Numa certa manhã, na feira livre de Lagoa da Italianinha, onde tem uma barraca de lanches, Mimi mostrava com orgulho para um grupo de turistas que visitavam a cidade uma foto de sua bisavó Mary Dee. Ela se animou a conversar com esses turistas quando notou que eles eram portugueses.
Mimi disse:
- Eu fico feliz em vocês virem de Portugal e fazer uma visita aqui no interior de Pernambuco. Eu sou bisneta de uma portuguesa.
- Sério??? - disse o turista, que estava ao lado de sua esposa.
- Sim. Ela se chamava Mary Dee, era cantora.
- Ora, a gente ouviu falar em Mary Dee - disse a turista esposa do outro.
Mimi disse:
- Ela nasceu em 1899, e veio para cá aos 36 anos, fugindo do regime fascista de lá, do Salazar.
- O Salazarismo foi uma triste página da história do nosso país.
- Pois é, imagina que ela ficou aqui 11 anos longe do marido que estava preso. Ele mesmo lá pediu pra ela fugir pra cá, e ela veio com um filho pequeno. Ele, depois da guerra, foi solto e veio pra cá, também, e aqui ficaram até morrerem. Eu amei a história da minha bisavó, mas fico triste porque não tive a oportunidade de conhecê-la pessoalmente, quando eu nasci, ela já tinha morrido alguns anos antes.
- Mary Dee era magnífica, você tem que ter orgulho de sua bisavó - disse o turista.
Mimi disse:
- Realmente, eu queria até abrir aqui um museu pra ela, mas não é fácil. Aqui tem um Museu de Imigração Italiana, pois essa cidade foi fundada por italianos, e tem um que vai abrir sobre coisas da Alemanha, pois aqui também viveu uma alemã.
Mimi notou que os turistas a olhavam de uma forma estranha, e a mulher perguntou:
- Moça, porque és careca?
- Desculpe, é estilo meu, esse meu estilo parece estranho, sabe, mas eu amo ser assim.
- Está bem, compreendemos. - disse o homem.
Mimi convidou os dois turistas para irem à sua barraca, e eles se deliciaram do lanche de Mimi.

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