? - disse Valdenes. 

- Ela disse que formamos um belo casal. 

Valdenes disse:

- Ainda bem que foi essa espanhola que nos viu, e não outra pessoa...

Jenerina, enquanto ia dirigindo, dizia:

- Dos chicos locos, entran al agua completamente vestidos... pero parecen buena gente...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Vitório almoça na casa de Jolanda

Numa certa tarde, Jovana havia sido convencida por sua filha Jolanda a convidar Vitório para almoçar em sua casa. Jolanda estuda com ele e nutre um amor não correspondido por ele. Jovana disse:

- Esse rapaz parece bom, ele só tem esse defeito de viver descalço. 

- Mas ele gosta, mãe...

Pouco depois, ele chegou com sua mãe adotiva Maria. Em dado momento, Maria disse:

- Me desculpe, dona Jovana, não consegui convencer Vitório a colocar os sapatos, não sei o que ele tem que não aguenta usar um calçado pelo menos alguns minutos. E olha que nós moramos aqui bem perto.

Jovana disse:

- Não se preocupe, podem ficar à vontade. Fiz um almoço delicioso espero que gostem. 

Jolanda disse:

- Modéstia à parte, minha mãe faz o melhor almoço de Vitalba e de toda a Toscana, nem em Florença ou Siena tem esse almoço delicioso. 

- Puxa, já quero experimentar - disse Vitório. 

Quando iam almoçar, Maria disse:

- Vamos rezar o Pai Nosso antes?

Todos concordaram, e oraram o Pai Nosso. Jovana disse depois ao Vitório:

- Minha filha Jolanda gosta muito de você, ela sempre fala bem de você. 

- Muito obrigado. 

Maria disse:

- Se tu não fosse tão novo, tu poderia se casar com ela. 

- Eita, mainha, tô novo ainda...

Jolanda riu. Mas na verdade, Vitório gosta de Alessandra, mas não é correspondido. Mesmo assim, ele nutre um carinho especial por Jolanda, e sonha em conseguir dar-lhe o amor que ela merece, caso seja rejeitado por Alessandra de forma irreversível. A conversa foi muito proveitosa. Depois desse dia, até Maria sugeriu que Vitório olhasse para Jolanda com carinho:

- Gostei muito dessa menina, ela é bonita, respeitadora, inteligente, estudiosa, esforçada...

- Sim, com certeza. 

- Mesmo assim, tu gosta dessa tal de Alessandra que nem te dá valor... eu tô sabendo de tudo. Acorda, menino. Senão, nem Jolanda vai ter querer mais, e aí nem uma, nem outra. 

Vitório ficou pensativo. 

Vernon encontra Brielle no centro de Goldenville


Certo dia, caminhando pelas ruas centrais de Goldenville, o jovem Vernon viu sua amada Brielle dentro de um carro estacionado. Ele se aproximou e disse:

- Brielle, você por aqui? Saiu de casa hoje?

- Sim, meu pai tá por aí. Ele foi comprar um negócio ali. 

- Entendi... é que você mal sai de casa. 

- Sim, é verdade, a gente tá vindo da Filadélfia, onde fui me consultar, apenas isso, e talvez meu pai nem goste de te ver conversando comigo. 

Vernon disse:

- Eu entendo, Brielle. 

- Olha, ele vem ali. 

Vernon se despediu dela, disfarçou e ficou por ali, perto de uma lanchonete. Nevin, o pai de Brielle, entrou no carro e foi logo ao volante. Ele não chegou a ver o rapaz e nem viu quando sua filha acenou discretamente pra ele, que respondeu também de forma discreta. 

Leonardo e Laura prestigiam João Guilherme no centro de Siena


O menino Leonardo, no colégio onde estuda, gosta de sua colega Laura, que não lhe dá o retorno. Mas apesar disso, Laura ás vezes o trata bem. Certa tarde, em uma praça de Siena, estavam os dois juntos. Laura recusava o namoro, mas conversava com Leonardo de forma amigável. 

Enquanto isso, João Guilherme cantava no meio da praça. Mesmo pequeno, já demonstrava talento musical. Conta-se que sua mãe e seu avô também são cantores. 

Quando João Guilherme cantou "Non C'e", de Laura Pausini, Laura chorou. Leonardo disse:

- Mas porque está chorando?

- Essa cantora é minha xará, minha mãe e meu pai me deram esse nome por causa dela. 

- Sério?????

- Sim. E eu cresci ouvindo Laura Pausini. 

Leonardo disse:

- Minha mãe adotiva dona Aurora me contou que me deram o nome que eu tenho por conta de um cantor lá do Brasil chamado Leonardo, não sei se tu sabe, ela nasceu no Brasil porque a mãe dela Alycia morava lá na época. 

- Sabia, não...

- Mas já me disseram outra coisa, que meu nome foi dado por causa de Leonardo da Vinci. 

- Pode ser, faz mais sentido...

- Pois é. 

João Guilherme cantava e chamava atenção, e Leonardo chegou a pegar uma rosa e dar para Laura. Em dado momento, Laura disse:

- Olha, quero namorar com você, não, mas tu é bem legal, sabia?

- Já é um bom começo, me achar legal. 

Leonardo e Laura deixaram uns trocados em euro para João Guilherme e foram embora. João Guilherme disse, quando eles saíram...

- Dariam um belo par esses dois...

Margarete consegue driblar Waldo


Na sua sina de tentar namorar com Margarete, o jovem Waldo meteu os pés pelas mãos mais uma vez. Certo dia, ele sabendo que sua amada iria tomar um ônibus para Kreuzberg, ele decidiu ir para o mesmo local. Ele se dirigiu à estação de ônibus em Berlim, na tentativa de bater um papo com ela. 

Quando encontrou Margarete, disse:

- Tudo bem????

- Tudo...

Waldo tentava chamar a atenção, falar com Margarete, mas ela não lhe dava ouvidos, pois se sentia um tanto sufocada e perseguida por ele. Waldo queria subir no ônibus e conversar com ela, mas ele cometeu um erro. 

Quando o ônibus chegou, Waldo subiu logo ao veículo, e ele estranhou porque Margarete não subira. Sem entender nada, restou a ele ficar no veículo e não descer, temendo ser acusado pela amada de "persegui-la". 

Margarete, por sua vez, preferiu esperar alguns minutos por outro ônibus. Waldo, no veículo que estava à frente, começou a achar que ela não iria pegar ônibus, e sim, alguma carona. Mas ele se enganou. Ele desceu perto do Museu Judaico de Berlim e se surpreendeu quando viu que Margarete desceu de outro veículo. Ele a viu, mas não foi visto por ela. Ele, decepcionado, disse:

- Que coisa... ela preferiu esperar outro ônibus do que conversar comigo...

Desolado, ele saiu do bairro voltando a pé para o centro de Berlim, sem ser novamente visto por ela. Mais tarde, ele conversou com Égon, seu amigo, e contou o fato, e ele disse:

- Caramba, como se diz no futebol, é como se ela te dado um drible e um chapéu pra fazer um gol em tu. 

- Não fala....

- Cara, na boa... se ela foi capaz de esperar outro carro porque não queria conversar contigo... que danado tu quer com ela? 

Quando chegou em casa, mais tarde, Margarete disse para sua mãe Agnes:

- Tu acredita, mãe, que hoje quando eu ia pra Kreuzberg, aquele chato foi atrás de mim?

- Sério????

- Sim, mas eu driblei ele, ele nem imaginava que meu compromisso seria ainda dali a uma hora, o besta subiu no ônibus pensando que eu ia subir junto, mas eu esperei foi outro carro. 

- Ele deve ter ficado aborrecido...

- Espero que ele se toque, pra não ficar no meu pé. Não gosto dele e não quero nem amizade com ele, é um abestalhado que não sabe o que quer da vida. Não quero namorar com ninguém, e mesmo se eu quisesse, ele jamais seria minha opção de escolha. 

- Filha, tu acha que ele pode ser perigoso? Pode querer lhe fazer mal?

- Não, acho que ele não tem coragem nem de matar barata. Já procurei saber sobre ele, é muito molenga e medroso. Mas eu espero que ele se toque que eu não quero nada com ele. 

domingo, 28 de dezembro de 2025

Cássia na piscina

 

Num certo domingo, em uma chácara em Lagoa da Italianinha, Cássia foi para lá juntamente com suas duas irmãs, Quitéria e Lúcia. Cássia viu algumas pessoas na piscina, e disse:

- Eu quero entrar na piscina... 

- Entre - disse Lúcia. 

- Mas eu quero entrar com roupa e tudo, sabe? Não sei se vão deixar. 

O dono da chácara riu do pedido, e disse:

- Pode entrar até de tênis, se quiser. 

Cássia entrou na piscina, e alguns a olhavam com estranheza. Mesmo numa cidade em que alguns tomavam banho vestidos, isso parecia estranho para a maioria. 

Cássia se divertiu na água, como um peixe. O que foi um estranhamento inicial virou diversão. Nesse período, Quitéria voltou pra cidade por causa de sua lanchonete, mas Lúcia ficou na chácara. 

Lúcia disse, quando ia embora. 

- Cássia, saia da piscina, já é hora de irmos embora. 

- Mas tá tão bom...

- Mas temos que ir para casa. 

Cássia saiu da piscina, e se despediu dos amigos. O dono da chácara disse:

- Ela vai assim, de roupas e tênis molhados? 

- É costume dela, mesmo...

- Não, eu posso emprestar umas roupas pra ela...

- Não se preocupe, chegando lá em casa ela se troca...

Lúcia e Cássia entraram no carro e voltaram para a cidade. 

Mendiga prega na igreja


 Numa certa manhã de domingo, uma igreja evangélica de Lagoa da Italianinha foi tomada de surpresa ao saber quem pregaria naquele momento. O pastor André chamou a mendiga Gabriella, conhecida por pregar pelas ruas, ex-patricinha que virou cristã ao perder tudo. 

Embora tenha se oferecido para Gabriella uma roupa nova, ela se recusou. Gabriella disse:

- Deus não é preocupado com aparência, e sim com o coração. Eu vou assim, suja e descalça, mesmo para ver a reação do povo. 

Quando André chamou Gabriella para subir ao púlpito, as pessoas que ali estavam ficaram perplexas. Uma mulher dizia:

- Pastor, como o senhor chama uma moradora de rua para pregar? O que ela tem pra nos ensinar? 

- Muito mais do que tu imagina. 

Gabriella disse no sermão:

- Sei que vocês estão aí todos chocados porque esperavam uma pessoa bem vestida para trazer a Palavra. Esse é o problema de vocês. Achar que roupa quer dizer alguma coisa. Eu sou mendiga, sim, durmo nas calçadas e bancos de praça, e sei que isso é uma missão dada a mim, pois eu costumo levar a Palavra aos que estão na madrugada sofrendo. Qual de vocês fazem isso? Vocês, dizem que são cristãos, e estão dormindo em suas camas quentinhas enquanto pessoas aí fora estão se embebedando, pensando até em suicídio e vocês confortáveis em suas casas. Será que Jesus faria isso? 

Silêncio geral. Gabriella disse:

- Olha, me chamam por aí de "inimiga do dinheiro", da riqueza e da prosperidade. Pois fui rica, patricinha no Recife e era muito problemática. Perdi tudo, por conta de vício em jogos de azar na minha família, virei uma mendiga que eu tanto desprezei. Apesar de tanto sofrimento que é não ter teto, é uma missão que me foi dada. Mas o pecado não é ser rico, ter dinheiro, casas, carros, bens... o pecado é amar tudo isso, que você não levará nada deste mundo. Eu tenho a ideia de continuar ao relento, não penso em viver debaixo de um teto, mas é opção minha. Tenham suas coisas, mas não amem. Compartilhem com quem não tem. E principalmente, arrependam-se dos seus pecados, pois o mundo está perto do fim, tenham isso em mente. As coisas estão se afunilando, e parem de brincar de Evangelho. 

Alguns ali começaram a chorar. Uma mulher, a mesma que reclamara com o pastor, se levantou, e disse:

- Posso falar uma coisa?

- Sim. 

- Eu tinha desprezo pelas pessoas de rua. Mas o que você falou aí me tocou profundamente. O que preciso fazer? Sou rica, terei que largar tudo, até virar moradora de rua feito tu?

- Não. Se você não adorar isso, não é necessário. O que é necessário é que você se arrependa e se converta. Quanto aos seus bens, mantenha-os, mas compartilhe. Ajude quem precisa. 

Gabriella ainda falou mais meia hora e prendeu a atenção de todos, que não acreditavam que uma mendiga prenderia a atenção deles. Ao fim do culto, houve um lanche, e Gabriella levou alguns lanches para si e outros moradores de rua. 

Duas mendigas batem boca na praça

Mesmo sendo um domingo, o movimento era grande em Lagoa da Italianinha, e as mendigas Warlla e Priscila estavam batendo boca uma com a outra. Warlla, que já foi da alta sociedade, é conhecida por andar ainda vestida como se fosse madame, e Priscila, por sua vez, sempre foi pobre. 

Priscila chamou Warlla de "mendiga fajuta", dizendo:

- Tu não passa de uma mendiga fajuta, que anda parecendo madame, mas fede igual a mim, tá suja feito eu e dorme em calçadas, também, era pra estar feito eu, descalça e maltrapilha, mas tu quer ser o que não é. 

- Não me compare a você, eu sou superior a você, eu nunca fui pobre feito tu sempre foi!

- Grande coisa, tu fosse rica e perdesse tudo, lambisgoia!

Warlla disse:

- Mais respeito tu sabe com quem tu tá falando? Tu tá falando com a madame Warlla visse? 

- Madame que dorme na rua. 

- Perdi tudo, mas não perco a pose.

Priscila disse:

- Tu não passa de uma mexeriquenta enganadora que vive tapeando todo mundo e arrumando briga. 

A discussão entre as duas se tornou tão acalorada que elas partiram para os tapas. A policial Ana Clécia chegou e disse:

- Querem parar vocês duas? Me contaram que tinha duas mendigas brigando aqui. Não quero saber de confusão, senão boto as duas  no xilindró e vão dormir na cadeia. 

- Foi essa mendiga metida a madame quem começou - disse Priscila. 

- Foi essa daí - disse Warlla.

- Não interessa. Circulando, as duas!

Warlla e Priscila, olhando uma a outra com raiva, seguiram caminhos diferentes. 

 

sábado, 27 de dezembro de 2025

Danucia confronta Valdenius


 Em Vitoriana, na Roma Antiga, a mendiga Danucia estava nas ruas da cidade, e ao ver o revolucionário Valdenius olhando com ar raivoso, ela se levantou da calçada e disse:

- Eu quero saber o que é que tu tem contra mim? 

- Eu estou sabendo que minha mulher Josiana anda trazendo comida para tu. Eu a proibi de continuar fazendo isso!

- Mas porque tanto ódio contra mim?

Valdenius disse:

- Por que tu é uma lunática, que segue uma lenda que veio lá da Judeia, tu é uma cristã, por isso, tu perdeu a casa que tu tinha, bem merecido. Eu sou inimigo mortal do senador Eraldus, mas ele fez o que era certo. 

- Ah, eu sei que tu odeia mensagem de amor. Teu negócio é só derramar sangue, é essa tua obsessão, Valdenius. 

- Claro que sim, Roma só vai cair dessa forma, não com amor nem com flores e rosas. 

Danucia disse:

- Pois Cristo disse, os que vivem pela espada, pela espada perecerão. 

- Ah, tá. Olha, sem sermões cristãos, isso não é pra mim, certo? Eu estou pobre, mas moro em uma insulae, pelo menos. Diferente de você, que dorme na rua. 

- Pois por amor a Cristo, eu sofro o que tiver de sofrer. 

Valdenius pegou a espada e disse:

- Inclusive minha espada atravessar seu corpo? 

- Faz isso. Me mata. 

Valdenius baixou a espada, e disse:

- Não, por enquanto, não. Vamos ver até onde tu aguenta seguir o profeta da Galileia! 

Valdenius saiu dali, e Danucia dizia: 

- Perdoe ele, Pai, ele não sabe o que diz...

Passeio em Nápoles


Vitório, Jolanda, Joni, Sara Sofia, Winnie, Raschele e Enzo marcaram um passeio para Nápoles, na Campânia, que ficava um pouco longe de Vitalba, na Toscana. Mas Vitório falou com Sílvio, e ele ajudou a levar a turma, que ficaria por um dia e voltaria para Vitalba. 

Vitório, como sempre, descalço, ficou feliz ao ver sua amiga Sara Sofia ir junto, e disse:

- Pelo menos, não serei o único descalço hoje...

Jolanda, que é apaixonada por Vitório, não saía de perto dele. Em dado momento, Joni olhou o monte Vesúvio e disse:

- Esse aí não é o vulcão que soterrou Pompeia e Herculano em 79? 

- Sim, esse mesmo. - disse Vitório. 

Enzo disse:

- Eu já ouvi falar desse vulcão, mas fiquei supreso quando soube que ele ficava diante de Nápoles. 

Raschele disse:

- Acho que vou subir no Vesúvio...

- Vai, doida, eu digo que tu é corajosa - disse Winnie. 

Sara Sofia disse:

- Esse passeio aqui tá sendo muito bom, era um sonho meu conhecer a terra da pizza. 

Eles foram conversando, e Enzo disse:

- Sara Sofia, me perdoe a pergunta, mas por que tu é careca?

- Foi de nascença, meus cabelos não cresceram. 

- Ah, mas anda descalça porque é maluquinha feito Vitório???

Sara Sofia disse:

- Sim, eu amo ser diferente. 

- Tu dava um par certo com ele...

- Não, ele está com Jolanda. 

Enzo disse:

- Eu até queria que estivesse, mas ele gosta da Alessandra, de quem eu também gosto. Jolanda ama ele, mas não é correspondida... mas eu espero que venha a ser, assim fica o caminho livre pra mim conquistar Alessandra. 

- Entendo...

Apesar de algumas discussões entre Vitório e Enzo, o passeio foi muito bom, tendo eles passado algum tempo na Praça do Plebiscito, e depois, quase no fim da tarde, tomaram um carro para voltar para a Toscana. 

O celular da mendiga

Fabiana, a mendiga venezuelana, está conectada com o mundo. Mesmo vivendo nas ruas de Lagoa da Italianinha, Fabiana mexe no aparelho todo configurado no idioma espanhol para que ela possa saber sobre seu país. 

Através desse aparelho, ela tem contato com amigos e familiares da Venezuela, mas ela não conta que está morando nas ruas. Ela não quer que seus familiares saibam. 

Warlla, a mendiga chique, quando viu a venezuelana com um celular, disse:

- Oxe, essa maluca de fora conseguiu ter um aparelho celular, nem eu que sou tão chique, consegui...

Fabiana olhou e notou inveja da parte de Warlla. A mendiga chique disse:

- Oxe, pode ficar com essa porcaria, quero não!

Fabiana ficou no local, sentada na calçada, e olhando o celular. Pouco depois, seu filho mais novo Everton Samuel disse:

- Mamá, quiero un celular.

- Nada de eso, solo tu hermano mayor tendrá celular, eso no es bueno para los niños.

- Pero mamá, veo otros niños con celulares...Todo el mundo tiene...

Fabiana disse: 

- No eres todo el mundo.

Dois amigos se encontram na cachoeira


 Num sábado feriado da emancipação política de Lagoa da Italianinha, Valdenes e Branquinha acabaram se encontrando por acaso. Valdenes disse:

- Branquinha, que bom te ver aqui. 

- Eu também fico feliz, pelo menos não sou a única aqui a estar vestida na água...

- É verdade, tu veio com quem?

- Vim sozinha. 

Valdenes disse:

- Eu vim com meu amigo Eraldo, mas ele teve que ir e eu fiquei. 

- Legal. Fosse ver o corte de bolo lá o aniversário da cidade?

- Fui, sim, só fiz comer o bolo e saí, vindo para cá. 

- Eu nem fui. Eu quis vir me divertir aqui. 

- Está certo...

Branquinha deu alguns mergulhos, e chegou a apostar com Valdenes natação rápida para chegar a uma pedra que tinha ali perto. Ela venceu várias vezes. 

Era meio da tarde quando ambos deixaram a cachoeira. Valdenes acompanhou sua amiga até a casa dela, que ficava no meio do caminho, e foram conversando bastante. 

Patriciana, a mendiga coxa de Vitoriana


 Em Vitoriana, no século I, na Roma Antiga, vivia entre os moradores de rua da cidade uma solitária mulher, que não andava. Patriciana era coxa de nascimento, e se rastejava. Ela costumava ter a ajuda de Varla e Danucia, duas outras moradoras de rua da época. 

Patriciana guardava muitos mistérios, e pouco se sabia sobre sua vida. Sabia-se apenas que ela havia nascido sem andar e que havia perdido a casa e ido habitar nas ruas de Vitoriana, onde costumava pedir esmolas. Mas não se sabia maiores detalhes. 

Danucia, costumeiramente, costumava arrumar comida para Patriciana, já que ela tinha essa deficiência. Ela dizia:

- Obrigada, Danucia, tu é um anjo mesmo... falam tão mal aí dos cristãos, e você é uma cristã e age assim, e tem gente que ainda tem coragem de falar mal...

- Não se preocupe... não pouparam nem mesmo o Salvador.. que dirá seus seguidores. Só por eu ser cristã, confiscaram minha casa, e hoje estou assim morando nas ruas. Mas não me entrego. 

- É isso que admiro em vocês. Força e persistência...

Aniversário de Lagoa da Italianinha


 No dia 27 de Dezembro, comemorava-se o dia de emancipação política de Lagoa da Italianinha, que em 2025, completaria 62 anos de idade. Lagoa da Italianinha se emancipara de Vila Dourada em 1963, depois de um conflito sério com uma família importante de Vila Dourada. 

A prefeita Myllena, a sua filha, vice-prefeita Giovanna Victórya, a presidente da Câmara, Alba Valéria, e a juíza Suely, que também é irmã da prefeita, conduziram uma cerimônia de hasteamento das bandeiras. Myllena puxou uma bandeira de Lagoa da Italianinha; Giovanna puxou uma bandeira de Pernambuco; Alba Valéria puxou uma bandeira do Brasil; e Suely puxou uma bandeira da Itália, pelo fato de ser a terra natal dos fundadores da cidade. 

Um bolo foi servido, de 62 metros, e vários se serviram. A própria Suely decidiu dar pedaços de bolo para moradores de rua, que já estavam por ali aguardando seus pedaços de bolo. 

Myllena ainda foi prestigiar a inauguração de um Museu de Imigração Italiana, aberta pelos irmãos André e Lúcia. Alycia, a avó deles, veio de Verona prestigiar a inauguração, e ficou bastante emocionada ao ver que a casa onde ela cresceu virou um museu. Nesse ano, completara-se 90 anos da chegada dos italianos no local onde seria edificada a cidade. 

Mas não foi fácil comprar a casa. Wéllia, a neta de Arthur, irmão de Alycia, também queria comprar a casa, mas para ostentar. Ela não teve sucesso na proposta, e inconformada, chegou a tentar tocar fogo na casa, mas não conseguiu porque Valdenes impediu derramando a gasolina no chão. 

Na casa, Alycia, já aos 95 anos, andava com dificuldades, com uma bengala na mão e ajudada por sua bisneta Nicolly Hanna, ao lado dos italianos Luciano, Bella, e o casal Alessandro e Ieza, que vieram acompanhar Alycia em sua passagem em Lagoa da Italianinha. 

Alycia se lembrava de quando morava ali com seus pais e seu irmão, e dos momentos que ali viveu. E assim o aniversário da cidade foi inesquecível para algumas pessoas. 

Malu na cachoeira


Num certo sábado, a hippie veterinária Malu foi tomar um banho na cachoeira Sol Nascente, em Lagoa da Italianinha, onde gosta de ir curtir seu lazer. Ela não tinha clientes marcados com animais doentes, e ela decidiu dar uma mergulhada na cachoeira. 

Malu era vista ali por alguns banhistas, e admirada por alguns deles. Um deles disse:

- Quem é essa mulher com roupas de hippie que está na água? Ela é muito bonita. 

- Tira o olho, visse? Ela não quer namorar com ninguém. 

- Mas comigo ela vai querer. 

- Convencido você...

O homem se aproximou de Malu e tentou galantear a jovem. Mas Malu disse:

- Desculpe, moço, não o conheço, não vou te dar essa intimidade. 

O homem ficou sem resposta e disse ao seu amigo, depois:

- Dizem que ela é simpática e humilde, mas ela foi extremamente mal-educada comigo. O que esperar de uma louca que entra na água com roupa e tudo?

- Desculpe a sinceridade, mas ela é humilde e simpática, sim, mas ela gosta de ser respeitada, só isso. 

- Grande coisa...

Malu, depois da cantada, saiu da cachoeira e voltou para a cidade. 

Andreza e os fofoqueiros


Num dia de sábado, a mendiga Andreza havia se sujado de lama, e entrou no rio, onde mergulhou e ficou por horas ali. Alguns olhavam Andreza de longe, e diziam:

- A velha fedorenta tá no rio, ela pensa que vai cheirar bem depois que sair daí...

- Nem fala, e parece que ela tá toda suja. - dizia outro.

Andreza notou que estavam falando dela, e gritou:

- Estão falando o que, bando de desocupados? Vão procurar uma lavagem de roupa!

Uma mulher disse:

- Lavagem de roupa é o que senhora precisa, porquinha. Fede demais.

- É melhor feder do que ser fofoqueira. 

Andreza saiu da água e se retirou. Como era de seu costume, mesmo após o banho, Andreza ficou com a roupa e os sapatos molhados, mesmo. É mais uma das esquisitices da mendiga. 

Fabiana e sua bolsa tiracolo


Fabiana, a mendiga venezuelana, circulava pelas ruas de Lagoa da Italianinha com uma bolsa a tiracolo, o que chamava atenção. Sem casa e dormindo pelas ruas, ela guarda alguns objetos tantos seus como dos seus três filhos. 

O que chamava atenção também era que Fabiana estava com um celular, dentro da bolsa. O celular, configurado em espanhol, permitia que ela se comunicasse com alguns de seus parentes e amigos da Venezuela. Mas ela não pensava em voltar para o seu país. 

Ela havia juntado dinheiro das esmolas e comprado o celular, e ela mexia no aparelho algumas vezes de forma discreta. 

Fabiana ainda pensava em arrumar outro aparelho apenas para Eduardo Felipe, o mais velho. Ela não pretendia dar um celular nem para Emerson Isaías nem Everton Samuel, os dois mais novos. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Lara brinca no rio

 

Uma das pessoas que vivem em um acampamento montado no meio de Lagoa da Italianinha, a menina Lara, é conhecida por suas maluquices e sua coragem. Luiza, sua irmã, é a única adulta do grupo, que ainda tem os primos Davi e Maria Júlia. 

Certa tarde, Luiza ficou preocupada em não ver Lara no centro da cidade. Ela foi atrás dos primos Davi e Maria Júlia, e eles ficaram desesperados. Davi disse:

- Será que não foi aquela louca da Lu que levou ela? 

- Ah, se ela tiver feito isso - disse Maria Júlia. 

Luiza disse:

- Não me deixem mais nervosa, vamos procurar Lara!

Ao passarem pelo rio que corta a cidade, Davi disse:

- Olhem ela!!!!!

Lara estava nadando no rio, e Luiza disse:

- Lara, sai daí, doida!

- Deixe eu me divertir aqui!!!!!

- Sai daí agora. 

Lara saiu do rio, e disse:

- Bando de medrosos, vocês. 

- A gente ficou preocupado, pensando que aquela tal de Lu tinha se sequestrado - disse Davi. 

- Ela que se meta a besta, se ela tentar fazer isso! 

Maria Júlia disse:

- O importante é que você está aqui! 

- Sim, eu queria ficar mais no rio, eu adoro correr perigos, eu mesma já fui engolida por jacaré - disse Lara. 

- Essa história que tu conta ninguém nunca viu - disse Luiza. 

- Problema de vocês, vocês têm inveja da minha coragem. 

Depois de discutir um pouco, voltaram pro acampamento. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Vernon encontra Brielle na igreja


Em Goldenville, na Pensilvânia, o jovem fotógrafo Vernon foi convidado a ir na igreja onde sua amiga amada Brielle congrega, tendo sido convidado por Avery, que também é da mesma igreja. Era dia de Natal, e na noite anterior, Vernon estivera na igreja onde ele congrega. 

Vernon, antes do culto, conversou um pouco com Brielle, que apesar de ser muito controlada pelo seu pai, não teve medo de conversar com seu amigo. Entretanto, o pai dela, Nevin, chegou e Brielle evitou falar com Vernon, que ainda assim, foi cumprimentado por Nevin. 

O pastor Sean deu boas vindas ao jovem, e ele ficou sentado em uma fileira ao lado de onde estavam Brielle e seu pai. Vernon também conversou com Avery e Naomi, duas primas, sendo que Avery o havia convidado, mas ela não sabia que Vernon era amigo de Brielle. 

O pastor falou do nascimento de Jesus Cristo, o verdadeiro sentido do Natal, e foi um culto com muitos louvores, e uma cantata natalina feita pelos participantes. Brielle chegou a participar da cantata, e Vernon olhava-a, fascinado. Mas ao término do culto, os dois apenas se cumprimentaram, pois Nevin pôs sua filha no carro e foi embora. 


Vitório, Roberto e Cláudio nos campos da Toscana


 No Natal na Toscana, Vitório e sua mãe adotiva Maria saíram um pouco de Vitalba e foram para um sítio próximo. Ali era um sítio da irmã de Maria, Dona Assunta, que criava um filho adotivo, Cláudio, sendo que ele, assim como Vitório, também era adotado.

Dois dos filhos de Dona Assunta eram Pietro e Irmã Norma, uma freira. Pietro era casado com Zaira, sendo pai de Roberto. 

Durante esse dia, Vitório chegou a brincar correndo nos campos da Toscana, com Roberto e Cláudio. Vitório era alvo de piada por andar descalço, e os dois primos nunca entendiam esse hábito dele. 

Irmã Norma, a freira, cuidava de Dona Assunta, já viúva, e havia sido liberada pelo convento para cuidar de sua mãe. 

Eles foram almoçar, e Maria reclamava com Irmã Norma:

- Esse meu filhote não para de andar descalço, ele tem essa mania até no colégio que ele estuda. 

- Deixe o menino, ele gosta e se sente bem...

- Eu jamais vou aceitar isso...

Vitório estava com seus primos, e dizia:

- Aqui perto morou minha tataravó Lenilda, meu bisavô era filho dela. A irmã do meu bisavô se casou com um brasileiro e foi morar lá numa tal cidade chamada Lagoa da Italianinha, que dizem que foi fundada pelos italianos. 

- Nossa, essa história é verdadeira? - disse Roberto. 

Cláudio disse:

- É verdade, sim, o seu Virgílio, pai de Vitório, contou essa história. Lorenza, a mãe de Vitório, também foi adotada pela minha mãe adotiva, dona Assunta. 

- Caramba, é muita mistura nessa família - disse Roberto. 

Eles conversavam quando foram chamados para almoçar. 

Vinícius chega em Lagoa da Italianinha

 

No Natal, o jovem Vinícius chegou do Rio de Janeiro e voltou para Lagoa da Italianinha. Ele havia estado no Rio estudando medicina, cujo curso se encerrou e ele se formou. Vinícius é natural de Lagoa da Italianinha, filho do ex-vereador Zé Bento e irmão de Vilma e Venâncio. Os pais de Zé Bento foram o Diógenes e a índia Tainá. 

Vinícius é ex-namorado tanto de Wéllia como da irmã gêmea dela, Malu. Na realidade, ele amava Malu e namorava com ela, lá nos anos 2000. Acontece que Wéllia armou um plano para separar os dois, e pouco depois, ele, forçado, namorou com Wéllia. Algum tempo depois, foi para o Rio de Janeiro, onde mora sua mãe, separada de seu pai. Até alguns dias atrás, ele namorava com Dalva, mas terminaram o romance quando ele decidiu voltar para Pernambuco. 

Apesar de ter namorado com Wéllia e com Dalva, Vinícius nunca se esqueceu de Malu. Ele, vez por outra, olhava as redes sociais dela. Animou-se em saber que ela ainda permanece solteira, e foi para Lagoa da Italianinha com duas motivações: abrir seu consultório de medicina e reconquistar Malu. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal de uma família venezuelana

 

Na rodoviária de Lagoa da Italianinha, a venezuelana Fabiana e seus três filhos Emerson Isaías, Eduardo Felipe e Everton Samuel haviam passado o dia por ali, pedindo esmolas. Fabiana e o mais velho Eduardo Felipe pediam juntos, enquanto os outros dois mais novos brincavam. Everton Samuel era o mais inquieto e agitado.

Fabiana, que havia saído da Venezuela por conta da crise no seu país, passou por alguns estados do Norte e Nordeste, até chegar em Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco. Longe de seu povo e de sua família, Fabiana e seus filhos viviam mais um Natal sem teto, dormindo pelas ruas e longe de casa. Apesar de sentir saudades de sua terra natal, Fabiana não tem planos de voltar para Venezuela. 

Diferente de outras duas famílias venezuelanas que vivem em Lagoa da Italianinha, Fabiana não quis ir para nenhuma casa ou abrigo. Ela alega que teve terríveis experiências em um abrigo. Seus três filhos também pareciam rechaçar a ideia de estar debaixo de um teto e não saíam de perto de sua mãe. 

Fabiana, além da pobreza, é conhecida por seu jeito um tanto excêntrico. Ela, que por exemplo, anda sempre descalça, quer que seus filhos sigam seu exemplo. Se um deles estiver usando um chinelo, já é motivo para Fabiana puxar-lhe a orelha, e até exigir que ele doe os calçados para outro mendigo. Além do mais, Fabiana, como já foi dito acima, se recusa a viver debaixo de um teto, parecendo gostar de viver pelas ruas. Não trabalha e pede esmolas. Seu sotaque espanhol torna um pouco difícil que ela consiga algum tipo de bico. Fabiana e seus filhos também costumam tomar banho, de roupa e tudo, em um posto de gasolina ou no chafariz da praça. 

Na noite de Natal, passaram ali mesmo na calçada da rodoviária. Fabiana havia conseguido alguns alimentos e dividiu com os filhos. 

Mas a presença deles incomoda um tanto Marlene, a dona da lanchonete da rodoviária e diretora do Terminal. Ela, quando fechou sua lanchonete, disse a um vigia que ficaria naquela noite:

- Tu fica de olho aí nesses venezuelanos, eu não gosto que eles passem a noite aqui. Se eles quiserem dormir na calçada do lado de fora, façam, mas não aqui dentro do Terminal. 

- Sim, senhora. - disse o vigia. 

Marlene foi embora, e o vigia chegou a reclamar com Emerson Isaías e Everton Samuel quando eles foram brincar de correr dentro do Terminal. Os portões da rodoviária costumavam ser fechados às 10 horas, mas nesse dia, fechou-se às 9, e tanto Fabiana quanto seus filhos estavam do lado de fora e passaram a noite ali, enquanto muitos faziam ceias de Natal no conforto de seus lares. 

Natal em Lagoa da Italianinha

 

Noite de Natal em Lagoa da Italianinha e algumas pessoas estavam preparando suas ceias natalinas para comemorar. 

WÉLLIA E MALU 

Numa das casas, Selma quis convidar sua filha Malu para a ceia. Malu não morava com ela, e aceitou o convite da mãe, mesmo que Wéllia, a irmã gêmea de Malu, não gostasse muito da ideia. Wéllia queria a ceia somente com sua filha Alice e com a Selma. 

Malu chegou na casa de Selma, e ela recebeu bem sua filha. Malu disse:

- Eu valorizo muito a família, por isso eu vim. 

- Obrigada, filha - disse Selma. 

Wéllia não estava gostando de Malu por ali. Alice disse:

- Tia Malu, fiquei tão feliz que a senhora veio! 

- Obrigada, queridinha. 

Wéllia disse:

- Bom, vamos jantar, né? 

Selma se sentou à mesa com as suas filhas Wéllia e Malu, e com a Alice. A irmã mais nova de Selma, a Valquíria, que anda sempre vestida de noiva, chegou em seguida, e disse:

- Malu, minha sobrinha querida. 

- Tia Valquíria, que bom te ver!!!

Valquíria se sentou, e Selma disse:

- Cuidado, não vá pagar mico. 

- Nem se preocupe. 

Valquíria comia com as mãos, sem usar talheres, e Malu ria dela. 

ERALDO E SEUS AMIGOS

Enquanto isso, na casa de Eraldo, ele e sua esposa Judilane prepararam uma ceia, onde convidaram algumas pessoas. Eraldo convidou suas irmãs Fabíola, Luana e Lidyanny, além dos amigos Valdenes, Branquinha e Ana Karina, enquanto Judilane chamou sua irmã Jaíne. 

Fabíola, vintage maluca, dizia:

- O ano de 1956 tá chegando! 

Riam dela. Lidyanny disse:

- Essa maluca deveria saber que estamos chegando em 2026, e não em 1956. 

- Infelizmente, não tem outra saída, tem que concordar com ela. 

Lidyanny ainda implicou porque Valdenes estava descalço, e disse:

- Por que esse maluco tá descalço? 

- Ele anda sempre assim - disse Luana. - é o jeito dele. 

- Coisa de maloqueiro, mesmo. 

Valdenes notou que falavam dele, e ele disse:

- Algum problema?

- Nenhum, nenhum - disse Luana. 

Durante a ceia, Eraldo, Luana, Valdenes, Ana Karina e Branquinha trocavam ideias sobre o Café com Cultura. 

MOAB E SUA FAMÍLIA 

Naquela mesma hora, na casa do deputado estadual Moab, ele recebeu a deputada federal Sandra Valéria em sua casa. Moab estava com as suas filhas Josiane, Danúzia, a cadeirante Cíntia e Natália, além do adotado Jefté. Estavam ali também os irmãos de Moab, Nininha, Andy e Ana Patrícia. 

Danúzia dizia:

- Nosso Natal é Natal de verdade, comida cheia na mesa, ser rica é muito bom demais. 

- Coitados dos que sofrem por aí sem comida na mesa... - disse Josiane. 

- Porque não servem pra nada, pobre só faz volume no mundo, ô gente inútil! - disse Danúzia. 

- Não somos melhores que eles - disse Josiane. 

- Somos, sim! Deixe de ser besta!

CÁSSIA E OS MENDIGOS 

Enquanto Danúzia tinha esse pensamento, uma outra pessoa fazia diferente: Cássia saiu de sua casa com uma sacola cheia, surpreendendo seus irmãos André, Niedja, Lúcia e Quitéria. Lúcia perguntou:

- Para onde você vai? O que é isso? 

Cássia disse:

- Com minhas economias, comprei marmitas e vou distribuir entre os mendigos. 

- Sério???? - disse Niedja. 

- Sim. 

Cássia saiu, e encontrou os mendigos Rita de Cássia, Fábia, Jéssica, Gílson, Renata, Andreza, Guilherme, Juliana, Deza, Solange, Maria, Uleuda, Esvalda e as irmãs Gabriella e Hyasmin em um beco, e distribuiu comida para eles. Alguns outros mendigos chegaram depois e Cássia deu comida para eles. 

Fábia disse:

- Cássia, você é um anjo, uma pessoa iluminada. Se lembrou de nós...

- Vocês são pessoas como eu sou, do mesmo modo que eu tenho direito de ter as coisas, vocês também têm! 

Esvalda disse:

- Cássia, eu sei que eu estou super-fedorenta, mas posso te dar um abraço de agradecimento?

- Pode sim, eu me sujo de lama, também, mesmo. 

Esvalda e Cássia se abraçaram. Esvalda já não sabia o que era comer fazia dias, assim como seus outros amigos de rua. 

Pouco depois, a mendiga chique Warlla apareceu e disse:

- Eu não tenho direito de comer nada? 

Cássia disse:

- Claro que sim. 

Cássia deu uma marmita para Warlla, que se sentou e começou a comer. Warlla, por causa de seu jeito arrogante e seu perfil de madame, é odiada por outros moradores de rua. Ainda no meio do caminho, Cássia encontrou a mendiga Priscila, a perigosa, e disse:

- Não vou ganhar nada? 

Cássia disse:

- Claro que vai...

Cássia deu uma marmita para Priscila, que se sentou e comeu. Cássia voltou para sua casa e ainda participou da ceia com sua família, feliz por ter ajudado outras pessoas a não passarem fome naquela noite tão especial. André disse:

- Parabéns, Cássia, pela sua atitude.

Cássia disse:

- Apenas fiz o que era correto... O aniversariante desta noite também distribuiria comida para os pobres, e Ele nos manda fazer isso. Fazer aos pobres é como fazer à Ele. Você que é pastor, sabe bem disso, irmão. 

- Sei, sim. 

O pedido de Cássia

 

Numa certa tarde, Lúcia via sua irmã Cássia dentro da banheira, se divertindo, e em dado momento, Lúcia disse:

- Devia ter tirado pelo menos os tênis para entrar, não acha?

- Deixe estar, irmã. Mas eu quero te pedir uma coisa. 

- O que?

Cássia disse:

- Lúcia, eu quero ser amiga dos moradores de rua da cidade. 

Lúcia, sem acreditar, disse:

- Mas, Cássia, são amizades que você não deve cultivar muito, não sou contra eles, mas você é de uma família rica...

- Mas eu não ligo pra isso, não, irmã. Eu fui favorecida, meu tratamento pode ser pago por vocês, mas eu quero fazer amizade com os desfavorecidos que não têm a mesma oportunidade que nós. 

- Sei não...

- Deixa, vai... 

Lúcia disse:

- Tá bom, mas tenha cuidado com quem tu vai andar. Tem mendigos que merecem até sua amizade, feito Rita de Cássia, Renata, Gílson, Fábia, Juliana, Andreza e Guilherme, mas tem umas perigosas tipo Warlla e Priscila que não valem o que o gato enterra. 

- Não se preocupe, irmãzinha. 

Lúcia saiu do local, e Cássia continuou na banheira, brincando com a água. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Jacilene e a máquina do tempo


Numa certa tarde, em Lagoa da Italianinha, os irmãos Eraldo e Fabíola e os amigos Branquinha e Valdenes encontraram uma mulher desmaiada. Era a francesa Jacilene. Pouco depois, chegaram o Joni Von e as italianas Cláudia e Érica, e conseguiram reanimar Jacilene, que acordou e disse:

- Onde estou?

- Ué, na praça principal em Lagoa da Italianinha. - disse Valdenes. 

Jacilene olhou os sete, de uma forma estranha. Fabíola disse:

- O que tu tem, moça?

- Não sei, tô vendo coisas que... eu vim de Vila Rica, e tô vendo coisas estranhas aqui. Que lugar é esse?

- Vila Rica não é a atual Ouro Preto? 

- Ouro Preto? Sei desse nome, não! - disse Jacilene. 

Valdenes disse:

- Olha, tu está em Lagoa da Italianinha, estado de Pernambuco, país Brasil. Pegou? 

Jacilene disse:

- Me perdoem, mas eu sou de Vila Rica, nasci em 1752 na França e me chamo Jacilene. 

Joni Von disse: 

- Pronto, Fabíola, outra doida feito tu que pensa que tá no passado. 

- Estamos no presente, seu maluco, no ano de 1955. 

- Nós estamos em 2025! - disse Branquinha. 

Jacilene disse:

- Parem com isso, estamos em 1795.

Cláudia disse:

- Cosa succede????

- Io non capisco niente! - disse Érica. 

Jacilene percebeu que Branquinha mexia em um celular, e disse:

- O que é isso na sua mão?

- Um celular! 

- E pra que serve esse troço? 

- Aqui faço ligações, falo com as pessoas, mando mensagens...

- Mensagens????? Onde eu moro a gente manda mensagem escrita. 

Jacilene viu ainda carros, e ficou pasma. Ela disse:

- Esses carros são tão estranhos... onde moro é tudo puxado a cavalo. 

Valdenes disse:

- Tu está falando essas coisas, tu tá parecendo a louca da Fabíola. 

- Eu quero voltar pra Vila Rica!

Pouco depois, chegou o cientista Eugênio, que ao ver Jacilene, disse:

- Finalmente, te encontrei. Vamos embora!

Cláudia disse:

- Che é questa donna? 

Eugênio disse:

- Eu inventei uma máquina do tempo, e acabei trazendo ela do século XVIII. 

- Sério???? E eu pensando que era uma doida feito Fabíola! - disse Valdenes. 

- Para de falar de mim, Valdenes. 

Érica disse:

- Mamma mia!!!! 

Eraldo disse:

- Vamos registrar esse momento, tirar uma foto. 

- O que é foto? - disse Jacilene. 

- É uma coisa muito legal! Não precisa ter medo, ok? 

Eraldo, Fabíola, Branquinha, Valdenes, Jacilene, Cláudia, Érica e Joni von posaram para foto, tirada por Eugênio. Jacilene viu a foto e disse:

- Que legal...

-Tiramos foto com a francesa do século XVIII, quem ver não vai acreditar - disse Valdenes. 

- Vamos embora, Jacilene. 

Eugênio levou Jacilene para sua casa, e colocando-a na máquina do tempo, mandou-a de volta para seu século de origem. Eraldo dizia:

- Eugênio e suas invenções malucas...

- Será que essa mulher é do século XVIII mesmo ou é uma atriz se fazendo? - disse Branquinha. 

- Quem sabe? - disse Valdenes. 

Voltando em Vila Rica em 1795, a pianista Regina, preocupada, disse para Jacilene:

- O que aconteceu, porque sumisse?

- Acredita que fui entrar dentro de uma máquina e parei em um lugar estranho, lá em Pernambuco, com carros movidos a motos, um tijolo nas mãos onde se mandava mensagens, e sete pessoas que estavam vestidas de uma forma tão estranha? Tinha uma mulher que parecia ser mais ou menos da época de hoje, mas tinham três homens com camisa e calça diferentes, um deles descalço, tinha três mulheres, uma com camisa e calça, que falava português, outra de camisa e calça que falava italiano, e outra de vestido que também falava italiano...

- Que loucura. Mulher com camisa e calça não existe, nós só usamos vestidos! 

- É verdade, Regina. Mas foi louco demais, eu não entendi foi nada. 

- Descanse, você tá cansada. 

- Vou mesmo, estou acabada. 

Jacilene foi para o seu quarto dormir, e Regina dizia:

- Jacilene anda vendo coisas...

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Duas mendigas no chafariz de Vitoriana

 

Em Vitoriana, duas amigas que viviam pelas ruas da cidade costumavam entrar no chafariz da cidade e brincarem ali. Clódia e Erika eram muito conhecidas e viviam pedindo esmolas por ali. 

As duas não tinham famílias e viviam ao relento, sem teto, e tinham aproximação com outros mendigos, a exemplo de Danucia, Varla, Renatis, Arthurius, Jefteus, Patriciana, entre outros. Clódia era mais calada, enquanto Erika costumava falar mais. 

Depois de uma tarde no chafariz, por volta do ano 70, Erika saiu, mas Clódia continuou na água. Erika disse:

- Daqui a pouco vão passar alguns soldados querendo que tu saia da água. 

- Deixe passar, eu não tenho medo. 

- Mas tome cuidado, que a grande autoridade aqui, o senador Eraldus, pode querer nos impedir de nos divertir no chafariz. 

Clódia disse:

- Nós não temos casa, aqui é onde tomamos banho, assim como outros mendigos. 

- É verdade. Mas não custa evitar. 

Depois de muito custo, Clódia saiu da água. As duas caminhavam encharcadas pelas ruas de Vitoriana. Em dado momento, elas viram o casal Valdenius e Josiana de longe. Valdenius começou a olhar para Erika ,e Clódia disse:

- Parece que aquele homem gostou de tu.

- Impressão sua. Ele é casado, não tá vendo a esposa dele ali? E depois, ele jamais iria querer qualquer coisa com uma mendiga. 

- Sei, não...

Josiana percebeu que Valdenius observava a Erika, e disse:

- Valdenius, porque tu olha para aquela mulher de rua? 

- Por nada, apenas chamou atenção por morarem na rua...

- Vamos embora. 

Josiane e Valdenius saíram dali e voltaram para a insulae onde viviam. 

A guerreira de Vitoriana

 

Em Vitoriana, na Roma Antiga, Véllia não pega em espadas, mas é conhecida como uma guerreira. Isso porque ela enfrenta vários desafios. Bem humilde, ela mora em uma pequena insulae com sua filha Alicia, e ganha a vida vendendo comidas pelas ruas de Vitoriana. 

Véllia tem um enorme carinho pelas pessoas que dormem nas ruas, e costuma distribuir comidas entre eles. É amiga principalmente das mendigas Danucia e Varla. 

Véllia também tem muitos inimigos, pois ela é corajosa e decidida. Enfrenta com coragem o senador Eraldus, que assim como fizera com Danucia, tenta tomar tudo dela e deixá-la sem nada. Além dele, tem sérios conflitos com Rida, a malvada madame e com Valdenius, seu vizinho de insulae que costuma azucrinar sua vida. 

Muitos em Vitoriana se perguntam sobre a vida amorosa de Véllia, mas ela não diz nada. Ela tenta se manter discreta em uma sociedade bastante patriarcal. 

A patinha feia da família

 

Uma exímia nadadora e apaixonada por água, a jovem Niedja, neta da italiana Alycia, é tida em Lagoa da Italianinha como "patinha feia", isso porque supostamente ela não seria tão bonita como os irmãos Quitéria, Lúcia, Cássia e André. 

Niedja se acha mesmo feia e desengoçada, usa algumas vezes óculos fundo de garrafa e é meio dentuça. Alguns chegaram ao cúmulo de duvidar que ela fosse da mesma família, insinuando que ela seria "adotada". 

Mas Niedja realmente pertence a essa família. Alguns mais velhos dizem que na família nem todos eram bonitos. 

A paixão de Niedja é a natação. É muito raro não vê-la na água. Inclusive, quando ela sai com sua irmã Cássia, que ama entrar na água no rio ou na cachoeira, Niedja costuma entrar com ela, diferente dos outros irmãos. 

Fábia se diverte no chafariz

 

Numa certa tarde, a mendiga Fábia foi se divertir na água do chafariz em Lagoa da Italianinha. Quando ela entrou, muitos a olhavam, ou com zombaria, ou com admiração, visto que ela é conhecida por ser quarentona, mas ter aparência adolescente. 

Outra mendiga, a Deza, passou por ali, e disse:

- Fábia, tu na água? Sai daí. 

- Nada disso, aqui é muito bom. Amoooo tomar banho. 

- Pois eu odeioooooo. - disse Deza. 

Fábia continuou se divertindo. Diferente de outro dia, não chegou a ser incomodada pela polícia. Ela passou mais de uma hora, e depois, saiu da fonte e foi caminhar pelas ruas. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

A aluna italiana

 

O professor de música, Eraldo, ganhou uma nova aluna: a italiana Érica, que decidiu se inscrever para aprender a tocar violão. Eraldo, que vive em Lagoa da Italianinha, no interior de Pernambuco, se viu diante da realidade de ensinar uma italiana tocar instrumento musical. Eraldo disse: 

- Eu sei um pouco de italiano porque meu avô Moysés era italiano de Verona. Mas.. . aqui nós tocamos Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Santana, Flávio José... e de quem são as músicas que tu quer tocar? 

Érica, entendo bem o português, mas não abandonando seu sotaque, disse:

- Laura Pausini, Eros Ramazzotti, Andrea Boccelli, Tiziano Ferro, Gianluca Grignani...

- Hum, está bem, senta aí, vou te ensinar. 

Érica segurava o violão e Eraldo lhe ensinava os acordes. Naquela hora, apareceu Valdenes, o amigo de Eraldo, e Clíntia, a secretária, observava a aula. Valdenes disse:

- Nossa. É aquela italiana?

- Ela mesma. Ela quer aprender a tocar violão. 

- Que legal!!!

Em pouco tempo, Érica já conseguia tocar e cantar. 

A ambulante e a cliente italiana


Em Lagoa da Italianinha, no agreste de Pernambuco, a vendedora ambulante Marcella acabou ganhando uma nova cliente, a italiana Cláudia, que ficou encantada com os lanches que ela vende. 

Certo dia, Cláudia encontrou a ambulante, e disse: 

- Quali sono le cose deliziose da mangiare?

Marcella disse:

- Não entendo muito italiano, mas veja aqui. 

Cláudia ficou encantada com os lanches, e disse: 

- Voglio!!!!

Cláudia mostrou o que estava querendo, e Marcella lhe deu. Cláudia pagou o que devia, e disse, bem devagar: 

- Voglio sempre comprare da te; ho sentito dire che sei il miglior venditore di snack a Lagoa da Italianinha.

Marcella não entendeu logo de cara, mas entendeu que a italiana lhe fazia muitos elogios, dizendo que ela era a "melhor vendedora de lanches da cidade". Marcella disse: 

- Obrigada, moça. Seja sempre bem vinda!

- Prego! 

Cláudia se afastou, e Marcella disse: 

- Prego? Por que prego? 

Mal sabia Marcella que "prego" significava "de nada". 


Conversa na cachoeira

 

Num certo domingo, em Lagoa da Italianinha, Valdenes foi dar um passeio com Josiane na cachoeira Sol Nascente, e lá encontraram as italianas Cláudia e Érica, duas amigas que eram modelos. Valdenes e Josiane, que estavam de roupa na água, perceberam que as duas, também vestidas, não eram da cidade. Josiane disse:

- Oi, tudo bem????

Cláudia disse:

- Tutto bene. 

- Oxe, são italianas?

Valdenes disse:

- Parece que eu fiquei sabendo que elas são italianas, mesmo, moram lá no Edifício Nápoles. 

Érica disse:

- Sono rimasto sorpreso nello scoprire che alcune persone qui nuotano completamente vestite, come me e il mio amico.

Valdenes disse:

- Não entendi nada. 

Josiane disse:

- Parece que ela ficou surpresa em saber que aqui alguns nadam de roupa feito elas...ela fez os gestos, deu pra entender...

- Ah, entendi. 

Cláudia disse: 

- Sei sposato?

Josiane disse:

- Não, eu e Valdenes somos amigos... ecco. Eu sei um pouco de italiano porque esta cidade foi fundada por italianos, e aqui tem pessoas que são descendentes mesmo. 

- Ok, ho capito! - disse Cláudia. 

- Siamo entrambe single, ma sono innamorata di un ragazzo che ha la mia stessa abitudine, e anche alla mia amica piace un altro ragazzo che fa la stessa cosa.- disse Érica. 

Valdenes disse:

- O que danado elas falaram?

Josiane disse:

- A morena aí disse que gosta de um rapaz que toma banho assim feito ela, e a outra amiga dela também gosta de outro que faz a mesma coisa. Só espero que não seja nenhuma por tu, visse?

- Oxe, nem pode ser eu, a gente tá se conhecendo agora. 

- Acho bom...

Os quatro passaram a tarde se divertindo por ali. Josiane aproveitou porque seu pai Moab, o deputado estadual, não estava na cidade, e sim, no Recife. 


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